Sergio Sebold*
A agregação de valores sobre produtos cada vez mais sofisticados possibilitou gerar um grau razoável de produtividade graças à abundância de recursos financeiros colocados à disposição da sociedade. Esta abundância (fictícia) permitiu, pela competição, a possibilidade de distribuir pagamentos (prestações) por um longo período de tempo, no pressuposto de uma condição econômica e política estável.Com prestações baixas, que cabem em qualquer orçamento, é possível chegar a um maior número de pessoas bens que em outras épocas nem eram sonhados, pelo alto valor agregado. Hoje, estão ao alcance de qualquer um.
Uma coisa puxa a outra. Prazos dilatados alcançam uma população maior, pela redução dos valores parcelados. Quanto maior o mercado de consumo, maior será a produção, levando a redução de custos, permitindo preços mais baixos. Para que tudo isto ocorra, conta-se com a tecnologia. Mas esta reduz o número de empregados, logo, menor é a massa salarial. Menor será a capacidade de consumir. Estamos diante de um impasse do sistema capitalista. No longo prazo, sistema algum conseguirá suportar. Pior, este longo prazo já está ocorrendo.
Por sua vez, o uso da tecnologia na produção permitiu-se produzir bens em série, gerando um produto final cada vez mais barato. O produtor passou a ganhar menos por unidade de produção, mas é compensado pelo fator quantitativo, auferindo enormes margens de lucro. A medida da saturação do mercado obriga os produtores gerarem uma variedade praticamente infinita de novos produtos. Esta espiral de novidades está levando ao esgotamento de consumir da sociedade, sem contar o esgotamento do meio ambiente.
Encontra-se algum espaço ainda significativo nas populações jovens, sempre ávidas por novidades para satisfazer seus individualismos. Mas, demograficamente, esta população está caindo dramaticamente. Este é o preço pela baixa fecundidade feminina em queda nos últimos 20 anos. E agora? Pelo lado da população da faixa etária dos idosos, que está engrossando seu contingente, tanto na expectativa como na qualidade de vida, eles são por natureza mais conservadores, isto é, não muito afeitos a novidades, ao menos no ritmo atual.
Deve-se levar em consideração que o sistema capitalista foi além do atendimento das necessidades humanas, criando também produtos supérfluos, inúteis, que, cada vez mais, exigem meios financeiros para adquiri-los, oferecendo um sem número de formas de pagamento para consumo pela oferta de crédito em massa, como créditos pré-aprovados, cartões de crédito (poder de entrada para o paraíso do consumo), cheques especiais e outros facilitadores para o olimpo do consumismo.
A oferta de crédito tem seu limite na capacidade de endividamento do tomador/consumidor em relação a sua renda. Além deste limite, o credor corre sério risco de não mais ver a cor do dinheiro emprestado. A questão do superendividamento dos consumidores identificado nas pesquisas do CNC, nas quais mais da metade da população tem um tipo de atraso, pode levar ao fracasso do sistema financeiro. A estratégia comercial de identificar qual o valor da prestação que cabe no orçamento das classes de renda mais baixa para ampliar as vendas, com juros baixos, deixou de lado a questão do prazo de pagamento, indo muito além de nosso horizonte de compreensão.
Numa eventual dificuldade do consumidor em honrar aqueles pagamentos, poderá renegociar sua dívida num processo perpétuo de escravidão. Mas, a cada renegociação de dívida, deixa de consumir outro ou novo produto. Na prática, o consumidor está comprando a dívida, e não o produto. Perde qualquer sentido de lógica quando os pagamentos ultrapassam a vida útil do bem. Assim, dinheiro que gera dinheiro não gera consumo. Este é um tiro no pé, que será a gangrena econômica no futuro. Estamos diante de um impasse. A perda de fôlego demonstrado pelo pífio PIB deste ano pode ser uma pequena janela para uma recessão que vem por aí.
*Professor








Magnifica e proveitosa a colocação do professor Sergio Sebold,porem, gostaria de acresentar meu ponto de vista: Com a agregação dos produtos somados a facilidade de adquili-los a longo praso, fazem com que aqueles menos desavisados compre com excesso produtos que a principio não havia tanta necessidade .Presumo que tal atitude leva uma sociedade endivida que se tornará "um prato cheio" para a queda na economia e consequentemente a queda do PIB,até por que,ninguem consegue tirar o peso de sua bagagem, gastando mais que aquilo que ganha.
Magnífica e proveitosa á colocação do professor Sergio Sebold,porém gostaria de fazer uma observação:Com a agregação dos produtos,somado a facilidade de pagamento a longo praso ,isso faz com quê,os menos desavisados adquira produtos que no momento não seria tão necessário.Presumo que tal atitude,acabará por transformar uma sociedade individada que será um "prato cheio"para a queda da economia e consequentemente a derrubada do PIB,até por que, não será possível o crescimento de uma nação com uma sociedade individada
Muito esclarecedor o artigo , desvendando as armadilhas do consumismo.
meu caro professor:
artigo em linguagem muito confusa: parece economês.
com certeza não leciona português.
que tal traduzir?
A verdade é nua e crua. Não têm, não gasta e se têm segure!
As pessoas vivem numa eterna corrida de ratos, onde a rotina é uma só. ACORDA, TRABALHA, PAGA CONTA...ACORDA, TRABALHA, PAGA CONTA.
Nada alem disso, mais dinheiro e sinonimo de mais contas. Deixam-se corromper pelo desejo de um contra-cheque e inundan-se em dividas e no mês seguinte tem que trabalhar o dobro porque o salário do mês já não é suficiente e as contas batem a porta ameaçando acabar com a paz e o sono.
*O INPORTANTE É O QUANTO VOCÊ GUARDA, POUPA, ECONOMIZA E NÃO O QUANTO VOCÊ GANHA.
Correto. O pequeno industrial ( sem automação) vai fechar sua indústria e procurar emprego na outra ( de artesão à operário). O aposentado não conseguirá pagar sua 3ª ou 4ª operação de refinanciamento. A CEF. deverá juntamente com outras inst. ter profundos problemas para receber contas. O sistema usado atualmente de gasto mensal: a sobra do orçamento doméstico), não importando o preço, mas sim o valor da prestação; num breve futuro vai limitar os demais gastos ( superfluos que todos usam) que deverão ser cortados, ou talvez os artigos devolvidos. Vivemos no euforismo do consumo ao qual não somos acostumados e pensamos só no momento, mais nada! Alguém vai ter que financiar as financeiras; os estádios a construir e tudo o mais. Quem será que vai assumir tudo?
Ótimo artigo.
Para complementar pergunto ? Quem ganha com este "Crescimento Econômico" ? As pessoas em geral não, pois as pessoas muitas vezes acham que tem que comprar para acompanhar a moda e muitas vezes compram produtos fúteis fabricados em países que não obedecem os critérios de qualidade e segurança fazendo com que eles fiquem obsoletos antes de serem pagos. Sempre digo que estamos enchendo o mundo de lixo. Quanto ao modo de produzir estes produtos, noto que nunca houve tanta concentração de renda como ultimamente em razão da quantidade em detrimento da qualidade. Ao invés de termos maior quantidade de pequenas empresas familiares e sólidas, temos as grandes empresas que concentram a produção, controlam a remuneração dos operários e concentram a renda. Quando uma empresa não é mais conveniente, ela é fechada e surge em outro lugar e começa tudo novamente, recebendo recursos dos governos para isso. As pequenas empresas estão se tornando inviáveis.Ainda sobre o consumo, meu pai fala sempre quando vai comprar algo: será que isso é necessário? compramos por impulso e não por necessidade. Será que o planeta vai aguentar? O sistema atual tornou-se difícil de manter. Uma mudança deve partir da consciência das pessoas. Vamos abrir a nossa mente e pensar antes de comprar...
Há 150 anos Marx apostava que sim. Muitos também profetizaram antes e depois dele. Seu sonho se criou finalmente na URSS, em 1917, espalhou-se por vários países, e hoje sumiu na maioria deles em que o povo retomou as rédeas depois da escravidão. O capitalismo nasceu antes de Marx e sobrevive depois do fim do socialismo colocado em prática. Nem matando milhões deram certo. E a pior poluição e esgotamento de recursos ocorreu justamente em países comunistas.
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A cidade mais poluída do mundo fica na Rússia, Dzerzinsk, herança da antiga URSS. O Mar de Aral foi drenado por maus programas coletivistas e virou um desastre ambiental. Chernobil é o maior desastre nuclear da história, fruto do socialismo soviético pela fuga ao lucro. O esturjão, que fornecia o caviar mais caro do mundo, do Volga, está em extinção tal a poluição do maior rio da ex-URSS, contaminado de mercúrio e lixo tóxico industrial.
Nunca faço isso,mas a título de colaboração e fazendo uso do que pressupõe a democracia e dentro dela a liberdade de expressão,não concordo com a crítica do Alberto ao artigo do professor Sérgio.É,sobretudo técnico o texto, caro Alberto,entretanto,muito claro e oportuno.Por vezes,nesse espaço,são publicadas textos sem tanta importância e inúteis do ponto de vista das nossas necessidades,mas nem por isso seus autores precisam sofrer ataques desrespeitosos e até preconceituosos (não leciona português professor???),mesmo porque isso fere o princípio da liberdade de expressão e com certeza vai na contramão da finalidade desse espaço.O que é publicado aqui é para ser lido e debatido.As opiniões em contrário são sempre bem-vindas,porém sem o caráter de ofender e depreciar.Ademais, se você achou que está muito confusa a linguagem, há duas alternativas.Ou você escreve um artigo com a tua, ou aprimore teus conhecimentos.Meus respeitos!
O IBGE em pesquisa, levantou que 40% ( quatro em déz) familias no BR não mais tem condições de quitar seus débitos.