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Artigos: Ensino Médio Politécnico: avanço, retrocesso ou desafio?

02 de julho de 2012 18

Por Samuel Hübner*

Passados quatro meses após a implantação do Ensino Médio Politécnico nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul, é momento de iniciarmos uma reflexão dessa nova modalidade imposta pela Secretaria Estadual de Educação.
De acordo com a proposta pedagógica para o Ensino Médio Politécnico e integrada ao ensino médio entre 2011 e 2014, entre os objetivos e metas destacam-se: proporcionar atividades voltadas ao mundo do trabalho, à ciência e à cultura, bem como erradicar os índices de evasão escolar e reprovação. Segundo a proposta, “constatam-se altos índices de abandono (13%) especialmente no primeiro ano, e de reprovação (21,7%) no decorrer do curso, o que reforça a necessidade de priorizar o trabalho pedagógico no Ensino Médio”.

Chegamos ao mês de abril e nós, professores, estamos nos deparando com uma realidade que já era visivelmente previsível. Primeira: no final do ano passado, ficamos felizes em saber que das 20 horas semanais, 13 horas seriam destinadas ao cumprimento em sala de aula e outras 7 horas seriam destinadas ao planejamento de nossas aulas. Começamos o mês de março com 16 horas em sala de aula.

Segunda: O Ensino Médio Politécnico prevê o cumprimento de 3.000 horas no decorrer dos três anos do ensino médio, sendo necessário a oferta de um contraturno para os alunos. Pois no dia em que os mesmos que frequentam diariamente a aula no turno da manhã e precisam comparecer no turno da tarde, escolhem faltar em um ou outro turno. E a meta do governo de “aumento gradativo da taxa de aprovação e permanência nas escolas de Ensino Médio na medida da implantação da reestruturação curricular, de 2012 a 2014” já fica defasada; sem falar nos alunos que trabalham ou fazem algum curso profissionalizante e faltam a aula. Devemos lembrar que de acordo com informações repassadas pela Coordenadoria Regional de Educação ficou claramente entendido que os alunos devem frequentar as aulas no contraturno. E aí surge outra questão: as empresas, os cursos técnicos e profissionalizantes devem liberar os alunos para virem à escola, ou vice versa? O que é mais importante?

Terceira: Com a implantação da disciplina de Seminários Integrados, os alunos precisam elaborar projetos de pesquisa integrando a sua vivência com a teoria e a prática, na busca de um conhecimento tecnológico e científico que os aproximem ao mercado de trabalho. Ainda, de acordo com a proposta do Ensino Médio Politécnico, “[...] deverá ser destinado um percentual da carga horária dos professores – um de cada área do conhecimento, para ser utilizado no acompanhamento do desenvolvimento dos projetos produzidos nos seminários integrados”. O discurso continua: “ O desenvolvimento de projetos que se traduzirem por práticas, visitas, estágios e vivências poderão também ocorrer fora do espaço escolar e fora do turno que o aluno frequenta. Para tanto, deverá estar prevista a respectiva ação de acompanhamento executada por um professor.” E aí vem a questão: quem de nós, professores, acompanhará o trabalho dos alunos fora do espaço escolar se não temos carga horária destinada para isso? Sem falar dos momentos em que ministramos a disciplina de Seminários Integrados e precisamos nos dirigir aos laboratórios de informática e não temos profissionais habilitados para nos darem suporte na execução dos trabalhos com os alunos; sendo que muitos não sabem utilizar um editor de texto e muito menos conseguem enviar um e-mail anexando arquivos.

Sabemos que a educação escolar sempre foi e continua sendo alvo de opiniões, críticas e tentativas. Está na hora de sofrer mudanças, porém, que devam ser pensadas e repensadas dialogando com os responsáveis que estão em sala de aula. Somos nós, professores, que sabemos das realidades e desafios enfrentados no dia a dia.  Mudanças são necessárias, sim. Entretanto, não podemos abraçar um projeto no qual os caminhos não se mostram claros e coerentes. Um mês já se passou e o desafio está e continua lançado até o final do ano letivo. Não podemos esquecer que, além de tudo, são nossos alunos que saem prejudicados.

*Professor

Comentários (18)

  • Miguel Boaventura diz: 2 de julho de 2012

    Como autor do livro ESTOU FORMADO. E AGORA? realizo gratuitamente palestras em escolas públicas sobre carreira. Fico sempre chocado com a desesperança estampada no rosto dos alunos do ensino médio. Como estudioso do tema, tenho me debruçado sobre esse assunto e chegado a algumas considerações, passíveis, como tudo nesse mundo, à contestações. Uma de minhas observações é que os alunos simplesmente não percebem nenhuma relação entre o esforço para se formar e uma vida profissional estável e feliz. Seus ídolos( todos ricos) não concluiram suas faculdades. Desnecessário citar exemplos que vão de Steve Jobs ao pseudo craque Neymar. Mas, acredito, é a arrogância dos gestores das politicas de educação em não envolver os protagonistas na elaboração dessas politicas, os alunos, o problema principal. A razão é simples. Ninguém se compromete com aquilo que não ajudou a construir. Qualquer gerente de RH minimamente preparado sabe disso. Observe os alunos do ensino médio. Olham para o chão. andam arrastando os pés. Parecem que carregam nos ombros uma expectativa de pais e da própria sociedade que eles não sabem como corresponder. Pior. Acham que talvez não valha a pena. Nesse final de semana, ficamos sabendo que a hora de trabalho de uma mecãnico de automóvel é mais cara que a hora de um médico. Um vendedor de churrasquinho ” de gato” em Porto Alegre, sem diploma, ganha 70 mil reais por mes. É com essa realidade que os alunos se defrontam fora das salas de aulas. Infelizmente, nossos gestores, preferem decidir a vida de nossos alunos em salas com ar condicionado, distantes do mundo real.

  • Angela Maieski diz: 2 de julho de 2012

    Como sempre, primeiro se implanta, depois se vê se vai dar resultado…muitos dos problemas poderiam ser evitados se os burocratas e pedagogos ficassem em sala de aula por um mês, administrando suas ideias na prática.

  • Bernardete Ruchel diz: 2 de julho de 2012

    Pois é, esta proposta de “inovar” e melhorar o Ensino Médio, é bonita no papel e olha lá. Mas a realidade tá complicada. Nem assistência não temos para tirar dúvidas, pois os cursos e formações que são oferecidos deixam tudo a desejar. Que diria com a falta de professores e carga horária… a sala de aula, o dia-a-dia. Ainda, temos diversas realidades em escolas. É bonito e fácil apresentar “as mudanças” na educação, e se não der certo, o professor ainda é o culpado.

  • Professor diz: 2 de julho de 2012

    O CPERS não tinha queimado esta baboseira toda?

  • Tiago José Fernandes diz: 2 de julho de 2012

    Respondendo ao enunciado: é um avanço,só não reconhecido pelos rançosos de plantão,sempre prontos a criticar,no entanto,são incapazes de colaborar com uma ideia.

  • Josué Pimentel diz: 2 de julho de 2012

    Tudo errado. Diminuir evasão com aumento de carga horária e no contraturno? Só na cabeça de burocrata e pedagogo fora da realidade. É só jogada política. Que preparação está sendo feita para o trabalho? Esses projetinhos de meia pataca? Só para inglês ver. Quem trabalha no contraturno ou faz curso, como é que fica? Qualidade que é bom, com bons professores, profissionais dedicados e comprometidos, bem pagos, que exijam dos alunos aquilo que eles podem oferecer, isso é só no sonho, porque o grande objetivo é aprovação, com qualidade ou sem. Logo, logo, ali num futuro bem pertinho, veremos o resultado dessa pataquada toda.

  • Gustavo B. diz: 3 de julho de 2012

    Eu cursei meu 2o grau com ensino técnico (foram 4 anos, tendo carga técnica a partir do 2o ano e sendo o 4o ano totalmente voltado para a área técnica), e graças a isso consegui um emprego como técnico em eletronica após o curso. Não era um salário sensacional, mas algo ótimo para um primeiro emprego, e qualificado. Quero dizer que ter tido essa formação profissionalizante foi fundamental para entrar no mercado em boas empresas. Todos tem um perfil técnico? claro que não, mas para começar é uma boa oportunidade, mesmo que depois a pessoa mude de area quando tiver alguma oportunidade.

  • Jesus Romário Corrêa diz: 3 de julho de 2012

    Toda a mudança que busca a melhora do ensino é bem vinda. Mas o principal deve ser o questionamento: um Estado que, no ensino básico, onde o uso de livros e o estudo são o principal não investe o suficiente, será que vai investir em um ensino politécnico, onde além do estudo é preciso fornecer meios para um aprendizado prático?

  • Gustavo Quevedo Carvalho diz: 3 de julho de 2012

    Bom dia.
    A minha impressão é de que esses “cargos responsáveis” por pensarem em uma melhor educação/aprendizagem são ocupados por curiosos que mudam a quatro anos. Será que toda a teoria existente sobre educação (inclusive a técnica/tecnológica) e suas metodologias não dá um suporte necessário para prever possíveis falhas ou sucesso? Eu acredito que sim. Não é possível ficar na base do “achômetro”… Pobres alunos!

  • Marco A. F. Simioni diz: 3 de julho de 2012

    Indivíduos que raramente entram em uma sala de aula (ambiente real de ensino) jamais deveriam fazer comentários ou mudanças no sistema de educação, pois promovem o caos no ensino, os burocratas visam um sistema educacional onde o professor é desqualificado e o aluno é um indivíduo adestrado para servir ao sistema. O ensino continuado e com matérias básicas sempre foi a base de uma sociedade pensante. Os governos deveriam ser proibidos de fazerem mudanças no sistema de ensino, pois isto não é um brinquedo ou futebol, e, os ajustes devem ser feitos a longo prazo e por técnicos efetivos (professores de sala aula)! Para os políticos o ensino é propaganda: mudam os nomes (ensino “a” ou “b”) e a escola no final é reprovada!

  • INES BATISTIN PRO diz: 6 de setembro de 2012

    Inovar o ensino médio ? O que entende uma pessoa que não sabe da realidade das escolas e está lá de passagem somente por política? Meu repúdio é que quem faz as novas leis, nem se quer é formado num curso de educação, nunca atuou em sala de aula e querem vir impondo? Os nossos estudantes de ensino médio visam um curso superior e não um politécnico mascarado. Até quando iremos ficar calados e fazer as vontades desses que se dizem querer uma educação melhor? Nossa educação está cada vez pior, pais abram seus olhos e se juntem aos professores para lutar por uma real melhoria na qualidade, pois os estudantes de agora são os futuros governantes deste país.

  • rose maria schneider diz: 9 de setembro de 2012

    A nova proposta para o Ensino Médio Politénico é semelhante à lei 5692/71, da ditadura militar. Elimina as disciplinas, separa em áreas, e o professor transforma-se em um generalista. É um grande golpe para a categoria dos professores. Quem vai defender o professor? Recomendo a leitura de Paulo Ghiraldelli, em artigo publicado na Folha de São Paulo, com o título: Reforma Estapafúrdia.

  • maripeli da Silva de Oliveira diz: 27 de novembro de 2012

    È muito bom saber o porque o Ensino Politécnico foi aplicado,e também é muito interessante assim estou aprendendo cada vez mais sobre o mercado de trabalho e decidindo que carreira quero seguir.È muito bom e interessante participar desse projeto para a evolução estudantil.

  • flavia boligon diz: 26 de março de 2013

    como aluna do ensino medio axo esta mudança RIDICULA pois iso fas com que os alunos desistem da estudar.

  • camila diz: 31 de março de 2013

    Apenas as escolas públicas vão se reestruturar se tornando escolas de ensino politécnico. Por quê? Eu pergunto não haverá desigualdade, ou seja, vai ser retirados períodos de matemática, português substituídos por técnicas voltadas para o trabalho. Eu já acho que matemática é difícil de aprender com os períodos normais imagina reduzidos! E na hora de fazer um vestibular o aluno da escola particular com os períodos normais de matemática não vai estar bem mais preparado que o aluno que ficou estudando como ele deve trabalhar?
    Tomara que eu tenha entendido errada essa proposta de ensino politécnico.
    Porque pelo que eu entendi o pobre é que vai se dar mal como sempre.
    e os professores tambem…

  • Everson diz: 18 de abril de 2013

    Prezada Flavia. É justamente por ver um texto como o seu (axo, ridicula, iso, fas, desistem) que é imporioso que existam mudanças na educação. O Ensino Politécnico é uma alternativa que se apresenta. Simplesmente posicionar-se contrariamente a isso não nos leva a lugar algum, a não ser cada vez mais para mais fundo neste abismo. O que devemos fazer todos (professores, alunos, meios de comunicação) é pressionar para que se garantam as condições para a sua implementação. Protestar, lutar para que o Politécnico seja implantado em sua plenitude.

  • Julia Caroline Geib diz: 25 de abril de 2013

    Eu, Aluna do 2º ano do ensino médio politécnico, tenho que dizer que antes de fazer o segundo andas de uma casa, é preciso verificar se a estrutura suportará. As aulas do politécnico se baseiam em pesquisas, que necessitam de computadores, que devem estar na sala de computação da escola, junto com um professor que seja realmente de informática. Também precisa de mais salas de aula, pois alem dos alunos do turno da tarde, por exemplo, é necessário salas de aula para os da manhã, que tem aula no turno inverso. Necessita também de bibliotecas abastecidas (se não tiver sala de informática, ao menos uma biblioteca, por favor) e acima de tudo, NECESSITA DE UM ROTEIRO DE ESTUDO, pois imaginar que os alunos vão ficar 3 anos tendo matérias onde só fazem trabalhos, trabalho e trabalhos, é complicado, ainda mais se forem tantas horas com a matéria seminário integrado. Outra, as escolas já necessitavam de professores antes, agora que aumentou a carga horária, necessita mais ainda. E por que tem falta? Os alunos são desrespeitosos? O material de ensino não é bom? ou será que o SALÁRIO É RUIM? Praticamente todos os professores dizem que estão dando aula por “amor a camisa”, por que se fosse pelo salário… Queridos Orgaõs Públicos, aulas no turno inverso não são a solução pros teus problemas, investir são. Em salários, em computadores (que serão cada vez mais presentes), em QUALIDADE. Talvez assim os alunos não preferissem sair da escola para começar a trabalhar, ou fossem mais motivados, vai saber, é só uma ideia que vocês poderiam por em pratica, como fizeram com o Politécnico!

  • camila diz: 26 de abril de 2013

    Se a Flavia, escreve desta maneira, ‘ISO,AXO,FAS”, Agora tendo períodos normais de português imagina quando reduzirem,estes períodos,o que será dela?e de todos os outro….esta é a minha curiosidade,queria que alguém que apoia essa ideia do politécnico,me respondesse.

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