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Posts de janeiro 2013

Foto do Leitor: Hora da Comida

31 de janeiro de 2013 0

O leitor Claudio Antonio Longo registrou a felicidade de um gambá junto a um pé de figo.


Artigo: O Brasil e o desafio energético

31 de janeiro de 2013 11

Vânia Andrade de Souza*

Desde o lançamento do PNE 2030 (Plano Nacional de Energia), em meados da década passada, foram reforçadas no País as discussões sobre nossas necessidades relacionadas a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. No Brasil, quando pensamos em energia, naturalmente, a fonte primária que nos vem à mente é a usina hidrelétrica. Não é para menos: o grande potencial hidráulico do País permite que o uso da força das águas seja o principal sistema de geração adotado, variando de 65% a mais de 70% da matriz elétrica nacional, dependendo do período do ano.

Mas, apesar de o potencial geracional destas fontes ser alto – com cerca de 95% de aproveitamento energético –, é grande também o impacto ambiental causado pela construção de hidrelétricas e pela implantação de redes de distribuição. Este é o impasse – de grande pertinência – que tem complicado o avanço das obras de grandes usinas no País, especialmente quando pensamos no aproveitamento do potencial hidráulico de rios da região amazônica.. Este fator inviabiliza pensarmos apenas nas hidrelétricas como recurso de ampliação do potencial elétrico em um País em constante crescimento.

Assim, para que o Brasil continue a ampliar seu potencial de geração de energia de acordo com as necessidades crescentes, é preciso pensar em alternativas ao tradicional modelo hidrelétrico. Hoje, percebemos bom potencial na instalação de parques de geração de energia eólica e de fontes fotovoltáicas, que transformam a luz do sol em eletricidade. No entanto, esses modelos de geração ainda têm custo elevado e potencial reduzido de produção energética.

Outras alternativas são a instalação das chamadas PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) – que provocam menor impacto ambiental, mas têm reduzido poder de geração; a simples modernização de hidrelétricas e outras estruturas de geração, como termelétricas, já existentes, o que ampliaria a capacidade dessas instalações; e investimentos na aplicação de recursos de eficiência energética, ampliando a economia com a redução de perdas no sistema e com o estímulo ao uso consciente pelos consumidores.

Se pararmos para analisar algumas das alternativas de geração de energia, nos deparamos com opções que ainda necessitam de arremates. Por exemplo, para 2013, o País contará com cinquenta projetos de parques eólicos prontos para entrar em operação. O problema é que não disporão de linhas de transmissão dedicadas a levar sua energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), dos 2,1 mil MW de capacidade instalada de geração elétrica dos parques eólicos previstos para 2013, 1,4 mil MW devem ficar fora do sistema em razão de atrasos na implantação de linhas de transmissão..

Já em relação à energia solar, o País não tem avanços consideráveis. Um dos exemplos disso é que há apenas uma empresa nacional fabricante de painéis fotovoltáicos. Desde o lançamento do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), em 2004, muito pouco foi feito em relação à produção de eletricidade de origem solar. O painel que permite a produção de energia por esta fonte é considerado caro, apesar de o Brasil possuir enorme potencial de irradiação solar.

O que podemos perceber é que o Brasil dispõe de planos para ampliar a capacidade de geração energética. O problema é que boa parte do potencial pretendido deve vir de grandes projetos hidrelétricos que, sabidamente, devem enfrentar problemas para ser viabilizados, especialmente em razão de questionamentos ambientais. Um dos exemplos é a Usina de Tucuruí (no sudeste do Pará), que poderá ter sua capacidade ampliada em até 2.500 MW de potência instalada com a construção de uma terceira casa de força. A capacidade de produção seria elevada para 11.000 MW, ou seja, 200 MW menos do que é estimado para a Usina de Belo Monte, que tem enfrentado sérios problemas para garantir sua construção no rio Xingu.

Ao final, encaramos alguns dilemas naturais de um grande País que busca estimular seu desenvolvimento. Precisamos de energia, mas temos de avaliar os potenciais impactos ao meio ambiente na sua obtenção. Há de se pensar de modo sustentável e, ao mesmo tempo, privilegiar a diversificação da matriz energética. É preciso pensar na concessão de incentivos e garantir a viabilização de estruturas para o efetivo funcionamento das fontes renováveis. O cenário é de desenvolvimento, e não podemos negar que o País precisa repensar suas fontes de energia elétrica para dar conta da demanda no longo prazo.
Um País economicamente desenvolvido não pode abrir mão do equilíbrio ambiental para garantir sua própria sustentabilidade. Assim, o caminho será, certamente, na direção de valorizar a opção por alternativas limpas de geração de energia e a adoção de iniciativas voltadas à economia energética. O desafio agora é viabilizar as melhores soluções. Para isso, será preciso estimular a criatividade, a inovação e a pesquisa no setor.


* Vânia Andrade de Souza é sócia-líder do setor de Energia no Brasil

Sobre ZH

31 de janeiro de 2013 0

Após a leitura do jornal, comente aqui o que achou sobre a edição de Zero Hora do dia 31 de janeiro de 2013.

Foto do Leitor: Amizade entre Bouganville e Figueira

30 de janeiro de 2013 0

Carlos Alberto Bueno Soares, registra a convivência harmoniosa na natureza, entre uma Bouganville e Figueira Centenária.

Sobre ZH

30 de janeiro de 2013 1

Comente aqui sobre a edição de hoje de Zero Hora,  dia 30 de janeiro de 2013.

Artigo:O Hopi Hari vai virar Disney?

30 de janeiro de 2013 1

Marcos Hiller*

Nunca foi tão forte o rumor que a Disney, um dos maiores impérios do entretenimento no planeta, estaria em franca negociação para compra do parque Hopi Hari, localizado na região de Vinhedo, em São Paulo. Há pelo menos três anos, o assunto já é discutido amplamente e um possível acordo para a compra estaria para ser concretizado a qualquer momento. Para o Hopi Hari, que nos últimos anos sofreu sérias crises de imagem, seria um alento esse suposto processo de renascimento por meio da Disney. E nada melhor do que ser substituído por uma marca tão admirada e uma das mais valiosas do mundo, segundo o último ranking da Millward Brown.

O conceito original do Hopi Hari é fantástico. Um parque temático, com uma marca bem montada, com funcionários bem treinados, com um idioma próprio, brinquedos sensacionais e com outros vários detalhes fundamentais para construção consistente da imagem. Perfeito! No entanto, após anos de operação, em fevereiro de 2012 o Hopi Hari sofreu uma de suas piores crises. A morte da adolescente Gabriela Nichimura, após queda do ‘La Tour Eiffel’, fez com que o parque ficasse fechado por 22 dias e levou o Ministério Público a denunciar 12 pessoas por homicídio culposo. O período em que o parque ficou aberto logo após o acidente, antes das determinações da Justiça, foi desastroso para a reputação construída até então. Tal atitude demonstrou total despreparo diante de uma situação gravíssima como aquela. O impacto sobre a marca Hopi Hari foi contundente.

Os números de visitação sofreram vertiginosa queda em um período em que os parques de maneira geral registraram alta nos índices, em grande parte pela melhora do poder aquisitivo da população. O Hopi Hari sofreu com o medo natural que o acidente causou nas pessoas, a exemplo dos cruzeiros românticos nos mares mediterrâneos após o episódio marcado pelo “Vada a bordo, cazzo”, ouvido pelo comandante Francesco Schettino do navio de cruzeiro italiano.

Uma ação simples que o Hopi Hari poderia ter adotado na gestão da crise, e que com certeza reduzia os profundos arranhões na imagem, seria a retirada do brinquedo “La Tour Eiffel”. A permanência do enorme brinquedo protagonista do acidente fatal só reacende o fato todas as vezes que se passa de carro diante no parque na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo.

Entretanto, no que tange ações digitais, ou ao chamado SEO reverso, os profissionais foram rápidos. O SEO (sigla da Search Engine Marketing) é o trabalho que se faz em um site para que ele apareça nos primeiros resultados da busca orgânica (não-paga) do Google. O SEO reverso tem a lógica contrária, que determinado resultado saia das primeiras páginas do mecanismo de busca. Se pesquisarmos hoje, quase um ano depois, pelo termo “Hopi Hari”, o resultado com a notícia relatando o fato já não está mais na primeira página do Google.

Os problemas do parque não pararam por aí. No dia 4 de julho do ano passado, o Hopi Hari foi condenado pela Justiça do Trabalho de Jundiaí a pagar indenização por danos morais coletivos por submeter trabalhadores a revista íntima e de armários, bolsas e outros pertences. Momentos delicados como estes certamente trazem riscos de imagem gravíssimos a uma marca. E crises de imagem de marcas são como manchas de óleo no oceano, algumas são mais graves, outras menos, mas sempre deixam uma cicatriz profunda e eterna que, caso não seja bem estancada, pode voltar a verter. Só o tempo e a habilidade dos gestores da marca Hopi Hari nos darão um diagnóstico.

É certo, porém, que seria muito bom para esse momento nevrálgico que uma das marcas mais amadas do planeta aterrissasse em Vinhedo para que todas as manchas de óleo sejam instantaneamente sugadas. Para os olhos da Disney, nada mal ter um parque no Brasil, hoje uma das maiores economias do mundo, a exemplo do que eles já fizeram levando filiais da Disney para a Europa e Japão.

A Copa do Mundo e as Olímpiadas já estão a caminho do Brasil. Há notícias de outras marcas que estão de malas prontas para desembarcar no País nos próximos dois anos, como GAP, Jamba Juice e Cheesecake Factory. Nos resta assistir de camarote se Mickey Mouse pretende vir também. Tomara!

*Coordenador

Artigo: A co-responsabilidade social frente ao desastre em Santa Maria

29 de janeiro de 2013 0

Raquel da Silva*

No domingo passado assistimos atônitos, a centenas de vidas serem ceifadas de seus seios familiares. Eram jovens com sonhos, em busca de profissionalização e que não faziam, no momento, nada além do que se espera de pessoas de sua idade.
Passadas algumas horas do incidente e, após nos darmos conta de que não se tratava de um filme de terror e sim realidade, passo a fazer uma análise quase que investigativa, juntamente com as inúmeras vertentes de análise existentes. Primeiramente temos que encontrar um culpado, imediatamente, e como sempre, encontraremos um “bode expiatório” que irá temporariamente acalmar nossos corações. Neste caso já temos mais de um, os donos da boate, o grupo musical, o Poder Público, os Bombeiros e por aí vai. Mas e a corresponsabilidade social? Julgo que todos nós adultos somos corresponsáveis. Justifico minha incisiva análise. Comecemos pelo Poder Público, ele não é um ente, nós deveríamos intervir e ter consciência humana e coletiva, independente de nossa área de atuação; as instituições de ensino deveriam preparar nossos jovens para a vida e não somente com conhecimentos que os mesmos terão uma vida inteira para se apropriar. Os bancos escolares e o seio familiar deveria ser o berço de aprendizado da cultura prevencionista, do conhecimento às leis, normas reguladoras, saúde etc.
No momento estamos todos, nacionalmente carentes, mas não por que perdemos vidas que poderiam, como mencionou nossa Presidenta, virem a serem Chefes de Estado, e porque em nosso interior temos a sensação de que  também falhamos. Há escolas que hoje, ainda estão carentes de normas de segurança, não há planos de prevenção contra sinistros, parece um contracenso. É como se fosse uma heresia invadir áreas da qual não detemos o real conhecimento. Estas questões supõem olhar ao longe, ter raciocínio e ação preventiva, supõe responsabilidade, equilíbrio, senso de coletividade, cidadania e no fundo demanda muito trabalho.
A cultura prevencionista não é um tema a ser abordado somente por bombeiros ou policiais civis ou militares, a prevenção cabe em todas as áreas, na saúde, na educação, no meio ambiente. É um contracenso que se divulgue a visão interdisciplinar no meio educacional e não tenhamos este mesmo olhar frente a vida. Lamento ainda mais após ter refletido a respeito, porque como educadora, sei que há iniciativas isoladas nas instituições de ensino, no sentido de aproximar estas questões dos jovens, criando um novo olhar sobre a vida e o que a cerca.

* Pedagoga

Sobre ZH

29 de janeiro de 2013 6

Leitor, comente aqui opinião  sobre a edição de hoje de Zero Hora,  dia 29 de janeiro de 2013.


Sobre ZH - Tragédia em Santa Maria

28 de janeiro de 2013 2

Abaixo, manifestações de leitores sobre as edições de cobertura da Tragédia em Santa Maria :

Tem que haver justiça sim, para poder acabar com o jeitinho brasileiro, quem dá mais,para poder funcionar essas boates,sem ter condição de funcionar, o que importa hoje em dia é só o dinheiro e eles não se preocupam com aqueles jovens que estão ali para se dividir e ser feliz.Hoje estou de luto,perdi também um filho de uma amiga minha e vários colegas do meu filho e sobrinha da universidade da UFSM.O que nos resta agora é só rezar para justiça seja feita.Um abraço fraterno para todas as pessoas que perderão esse jovens dessa forma apavorante.
Naja Beatriz Brites Gonçalves – Professora
Santa Maria/RS

Quero chorar, mas estou asfixiado de sentimentos.
Quero aceitar, mas o fogo queimou meus motivos.
Quero expressar o que sinto, mas como expressar o que sentiam mais de mil pessoas num momento de desespero?
“ – Me salvar, e viver arrependido por não ter salvo o amigo de infância?”
Sair ileso, e ver sonhos, literalmente, morrerem?
Nunca se salvar e ter mil histórias pra contar foi tão pouco.
Hoje sei o que é ter o corpo e a alma esmagados por um caminhão.
O caminhão da morte chegou. E era grande.
A morte é grande, forte e robusta.
A morte não avisa. Ou avisa, e não sabemos interpretar os sinais?
Pais que propõem uma janta gostosa em troca de ter os filhos em casa num sábado à noite.
Filhas que batem a porta na cara da mãe porque foram impedidas de sair e se divertir no fatídico 27 de janeiro de 2013.
Filhos que, hoje, agradecem por estarem vivos.
E você que está aí e que pode, por favor, console a quem precisa!
Procura a quem tu ama! Vai, corre atrás!
Se não há como, pega o telefone e liga pros teus! Fala que está tudo bem e que, apesar não expressar sempre, tu ama a pessoa. E espero que a conta do telefone venha bem alta.
Mas corre, perde o fôlego, e quando o perder, corre mais.
Dá valor ao oxigênio que fugiu da combustão do fogo da Kiss só pra te encher de vida.
Corre, corre atrás de tudo que acha de deveria ter feito ou dito e não o fez.
Nossa vida é uma eterna boate em chamas, e não possui saída de emergência.
E a entrada VIP tu já tem há 5, 15, 30 ou 60 anos. É que o VIP vai perdendo valor conforme tuas atitudes. Não dar valor aos pais, por exemplo, te tira do camarote pra pista, mas ainda te mantém na festa.
Agora, estar a salvo, depois de quase queimar ou asfixiar-se, pra salvar “apenas” pessoas não conhecidas, aí meu amigo, a vida eterna é tua!
O choro ainda vai cair. Não estou indiferente.
É que me lembrei que morto não chora.
E quem não morreu domingo?

Mauricio Santana Pires – Acadêmico de Fisioterapia
Uruguaiana/RS

Ao que parece, nós humanos preferimos o caminho da dor para obtermos aprendizado. É necessário uma tragédia para que os bancos de sangue recebam doações.Assim como o uso do alcool ou drogas unidos a um motorista e seu carro também é responsável por tantas mortes. Mas a juventude é movida pela emoção e não pela razão, todos sabemos disso.
Longe da perfeição, espero que a gente consiga dar mais um passo evolutivo no caminho de entender que o que é certo nos distancia do sofrimento, e para isso existem as regras, as leis.
Mais um carnaval se aproxima…que nos tornemos seres mais responsáveis, menos impulsivos. Que a simples ganância de se obter lucro não domine as mentes de quem trabalha com entretenimento e assim desafia as leis, colocando as vidas de tantos em risco.
Nossas vidas não precisam ser cerceadas pela dor e sofrimento, Deus nos criou para sermos plenos neste mundo, e ele com certeza tem sempre planos para cada um de nós, jamais nos abandona.
Espero sinceramente que novos tempos, novas mentes e novas emoções, baseadas na fé , no amor e na solidariedade brotem destes dias de dor.

Cristiana Rieth – Turismóloga
São Leopoldo/RS

Peço licença ao povo do coração do Rio Grande, até mesmo à Padroeira da cidade, Nossa Santa Maria, para escrever algo de que não consigo calar. Foi o 27 de janeiro.
Povo de Santa Maria, recebeste sem pedir o abraço da dor. Da injusta dor. Eu, com as minhas dorzinhas quero homenageá-los por ainda estarem vivos. Como conseguem tal façanha?
Como pai de adolescentes que frequentam baladas, inseguras e divertidas, afirmo que os seus olhos, seus choros nos cantos escuros e olhares fixos no público atento, pais e amigos Santa Marienses, vi que são modelos.
Tem que ser muito aguerrido e bravo para continuar vivo. Gentis e respeitosos aos que clamam por justiça. Ela não virá. Respeitosos para com os que rezam. Sei como alguns precisam do divino, pois sou agnóstico. Virtude é não ser escravo da morte. Da dor nunca seremos livres.
Mostre, família Santa Mariense, a façanha de continuar, passo por passo, dia por dia, vivos. Permitam-me saber que sou contemporâneo (e conterrâneo, pois sou gaúcho) de quem sobrevive com mais dor do que eu poderia suportar.
Solidarizo-me, e irmano-me na dor, com esta tão querida cidade e não menos querido povo!

Adilson Simonis – Professor
São Paulo/SP

Era para ser mais um domingo normal, daqueles com família reunida para o almoço, futebol no fim da tarde e sobras do churrasco para o jantar. Ou então, aquele domingo de levar a família para o clube e o cachorro para um passeio na praça. Mas o 27 de janeiro de 2013 amanheceu com gosto de tragédia para as famílias gaúchas, em um capítulo que vai marcar pra sempre a história do Rio Grande do Sul.
A jornada esportiva deu lugar à dor, que ganhava voz a cada depoimento embargado pela tristeza de quem perdeu um colega, um amigo, um amor. As chamas que consumiram a boate Kiss e interromperam 233 sonhos se alastraram do Oiapoque ao Chuí. Pessoas que sequer sabiam da existência de Santa Maria ou conheciam alguma das jovens vidas que foram levadas durante a madrugada, mas que choravam juntas a cada imagem reproduzida pelos telejornais. Porque para se deixar levar pelas lágrimas não era preciso conhecer alguma vítima, apenas ter coração. E nós, acostumados com as temperaturas de congelar graxaim, vimos as chamas fazerem do domingo a madrugada mais fria que esse estado já viu.
Centenas de vozes silenciadas não apenas pela intoxicação da fumaça, mas, principalmente, pela ganância do ser humano, capaz de passar por cima da própria segurança em nome do dinheiro; pela falta de preparo da equipe que trabalhava na boate, pela falta de estrutura para lidar com emergências, pela falta de fiscalização dos órgãos responsáveis. Infelizmente, vivemos em um país que precisa de números assombrosos para, aí sim, se preocupar em prevenir acidentes e fiscalizar irregularidades.
No dia em que o mundo direcionou os olhos para Santa Maria, as notícias chegavam de todos os lados, a todo minuto. As informações, às vezes desencontradas, relatavam um número crescente de mortos e feridos, que aumentava junto à angústia de familiares desesperados em busca de respostas. Da redação, acompanhávamos, apavorados, a cobertura dos veículos de imprensa de todo o país. Mesmo longe, a tristeza estava muito perto: dentro de cada um de nós. A cada depoimento, mais um coração jorrava a dor e a saudade de quem não teve tempo de se despedir e custava a acreditar no que os olhos estavam vendo.
Perdi a conta de quantas vezes chorei na redação ou no sofá de casa, ao lado do rádio e em frente à televisão. Poderia ter acontecido aqui, com qualquer um de nós, jovens, que sai para uma festa com os amigos no sábado à noite. E dói. Dói porque muitos pais ficaram órfãos neste domingo e perdemos nossos futuros médicos, advogados, psiquiatras, veterinários, professores, jornalistas – que, assim como nós, poderiam, algum dia, ter que noticiar tragédias como esta, que jamais gostaríamos de acompanhar. Sem dúvida, o pior plantão da minha curta experiência jornalística.
Nessas horas, resta agradecer aos médicos, bombeiros, enfermeiros, psicólogos e voluntários que estão trabalhando para ajudar as vítimas e dar suporte às famílias. Um trabalho árduo e admirável. Agradecer a cada pessoa que está fazendo o que está ao seu alcance, seja com uma doação de sangue, com o conhecimento que possui na área médica ou com uma oração. É tempo de desejar força, muita força para Santa Maria. Que esta fatalidade sirva, pelo menos, para evitar que outras aconteçam nas mesmas condições e que tenhamos que nos despedir cedo demais de quem ainda tinha muito o que fazer por aqui.

Daniele de Freitas dos Santos – Estudante
Passo Fundo/RS

Domingo , 27/01/2013 , o Rio Grande do Sul, é acordado, por lagrimas que atingem e percorrem o Brasil, o Mundo inteiro !  O que era pra ser um momento de fraternização, de alegrias, e sorrisos joviais, troca de roteiro … Iniciam-se horas e horas de terror, dias e dias de dor e agora de saudades eternas. Foram levadas centenas de vidas, vidas essas que estavam em busca de sonhos,algumas perto de realiza-los .. E agora Deus, é presenteado com mais de 230 anjos especiais que o farão companhia eternamente ! Nós , que aqui “ficamos” seremos por eles abençoados e protegidos, teremos de agora em diante anjos reais, rezaremos com a certeza de que algum ser iluminado ouve e entende nossos pedidos, preces e agradecimentos!
Nosso estado ficara marcado, com a maior perca de todos os tempos ! Perda de estrutura, perda de amigos fies, filhos únicos, irmãos unidos , perda de amores verdadeiros … perdas, toda população gaucha perdeu algo nessa tragédia que vivenciamos! Perdemos esperança, perdemos um pouquinho de nós, perdemos felicidades, perdemos vidas …
Anjos, eu não conhecia nenhum de vocês, mas minha dor é imensa, sou da idade da maioria e falo por muitas pessoas nesse pequeno desabafo e singela homenagem!
Desejo que vocês possam estar juntos nesse momento, como nós aqui estamos, juntos, unidos para encontrarmos algum tipo de força, para encararmos a saudade!
Desejo que vocês estejam em um lugar melhor que aqui, desejo que desse lugar superior vocês possam transformar nossos dias melhores .. menos doloridos!
Desejo paz , desejo alegria , desejo vida!
Em pensamento, desejo um abraço bem apertado de todos !!!!!
Anjos guerreiros, anjos .. anjos .. anjos
!”
Juliana Wienandts – Estudante
Osório / RS

Em função da tragédia ocorrida na minha querida cidade de Santa Maria envio relato e documento anexo no intuito de contribuir com a apuração das responsabilidades pelo ocorrido, bem como com as alterações na legislação e nos procedimentos administrativos de fiscalização e concessão de alvarás que autorizam o funcionamento destes tipos de estabelecimentos e que serão necessárias para que isso não ocorra novamente.
Vamos aos fatos:
Conforme se verifica na denúncia que fiz ao MPE em 03/2009 eu era vizinho ao Bar Cammellus e este iniciou suas atividades tendo sempre a apresentação de bandas/música ao vivo sem ter realizado qualquer isolamento acústico no ambiente. Além disso, nunca fiquei sabendo se o Bar possuia alvará para funcionar com  música ao vivo, já que nesta situação a legislação municipal exige a apresentação de projeto/laudo fornecido por responsável técnico habilitado (engenheiro/arquiteto). Essa questão (projeto de isolamento acústico) é extramamente relevante no caso da boate Kiss e nesse ponto cabem alguns questionamentos como:
1 – Até o momento não foi levantado nem pela imprensa, nem pelas autoridades policiais quem fez e assinou o projeto de isolamento acústico, se era legalmente habilitado para isso, se foi corretamente elaborado de acordo com as normas técnicas pertinentes.
2 – Como, em tese, é obrigatório a apresentação de projeto de isolamento acústico para bares e boates, quem fiscalizou e verificou in loco se os proprietários executaram e aplicaram os materias de isolamento e absorção acústica conforme constava no projeto. Parece-me que tal obrigação seria da fiscalização do município, mas ao que consta ninguém verifica essa situação se o que foi projetado foi executado.
E essa verificação é muito importante, pois ao que aparenta, pelas imagens da TV, a espuma para abosorção sonora utilizada no forro da boate para ajudar no isolamento acústico era péssima qualidade, inflamável e foi por isso que as chamas propagaram-se tão rapidamente e geraram tanta fumaça tóxica ocasionando a morte de tantas pessoas. Só para esclarecer: a espuma que deveria ter sido utilizada no forro da boate teria que ter algumas propriedades como a não propagação das chamas, não expelir tanta fumaça tóxica. Essas espumas de poliuretano recebem um tratamento especial para isso e uma destas a venda no mercado é da marca Sonex e seu custo é bem elevado em comparação com outras espumas (como utilizada na boate, aparentemente). Conclusão: Caso fosse utilizada espuma de boa qualidade, provavelmente não teria acontecido esta tragédia.
Mas a pergunta que fica é: quem fiscaliza isso, parece que é só fiscalização de papel, ou seja, os proprietários aplicam qualquer material no isolamento, muitas vezes inflamáveis pois são de baixo custo e os fiscais não verificam isso, ficam somente com o que está especificado no projeto.

Assim como, na denúncia que fiz ao MPE pergunto: foi realizado de fato um estudo de impacto na vizinhança, obrigatório de acordo com a legislaçao municipal, ou foi só pro forma?
Por que não há efetivadade nas ações de fiscalização do município nestes estabelecimentos? mesmo quando há flagrante desrespeito às normas legais é concedido prazo extremamente longo para adequação, mas o estabelecimento continua aberto neste período.
Para concluir, o Bar Cammellus ficou funcionando até julho de 2011 – sem realizar o tratamento acústico – e fechou suas portas nesta data devido a diminuição do público, ou seja, passaram-se mais de 02 anos após a minha denúncia sem que houvesse efetividade por parte do poder público em exigir que o estabelecimento funcionasse conforme estabelece as regras legais.
E assim as coisas continuam, como na terrível tragédia ocorrida na boate Kiss, uma sequência de ações perpretadas pelos seus proprietários que desejam obter o máximo lucro no menor tempo possível e na omissão do poder público municipal e corpo de bombeiros que não fiscalizam adequadamente estes estabelecimentos e não os culpo, pois realmente faltam servidores e estrutura para realizarem uma fiscalização adequada. Quem deve proporcionar uma estrutura adequada de fiscalização são os gestores dos municípios e do corpo de bombeiros do Estado e esse problema não é só culpa dos atuais mandatários, já vem de longe e passa pela discussão de qual é o tamanho de Estado e da prestação de serviços públicos que queremos ter em nosso município, estado e país
.”
Alessandro da Silva Reis – Funcionário público
Santa Cruz do Sul/RS

As pessoas acreditam que traçamos o rumo da nossa vida a partir das grandes escolhas, não penso assim. Claro, aquele momento de grande decisão marca a tua história,mas são as pequenas escolhas,as atitudes banais do dia-a-dia que definem o futuro.E talvez só é possível perceber isso em meio a grande tragédia.Aquele que não foi no Kiss por que resolveu ficar de boa em casa,a turma que de ultima hora foi para outra boate,o casal que brigou e foi embora mais cedo,o cara que saiu dar uma fumada, a garota que foi até a frente atender o telefone,os amigos ficaram próximos a saída pois a pista estava movimentada.Detalhes,instantes, definindo uma vida ou o fim dela…e pra quem estava tão envolvido com a musica,a diversão e o riso,o momento congelou a partir de uma combustão, então o tempo acelerou e eles não puderam mais escolher,respirar,fazer história.
Triste, porque numa hora como essa mesmo não tendo a dimensão da dor que essas pessoas sentiram ou a perda dos familiares,é extremamente angustiante pensar que tu ou quem tu ama estaria nessa situação…
Eu não conhecia nenhuma daquelas vidas,mas eu chorei,eu não quero e nem vou aceitar,que isso seja natural, porque apesar da banalidade mover nossos dias, não sou conformista.Acredito que temos que ser tocados por esse tipo de tragédia para agitarmos nossa humanidade,sem isto estamos nos matando por opção.

Daniela Lima dos Santos – Estudante
São Luiz Gonzaga/RS

O que dizer quando a vontade de falar é imensa, entretanto as palavras insistem em não sair? Aos que afirmam não aguentar mais ler histórias sobre a tragédia da cidade de Santa Maria, pergunto:
Qual a receita secreta para simplesmente trocar de assunto, virar a página e ir em frente? Qual a fórmula para ser indiferente a tantas histórias comoventes, onde centenas de jovens perderam a vida precocemente?
Qual o segredo para adotar uma postura desinteressada frente ao acontecimento que entristeceu todo o nosso amado Rio Grande do Sul e o mundo?
Expliquem-me, pois eu não tenho essas respostas. É impossível parar e simplesmente mudar de assunto, fechar os olhos e fingir que está tudo bem. Não está tudo bem. Não há como não pensar nas vidas de todos aqueles jovens que foi prematuramente interrompida. Jovens como eu e, provavelmente, como você que está lendo agora. Como desconsiderar todos os sonhos que foram ceifados abruptamente? Ser indiferente aos relatos de quem acabou de perder o amigo, o amor de sua vida ou seu filho? Não dá. A dor de todas essas pessoas ecoa em mim também. E falo porque não canso de ler os relatos dos heróis que salvaram vidas e, principalmente, daqueles que deram a sua própria vida na tentativa de salvar alguém. Não canso de ler as inúmeras demonstrações de solidariedade, mensagens de apoio que certamente fazem a diferença neste momento de dor. Em especial aos manifestos dos meus conterrâneos do Rio Grande do Sul, todas essas declarações evidenciam o quão solidário é este povo. Só Deus sabe o orgulho que tenho de ter nascido nesta terra.
Tudo o que aconteceu em Santa Maria nos suscita indignação, raiva, mas, sobretudo… Tristeza! Jovens não deveriam morrer. Pais não deveriam passar pelo sofrimento de ter que enterrar seus filhos. É desumano, é cruel, é doloroso, é contrariar a lei natural da vida. Espero sinceramente que o incêndio na Boate Kiss não seja apenas um dos tópicos mais comentados na internet por alguns dias e depois caia no ostracismo.
Que este terrível acontecimento que tirou a vida de tantos jovens gaúchos faça com que tenhamos uma fiscalização rígida por parte do Poder Público em casas noturnas para que eventos dessa ordem não voltem a acontecer. Que os proprietários de baladas e bares nos propiciem um lugar em que possamos nos divertir em segurança…
E que momentos de celebração não se tornem novamente motivo de tristeza e desolação. E no que diz respeito aos culpados? As investigações irão apontá-los. O que cabe a todos nós é ajudar. Doe sangue. Procure se informar de como você pode fazer a sua parte e faça. Aproveito para expressar, novamente, minhas condolências às famílias e amigos de todas as vítimas. Escrevi este post na esperança de conseguir exprimir por meio de palavras tudo o que está apertado dentro de mim e não consigo dizer como gostaria. Talvez o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar esteja certo, as palavras perderam o sentido.

Rodrigo Ludwig – Empreendedor
Gramado/RS

Não há outra palavra para definir o que estou sentido nesse momento de muita dor.
Saí de Santiago, RS, de moto, condenado por muitos pelos riscos que a vida nos expõe…
De certo modo, acabo concordando com isso… Em certa medida discordo…
Afinal, o que é risco? Viver é um risco!
Lembrei dos estudos de Herbert Hart e suas teorias sobre o risco… Lembrei que passei anos estudando na mesma Universidade, na mesma cidade, nos mesmos lugares…
Estou em uma casa que deveria ter sinal para a rede mundial e, por incrível que pareça, não funcionou e não estava funcionando… A hora que eu conseguir lançar esse sentimento, espero que ainda sirvam essas palavras para alguma reflexão…
Acompanho notícias pelo rádio, pela televisão e vejo meus filhos aqui, brincando, sem saber de nada da tristeza que está o mundo passando…
Triste… muito triste… em pensar nos sentimento de tantos pais que terão um vazio “impreenchível” e, porque não dizer, perpétuo…
Nesse momento de tantas emoções confusas, em que muitas culpas me vêm à cabeça, de condenar, quem quer que seja, rogo que o Patrão Maior traga alguma fresta de luz em meio ao pesadelo que muitas famílias que me cercam na minha região e no mundo estão passando.
De certo, nessa vida, uma sensação estranhíssima, de que a passagem de muitos desses jovens heróis, nesse mundo terreno, abreviados por um “beijo” amargo, “quis” o destino que sirvam de alerta para que sejamos cada vez mais intensos, nos momentos que temos oportunidades de desfrutar com os filhos, com os amigos, enfim, com essa grande família terrena.
Espera-se que o que chamamos de vida, seja, realmente, algo muito além do que aqui julgamos – e como julgamos – ser ideais a conquistar.
Ao meu amigo Celso que, avisado da catástrofe na madrugada, sabendo que uma de suas filhas estava em  outro evento, não mediu esforços para vestir sua farda de enfermeiro da Brigada Militar, não parou um só minuto no auxílio do que lhe fosse possível, minha admiração, minha gratidão e mais elevado apreço… Exemplo vivo de solidariedade.
E solidariedade não tem preço…
Doação não tem preço… Doação é unilateral como contrato, afinal, juridicamente só beneficia a uma das partes: o donatário…
Todavia, filosoficamente, entendo que essa máxima jurídica não é verdadeira…
Doação tem pressa… É necessário que seja feita… Senão: nunca mais…
Tive uma ex-acadêmica de direito, que dividiu comigo os aprendizados técnico-jurídicos, que sucumbiu – fisicamente – nessa tragédia.
Bruninha  foi um exemplo: de simplicidade, de dedicação, de meiguice…
Sem dúvida: de orgulho… A todos nós… Infelizmente, com ela, tantos outros partiram…
Deve ela, assim como os outros tantos, continuar a mesma, onde quer que esteja, aparentemente frágil, mas uma verdadeira guerreira…
Aos pais e familiares, fica muito difícil, para não dizer impossível, deixar as lágrimas de lado…
Tudo será um exercício novo daqui pra frente…
Tenho confiança que a plenitude dessas almas prossigam seu destino, iluminando, de outra banda, aqueles que, sem dúvida, continuarão a ter uma mirada em prol do amor.
Afinal, saíram para a diversão, jamais sonhariam que seus destinos traçassem tanto espanto e tanta reflexão no coração do mundo, que, na sua imensa maioria, clama para que estejam bem.
Descansando apenas…
Talvez, voltando, em breve , para abrir, mais uma vez, os olhos – de todos – que há muito risco em se estar vivo. E mais risco, ainda, é viver sem fazer algo de bom e para o bem…
O lugar comum é imprescindível e dolorido: vivamos intensamente… como se fosse o nosso último dia… semeando amor – sempre – para recomeçar.

Alfredo Bochi Brum – Advogado
Santiago/RS

Infelizmente tive a oportunidade de participar, como médico, no auxílio às vítimas da catástrofe ocorrida hoje na Boate Kiss. São momentos que permanecerão na minha mente até o dia de minha morte.
Não existem palavras de conforto ou auxílio aos inúmeros indivíduos que tiveram o convívio com os seus, decepado por esse evento absurdo, indelével. A dor em um momento destes não pode ser mensurada em palavras, números ou escalas, tampouco ser dividida. Resta-nos o silêncio, a indignação o momento em que a oportunidade de raciocinar nos remete a seguinte questão: como isso foi acontecer? Sob quais circunstancias tal fato pode ser justificado? Nenhuma. Nenhuma justificativa, nenhuma desculpa. Só a dor e o silêncio, em respeito às vítimas e os seus.
Situações como a ocorrida hoje, trazem a tona o que há de melhor nos seres humanos. O espírito de cooperação, o espírito de irmandade, igualdade, humanidade. Tive a oportunidade de ver inúmeros colegas, aos quais nem terei a ousadia de enumerar, sei que um grande contingente ficaria inominado. Mas quero que fique bem claro o agradecimento por ter tido a oportunidade de ter trabalhado por breves períodos com estes heróis, os verdadeiros, não os que estão enclausurados em uma casa, sendo televisionados. Indivíduos que sacrificaram a permanência com suas famílias e seus afazeres pelo desejo altruísta de ajudar os irmãos.
Não posso deixar de prestar meus agradecimentos e admiração aos colegas profissionais de enfermagem, sejam enfermeiros, técnicos de enfermagem, condutores de unidades de socorro. Tenho certeza que sua colaboração foi crucial para diminuir o dano causado pelo ferimento de hoje. Ferimento este que deixará uma gigantesca cicatriz na história de nossa cidade. Como havia mencionado antes, hoje é a “Cidade Tristeza”.
Minha mais extrema admiração também aos membros das forças militares, especificamente em meu caso, oficiais e soldados da Força Aérea Brasileira que, com maestria e total desenvoltura, efetuaram o transporte de inúmeras vítimas a hospitais que ainda dispunham de leitos em CTI.
Em suma, agradeço a todos que conseguiram tornar a anarquia e o caos um pouco mais compreensível, discretamente mais organizado, menos atemorizante.
Aos que estiveram lá, acredito que minhas palavras sejam de plena compreensão. Aos que não, desejo que nunca precisem compreender sobre o que discorri.
Aos vivos, nos restam o silêncio e as lágrimas, afinal a morte é apenas uma passagem, uma porta.
Desejo que todos fiquem com Deus neste momento
.”
Abdias B. de Mello Neto – Médico
Santa Maria/RS

A cada tragédia que acontece no país, autoridades e sociedade civil exigem punição aos culpados pelas mortes e prejuízos. Sejam as ranhuras na pista do aeroporto, seja o engenheiro e proprietário da construtora, ou o órgão público que não fiscalizou o que era de sua competência, a superlotação de um prédio sem condições de atender sequer o limite de lotação ou qualquer outro, sempre temos um culpado nomeado a cada grande acidente. Mas são esses os únicos culpados? Será que essa falta de compromisso e não cumprimento de regras básicas, seja na boate, no aeroporto, no prédio residencial, no transporte de passageiros é exclusividade desses? Acho que sabemos a resposta. Toda sociedade faz isso, todos nós somos relapsos, relaxados, corruptíveis às regras e leis. Somos nós todos culpados. Nossa cultura de dar um jeitinho, de fazer “vistas grossas”, de achar que conosco não vai acontecer é o que motiva a corrupção em todos os níveis da nossa vil sociedade. Enquanto formos corretos e exigirmos punição apenas quando centenas de corpos são jogados na nossa cara, tragédias continuarão acontecendo. Essas assim, estúpidas, incompreensíveis, inaceitáveis, porque poderiam ter sido evitadas por todos nós.”
Vanderlei Luis Sitta Severgnini – Professor
Manaus/AM

A responsabilidade sobre incendio Boate Kiss deverá incluir proprietario, a banda, prefeitura municípal, entidades estadual (bombeiros, policia cívil), promotoria defensoria publica entre outros.
Estou muito preocupado com os resultados deste caso, pois a pericia foi realizado muito rapida em nemos de 12 horas de trabalho em local onde a iluminação e as condições são precárias devido o escoricimento pelo fumaça.
Espero que não seja mais um caso de impunidade pois envolveram responsaveis que ao mesmo tempo serão serão fornecedores de informações do inquérito policial que incriminarão as entidades as quais fazem parte. O papel da imprensa será fundamental neste caso para que a verdade seja encontrada e os responsaveis sejam punidos
.”
Nildo Jose Formigheri – Agrônomo
Passo Fundo/RS

Dor. É o que se sente nesta segunda feira triste como nenhuma outra. Nas ruas, apesar do movimento típico de um início de semana e fim de mês, o que se enxerga é dor, o que se ouve é dor. Até o silêncio de cada rosto fala, grita tristeza. O mate da manhã acompanhado sempre de música não teve encanto, o sol lindo lá fora não teve graça.
Uma sensação nunca vista antes. Chora o meu Rio Grande do Sul. Mas com uma demonstração de solidariedade nunca vista. Está de parabéns meu estado, que mostrou amor e compaixão, cancelando grandes eventos em luto pelas perdas que deixaram nossos corações cheio de tristeza.
Gaúchos e achegados pelos nossos pagos que sentem junto, que choram junto que se ajudam. Eu não perdi ninguém da minha família, nenhum amigo chegado, mas, meu peito dói hoje como o da maioria dos conterrâneos. As lágrimas são impossíveis de segurar, a vontade que tenho –e acredito que é a mesma de muitas pessoas- é de abraçar cada mãe beeeem forte, abraçar cada pai, cada irmão, namorada, tio, cada avó, abraçar todos bem forte, porque é a única coisa que se pode fazer numa hora dessas em que nem as palavras ajudam.
Impossível rir hoje. Sempre quando me deparo com perdas penso no mesmo assunto, e nunca vou me cansar de falar e escrever sobre isso. Ame e diga que ama. Abrace. Segure da mão. Perdoe sempre. Porque às vezes, pior que a dor da perda é a dor do arrependimento, a dor da sensação de não ter dito tudo, não ter dado aquele carinho, não ter beijado forte, não ter dito “eu te perdôo” ou “me desculpa”.
Por que a dor das palavras não ditas, dos carinhos não dados é também uma perda que machuca e faz o peito doer pra sempre
.”
Nana Bonorino – Professora
Itaqui/RS

“De todos os abraços possíveis o que machuca é justamente o que não podemos dar, é o que marca que fica na lembrança.
Neste janeiro surreal, 231 abraços foram substituídos por lagrimas, que por hora parece não ter mais fim. Os sorrisos e as palavras silenciaram-se diante do incompreensível, nosso peito está apertado, nossas mãos não conseguem encontrar o apoio necessário para se manter em pé.
Não foram apenas desconhecidos, amigos ou familiares, que nos deixaram sem ação hoje, foi a dor e a falta do abraço que conforta, o abraço da volta, que nos faz sentir mais amados, mais felizes e com lagrimas nos olhos.
A noite surgiu com a alegria que somente os jovens tem, com todos os planos e paixões possíveis e o sol nos trouxe os tons laranjas meio vermelhos que somente grandes perdas o fazem ter.
E assim se arranca um pedaço do futuro, se proíbe tantos sorriso que estavam por vir, tanta vida presente em um simples momento se fez partir sem avisar, sem falar e sem um ultimo abraço.
Momentos assim nos fazem menos homens, nos tornam mais frágeis, momentos assim nos mostram de uma forma muito cruel o quão sutis somos e que todo o segundo, pode ser o momento certo para demonstrarmos nosso amor.
Quisera eu ter forças suficientes para abraçar todas as famílias que tiveram suas perdas, mas este abraço não posso dar, e esse é o abraço que mais machuca o da impotência, diante dos fatos, diante da vida e frente a morte tão inesperada.
Esta noite que se apresenta não terá a alegria o calor e a fantasia de outras tantas, estes novos dias certamente faltaram motivos para sorrir. Faltará o ultimo abraço aquele da volta e o da partida.”

Pablo Danielli – Arquiteto/Escritor
Foz do Iguaçu – PR

“Estou vendo que começaram a fazer prisões provisórias (dos “administradores” da Boate Kiss e da banda que estava tocando quando começou o incêndio em Santa Maria).
Agora, apenas fazer prisões provisórias é muito bonito. Quero ver investigar corretamente, punir os responsáveis (seja em qual esfera for) e trabalhar rigorosamente na fiscalização. E, enquanto tudo não estiver 100% (casas de show), tem que multar, fechar, e não abrir, “temporariamente”.
Nós sabemos que a grande maioria das boates, casas de shows não tem a chamada Brigada de incêndio, não seguem as normas mínimas exigidas por lei, não são fiscalizados ou acabam maquiando a vistoria ou próprio lugar para serem liberados. Neste caso da Kiss, os seguranças sequer tinham walkie talkies (ou outro aparato eletrônico) para se comunicarem e estarem a par dos reais acontecimentos em outras partes da Boate, e somente 1 das 4 entradas/saídas (segundo notícias) estava em funcionamento. E também sabemos que a grande maioria das pessoas não tem verificado (e eu entro neste grupo), se o lugar possui saídas de emergência e sinalizações adequadas.
Como de costume, em qualquer área de atividade, parece que no Brasil a prática é sempre reativa e não proativa.
Infelizmente, é a nossa cultura. E aí eu penso, basta voltar no tempo… Isso tudo começa lá atrás quando somos educados e ensinados ao respeito por normas ou nos preparamos adequadamente para exercer uma profissão.
Infelizmente, o “jeitinho brasileiro” ou “jeitinho governante”, muitas vezes, acaba passando por cima disso tudo.
Infelizmente, acaba acontecendo a idolatria da fatalidade, deixando pra depois a busca da felicidade.
As ações proativas poderiam se tornar um hábito cultural dos Brasileiros. Mas, para isso, é preciso que todos pratiquem muito até que essas ações possam se tornar uma coisa simples e natural. Nesse caso das casas de show, se cada um não fizer a sua parte, sejam os governantes, fiscais, donos de estabelecimentos, frequentadores, ou seja, todos nós, não vamos resolver!
Espero, quero acreditar, que as leis serão cumpridas como devem ser e nós (eu, você, todos) seremos mais cuidadosos e exigentes com as autoridades e estabelecimentos onde queremos gozar a vida, e que nosso país irá aprender muito com este episódio.
Realmente, é muito triste ver jovens morrendo quando estão se divertindo e vivendo o que tem que ser vivido e sem medos de alcançar o amor e a felicidade.”

Giscard Stephanou Silva – Funcionário Público
Brasília – DF

“Aguerrido e bravo. A vida, injusta, pôs nossa bravura à prova. Foi na madrugada do dia 27, de um janeiro que será cinza, que o Rio Grande do Sul desabou, foi obrigado e inclinar a cabeça diante da vida, assim deixando o rosto triste escondido e apenas as lágrimas aparentes, caindo no chão, no silêncio, no choro, na tristeza. O nosso povo não pensa em reagir, não olhamos para o lado e visualizamos a felicidade, o que vemos é a tristeza, uma tristeza que, aparentemente, fez morada aqui. O que dizer para as mães, os pais, os melhores amigos? Como confortar um irmão, um amor? Sabemos que tudo passa, mas a ferida está assustadoramente aberta. Uma ferida assustadoramente aberta, causada por uma tristeza que parece querer passar um bom tempo por aqui, deixa cicatrizes. Uma ferida de amor deixa cicatriz no coração e na lembrança.
Ninguém está livre das fatalidades da vida, muito menos da morte. Mas a Morte, aliada a toda essa tristeza, deixa transparecer a pequenez do possível desejo. Ingênua é a Morte, se pensa que a saudade não cultiva bons sentimentos. Ingênua é a Morte, se pensa que o amor é finito.”

Laila Rossini Gonçalves – Estudante
Porto Alegre – RS


Ser acordada pela minha mãe no domingo de manhã pedindo para que eu ligasse a TV e me informasse sobre o que no inicio parecia uma “pequena” catástrofe foi o pior dos pesadelos que já presenciei acordada.
Ver no primeiro momento milhares de informações desencontradas fazia crescer a angustia de que talvez algum amigo muito próximo pudesse estar ali mas com o passar do tempo e com o esclarecimento das coisas veio junto uma mistura de sentimentos. Não havia nenhum amigo próximo, tinham conhecidos, parceiros de festas e gente que costumava ver esporadicamente em eventos e para minha surpresa a dor só aumentava.
Me desliguei um pouco de todos os veículos de comunicação e sozinha no meu quarto comecei a refletir sobre o que seria esse horror que estávamos vivendo e o choro vinha quase que incontrolável e desesperador. Não importava muito se eram próximos ou desconhecidos, o que importava mesmo é que estavam mortos, jovens como eu,universitários que saem para festas com amigos como eu, e a cada momento aquela história parecia mais próxima de mim.
O dia mais estúpido da minha vida parecia interminável, conversei com todas as minhas amigas mesmo sabendo que elas não estavam lá, só por garantia mesmo em saber que estavam bem. Bem fisicamente,porque de resto não tem como ninguém estar bem. Confesso que estou assustada até agora e me sentindo mais frágil do que um copo de cristal.
Entre os vários comentários que escutei, uns bem cabíveis e outros totalmente desnecessários ia me acalmando e me desesperando quase que o tempo todo, nada poderia piorar mais, todos tentavam colocar em palavras a dor e tudo que acontecia naquele momento. Nossa como somos tolos, jamais conseguiríamos descrever  tanta brutalidade, e confesso que nem quero ser capaz de fazer isso, acho que vou me sentir meio monstro.
No final da noite quando o desespero já havia passado e a hora em que “teoricamente” as coisas começariam a se acalmar, veio a dor, a insônia de pensar no que haviam se tornado essas famílias devastadas pela morte e eu felizmente pude recorrer aos braços da minha mãe e fazer com que ela enxugasse minhas lágrimas. Sentimento esse que parecia meio egoísta com tudo que estava acontecendo, com todas as mães e pais que não poderiam mais fazer isso em seus filhos. E com sinceridade, nada diferente do que um abraço da minha mãe seria capaz de me acalmar naquele momento.
Esse é o relato da tristeza que vivi a 365Km de distância do acontecido, mas que se tornou tão próximo pelos jovens que eu gostaria que se formassem junto comigo e que seguissem seus futuros como eu quero seguir o meu.”

Ludmila Constant – Estudante
Uruguaiana-RS


“Resido na cidade de vítimas da tragédia  de santa maria, espero através das minhas palavras expressar meus sentimentos as famílias enlutadas.”
Katchrein Berneira Berger – Bel. Direito
Ijuí – RS


“Uma simples noite, que era para acabar com diversão, alegria, risadas com os amigos, mas como todos sabemos não foi assim.
Uma simples noite em que se resolve sair pra descontrair, dançar…
Uma simples noite que termina em algo complexo, mas vazio, que acaba em uma interrogaçã e com desespero no coração de centenas, e até milhares de pessoas que até agora nao entendem porque este tipo de coisa acontece. O pior de tudo é depois que cai a ficha, e suponho que para muitos isto ainda não aconteceu.
Pior que a noite, foi o amanhecer, que em vez de chegar lindo e brilhante, traz uma mancha de lágrimas de sangue, de medo e de angústia.
Sinceramente não vi o sol brilhar hoje, assim como esses jovens também não o viram, e também nao mais verão.
Pior que isso, pior que o aperto que todos temos no peito por essa enorme perda, é o aperto do peito daquelas mães que ligaram mais de 100 vezes pros celulares dos filhos e terminaram localizando seus amados onde menos queriam localizar.
Perdemos mais de 200 sorrisos, mais de 200 olhares, mais de 200 abraços, mais de 200 beijos,  mais de 200 sonhos, muito mais que isso.  Só ficaram estas centenas de lágrimas, centenas de suspiros, centenas de coisas das quais nem quero comentar para não ficar mais triste ainda… pois nós gaúchos, estamos sofrendo junto com todas estas famílias.E uma simples noite, acabou virando uma complexa e terrível tragédia.
Meus pesames a todos que perderam amigos, familiares, colegas, pois se isso afeta quem está longe, não posso imaginar o sofrimento de quem está perto.
Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, porém esta simples noite, será algo que jamais iremos compreender, e também algo que jamais iremos aceitar, pois duvido que qualquer um ali dentro daquele ginásio merecesse o que aconteceu, por mais tortas que sejam tais linhas.
Ou talvez Deus esteja extremamente necessitado de anjos, pois foi grande esta quantia de anjos que foram levados.
Hoje esta nuvem de fumaça paira sozinha, sem ninguém para querer acompanhar, sem ninguém que possa entendê-la.
E esta tormenta de sofrimento não irá passar rapidamente, pois este tipo de coisa não se esquece de um dia pro outro nem em uma semana, nem em um mês…
Dizem que o tempo resolve tudo, mas não creio que essa ferida ele possa curar totalmente, sempre haverá uma cicatriz doendo, só espero que esses anjos nos iluminem para ajudar-nos a superar…  a superar nao, a aguentar, aguentar fortemente, e talvez até tentar amenizar tal dor.
Porque agora, mais que nunca, este povo necessita de um consolo, de um ombro, um respaldo e muito pulmao. Mais que nunca precisamos de anjos, mas acontece que não queríamos necessitá-los, apenas queríamos que levantassem de manhã depois de uma festa excelente e tomassem seus cafés, e aproveitassem o que lhes restava de férias e seguissem lutando pelos seus sonhos.
Mas infelizmente, não foi assim que aconteceu….”

Danielli Mena – Estudante
Chuí – RS


“O que aconteceu em Santa Maria, já acontecera em muitos lugares do mundo o que para alguns serviu como exemplo para que casas de shows e ou Noturnas fossem melhor planejadas, decoradas e com uma fiscalização rigorosa principalmente quanto a segurança e responsabilidade dos promotores nos eventos.
Trabalhei na Segurança Pública durante 34 anos e fui bem treinado por meus mestres e pelo que pude observar nesta tragédia:
1º. – O prédio é inadequado em sua engenharia para casa de shows ( deveria ser vistoriado por um engenheiro Civil e um de Segurança e não um simples Bombeiro ( como de praxe ) sem o conhecimento técnico de engenheiros, para constatar o necessário para o funcionamento como circulação de ar, dimensões das portas de entrada e saída, saídas de emergências de acordo com a capacidade do local, além dos acessos para eventual socorro.
2º.–Determinação pelos Vistoria- dores , de extintores de incêndio ( até onde me informei existem tipos de produtos nos extintores para cada tipo de incêndio )  e serem vistoriados para se ter a certeza de que estão carregados e dentro das validades.
3º. – Haver uma constante fiscalização por parte dos órgãos competentes, nos estabelecimentos, para constatar se as regras estão sendo obedecidas e principalmente constatar se esta havendo superlotação o que num caso desses ocorreria uma tragédia.
Neste caso pode se constar que:
Neste local devido ao que se viu em imagem pela mídia, não poderia haver show pirotécnico devido ao material de forração acústica ou os contratados para shows deveriam ser orientados para tomarem os cuidados necessários.
Provavelmente este local não foi vistoriado por técnicos especializados, razão pela qual estava funcionando, ou existe alguma razão escusa.
A irresponsabilidade e ganância do administrador  em colocar em funcionamento uma casa de shows  sem ter o conhecimento  ou ignorar as regras para faze-lo.
A irresponsabilidade de quem contratou seguranças fortes e com pouco cérebro para tratar com pessoas e orientados somente para visar o lucro o que pode ter contribuído para o aumento de mortes.
Creio que as investigações, pelo que aprendi com meus mestres na polícia Gaúcha, deverão começar pela documentação da casa de espetáculos, desde sua entrada no órgão pra registro de existência e funcionamento.
a-) Quem recebeu essa documentação e determinou o que ?
b-) Se foi delegada pelo Secretário do Município a um agente ou fiscal, uma vistoria ( deveria ser por Eng. Civil e Eng. De Segurança) antes de ser registrada e expedido alvará de funcionamento a esta casa?
c-) Se houve uma vistoria por parte dos Bombeiros como de praxe nesses casos e expedição de algum alvará?
d-) Se em funcionamento, a casa passou por alguma vistoria durante algum evento?
c-) Se durante o tempo de funcionamento já ocorrera algum incidente?
São questões primordiais para serem respondidas que darão razões fortes para a conclusão da investigação.
Em tese começa-se a responsabilizar desde o secretario do município responsável pelo setor de registro e expedição de alvarás. Depois vem descendo para agentes e  ou fiscais os quais são delegadas tarefas de observar as normas para liberar ou indeferir, mais adiante vem a vistoria dos Bombeiros que também tem a atribuição de dizerem se há ou não segurança no local manifestando veto ou liberação.
Não há que se tirar a responsabilidade  do proprietário, administrador, gerente e seguranças pois o somatório de todos esses fatos resultaram nessa tragédia que infelizmente vimos.
Sinceramente espero que a Mídia acompanhe este caso trágico de perto para que os culpados sejam punidos mesmo e não fiquem só alegando que não sabiam que isso podia acontecer e sejam condenados a pagar cestas básicas.”

Orisau Luis Lelling – Pol. Civil. Aposentado
São Lourenço do Sul – RS


“A tragédia estava anunciada. A morte nos espreita todos os dias, supostamente, em locais onde deveríamos estar seguros. Ela nos alcança nas ruas, quando somos vítimas de uma bala perdida, do disparo de um meliante na busca de valores, de um atropelamento, vitimados por um inconsequente motorista… Morremos, ainda, quando precisamos viajar de avião, que, por falha humana ou mecânica, acabam por ceifar nossa existência. Morremos no ano novo, quando estamos embarcados em um suposto barco seguro (bateau mouche). Morremos no dia-a-dia, quando esperamos intermináveis horas na porta dos hospitais. Morremos até mesmo no Circo, lugar onde vamos para nos divertir e dar risadas. Enfim, morremos mesmo.
Mas deixo claro, não é a morte que me assusta.
O que vem me assustando todos os dias é a vida. Afinal, a morte, mais dia menos dia nos alcança. Mas a morte já anunciada é uma tortura. A morte que vem nas horas em que menos esperamos, pela falta de respeito de algumas pessoas (e aí incluo as pessoas jurídicas) é aquele morte que não se apaga jamais de nossa memória.
A morte prematura (quando não é natural), essa sim me causa medo.
A morte pela ganância causa pavor em nossos corações.
As mortes que ocorreram em Santa Maria são mortes que devem nos assustar, porque estão dentre aquelas que poderiam ter sido evitadas.
Essas mortes são imperdoáveis… assim como deveriam ser os seus responsáveis.
Estou absolutamente de luto por aquelas famílias que perderam seus entes queridos.
Mas esse luto se torna ainda mais insuportável quando sabemos que as mortes já anunciadas podem continuar ocorrendo pela inércia crimosa daqueles que tem o dever de agir e que se omitem.
Meus sinceros pêsames àquelas famílias.
Também estou sofrendo por eles.”

Hjalmar Rodolfo Hoffmann – Funcionário Público
Porto Alegre – R
S


“Estranho espírito gaúcho me invade e me faz sofrer com a perda de tantas vidas em Santa Maria na madrugada inimaginável de fogo infernal. Estou triste com vocês, povo bravo desse sul brasileiro.”
Fernando Almada – Aposentado
São Paulo – SP

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28 de janeiro de 2013 4

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