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Artigo: A educação precisa de respostas

30 de agosto de 2012 44

Samuel Hübner*

Ao acompanhar durante essa semana a divulgação da nova campanha institucional – A educação precisa de respostas – divulgada pelo Grupo RBS, confesso que ao mesmo tempo em que fiquei feliz com a notícia, também achei lamentável termos que chegar ao ponto em que é preciso realizar campanhas para qualificar a educação da nossa sociedade, sendo que é a partir dela que podemos construir uma sociedade mais justa, na qual todos possam agir conscientemente e fazer o devido uso de seus direitos e deveres.
Para tanto, não podemos ficar somente na “discussão” dos fatos e sim concretizá-los para que, daqui a alguns anos, possamos olhar para trás e sentirmos orgulho do nosso caminho percorrido.
Ao ler as diversas manifestações dos nossos secretários de educação, governador, pesquisadores e especialistas veiculadas durante o decorrer dessa semana, fico me questionando se eles sabem como anda o ensino nas escolas gaúchas, ou somente se manifestam suas opiniões com base em índices que são divulgados, mas que muitas vezes não atestam com vigor a realidade de nossas escolas.
Aproveitando, portanto, que a temática educação voltou a ser o centro de nossas atenções, eu, como professor, que estou em sala de aula trabalhando quarenta horas semanais e trabalhando nos turnos de “folga” em outra instituição, gostaria de fazer alguns apontamentos para que a sociedade refletisse através da visão de um professor.
Primeiro: precisamos valorizar os professores que estão trabalhando efetivamente em nossos educandários. Atualmente, o que vemos, é que na maioria das escolas estaduais há uma imensidão de professores contratados. Muitos, ao iniciarem, demoram em média de três a cinco meses para receberem o primeiro salário. Isso que o salário não chega a dois salários mínimos.
Segundo: nosso atual governo realizou um concurso público que, até meses atrás, era alvo de notícias nos mais diversos meios de comunicação. Alguém lembra ainda do concurso? E ao tentar relembrar, infelizmente, até hoje não conseguimos encontrar respostas ao descaso que o governo fez com os professores: questões extremamente difíceis que a própria empresa responsável pela realização do concurso teve dificuldades em analisar todos os recursos. Gostaria que reunissem especialistas para avaliarem a prova com afinco para ver se ela estava de acordo com a proposta do governo e com questões bem estruturadas.
Terceiro: muitos especialistas afirmam que nosso ensino passa por problemas, pois os professores não estão devidamente capacitados para atuarem em sala de aula. E como estão os cursos de licenciatura nas nossas universidades? Cabe ressaltar, também, que se fizermos uma pesquisa, constataremos que a grande maioria dos professores, além da licenciatura, possuem pós-graduação e muitos estão cursando mestrado.
Quarto: não precisamos de novas “modalidades” de ensino. A escola enfrenta, sim, problemas de reprovação e evasão escolar. Mas, com o Ensino Médio Politécnico, esse problema está sendo acentuado e muitos continuam batendo palmas como se tudo estivesse transcorrendo perfeitamente.
Quinto: adotar turno integral nas escolas não resolve. As escolas não são e nem estão atraentes. Falta espaço físico e salas de aula equipadas para que nossos alunos tenham mais conforto e não fiquem, por exemplo, suando durante o verão.
Sexto: precisamos de especialistas como psicólogos, terapeutas, psicopedagogos, fonoaudiólogos entre outros para atenderem os alunos que necessitam de uma maior atenção ou para os que apresentam dificuldades de aprendizagem.
Sétimo: a escola deve ser vista pela sociedade como um lugar que merece nossa admiração e respeito. Alguns alunos e pais necessitam entender que existe horário para as aulas começarem. Se a aula começa uma hora, não significa que o aluno possa entrar na sala de aula uma e quinze.
Oitavo: a reprovação e a evasão escolar não acontecem somente com os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem.  Esse problema se manifesta nos alunos que efetivamente não querem estudar. E, quando chamados à escola, muitos pais não sabem o que fazer com seus filhos, pois a família não está estruturada. Para essas famílias, é necessário assistência para revertermos a situação.
Nono: a sociedade precisa entender que escola não é lugar de “despejar” as crianças e adolescentes e esperar que eles saiam melhores de lá. Aprender nem sempre é um ato prazeroso. O aluno precisa demostrar esforço, estudar, ler, reler, escrever, apagar, reescrever…
Décimo: nunca como antes coube à escola trabalhar, além dos conteúdos, todas as inquietações pela qual a sociedade passa: violência, bullying, união homoafetiva, inclusão, racismo, enfim, tudo acabou sendo deixado como tarefa para a escola resolver.
Sejamos realistas e racionais. Medidas devem ser apontadas e os problemas enfrentados e resolvidos. Precisamos de uma uniformidade em nosso sistema de ensino. Educação exige compromisso, seriedade e respeito. A sociedade precisa se unir, encarar e participar juntamente com as escolas de todo o processo que se chama educação.

*Professor

Comentários (44)

  • Angela Maieski diz: 30 de agosto de 2012

    Parabéns Professor Samuel. Nada há a acrescentar. Assino embaixo

  • orion pons diz: 31 de agosto de 2012

    Faço minha as suas palavras, pois é muito comum assistirmos os especialistas opinarem baseados em teorias e índices divulgados pela mídia sobre a realidade educacional não só do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mas também dos demais estados da federação. Todos nós sabemos que a educação brasileira está decadente há décadas, porém o que os especialistas não conhecem é a realidade das escolas públicas: abandonadas, com pouquíssimos recursos para manutenção, com falta de pessoal – serventes, porteiros, monitores – enfim, poderíamos enumerar uma série de dificuldades recorrentes comum a todas as instituições, mas para sermos breve faço apenas um convite aos especialistas, ou seja, que vivenciem o cotidiano das escolas e, principalmente a realidade do professor, com excesso de carga horária, salários humilhantes e todos os problemas comuns inerentes a uma sociedade doente que em última análise acaba chegando até a escola que se encontra desprovida de recursos humanos e materiais para resolvê-los com êxito.

  • Valdir João Spanholi diz: 31 de agosto de 2012

    Fui professor do Estado durante 7 anos e me sinto comprometido para falar sobre este problema crucial gaúcho e brasileiro: Educação. Primeiro para dizer da importância desta iniciativa do Grupo RBS; mas gostaria de emitir alguns comentários.
    1) Um dos principais problemas de nossa educação é a falta de Gestão. É preciso que o Diretor de escola seja formado em gestão escolar com formação específica. Neste sentido (no caso do RS), a escolha dos diretores de escola por eleição é um atraso. Este professor( eleito diretor) além de não ter formação para tal, está mais comprometido com seus pares do que com as diretrizes emanadas pela Secretaria da Educação;
    2)Com certeza temos que pagar melhor os professores, mas não é só com salário que vamos melhorar o nosso ensino. É preciso estímulo, diretrizes e formação constante.
    3)Com isso concordo com a tão criticada “enturmação”, tentada alguns anos atrás. Podemos sim colocar mais alunos em sala de aula, desde que tenhamos um professor preparado, motivado e apoiado na questão disciplinar dentro da escola.
    4)Tenho receio de que quando se discute educação sempre vem aqueles que querem inovar, ou trazer importar um modelo. As melhores escolas são aquelas que não se brinca em serviço: é estudo, trabalho e disciplina. Não é um tablet que vai melhorar a educação…

  • João Manoel Garcia diz: 1 de setembro de 2012

    De que forma haverá melhoras na educação quando:
    - UM PROFESSOR SE QUALIFICA, CONFORME DIZ ESPECIALISTAS, E RECEBE EM TROCA APENAS R$ 35,00 A MAIS EM SEU SALÁRIO, ENQUENTO QUE UM JUIZ DE DIREITO RECEBE, SÓ COM GRADUAÇÃO, R$7.000,00 DE AUXÍLIO MORADIA.
    - Chega dos teóricos que nunca entraram em uma sala de aula criticar aqueles que verdadeiramente são professores, que trabalham em periferias e que tem o mesmo curriculo que estes, mas com uma diferença, GANHAM COM DOUTORADO APENAS R$ 35,00 a mais em seu salário.

  • Geraldo Carlos Kemp diz: 1 de setembro de 2012

    Concordo em gênero e número com os comentários e artigo. è muito fácil pensar e fazer educação em gabinetes refrigerados e acompanhados por belas secretárias. A grande maioria dos especialistas que se consideram os donos da verdade e das soluções para a educação no Brasil nunca enfrentarem uma sala de aula. Não conhecem as mazelas que os professores enfrentam. infelizmente nós também somos responsáveis pela atual situação da educação brasileira. Cadê nosso compromisso, nossa união, nossa determinação em tentar reverter a situação, enfrentando os governantes e gestores incompetentes? Enquanto a educação for instrumento político-partidário nada mudará.

  • Ana Lockmann diz: 1 de setembro de 2012

    Olá! Eu acho lamentável! Enquanto focarem no professor como responsável pela educação! A educação deve ser focada no aluno para o aluno! Infelizmente são tantas burocracias! Você tem que trabalhar semana disso, semana daquilo… e o que é essencial fica nas entrelinhas! Na verdade a educação deveria vir de casa! A escola é um lugar para trocas e crescimento do conhecimento! Sou professora ha 14 anos com muito orgulho! Ao reencontrar alunos, percebo que para ele eu fiz a diferença! Espero que eu ainda esteja atuando quando a educação for valorizada de verdade!!!

  • Henrique Menezes Avancini diz: 1 de setembro de 2012

    Concordo,inteiramente o o texto excelente colocações do professor.

  • Henrique Menezes Avancini diz: 1 de setembro de 2012

    Concordo,inteiramente com o texto excelente colocações

  • Lucas M Santos diz: 1 de setembro de 2012

    Um juiz na frente de bandidos ganha R$ 20.000,00
    Um professor na frente de crianças ganha R$ 1.500,00 (Jamais meus filhos serão professores).
    Solução: aumentar o salário dos professores, mas após a realização de uma prova em que o profissional comprovar que está capacitado. Tem muito professor desqualificado.

  • Luciane Escobar diz: 1 de setembro de 2012

    Professor, seu comentário foi sensasional, resumiste todos os problemas da área da educação de forma clara e perfeita!!!
    Concordo perfeitamente com tudo que pontuaste, e se caso as coisas não mudarem os problemas educacionais continuarão sempre.

  • nadir costa diz: 2 de setembro de 2012

    Beim dito. ¿Mais como obviar a desigualdade social, nacente de tudo o problema, e origem de toda esa desestrutura familiar? Opino que deveram pasar muitos anos para que se normalice esa situaçao

  • DANTE diz: 2 de setembro de 2012

    BEM ZERO AQUI VAI UM COMENTÁRIO MEIO DURO, MAS BEM REALISTA.
    PRIMEIRO, OS PROFESSORES PELO MENOS POR AQUI SÃO PÉSSIMOS,NÃO TODOS É CLARO, MAS DEVERIA HAVER UMA SELEÇÃO MAIS APURADA.
    SEGUNDO,O SALARIO DESTE PROFESSORES É SEM COMENTARIO, AFINAL QUEM PODE TRABALHAR COM UMA DESMOTIVAÇÃO DESTAS.
    TERCEIRO,DEPOIS QUE ALGUNS METIDOS A PSICÓLOGOS INVENTARAM QUE NÃO SE PODE TOCAR NO ALUNO,UMA COISA CHAMADA ORGANIZAÇÃO FOI PRO ESPAÇO,E PORTANTO ONDE NÃO HÁ ORGANIZAÇÃO HÁ BAGUNÇA, QUE É O CASO DOS COLEGIOS HOJE EM DIA.
    QUARTO, COM ESSA GERAÇÃO DO BOTAOZINHO, ONDE TUDO É MUITO RÁPIDO,O ENSINO PARECE UMA LESMA.
    ENFIM O CAOS ESTÁ INSTALADO.
    CHAMEM ALGUEM COMPETENTE PARA CONSERTAR ISSO,OU VAI PIORAR E MUITO.

  • Rosecler A. C. Gomes diz: 2 de setembro de 2012

    Parabéns, professor! Sou professora também, há 23 anos e essa realidade nunca foi diferente. A sociedade está colocando na escola todas as responsabilidades da família e da própria sociedade. Nós somos apenas profissionais, não “milagreiros”!!!

  • Luis Paulo diz: 2 de setembro de 2012

    No ensino basico o aluno tem que aprender Portugues, Matematica, Historia, Geografia, Ciencias e uma lingua estrangeira (o ingles preferencialmente). Nos tres ultimos anos do ensino medio pode-se ter a opcao de ensino profissionalizante. O curriculum deve ser padronizado nacionalmente. Os professores devem ser bem remunerados e preparados. Temos que nos espelhar no que eh feito nos paises desenvolvidos. Tudo isto tem que ser feito com planejamento e metas que devem ser constantemente cobradas. Quem for para a escola faer bagunca deve ser severamente punido. Quem for relapso nos estudos e nao passar nos exames tem que sair da escola e dar lugar para quem quer estudar. Qualquer coisa fora disto eh conversa fiada de politicos e teoricos para parecer que estao fazendo alguma coisa.

    Alem disto, no ensino fundamental deve-se ensinar a crianca a ser um bom cidadao (nao jogar lixo no chao, nao fazer vandalismo, etc). Deve-se criar uma disciplina para isto. Isto vai gerar economia para a sociedade, pois mais tarde nao teremos adolescentes delinquentes.

  • Nelson Gomes Affonseca Junior diz: 2 de setembro de 2012

    Pertinente e justo, no entanto, as cotas universitárias, estão aí para demonstrar que o descaso com a educação básica traz consigo repercussões nefastas que ultrapassam gerações. As cotas são um fenômeno que permite “rebaixar” o nível educacional e de pesquisa das Federais para facultar o acesso de jovens vítimas da má formação básica. E pelo visto as cotas serão necessárias por gerações eis que são incipientes e ineficientes as gestões do ensino fundamental Brasil afora.

  • daiane diz: 2 de setembro de 2012

    Enquanto a rede globo continuar apresentando zorra total e filmes repetidos milhares de vezes a educação ficará sem respostas mesmo. Nem a rbs age com a responsabilidade que tem de ser o principal veículo de comunicação. Olhem os canais americanos da tv paga, documentários super interessantes, cultura e educação puras. A educação tem que ocorrer fora e dentro das escolas, na sociedade como um todo.

  • Gregoria Moraes diz: 2 de setembro de 2012

    Concordo com os comentários dos demais colegas, e o que mais nos deixa desmoralizados é o nosso “SALÁRIO” hahhahahahahahhah, esse, até parece Piada. E ainda querem cobrar uma Educação de Qualidade. Será que com o salário dos Deputados também é cobrada a mesma Competência. Ter salas de aulas super lotadas, em média 40 a 45 alunos, e com alunos onde a desestruturação familiar reflete dentro das salas de aula. Até quando???????

  • Sergio Luiz Pereira Nunes diz: 2 de setembro de 2012

    Parabéns pela “radiografia” real do que acontece no magisterio do RS. Só gostaria de acrescentar que a sociedade gaucha vai pagar um preço muito caro por esta reestruturação do Ensino Médio que só acontece na mente do secretario de educação e dos burocratas do Piratini.

  • Briseidy Marchesan Soares diz: 2 de setembro de 2012

    Fui professora estadual 15 anos, mas naquela época os professores ainda eram mais valorizados do que hoje. A gente ganha pouco, mas corria atrás para manter a qualidade. A minha experiência enquanto professora da educação básica foi muito importante porque aprendi muito e hoje utilizo essa vivência com meus alunos da Universidade. Sempre digo aos meus alunos que serão os futuros professores que a escola pública dos dá muita autonomia para a gente se constituir como professor. PORÉM O GOVERNO PRECISA VALORIZAR A CATEGORIA PAGANDO UM SALARIO DIGNO E REDUZINDO O NÚMERO DE AULAS POR PROFESSORES. QUEM CONSEGUE FALAR 8HS POR DIA OU SEJA 10 PERÍODOS POR DIA??????

  • Pedro Martim Kokuszka diz: 2 de setembro de 2012

    Esse caos não acontece apenas nas unidades educacionais gauchas. A qualidade de ensino já foi melhor. Aqui no Paraná os problemas apontados são os mesmos. Almirante Tamandaré pertence à região metropolitana de Curitiba e o nó da questão são estudantes oriundos de famílias desestruturadas onde a miséria impera. Jovens desocupados ameaçam alunos, professores, funcionários e diretores no encerramento das aulas, na saida dos referidos alunos das escolas. Muita coisa há para se fazer. O descaso oficial é gritante. Sou professor estadual há 26 anos e vejo a situação piorar a cada ano. Coerentes as colocações do professor e comentários. Imaginemos que a solução não é de uma hora para outra.

  • Tiago José Fernandes diz: 2 de setembro de 2012

    Emblemático a artigo do prof.Samuel,sobretudo,quando ao encerrá-lo,faz um convite a sociedade para que se una e participe junto com a escola e o Estado no processo da educação.Aqui reside,para além das outras dificuldades que todos sabemos,talvez a maior delas,que é justamente o “fenômeno da alienação social” que insere,inclusive,os não alienados em seu contexto.Voltando ao artigo:deveria ser entregue a cada candidato a prefeito da cidade,bem como impresso e distribuído a população,como forma de amenizar o “isso não é comigo” e conscientizar sobre a importância da união nas ações sociais,muito especialmente esta da educação,por onde passam todas as outras questões que precisamos resolver.Cumprimentos prof.Samuel!

  • Tânia Schreiber diz: 2 de setembro de 2012

    Caro professor Samuel,

    Quero parabenizá-lo pela análise detalhada sobre as condições do ensino público no Brasil, pormenorizando, em particular, a precariedade das escolas gaúchas, a ridícula e triste realidade em que se encontram nossos profissionais em educação, muitas vezes ameaçados pelos governos, caso as greves não cessem; pelos pais, caso não aprovem seus filhos, até pelos próprios alunos, se os professores os reprovam ou tentam educá-los para o respeito ao próximo e a não-violência.

    Sou professora às portas da aposentadoria, trabalhei 30 anos em sala de aula, posso falar com propriedade sobre todas as lutas e de todas as “respostas” que buscamos para a educação há décadas, mas que jamais foram dadas. Creio, até, que nunca serão.
    Enquanto o dinheiro público for gasto com mensalões, campanhas eleitorais para eleger essa quantidaaaaaaade de vereadores, deputados e o “escambau”, NUNCA haverá recursos nem respostas para a educação.

  • Thiago diz: 3 de setembro de 2012

    Ola. para mim na minha opiniao em primeiro lugar tem que ser a educaçao tanto dada pelos pais quanto pela escola porém muitas coisas tem de mudar como maior incentivo a formaçao dos professores,inventir mais na ampliaçao das escolas para ai poder criar turno integral onde os alunos teriam mais tempo para aprender nao so materias e sim como atividades culturais,informaticas,danças entre outras .estamos em epoca de eleições o que mais se ve é promessas de melhorias na educaçao porém depois de eleitos não cumprem sei que isso nao vem ao caso que estamos falando porém a politica tambem deve investir primeiramente na educaçao pois ai serao formados alunos e nao futuros marginais.
    Relatório de sugestoes para melhorar a educaçao do nosso brasil.

    *investir fortemente no profissional professor;
    *ampliaçao e construçao de novas escolas proximas a comunidades
    *investir mais na criaçao de turnos integrais
    *criar uma rede especifica de transporte para alunos que morem longe das escolas
    *oferecer palestras sobre porque a importancia dos estudos
    *fornecer materiais para alunos carentes

    obrigado,pelo espaço de poder comentar.

    EDUCAÇAO PRECISAMOS DE RESPOSTAS. Sera que dessa vez os ministros,vereadores,prefeitos,e a presidenta vamos AGUARDAR…

  • Gleciomar Antunes diz: 3 de setembro de 2012

    Deveriam fazer uma análise do que os alunos tinham nos anos 60 onde havia mais matérias,disciplina,e resultados sendo que o RGS. tinha o melhor ensino do País, onde foi parar isto?Cade a secretaria da Educação que não se manifesta.

  • Francisco Crespim Moraes diz: 3 de setembro de 2012

    A EDUCAÇÃO. Palavra que reprenta tudo na formação de uma pessoa(crianças e adultos), nos dias de hoje parece-me que esquecida, seja na forma de dialogo ou na forma de Estudos.Quando professores se queixam que alunos não os respeitam , talvez seja por ai que se deva aplicar as Regras de Direitos e Deveres de ambos os lados .Vamos aplicar as regras de Ensino e cobrar de forma correta .Um abraço.

  • PauloDtarso diz: 3 de setembro de 2012

    Que educaçao é essa que ignora e até repudia tudo oque se refere a princípios e valores morais ? É muito fácil dizer, queremos educação mas nossos “interesses” devem ser mantidos. Queremos primeiro o lucro e o prazer. Assim é muito fácil .

  • ana diz: 3 de setembro de 2012

    Realmente o texto do professor é completo e verdadeiro. Além do mais, se verificarmos nas avaliações as escolas militares tem melhor índice de aprovação porque existe a disciplina e regras rígidas a serem seguidas, enquanto que nas escolas públicas é muito difícil manter os alunos focados no “aprender”,é só passar perto de uma escola e escutar ou ver a indisciplina e a falta de concentração de nossos alunos.Está visível na sociedade. Também um ano antes da eleição de diretores começa a desestruturação escolar, os que querem ser eleitos ou reeleitos bancam os “bonzinhos” e tudo pode na escola. No ano da eleição nem se fala, é uma verdadeira confusão na busca de votos e depois leva mais um ano para que o eleito consiga colocar a escola em ordem, quando conseguem. Sou professora e acho lamentável essa situação além de acarretar danos à educação. É preciso rever, com urgencia, a eleição de diretores,pois já faz tempo que prejudica em vez de ajudar a democracia. É claro que nãoé só isso,aliam-se também outros fatores, como a desvalorização do profissional e tudo o mais que o professor Samuel mencionou. Pobre educação!!! Pobre professores que realmente querem trabalhar!!! Pobres alunos que ainda querem aprender!!!

  • Luan Rangel diz: 3 de setembro de 2012

    Perfeito o artigo. A educação deve ser tratada com respeito. Devemos debater, tratar, agir e resolver os problemas da educação, para que o Brasil se torne um País de verdade.

  • Lia Boger diz: 3 de setembro de 2012

    Ontem assisti uma matéria sobre a Escola Militar de Florianópolis – SC e pude ver que as regras a serem respeitadas lá são muito semelhantes as que tínhamos de respeitar quando estudava no Colégio Auxiliadora em Frederico Westphalen – RS. Então, o que mudou? Não há regras! A escola pública hoje é uma terra de ninguém. Concordo com todos os itens descritos, e a origem deste imenso descaso está, como sempre, na corrupção, pois quando alguém saqueia os cofres públicos, vai faltar para o básico e essencial: saúde, educação, saneamento…Isso se soma ao fato de que os governantes não tem ideologias patrióticas que os façam administrar em prol do país. Todos estão preocupados com suas (boas) vidas. Esquecem-se de que é este país desfalcado que deixarão aos seus descendentes. Resta à iniciativa privada, através de campanhas como a da RBS, a batalha por este setor tão vital para o desenvolvimento do país, ou melhor: do mundo.

  • Márnei Consul diz: 3 de setembro de 2012

    Obviamente, quem fala sobre educação não “vive” a educação. Eu, por exemplo, trabalho 60 horas semanais. Aí, tenho de ler de um “ser” que sequer pisa uma sala de aula que os alunos são do século 21, os professores do 20 e a escola do 19. É de desistir da profissão mesmo…

  • Leandro diz: 4 de setembro de 2012

    Entra governo e sai governo e o que se vê é que a educação nunca foi e nunca será prioridade da administração pública.
    Por que o Estado sempre tem dinheiro para bancar cargos de confiança totalmente inúteis, onerosos e que só atendem a interesses políticos, e não tem dinheiro para melhorar as condições da educação?

  • Ines diz: 4 de setembro de 2012

    Concordo plenamente que a educaçao precisa de uma resposta mas a educaçao em geral,nao apenas nas nossas escolas? Acredito que nòs brasileiros perdemos a percepçao das coisas.O cotidiano dos brasileiros é uma falta de educaçao pois,acreditamos jà,ser normal a falta de educaçao,a prepotencia etc.O ser humano transformou-se,sem perceber em animais mas, os animais ao menos entre sua especie se respeita.O pior é que toda esta falta de educaçao nao distingue classe social e idade.Talvez quando,nòs brasileiros “grandes” passarmos a ser educados,menos prepotentes e arrogantes,serà possivel melhorar algo nas escolas.Nao podemos exigir de nossos filhos educaçao,quando a eles nao lhes é dado exemplo da sociedade que vivem.Inutil investir nas escolas e concluo com uma frase ironica:Crianças e jovens, voces nao devem frequentar as nossas escolas…

  • marcos padilha dos santos diz: 4 de setembro de 2012

    Vamos fazer a relação entre qualificação e salários, certo? sou professor estadual e municípal e tenho de trabalhar 60 horas para criar meus dois filhos. Pois bem: iniciei uma pós-graduação aos trancos e barrancos, esperando pelo pagto das rpvs a serem pagas em outubro de 2011, e estamos em setembro de 2012 e o sr.governador não pagou, e não tenho previsão de receber essa dívida. Resultado: cancelar meus estudos. Um salário de fome e um calote vergonhoso. E os pedagogos de gabinete, sem nenuma noção do que acontece numa escola pública, sem noção da nossa vergonhosa situação social nos chamam de desqualificados. Faça-me o favor!

  • joao arreguy diz: 4 de setembro de 2012

    as falhas na educação data de 1500. sempre houve quem recebesse melhores cuidados.

    enquanto não houver UNIFICAÇÃO em todos os níveis não haverá nenhum progresso.l

    é preciso unificar curriculuns, programas, uniformes, não pode haver diferença entre qualquer estudante.

    é preciso unificar os salários de todos os professores em todo o Brasil.

    é inconcebível que um professor de escola partilar ganhe mais do que um professor da escola pública.

    um professor da escola militar ou federal não pode ganhar mais do que os outros.

    Portanto, UNIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM TODO O TERRITORIO BRASILEIRO, JÁ!

  • airton diz: 4 de setembro de 2012

    Professor…é certo o seus argumentos, mas tambem é notável que certos professores deveriam passar por uma reciclagem,fazendo cursos e com isso,aumentaria a produtividade nas saulas de aulas (os aulos aprenderem mais) e como recompensa aumento salarial, que nem numa empresa. A evasão escolar está alta, hoje os alunos estão mais dinâmicos e alguns professores não conseguem acompanha-los, nossas escolas deveriam ter computadores em sala de aula ( nesse caso fazer passeatas cobrando do governo através do meio de comunicação e intimar a sociedade a participar) com essa ferramenta os professores deixariam as aulas mais atraentes e dinâmicas atraindo mais os alunos e tenho certeza que diminuiria a evasão escolar e os prefessores com melhores salários.

  • Dirnei Rodrigues Bandeira diz: 4 de setembro de 2012

    Faço de suas palavras as minhas, e acrescento ao seu texto o seguinte: antigamente, a família educava e a escola ensinava; hoje, a escola se preocupa mais com a educação e não sobra muito tempo para ensinar. Contudo, sem o envolvimento dos pais no ensino, o aluno muito pouco aprende. A prova disso é que muitos pais colocam os seus filhos em boas escolas particulares e sofrem uma grande decepção, e, ainda, saem falando que a escola é ruim. Porque pagam, acham que a escola vai fazer milagre.

  • Sérgio Cleiser Aguilar Dias diz: 5 de setembro de 2012

    Até que enfim alguém priorizou a educação. Esta precisa de muitas respostas que os gestores públicos têm, porém não têm interesse de responder. Quanto mais analfabeto e mal informado as pessoas são, melhor para eles manipular. Somente a imprensa (escrita/falada e televisiva) é que dá respaldo à população. Não fosse a imprensa… e têm políticos que (se pudessem) já teriam calado a imprensa. Agora a Educação, Saúde e Segurança voltaram a ser PRIORIDADES para os gestores e para os políticos. Depois de outubro continua a mesma coisa. Parabéns para a RBS por essa iniciativa e pelos artigos que divulga todos os dias nessa campanha, que veio na hora crucial da educação brasileira. A melhoria na qualidade da educação tem que passar pela valorização dos educadores!!!!

  • Marcelo diz: 5 de setembro de 2012

    Educação para que, se o governo manda o Inss pagar a para cada filho de um cidadão que comete um crime o valor de R$ 915,00 para cada filho deste cidadão como pensão, como falar em educação se é mais “facil” ser ladrão neste pais, a começar pelos nossos governates. Quem não acreditar nisto que escrevi acessem este link e comprovem esta barbaridade. http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

  • Romildo Paz diz: 5 de setembro de 2012

    Parabéns aos professores,que ainda tentam transmitir valores aos seus alunos mesmo vivendo momentos de desrespeito a praticamente todos os valores que aprendemos, quer na Universidade como na Educação continuada desenvolvida nas boas Escolas.
    Como podem ter motivação os professores que fazem um acordo com o governo para receber migalhas (RPVs), e ficam esperando mês e mês não vem seus acordos (processos) terem andamentos, que tem seu piso salarial desrespeitado e assistem os políticos e o governo acharem que os professores nunca tiveram tão bem como agora…

  • clarice diz: 5 de setembro de 2012

    Parabéns pelo texto claro e objetivo. Só quem está diariamente na escola é que tem consciência e vê efetivamente os problemas.

  • Ines diz: 5 de setembro de 2012

    Ilmo. sr. Marcelo,outro argumento interessante o seu o qual seria interessante que fosse comentado e divulgado nos meios de comunicaçao brasileiros.
    Quantos filhos,pais,netos,ex- esposas,irmaos e parentes sao abandonados sem o direito de uma pensao alimenticia? sao tantos os brasileiros vagando por este Brasil imenso,abandonados ao seu destino.Isto também significa na minha opiniao, educaçao?

  • Marilú diz: 6 de setembro de 2012

    Concordo plenamente com o que escreveste, a educação precisa sim de melhoras, mas também os professores merecem ser reconhecidos e valorizados.É preciso que os mesmos ganhem um salário digno, pois todo profissional passa pelas suas mãos, seja ele, médico, advogado etc.

  • ides lodi diz: 6 de setembro de 2012

    A Educação só melhorará quando os familiares dos alunos começarem a por limites e ordens em suas vidas, assim como está, nunca vai melhorar o tipo de educação no Brasil. Isso já está provado se os pais continuam a obdecer seus filhos, a educação ficará cada vez pior.

  • Ines diz: 11 de setembro de 2012

    Medicalização: Ângela quer deter o abuso nos diagnósticos de transtornos
    Especialistas apontam que o problema pode estar no ensino oferecido pelas escolas

    Por Giselle Chassot – PT Senado, com informações da Agência Câmara
    Quinta-feira, 12 de julho de 2012

    O abuso dos diagnósticos de transtornos em jovens e adolescentes – seguido do uso exagerado de remédios tarja preta – atemoriza os educadores e levanta muitas dúvidas. Para crianças com problemas de aprendizagem ou com comportamento diferente do padrão, o tratamento crescente tem sido a substância química contida no medicamento. O mais popular deles é a Ritalina, apelidada de “droga da obediência”, receitada em larga escala por psiquiatras e neurologistas, o que levou o Brasil, desde 2009, a ocupar o posto de segundo maior consumidor mundial do medicamento.

    Várias perguntas precederam a formulação do projeto que a senadora Ângela Portela (PT-RR) acaba de apresentar. O uso crescente desses medicamentos se justifica? Tratar crianças e adolescentes com prováveis transtornos com uso intensivo de psicofármacos não pode levar a sociedade a um padrão indesejável, no qual predominam comportamentos padronizados? O desenvolvimento saudável passa necessariamente pela redução dos conflitos e da homogeneização do ser humano?

    Essas e outras questões estão colocadas pela senadora no projeto para enfrentar o uso exagerado de remédios comportamentais. Um sinal claro para enfrentar o problema é que o Brasil, nos últimos anos, está entre os países que mais consomem esse tipo de remédio no mundo. O caminho por ela adotado é o da proposta de alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente, para dificultar o uso indiscriminado dos chamados psicofármacos, criando exigências e procedimentos mais rigorosos, para que a medicação seja cosumida depois de passar por um diagnóstico mais cauteloso, respeitando rigidamente os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

    “Estou convicta de que a proposta irá beneficiar nossas crianças e nossos adolescentes, contribuindo para reduzir a medicalização nos problemas comportamentais ou dificuldades no processo de ensino-aprendizagem que podem e devem ser abordados por métodos que prescindam da administração de psicofármacos”, diz a senadora, na apresentação de seu projeto.

    O que a senadora Ângela Portela pretende é que o uso dos medicamentos seja restrito a pacientes que de fato necessitem dele. “Queremos restringir o uso de psicofármacos aos casos que se efetivamente se enquadram nos protocolos clínico-terapêuticos que já estão aprovados e consolidados pelas instâncias técnicas competentes. Além disso, proponho também a realização de campanhas permanentes de esclarecimento sobre o assunto”, diz ela

    A realização de campanhas de esclarecimento, enfatiza a senadora, pode ser de grande ajuda para enfrentar o problema, pois será por meio delas que procuraremos esclarecer país, educadores e alunos quanto ao uso indiscriminado e desnecessário dessas medicações. “Para a conscientização pretendida”, diz, “será preciso que todos estejam muito atentos quanto à real necessidade de se tratar quimicamente problemas que podem ser apenas de comportamento”.

    Outro obstáculo a ser vencido é o poder das empresas e profissionais que obtêm lucro fácil com a disseminação desses remédios. Para Ângela, “os interesses econômicos de laboratórios farmacêuticos reforçam a tendência de profissionais de saúde e de educação transformarem um problema não médico em um problema biológico do indivíduo que só pode ser curado à base de drogas”. A esse processo dá-se o nome de “medicalização”.

    Na justificação de seu projeto, a senadora se mostra especialmente preocupada com o crescimento expressivo, no Brasil de diagnósticos de transtornos de déficit de atenção (TODA) ou TDAH – quando se diagnosticam também sintomas de hiperatividade. Como expressões da moda, se multiplicam velozmente em siglas, como o recém-divulgado TOD, ou Transtorno de Oposição Desafiadora, ou a criança que, segundo o padrão da normalidade, questiona muito seus pais ou professores.

    Debate também na Câmara

    Na última quarta-feira (11/07), a senadora recebeu uma comitiva de educadores e psicólogos para tratar do problema e de seu projeto. Os profissionais estavam em Brasília, para participar de uma audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, onde também se debate o problema.

    Marilene França, representante do Conselho Federal de Psicologia, uma das especialistas presentes no encontro, afirmou que, em muitos casos, crianças e jovens “estão sendo vítimas da ideia de que a educação é um fenômeno circunscrito ao indivíduo. Por causa desse equívoco, diz ela, “quando se tem uma criança que não lê, não escreve e não presta atenção, não se questiona a escola que está sendo oferecida a ela, mas que é ela quem não está tendo a atenção necessária e que isso seria uma patologia.”

    A abrangência e a rapidez com que esse problema de propaga nas escolas brasileiras – e não só entre crianças e adolescentes – motiva o Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, que tem o propósito de denunciar a banalização do uso de vitaminas, ansiolíticos e outros medicamentos, sejam eles alopáticos, homeopáticos ou fitoterápicos – alguns com poder de levar à dependência química e psíquica.

    Outra profissional que integra o Fórum, a professora do Departamento de Pediatria da Unicamp e integrante do Fórum sobre Medicalização, Maria Aparecida Moisés, esclarece que os principais alvos da medicalização são as áreas de comportamento e de aprendizagem – “não por acaso, as mais difíceis de diagnosticar”, observa. Ela diz ainda a medicalização é um problema coletivo e, portanto, social, além de político, econômico, cultural. “Esses problemas são individualizados. Em vez de se discutir a política educacional, as instituições e que sociedade é essa que estamos construindo – cada vez mais produtivista, mercadológica e competitiva -, discutimos qual é o transtorno de cada uma das pessoas, como se apenas elas tivessem problema”.

    Os problemas existem – e devem ser tratados -, mas com muito mais rigor e propriedade do que hoje. “Quem sonha tem déficit de atenção. Eu não nego que há pessoas com mais dificuldade para aprender, que aprendem de modos diferentes e com comportamento muito fora do padrão. A questão é: o que está acontecendo com essas pessoas, que geralmente estão pedindo socorro? A gente está precisando reaprender a enxergar as crianças e os adolescentes e a escutar o que eles têm a nos dizer”.

    Protocolos e questionários
    Para a professora da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) Roseli Fernandes Caldas, a medicalização é um fenômeno presente nas redes pública e privada. “A situação é grave e de nível nacional”. Ela manifestou preocupação com os protocolos seguidos pelos médicos para o diagnóstico de tais transtornos, baseados em questionários, de caráter opinativo, preenchidos por professores ou pais.

    Na opinião da conselheira Marilene Proença, doenças neurológicas deveriam ser muito bem comprovadas para existirem. “As bases diagnósticas dessa pretensa doença neurológica estão baseadas simplesmente em opiniões e observações”.

    Marilene assinala ainda que sentimentos como tristeza, alegria e medo passaram a ser medidos e, se ultrapassarem uma determinada métrica geral para toda a população, são transformados de sentimentos legítimos em diagnósticos patológicos, tratados com anfetaminas, estimulantes e outros medicamentos de tarja preta que provocam dependência. “Nessa métrica, chega-se ao cúmulo de estabelecer que é possível chorar a morte de uma pessoa querida por 15 dias. Mais do que isso, seria indicativo de um quadro depressivo passível de medicação”.

    Marketing da indústria farmacêutica
    Os especialistas atribuem essa tendência ao marketing da indústria farmacêutica, que oferece brindes aos médicos pela quantidade de remédios de determinada marca receitados aos pacientes.

    O consultor de saúde da criança do Ministério da Saúde, Ricardo Carafa, reconheceu a gravidade do tema e o mau preparo dos médicos para lidar com o problema. “A discussão sobre a medicalização é pouco feita no Brasil. Quer na sua formação, quer depois, na sua prática, o médico não tem muito conhecimento sobre isso. A indústria farmacêutica joga todo um peso por meio de material informativo, congressos e faz com que o médico comece a aceitar esse tipo de doença como realidade, quando, na verdade, não é”.

    Carafa admitiu que o Ministério da Saúde não tem dados concretos sobre os diagnósticos, mas sim sobre o aumento vertiginoso na venda dos psicotrópicos. O processo teria começado por volta dos anos 1990, mais concentrado nas classes média e alta. Agora, estaria disseminado pela população de todas as classes sociais. “É assustador: uma epidemia de diagnósticos que gera uma enxurrada de medicação”.

    O consultor defendeu ações intersetoriais (educação, saúde, assistência social, etc) para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas.

    Vice-campeão de utilização

    O Brasil aparece, desde 2009, como o segundo maior consumidor mundial de medicamento cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato – a Ritalina. Conforme relato de pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG), estudos mostram que o medicamento está sendo receitado inclusive para crianças muito novas, de menos de três anos.

    Os pesquisadores investigaram as características das prescrições para TDA e TDAH por meio da revisão de dezenove artigos científicos disponíveis em diferentes bases de dados. Vale recordar que não há comprovação dos efeitos desses medicamentos em pessoas de menos de quatro anos.

    “O que está acontecendo com os familiares e professores para essa demanda?”, questionam os pesquisadores. Eles aventam uma possibilidade. “Uma resposta hipotética é que, como as famílias estão progressivamente menores, com mais mobilidade de parceiros e geográfica e jornadas duplas de trabalho, as pessoas estão ficando mais intolerantes com a normal inquietação motora das crianças dessa faixa etária”. Ou, em palavras mais simples: pais e professores estão menos tolerantes a um comportamento que é absolutamente normal em crianças e jovens – que são naturalmente ativos, curiosos e inquietos.
    http://www.pt-sp.org.br (còpia do texto o qual me documentei).Simplesmente alarmante!!!!!!!!!

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