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Posts de outubro 2012

Foto do Leitor: Atendimento na rua

31 de outubro de 2012 0

Carla Marx registrou o atendimento a moradores de rua na esquina das Ruas Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, em Porto Alegre, que ocorre toda a semana. A questão levantada pela leitora é: e o atendimento à população em hospitais e postos de saúde?

Artigo: Cotas no Brasil, minimizando nossa janela

31 de outubro de 2012 12

Ronald Pereira Silva*

Nos EUA, a cultura ensina os estadunidenses a cursarem o ensino básico em escolas públicas e o nível superior na rede privada. Enquanto os alunos frequentam o ensino básico público, seus pais estão juntando dinheiro para bancar a faculdade deles. No Brasil a situação é contrária. A educação básica, Ensinos fundamental e médio, é de maior excelência nas instituições privadas. Os que não têm condições de bancarem são obrigados a ficar no ensino público, que o próprio governo federal deflagra por meio de suas políticas educacionais, como a de inclusão de cotas para o ingresso nas universidades federais, ou seja, uma autoafirmação da fragilidade do ensino público; e adotando índices pífios que avaliam a qualidade educacional, como o Ideb, por exemplo, em que as notas esperadas pelo governo como meta são baixíssimas (e este índice não é representativo, já que é obtido pela aplicação de provas de um nível nada significativo. Digo isso por experiência própria, a “Prova Brasil”, e de forma amostral).
A presidente eleita em 2010 sancionou uma lei que reserva metade das vagas em instituições de ensino superior federais para quem cursou todo o ensino médio (os três últimos anos da educação básica) no ensino público. Dessa metade de vagas, 50% (ou 25% do total geral) serão destinadas a alunos de escolas públicas que tenham renda per capita familiar de até R$ 933, e a outra metade a negros, índios e pardos. O governo garante que dessa forma o país dará a seus universitários uma distribuição mais igualitária equalizando a estrutura socioeconômica e “racial” do país. A mesma distribuição vale para os Institutos Federais.
Contudo, o que de fato acontece é que essa medida é falha para a tentativa de estabelecer um país mais democrático. A democracia baseia-se na igualdade dos povos, raças, cores, etnias etc., e as cotas “raciais” trazem um caráter exatamente contrário a isso. O país mais miscigenado do mundo atribui as cores do seu povo com sua capacidade intelectual, um erro imperdoável. Ter direito à universidade não é ter pena de quem é discriminado pela sociedade. Ter direito à universidade é favorecer o ingresso a ela a quem tem empenho e dedicação, e que por conta dessas características (e não pela cor da pele) alcança o direito de matrícula em uma instituição superior de ensino pública.
A única maneira de evitar a desigualdade na distribuição de vagas nas instituições públicas de ensino superior é investir na educação básica, para que esse nível de ensino seja de qualidade e dessa forma não haver necessidade de implantar esse tipo de política educacional. Mas para se chegar a isso é necessário não só ter escolas boas; há uma série de outros fatores que estão envolvidos com o desempenho escolar dos estudantes, e o meu destaque é para a família. Famílias estruturadas e bem instruídas criam filhos bem instruídos que terão famílias bem estruturadas, mas para garantir isso é necessário uma escolarização dos pais para instrução e qualificação profissional para emprego, o que garante o sustento da família. Nisso está incluído a condição de garantir uma boa alimentação, moradia, gastos com transporte, energia, água etc.
A verdade é que todos os pilares que sustentam uma condição de vida digna da sociedade não podem ter tamanhos diferentes. Todos os aspectos, seja ele educação, emprego, saúde, transporte, segurança, se conectam de maneira igualitária a uma estrutura que precisa de uma boa base. Sem segurança evita-se de sair de casa. Sem sair de casa não se trabalha, não se vai à escola, ao hospital. Sem trabalho não tem comida na mesa. Sem comida e sem ir à escola, não tem como aprender. Sem aprender não existe qualificação. Sem qualificação não há emprego. Sem emprego não se compra. Sem poder de compra não dá para comer, beber etc. E mais etc. e etc. O ciclo é fechado e precisa de um conteúdo de qualidade para dar certo. Precisamos das nossas garantias constitucionais, nossos direitos. Mas como esse direito por muitas vezes é negado pelo Estado, o próprio poder público inventa uma maneira de minimizar as coisas, mas como nos computadores, a janela que é minimizada continua ali, basta um clique para ela reaparecer, e esse clique pode ser ocasionado pelo caos que poderá ser causado por essa política de cotas. A tendência, acredito, é aumentar a evasão escolar nas universidades e ocorrer um boom de matrículas em faculdades privadas. (Observação: cota não é bolsa!) Sem conteúdo suficiente para acompanhar o ritmo do nível superior e sem condições financeiras de bancar gastos com o curso por mais que não há pagamento de mensalidade, há gastos significantes para se manter num curso de ensino superior, e os auxílios como os oferecidos pelo Sistema de Inclusão Social (SIS) da UFES, por exemplo, não são suficientes, o estudante tenderá a abandonar a instituição, menosprezando (não por culpa dele) o “empenho” do governo em garantir sua vaga na universidade. E por outro lado, a porção que perderá suas vagas por não ter cursado o ensino médio em escola pública e por não ser negro, índio ou pardo, pagará uma universidade privada, o que não necessariamente ruim, mas nem sempre quem estuda em escolas particulares no ensino médio pode ser tachado de “rico”; há casos de bolsas de estudo ou mesmo um esforço imenso da família em manter o filho em uma escola particular visando uma educação de maior qualidade a ele [já que essa família sabe que em escola pública a realidade é outra, e sabe por que tem instrução; voltamos, portanto, na questão do destaque da família abordado anteriormente.
É verdade que as escolas públicas estão melhorando a qualidade e há sim a possibilidade de casos de melhor desempenho de alunos de escola pública em relação a alunos da rede privada no ENEM, por exemplo. Mas não é novidade que a rede pública não oferece os mesmos recursos para seus alunos terem condições de ativar todo seu potencial que a rede privada.
A respeito da imagem que mostra uma garota com o cartaz escrito “Quer uma vaga? Passe no vestibular”, não concordo. É claro que as pessoas têm capacidade de conseguir o que querem a partir de seu esforço, mas não há a mínima condição de um pré-vestibulando passar no vestibular se ele não tem sempre o que comer; se ele não tem condição de se deslocar da casa para a escola e da escola para casa; se a escola não oferece o ensino propício para ele ter conteúdo suficiente que o permite garantir sua vaga na universidade; se ele tem uma família desestruturada ou sequer tem uma família; se ele é obrigado a trabalhar para ajudar no sustento do lar e tomar conta da casa, dos irmãos etc. A escola tem como princípio a questão social, e é a família a base que sustenta uma sociedade bem estruturada.
Por isso e por fim, deixo explícito a minha proposta, que é a adoção de políticas voltadas à família.

*Estudante

Leitor-Repórter: Buraco prejudica moradores

30 de outubro de 2012 0

Douglas Goulart Agostinho

Os moradores da Rua Amadeu Fagundes de Oliveira Freitas, no bairro Protásio Alves, em Porto Alegre, reclamam de um buraco no meio da rua, que estaria ali há mais de dois meses.  Eles contam que os carros precisam desviar e as pessoas tem medo de acontecer algum acidente. Para evitar maiores transtornos, foram colocados paus e galhos de árvores para sinalizar a passagem. A chuva inunda o buraco e se torna outro obstáculo. Mesmo com inúmeros pedidos, o problema ainda não foi resolvido.

Contraponto:

A Divisão de Conservação do DEP fez vistoria no local e identificou o rompimento da caixa pluvial na existente na via. O conserto será iniciado nesta terça-feira, 30, se não chover. Em caso de chuva o conserto é adiado para o próximo dia seco.

Artigo: O crime compensa?

30 de outubro de 2012 9

Jocemir Souza de Oliveira*

Até aonde o crime compensa no Brasil. Algumas penas não ultrapassam 4 anos na sua maioria, as quais podem ser substituídas por multa, prestação de serviços a comunidade ou restritivas de direitos e esta é quase que totalmente ineficaz, pois o desrespeito ao cumprimento é quase certo.
Muitos crimes contra o patrimônio público ou privado, coletivo ou individual, seja qual espécie for (tipo penal) como de apropriação indébita, corrupção passiva e ativa variam de 6 meses a 12 anos, mas normalmente a pena é fixada no máximo em 4 anos e considerando a primariedade do réu, residência fixa, trabalho entre outros requisitos pode ser substituída pelas formas do parágrafo acima. Ou seja, não vai para a cadeia.
Abrindo uma janela para o caso especifico do mensalão até o momento não se falou ainda em restituição dos valores ou reparação de dano aos cofres públicos, mais uma vez se utiliza dinheiro público na corrupção e este desaparece sem restituição como na maioria das vezes. Bem como, ficou em baixo do tapete o verdadeiro beneficiário de todo esse esquema, seu grande mentor e líder. Lamentável, pois a Justiça se apóia em dois pilares na verdade e na lei e essa busca compete a ao Poder Judiciário duela a quien duela, pois a justiça não existe sem a verdade e segundo o inciso VIII, do Decreto nº 1.171, de 22 de Junho de 1994 do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal diz assim: “…VIII – Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptor do hábito do erro, da opressão, ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação”.
Maravilhoso se este artigo do referido Decreto fosse aplicado em sua plenitude. Porém, sinto que o Brasil anda na contra mão da história, pois aqui se reforma a lei para abrandarem as penas seus regimes de cumprimentos para poder suprir a falta de investimentos em presídios, e assim vamos vivendo em uma espécie de tolerância criminal do mais baixo ao mais alto escalão social. Infelizmente, o crime parece compensar no Brasil. Essa é uma pergunta que fica para a sociedade pensar.

*Advogado

Artigo: Falta seriedade ao Ensino Público

28 de outubro de 2012 18

Vera Lúcia Widniczck Striebel *

A UFRGS é um dos orgulhos de todos os gaúchos, seja por sua importância histórica, seja por sua importância social e acadêmica, mas principalmente por representar a excelência do ensino superior no Rio Grande do Sul, no Brasil e na América Latina. Temos na Universidade, nosso principal lastro de excelência nas diversas áreas do conhecimento, confiabilidade conquistada lentamente a partir de investimentos federais (a partir da contribuição de todos nós) especialmente da manutenção de critérios claros e seriedade nos processos seletivos de docentes e discentes.
Assim, construiu-se no imaginário coletivo gaúcho a impressão de que o principal acesso à excelência acadêmica no Ensino Superior seria a aprovação no Processo Seletivo da Universidade Federal.
Milhares de jovens preparam-se nas melhores escolas, durante muitos anos, com importantes investimentos familiares, a fim de atingir o “oásis” da excelência acadêmica após a aprovação no temível vestibular.
Ao chegarem à última etapa desta formação, mais alguns momentos de inquietação para decidirem assumir mais um investimento estressante e caro, em cursos especializados para revisão dos temas pertinentes ao ENEM e Vestibular, e lá vão os nossos jovens mais dedicados assumindo esta decisão e dedicando praticamente todo o seu tempo do último ano do Ensino Médio aos infindáveis processos preparatórios.
Nós, os pais, participando deste processo ao oferecer todo o conforto disponível para o momento, mas com certeza vivendo também a inquietação de nossos amores. E então, em mais um sábado de aulas extras preparatórias, acordamos cedinho para acompanhar o processo e nos deparamos com a manchete de mudança no Edital do Concurso Vestibular 2013 da Universidade, que já estava encerrado. Em princípio, mudanças envolvendo a distribuição das vagas relacionadas às cotas, porém também mudando o critério que estabelece a definição de cotistas que cursaram o Ensino Público, para aqueles que completaram o ensino médio no ensino público.
Como explicar aos jovens que hoje vi chegando às aulas, com os rostinhos amassados pela falta de sono, que os critérios podem ser mudados a qualquer momento? Onde fica a seriedade da nossa Universidade Pública, sempre tão respeitada por sua transparência?
Confesso que fiquei muito triste e desejo que cada vez seja mais possível a construção da excelência acadêmica fora do ensino público e que as instituições não públicas mereçam investimentos federais dignos, para que os filhos daqueles que contribuem para o financiamento federal sejam merecedores de novos “oásis” de excelência por todo o Rio Grande do Sul.

*Fisioterapeuta

Leitor-Repórter: Uma desova de lixo

27 de outubro de 2012 1

Elisangela Veiga*

Uma esquina abandonada. Dejetos, materiais descartados, diversos objetos que nao sao mais utilizados e muito lixo sao jogados nesta esquina da Rua Jardim Vitoria, esquina com um acesso sem nome, bairro Passo das Pedras, Porto Alegre.
De acordo com a moradora Andressa Guimaraes, que reside ha mais de 15 anos na rua, esta situaçao segue a mesma há muito tempo: “Já chamamos a prefeitura diversas vezes. Agora, eles até estao arrumando a calçada, mas alguns moradores insistem em fazer desta esquina um entulho, eternizando o lixo aqui jogado.” Os moradores reclamam que, além do lixo acumulado, quando chove, boa parte da rua alaga por conta dos objetos que começam a ”nadar”pelo asfalto com as águas da chuva e também por conta dos buracos no asfalto.

Contraponto:

O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) esclarece que o local está identificado como um foco de lixo crônico, alimentado pelos próprios moradores da vizinhança, que inclusive colocam fogo no lixo de vez em quando. O DMLU recolhe o lixo e limpa o local periodicamente, pelo menos uma vez por semana. A solução dos problemas, tanto de sujeira quanto de eventuais alagamentos, passa necessariamente pelo comportamento dos moradores.

*Jornalista

Leitor-Repórter: Arroio causa prejuízos

27 de outubro de 2012 1

Caroline Figueira Ferraz*

Transbordamentos no arroio do bairro Sarandi, em Porto Alegre, são causados todas as vezes que o volume de chuva aumenta. Moradores reclamam da questão recorrente e da demora por parte da Prefeitura para resolver o caso. De acordo com moradores, há anos a questão se arrasta sem solução. Eles já sabem que haverá transbordamentos nas épocas de chuva, inclusive em muitas casas da Avenida Sarandi foram criadas barreiras de metal nos portões para barrar a passagem de lixo e esgoto. Inúmeras são as vezes em que o trânsito pelas ruas do bairro são interrompidos pelo volume de água que cobre de lado a lado as calçadas das vias.
A moradora e participante da associação de moradores do bairro, Maria Tereza, afirma que a associação está pressionando para que seja resolvido o problema, pois está em trâmite um projeto para alargamento do Arroio Sarandi, o que deve minimizar a situação. No portal do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) consta a execução de drenagem no leito do Arroio em fevereiro deste ano. No entanto, o acúmulo de lixo depositado ao longo da passagem segue causando prejuízos, sendo, então, o alargamento a melhor opção para resolução da questão, juntamente a campanhas de conscientização para a população que usa o leito de arroios e rios como depósito de lixo.
A localidade pode ser visualizada no link a seguir: http://goo.gl/maps/sRgg5


Contraponto:

O DEP já tem projeto concluído para o alargamento do Arroio Sarandi. O valor estimado é de R$ 982,2 mil. O DEP está em fase de busca de recursos para a execução da obra.

Artigo: O passado e o futuro da Apag

27 de outubro de 2012 0

Aurici Azevedo da Rosa*
Cristiano Machado Silveira**

As terras úmidas estão presentes em 6% da superfície do planeta e em 2% do território brasileiro. São, portanto, raras. E é justamente por essa raridade que estão entre as áreas mais ameaçadas de mundo.
Aqui, no nosso quintal, temos uma dessas valiosas áreas: o Banhado Grande. Um conjunto de banhados na verdade: Grande, Chico Lomã e dos Pachecos que juntos abrangem 133 mil hectares ocupando parte dos municípios de Glorinha, Gravataí e Santo Antônio da Patrulha e, é claro, Viamão.
Essa unidade de conservação não foi uma imposição do Estado à população, foi uma conquista da população da região metropolitana de Porto Alegre e a coroação de dois movimentos históricos. O primeiro deles organizado pela APN-VG na década de 70 para denunciar o extermínio dos banhados pelas ações de drenagem, captação indiscriminada de água, contaminação por agrotóxicos e esgotos domésticos. Essa luta resultou da criação da APA pelo Decreto Nº 38.971 de 23 de outubro de 1998.  O segundo round dessa batalha ocorreu no final da última década com a criação da comissão de luta pela efetivação da APA, um grupo que  exigiu do governo do estado que a APA saísse do papel e resultou na criação do conselho gestor da unidade com representação dos vários setores da sociedade dos quatro municípios, estado e união. A população, preocupada com os efeitos da estiagem de 2006, que levou a disputa de água entre os produtores de arroz e os cerca de 1 milhão de habitantes que se abastecem das águas do rio Gravataí foi o combustível que faltava.
O cervo-do-pantanal e duas centenas de espécies de aves pedem socorro.
Há dois anos o conselho da APA disse não à mineração de carvão e impediu que mais essa atividade degradasse esse frágil ecossistema. Mas as ameaças não param. A urbanização desordenada, as queimadas constantes, o uso de agrotóxicos, a expansão da mineração de areia, a caça, continuam assolando a região.
No dia 23 de outubro a criação da APA completará 14 anos. Passado todo esse tempo a APA ainda não tem um plano de manejo. O corpo de funcionários designados para protegê-la é pequeno e ainda tem que dividir a atenção entre a APA e outras unidades de conservação do estado com quase nenhum aparato material e pouco recurso financeiro.
A APA é uma conquista dos viamonenses e podemos nos orgulhar dessa história, mas qual será o futuro da APA?
O futuro da APA dependerá da elaboração do seu plano de manejo, das ações do seu conselho, de políticas que busquem o seu uso sustentável e da relação que a comunidade estabelece com essa unidade de conservação.
Conhecer para preservar
Para que tudo isso ocorra, a comunidade precisa conhecer a importância dessa área, de seus recursos, de sua biodiversidade e de sua beleza. Mas será que as pessoas do seu entorno são possuidora desses conhecimentos? Será que ela está sensibilizada a ponto de perceber toda essa importância e protegê-la? Será que ela tem um aporte de informações que possam embasar decisões mais sustentáveis à APA? Por pesquisas realizadas, pouco se sabe sobre a APA.
Aqui se percebe a relevância da Educação Ambiental como um fator preponderante ao futuro da APA. Uma educação capaz propiciar informações a respeito de toda a complexidade dessa região, capaz de contribuir na reflexão das dimensões conflituosas que entrelaçam a relação homem-natureza, ampliando o debate de simples preservação da natureza para inserir todos os aspectos que englobam conflitos e interesses contribuindo na formação cidadã e a busca da sustentabilidade.
Por que uma sociedade, sabedora de seus direitos e deveres, consciente e organizada, possui autonomia para exigir dos órgãos governamentais ações condizentes e não exploratórias, participando da gestão da unidade de conservação, e contribuindo de forma significativa para o futuro da APA do Banhado Grande.

* Licenciada em Ciências Biológicas, Especialista em Educação Ambiental, Conselheira  no Conselho da APA-BG
**Biólogo e Mestre em Ecologia

Do Leitor: Morte de Tatata Pimentel comove leitores

26 de outubro de 2012 0

A morte do professor e jornalista Tatata Pimentel, na última quarta-feira, comoveu os leitores de Zero Hora. As pessoas relembraram frases e momentos marcantes de sua carreira e prestaram suas homenagens na página de ZH no Facebook. Foram mais de 300 manifestações, quase 2 mil curtidas  e mais de 1.119 compartilhamentos em dois posts.

“Tenho certeza que ele continuará brilhando onde estiver. Deus é o jardineiro, ele planta e colhe. Ele era uma flor maravilhosa”
Síria Silveira, via Facebook

“Eu era muito fã dele. Porque foi corajoso, alegre, culto e inteligente”
Eliana Salazar, via Facebook

“Uma pessoa maravilhosa, educado, culto e humilde, fez história foi parte integrante de nossas vidas, será lembrado para sempre faz parte da história da TV”
Aelson Reichert, via Facebook

“Irônico, Sagaz, baita pessoa”
Carlos Sartori, via Facebook

“Porto Alegre perdeu mais uma estrela, daquelas que brilharam em todos os cantinhos por onde passou”
Laci Hahn, via Facebook

“A única coisa que me passa a cabeça é que aqueles que deveriam já ter ido não vão enquanto outros que contribuem para a humanidade vão de repente”
Carlos Lima, via Facebook

Artigo: Política o quê? Linguística?

26 de outubro de 2012 0

Bianca da Graça Rosa Coelho*

Em ano de eleições municipais a cidade respira política. As notícias nos jornais, na grande maioria, envolvem política. As ruas da cidade são invadidas por cartazes de políticos e os carros sonoros com os jingles desfilam pelas principais ruas. Mas, além disso, existe ainda uma política presente em nossas vidas que, talvez, nem a percebamos: é a política linguística. Mas o que significa, afinal, política linguística?
O termo política linguística é recente. Surgiu na década de 1960 junto com os estudos sobre a relação existente entre língua e sociedade. No Brasil, esses estudos são mais recentes ainda. Pesquisando no dicionário, encontramos que política é: “arte que regula as relações de um Estado com os outros Estados” e que Linguística é a “ciência que se dedica ao estudo das línguas”. Com essas definições, podemos dizer que a política linguística visa contornar as possíveis situações de conflitos entre os falantes de uma sociedade, ou seja, através da política linguística são criadas as “regras” que definem entre outras coisas, na escrita, as regras ortográficas.
Pensando nas regras ortográficas, lembramos o acordo feito em 2009, que visou unificar a ortografia da língua portuguesa entre os países que a têm como língua oficial. Vale à pena lembrar quais são eles: Brasil, Portugal, Angola, Timor Leste, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Esse acordo teve um lado político bem grande, pois se pretendia com ele facilitar o comércio de produtos entre esses países. Apesar de a nossa língua oficial ser a Língua Portuguesa, no meio acadêmico a chamamos de português brasileiro.
É preciso lembrar que o português nem sempre foi a língua mais falada no Brasil. Houve uma época que a língua mais falada no Brasil era a língua geral e foi uma atitude política que modificou isso. O rei de Portugal, D. José I, através do então ministro Marquês de Pombal, proibiu o uso e o ensino de qualquer língua a não ser a Língua Portuguesa.
Louis-Jean Calvet (2002), um professor e pesquisador da área, define política linguística como “um conjunto de escolhas conscientes referentes às relações entre língua(s) e vida social”. Mas a política linguística vai além dessas escolhas, ela têm um papel importante quando o assunto é defender ou preservar uma língua. Exemplo disso são as medidas que vêm sendo tomadas no intuito de preservar as línguas indígenas. Quando o Brasil foi descoberto, estima-se que existiam mais de 1000 línguas indígenas, mas hoje existem pouco mais de 100. A colocação na prática dessas medidas é definida, também por Calvet (2002), como planejamento linguístico, isto é, “a implementação prática de uma política linguística, em suma, a passagem ao ato”. A formulação ou reformulação dos livros didáticos faz parte do planejamento linguístico.
Falando em formulação de livros didáticos, é preciso mencionar a polêmica que envolveu o livro didático “Por uma Vida Melhor”, em 2011. O livro foi idealizado para a educação de jovens e adultos (EJA) e gerou polêmica por levar em conta a variação linguística no português brasileiro. Os autores reafirmam a existência de variação entre a linguagem oral e a linguagem escrita e defendem que ela precisa ser respeitada. Defendem, também, que não sejam mais usados os termos “certo” ou “errado” na linguagem e sim os termos “apropriado ou inapropriado”.
Quando o assunto é variação linguística, o Rio Grande do Sul é um Estado que se pode dizer, que sente na pele o preconceito linguístico. Quantas vezes os gaúchos foram retratados nas mídias, principalmente no extinto Casseta & Planta, como homens grossos? Por quê? Devido ao seu modo de falar? Quantas vezes os nossos “Tchê”, “Bagual” e “Bah” foram usados como forma de esculacho ao povo gaúcho?
Outro fato interessante, envolvendo a política – seja ela linguística ou não _ que precisa ser lembrado, ocorreu durante II Guerra Mundial, quando o Brasil se aliou aos Estados Unidos, França e Inglaterra na luta contra a Alemanha, Itália e Japão. Naquela época, o número de imigrantes no Brasil era grande e com a entrada do Brasil na guerra, as línguas alemã, italiana e japonesa passaram a ser a língua do inimigo. Esse fato gerou uma medida de cunho político no Brasil: foi decretada à proibição das línguas dos imigrantes que viviam no nosso país.
Podemos perceber que não existe apenas a política da qual falávamos no início, aquela que está em evidência devido às eleições, mas que existe também uma política que se faz presente e que desempenha um papel importante quando o assunto gira em torno da língua, da fala, da escrita, das regras e das possíveis relações entre os falantes de uma sociedade. Percebemos, também, que, na maioria das vezes, elas caminham juntas.