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Posts de agosto 2012

Do Leitor: A Educação Precisa de Respostas

31 de agosto de 2012 8

Até quando a Escola Pública será sinônimo de deficiência? Os estudantes não merecem um ensino apto a prepará-los ? A Campanha “A Educação Precisa de Respostas” quer soluções para estes problemas. O post sobre a nova bandeira de Zero Hora rendeu discussões e compartilhamentos nas redes sociais. A maioria concorda com a precariedade do ensino gaúcho e exige nos comentários atitutes das autoridades. Ao todo foram 1.569 compartilhamentos, 553 curtidas e mais de 50 comentários na página de ZH no Facebook. Confira alguns:


“Não interessa ao governo investir em educação, pois quanto mais ignorante o povo melhor para eles explorarem. vale a campanha mas q não dá em nada.”
Deko Sperb Bortoli, via Facebook

“Quem sabe está na hora de mudar, antes tarde do que nunca, comecem por uma melhor remuneração aos docentes, ou isso não é relevante?”
Talge Domingues Saldanha, via Facebook

“Sou professora de escola publica, achei muito válida a campanha do grupo RBS, mas pra ver o interesse do governo em educação. Essa campanha deveria ser de iniciativa do próprio governo, e infelizmente o governo até poderá ter resposta, porem ações, duvido, num país corrupto como o nosso, educação e povo culto é o que menos interessa. Infelizmente, e as escolas apresentadas hoje na reportagem do Jornal do Almoço, olhem a estrutura que estas escolas tem. Muitos professores ainda fazem milagres com a ferramenta de trabalho que lhes é oferecida, sem contar que com o salário que se recebe, não sobra para pagar todas as contas, quem dirá para fazer um curso ou se reciclar como profissional, tem muita coisa errada.”
Engrid Cristina Heck, via Facebook

“A carga toda não pode ser apenas remetida às escolas. Vamos ver quantos pais fazem o tema com seus filhos? Quantos pais acompanham o desenvolvimento educacional dos filhos? Quantos pais pegam o caderno do filho para verificar o que ele aprende? O problema da educação não está restrita, apenas, à estrutura, mas se estende aos pais. Querem melhorar a educação? Comecem a interagir na educação dos filhos. Não é a educação que precisa de respostas (educação vem de casa), é o sistema de ensino que precisa de atitudes!”
André Monteiro, via Facebook


“A educação precisa de respostas. Precisa de investimentos, de qualificação, de seriedade, de salário, de comprometimento, de envolvimento, de projetos sérios, e muito mais. Menos demagogia.”

Terezinha Mariza Vilk, via Facebook

“Estudo e sei bem o que é encontrar dificuldade para ir a escola e estudar. Eu curto.”
Carol Santos
, via Facebook

“Missão impossivel! Os exemplos que os governantes, politicos e as própias leis brasileiras dão só um milagre!”
Salete Lima, via Facebook

Foto do Leitor: Pássaros

31 de agosto de 2012 0

Liam Moraes fotografou o voo de um pombo em uma praça da Capital.

Artigo: A educação precisa de respostas

30 de agosto de 2012 44

Samuel Hübner*

Ao acompanhar durante essa semana a divulgação da nova campanha institucional – A educação precisa de respostas – divulgada pelo Grupo RBS, confesso que ao mesmo tempo em que fiquei feliz com a notícia, também achei lamentável termos que chegar ao ponto em que é preciso realizar campanhas para qualificar a educação da nossa sociedade, sendo que é a partir dela que podemos construir uma sociedade mais justa, na qual todos possam agir conscientemente e fazer o devido uso de seus direitos e deveres.
Para tanto, não podemos ficar somente na “discussão” dos fatos e sim concretizá-los para que, daqui a alguns anos, possamos olhar para trás e sentirmos orgulho do nosso caminho percorrido.
Ao ler as diversas manifestações dos nossos secretários de educação, governador, pesquisadores e especialistas veiculadas durante o decorrer dessa semana, fico me questionando se eles sabem como anda o ensino nas escolas gaúchas, ou somente se manifestam suas opiniões com base em índices que são divulgados, mas que muitas vezes não atestam com vigor a realidade de nossas escolas.
Aproveitando, portanto, que a temática educação voltou a ser o centro de nossas atenções, eu, como professor, que estou em sala de aula trabalhando quarenta horas semanais e trabalhando nos turnos de “folga” em outra instituição, gostaria de fazer alguns apontamentos para que a sociedade refletisse através da visão de um professor.
Primeiro: precisamos valorizar os professores que estão trabalhando efetivamente em nossos educandários. Atualmente, o que vemos, é que na maioria das escolas estaduais há uma imensidão de professores contratados. Muitos, ao iniciarem, demoram em média de três a cinco meses para receberem o primeiro salário. Isso que o salário não chega a dois salários mínimos.
Segundo: nosso atual governo realizou um concurso público que, até meses atrás, era alvo de notícias nos mais diversos meios de comunicação. Alguém lembra ainda do concurso? E ao tentar relembrar, infelizmente, até hoje não conseguimos encontrar respostas ao descaso que o governo fez com os professores: questões extremamente difíceis que a própria empresa responsável pela realização do concurso teve dificuldades em analisar todos os recursos. Gostaria que reunissem especialistas para avaliarem a prova com afinco para ver se ela estava de acordo com a proposta do governo e com questões bem estruturadas.
Terceiro: muitos especialistas afirmam que nosso ensino passa por problemas, pois os professores não estão devidamente capacitados para atuarem em sala de aula. E como estão os cursos de licenciatura nas nossas universidades? Cabe ressaltar, também, que se fizermos uma pesquisa, constataremos que a grande maioria dos professores, além da licenciatura, possuem pós-graduação e muitos estão cursando mestrado.
Quarto: não precisamos de novas “modalidades” de ensino. A escola enfrenta, sim, problemas de reprovação e evasão escolar. Mas, com o Ensino Médio Politécnico, esse problema está sendo acentuado e muitos continuam batendo palmas como se tudo estivesse transcorrendo perfeitamente.
Quinto: adotar turno integral nas escolas não resolve. As escolas não são e nem estão atraentes. Falta espaço físico e salas de aula equipadas para que nossos alunos tenham mais conforto e não fiquem, por exemplo, suando durante o verão.
Sexto: precisamos de especialistas como psicólogos, terapeutas, psicopedagogos, fonoaudiólogos entre outros para atenderem os alunos que necessitam de uma maior atenção ou para os que apresentam dificuldades de aprendizagem.
Sétimo: a escola deve ser vista pela sociedade como um lugar que merece nossa admiração e respeito. Alguns alunos e pais necessitam entender que existe horário para as aulas começarem. Se a aula começa uma hora, não significa que o aluno possa entrar na sala de aula uma e quinze.
Oitavo: a reprovação e a evasão escolar não acontecem somente com os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem.  Esse problema se manifesta nos alunos que efetivamente não querem estudar. E, quando chamados à escola, muitos pais não sabem o que fazer com seus filhos, pois a família não está estruturada. Para essas famílias, é necessário assistência para revertermos a situação.
Nono: a sociedade precisa entender que escola não é lugar de “despejar” as crianças e adolescentes e esperar que eles saiam melhores de lá. Aprender nem sempre é um ato prazeroso. O aluno precisa demostrar esforço, estudar, ler, reler, escrever, apagar, reescrever…
Décimo: nunca como antes coube à escola trabalhar, além dos conteúdos, todas as inquietações pela qual a sociedade passa: violência, bullying, união homoafetiva, inclusão, racismo, enfim, tudo acabou sendo deixado como tarefa para a escola resolver.
Sejamos realistas e racionais. Medidas devem ser apontadas e os problemas enfrentados e resolvidos. Precisamos de uma uniformidade em nosso sistema de ensino. Educação exige compromisso, seriedade e respeito. A sociedade precisa se unir, encarar e participar juntamente com as escolas de todo o processo que se chama educação.

*Professor

Leitor-Repórter: Cuidado com os filhotes

30 de agosto de 2012 0

Esta pomba passou a manhã inteira velando os filhotinhos que caíram do ninho. Quem registrou foi o assessor de imprensa do Veleiros do Sul, Ricardo Pedebos. Ele retornou várias vezes ao local e constatou que ela não saiu do lado deles. Devem ter caído com a ventania, que esteve forte nesta madrugada e manhã na orla da Assunção.

Foto do Leitor: O Parque

30 de agosto de 2012 0

William Moraes fotografou o Parque da Matriz no Centro de Porto Alegre

Do Leitor: Conselheiros de Zero Hora opinam sobre a campanha

29 de agosto de 2012 2

A campanha institucional é de suma importância_ Eu já tinha comentado que achava ZH negligente neste ponto, agora sim esta lacuna está preenchida, parabéns isto é um avanço no jornalismo do RS. Que esta campanha continue com seus questionamentos em prol deste país!  A propósito, o debate ouviu especialistas, professores jornalistas… e os alunos? Só repercutiram a brilhante página da menina de 13 anos, como os estudantes podem ser incluídos neste debate? Sugiro que este painel rode pelas escolas e universidades!
Marco Antônio Simas Araújo

Achei muito boa a campanha, com questões muito pertinentes e acho que toca no ponto frágil de propostas políticas, pois se a educação tivesse maior cuidado com certeza teríamos um país melhor e mais igualitário. Acho que a imprensa tem este papel, denunciar muito…isto pra mim é mais político que muita promessa sem chance feita pelos políticos. Nosso país precisa olhar mais para as questões relativas à educação e precisa parar de reparar danos e apenas tapar feridas sem se preocupar verdadeiramente com as causas de nossas dificuldades, como as cotas por exemplo.
Vera Hartmann

Repetindo Jorge Gerdau Johannpeter, ZH de hoje página 20, “Aqui no Estado a educação está em deterioração vergonhosa……o que preocupa é que estamos em uma curva descendente, e sem reação”. Infelizmente para o politico inescrupuloso se perpetuar no poder, interessa manter baixo o nível de educação, nos Estados e mesmo no país como um todo. Para tanto manter os professores à mingua e por isto desestimulados é necessário. Enquanto uma recepcionista da Assembleia ganha mais de R$ 20 mil por mês. Povo sem instrução tem baixa autoestima e por isto acredita em qualquer demagogo; depois, frustrado, não tem meios de reação, e não tendo, se torna submisso. Massa de manobra. Recentemente meritocracia passou ser nome feio e avaliação de professores ofensa.
Debater educação com políticos se assemelha a entregar o galinheiro aos cuidados da raposa. A iniciativa é meritória, no entanto o trabalho será longo e requererá persistência para motivar professores, pais e alunos. Almejo a Zero Hora sucesso em mais essa empreitada.
Heitor Monteiro Lima

Cumprimentos à RBS pela iniciativa de promover esta campanha. Desejo que ela prossiga na busca por respostas, através de um debate necessário com os leitores e autoridades, no intuito de melhorar a qualidade da educação no RS e no país. Um dado que seria interessante ressaltar: além do fato de apenas 2% dos estudantes desejarem seguir a carreira de professor, um levantamento do MEC (Outubro/2007) revelou que 70% dos formados em licenciaturas a partir de 1982 havia rejeitado o magistério, utilizando o diploma para inserção profissional em ouras áreas. Na época, lembro que ZH publicou reportagem sobre o assunto. Este é o meu caso: um professor de História que trabalha há 15 anos no ramo da aviação.
Rodrigo Neto Dinnebier

Parabenizo o Grupo RBS pela campanha institucional em prol da qualificação da educação. A campanha certamente dará ainda mais destaque para a relevância desse tema, que é prioridade para o salto estratégico que nosso projeto de nação desenvolvida tanto demanda. No entanto, é necessário que o debate proposto por meio dessa campanha não se atenha à discussão e ao relato de programas educacionais e iniciativas do Governo, em seus diferentes níveis, para a melhoria da educação de modo amplo, ou aos já tediosos “ensinamentos” de especialistas a respeito de quais os remédios “certeiros” para a melhoria da educação de modo geral. Isso já foi feito e é cotidianamente feito nos mais diversos veículos de comunicação.
As lentes que utilizamos para tratar de educação precisam ser diversificadas. Esse tema precisa urgentemente de um foco no que acontece dentro dos muros da escola, no dia a dia das diferentes salas de aula, na relação que alunos e professores constroem diariamente, a cada momento em cada espaço que compartilham.
E me reporto, então, à notícia da página 41 da ZH de 28/08 (exatamente a mesma edição em que foi lançada a campanha em prol da qualificação da educação) sobre a página do facebook criada por uma aluna de uma escola pública de Santa Catarina para relatar os problemas de sua escola (“Diário de Classe”). O título da pequena notícia afirma que a aluna, Isadora Faber, usa o facebook para criticar a escola. Todavia, distintamente do que destaca a notícia, a página criada por Isadora apenas apresenta a realidade da escola em que ela estuda. São as imagens e notícias que ela traz da escola pra nós que são ruins, não seus comentários propriamente.
Isadora salienta em sua página que criou esse espaço para melhorar sua escola e a escola de todos. Ou seja, Isadora criou a página porque percebeu que não adianta falar de educação em termos de números e dados amplos. Isadora percebeu que quando o Aluísio Mercadante se gaba dos números vultosos referentes aos investimentos do governo em educação, ele não está levando em conta o bebedor quebrado da escola dela. Isadora percebeu que quando a secretária de educação fala dos números relativos aos programas de formação de professores, ela não está levando em conta a difícil relação entre seus colegas e o professor de matemática na sala de aula. Isadora percebeu que as críticas ao resultado de seu Estado no último IDEB pouco dizem sobre o momento em que a professora de história falava interminantemente sobre fatos históricos sem que aquilo fizesse sentido na sua vida em sua comunidade e que, por isso, ela preferiu ficar mexendo no celular.
Eu, assim, como a Isadora, acredito que não é mais aceitável mantermos o debate sobre educação restrito à discussão sobre políticas públicas de modo amplo. Falar de números, de programas governamentais de alcance amplo, de perspectivas para o futuro da educação não são suficientes se o olhar da sociedade manter-se alheio ao que acontece no dia a dia das escolas. Isso porque os números não refletem de fato o que é uma escola. E é de escola que estamos falando quando falamos em educação. É de escolas reais, de corredores sujos, de banheiros sem descarga, de bebedores estragados que devemos cada vez mais falar quando tratamos de políticas públicas de educação. Porque é nas escolas que tais políticas existem de fato. É na convivência diária entre alunos, professores, gestores, pais, funcionários que a escola se desenha. É com gente de carne e osso (que sente frio, que sente sede, que sente cheiro, que se alegra, que se motiva, que desrespeita, que humilha, que ataca, que ri, que discute, que aprende) que se desenha um projeto de nação com educação de qualidade.
A iniciativa do Grupo RBS em lançar uma campanha em prol da educação é louvável. Todavia, é importante destacar que o potencial grande erro numa discussão importante como essa é abordar o tema levando em conta números e programas educacionais de modo amplo, mas negligenciar (ou mesmo repudiar) iniciativas como as de Isadora, que, se bem conduzidas e gerenciadas, darão maior visibilidade ao lugar onde essas políticas públicas fazem sentido: o dia a dia das escolas.
Ingrid Frank

Leitor-Repórter: Trabalho incompleto

29 de agosto de 2012 0

Diego Weber

Sou morador e tenho empresa na Rua tenente Ary Tarragô, 3035. Há aproximadamente 10 dias foi feito o “asfaltamento” em minha rua, entre o trecho da Rua alexandre Luiz e Avenida Baltazar de oliveira garcia. Nesse trecho existia paralelepípedo regular e foi largado asfalto sobre essa pedra, esse asfalto não foi compactado e nem mesmo foi colocado a espessura correta do asfalto. tanto que esse serviço (asfaltamento) foi executado em menos de 3 horas em um trecho de aproximadamente 500 metros. Esse asfalto já tem buracos e em alguns trechos as pedras já estão aparecendo, e na maioria dos trechos tem marcas de pneus e valetas feitas por caminhões e tratores que passaram em cima do asfalto novo que não foi compactado. Minha pergunta é: esse serviço esta pronto? será feito um novo recapeamento para o asfalto ficar de acordo? será sinalizado e acabado esse asfalto?

Contraponto:

A Smov informa através da DCVU que os serviço não foram concluído, ainda falta executar a camada final do capeamento asfáltico. Previsto para assim que o tempo melhorar


Leitor-Repórter: Onde estão as placas?

29 de agosto de 2012 0

Heber  Silveira

Ao chegar no entroncamento da Rua Mário Peiruque, com a Av. Ildefonso Simões Lopes, Bairro Três Vendas, em Pelota notei que não tem nada de sinalização por exemplo: pare ou sentido obrigatório. Será que a Secretaria de Trânsito tem um projeto para ser instalado no local e ainda não colocou em prática?



Contraponto:

O supervisor dos Agentes de Trânsito da Secretaria Municipal de Transportes  assegurou que a sinalização foi recolocada no dia 24 de agosto. “Infelizmente sofremos constantemente com o furto de sinalização o que é um grande risco para o trânsito de uma forma geral”, completou.

Foto do Leitor: O Sol

29 de agosto de 2012 0

Edison Ferreira Falcão fotografou o brilho do sol em Uruguaiana. Apesar do frio na região, ele apareceu esta semana para aquecer os moradores da cidade.

Artigo: Tucanos, ameixas e Democracia

28 de agosto de 2012 0

Sidinei Cruz Sobrinho

Quantos de vocês moram numa cidade grande e consegue passar a manhã observando tucanos comerem ameixas na frente de casa? Posso imaginar a maioria das respostas: “Moro em apartamento.” “Não existem árvores na frente da minha casa”, “Tucanos? Só no zoológico”. “O máximo que vejo são pardais.”… Algumas gerações de adolescentes são capazes de nunca terem visto um tucano livre e solto saboreando ameixas. Pois eu vejo essa cena muitas vezes e tem mais: lagartos comendo com meu cachorro no pátio, gralhas aqui e acolá, e outras espécies, tudo ali, no pátio da minha simples casa. Vão e voltam quando querem, não temem minha possível ação predatória.
Minha sobrinha perguntou: “Tio, por que não os prende na gaiola?” Respondi: Porque eles não nasceram em gaiolas como nós. Percebem isso? Os apartamentos são gaiolas amontoadas com os mais suspeitos moradores. Casa sem árvores no pátio é uma gaiola que caiu do monte. Zoológicos são ideias nostálgicas da ignorância predatória. Pardais, pobres, passarinhos sem graça, cinzas como a poluição da cidade e que já esqueceram o que é uma sinfonia canora. Adolescentes modernos: sinceramente, salvas exceções, prefiro observar os tucanos e os lagartos.
Gosto da cidade, das criações tecnológicas e as regalias que me permite desfrutar. Mas quando se esquece do que é simples tudo vira complexo. As relações se esgotam num amontoado de regras que a “sociedade” criou e que devo aceitar.
Passo na rua e as coisas da rua passam por mim. Época de eleições, a rua está minada de pessoas balançando bandeiras. Vejo aquilo e fico feliz: Viva a liberdade democrática. Paro e pergunto a um indivíduo gritando enlouquecido o nome do seu candidato: “O que é democracia?” Responde que “é o direito de votar em qualquer um”. Saio de cena sem nenhuma felicidade, deixo aquele ser que se move sobre a terra saracoteando sua bandeirola e a certeza de que o governo será mesmo de qualquer um, mesmo que seja um deus ou um demônio.
Volto pra casa, cansado, pesado, nauseado. Tiro os sapatos e piso a grama verde e úmida, olho a ameixeira e lá está o pássaro, colorido e majestoso bem diferente da coisa fria política que vi estampada numa bandeira na praça. Aos poucos a terra leva meus males do mundo urbano e mesmo dentro de toda essa urbanidade encontro um pouco de silêncio gritante conversando com minha simplória reflexão.  Ao menos morrerei depois de ter visto um tucano livre comendo ameixas e espero morrer bem antes que eles fiquem cinza como os pardais e sem linguagem como o humano que me explicou o que é democracia.