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Posts na categoria "Artigos"

Comentários de Zero Hora desta quarta-feira

22 de julho de 2014 1

MURAL: O que você acha da escolha de Dunga para técnico da Seleção?

Nunca devia ter saído. Em 2010, tínhamos consistência, basta ver os números. Era só ter dado continuidade ao trabalho. O problema do brasileiro é se achar melhor em tudo, principalmente no futebol. Como sempre, no Brasil, temos de andar para trás para depois podermos andar para frente.
Miguel Calcagnotto
Ochtrup – Alemanha

Não é a melhor opção no momento, pois por meritocracia o cargo deveria ser do Tite. Porém, não acho que seja o fim do mundo. Vou continuar torcendo pela Seleção, mas a CBF segue sem critério nenhum para suas escolhas.
Everson Vicente
Rio Grande

Dunga é uma excelente pessoa,
pelo que vejo na mídia. Ele tem moral. Sobre treinar a Seleção, será, sem dúvidas, seu maior desafio e, certamente, terá sucesso, porque já esteve no cargo e sabe onde errou.
Abel Gomes
Caxias do Sul

Não concordo. O Brasil precisa de um novo padrão, uma nova visão sobre futebol, talvez um técnico estrangeiro, com uma nova filosofia de jogo, novos esquemas, nova forma de jogar.
Aguinaldo da Rosa
Chapecó (SC)

Artigo: O Governo investe pouco em saneamento básico

27 de maio de 2013 0

Thalia Michele Vier Schmitz *


Os investimentos por parte do governo brasileiro no saneamento básico são pouco notáveis. Nós, em nosso município, somos provas vivas disso. Não há recolhimento de esgoto, o recolhimento de lixo e a água canalizada não atingem todas as pessoas, além de vermos a cada dia chuva, água parada em estradas asfaltadas. Esgoto a céu aberto, rios poluídos e mal cheiro em vários locais acabaram fazendo parte do nosso dia-a-dia.

Nesse assunto, nós cidadãos temos grande culpa. Como já foi dito, existem certos problemas relacionados ao saneamento que já participam do nosso cotidiano. Isso aconteceu devido às pessoas ao invés de exigirem mudanças por parte do setor responsável, preferem ficar com a ideia de que “o Governo brasileiro não faz nada de qualquer forma”. Este é o grande erro das pessoas. A maioria das pessoas sabe reclamar, com certeza, sabe exigir seus direitos, mas não sabem a quem se dirigir. Isso acaba trazendo os mesmo resultados do que ter permanecido em silêncio, porque de qualquer forma a informação não chega a pessoa certa.

Outra grande influência é a falta de interesse por parte dos cidadãos. As pessoas notam os problemas, mas não se interessam em saber o que o causa. Tudo acaba virando comum e normal. As pessoas preferem aprender a conviver com os problemas a achar uma solução para eles.

De qualquer maneira, os cidadãos que sabem o que causa os problemas, qual é o setor envolvido e que é responsável por ele, simplesmente não cobram melhorias. Além disso, muitos que sabem que determinado problema está relacionado ao saneamento, mas não sabem o que é saneamento literalmente e não se interessam em ir atrás e descobrir do que se trata. É o descaso das pessoas que faz o governo agir da mesma forma.

Por que o governo se empenharia em fazer projetos e realizar obras nesse setor se as pessoas não se importam com ele? Hoje, os nossos políticos não estão interessados em realizar obras em setores que que as necessitam. Eles se interessam em realizar obras em setores que os cidadãos se interessam, em setores que chamam atenção, e com isso, eles recebem de “gratidão” votos. Seria fundamental que em um país como o Brasil os políticos pensassem no progresso do país, mas infelizmente, nos dias de hoje, eles pensam somente no próprio progresso.

Mas nada está perdido. Ainda. Basta que as pessoas comecem a sair da comodidade e se preocupem com o que acontece ao seu redor, tentem achar soluções, e além de tudo, exerçam seu principal dever como eleitores: exigir mudanças e melhorias aos que são responsáveis por isso. O Governo irá valorizar mais as coisas se as pessoas o fizerem também. Além disso, se os políticos começassem a se preocupar com o país e não com o número de votos que vão receber por suas ações (além de encher os bolsos, é claro), o Brasil e nós todos daríamos um grande passo.


* Estudante

Artigo: Reprodução assistida: Novidades do CFM - Conselho Federal de Medicina

19 de maio de 2013 0

Camille Stalleikem *

O Conselho Federal de Medicina elaborou a resolução nº 2.013/2013, que foi publicada do Diário Oficial da União, em 09 de maio de 2013. Essa resolução adota normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida e serve como preceito a ser seguido pelos médicos.

Destaca-se, ainda, a existência de diversos projetos de Lei sobre o assunto, no Congresso Nacional, no entanto, até o momento, não foi criada nenhuma lei específica reguladora da técnica de reprodução assistida.

Em razão disso, o CFM produziu essa resolução, norteadora da conduta ética médica, no tocante aos conflitos porventura gerados, a partir da prática da reprodução assistida. Lembrando que essa técnica serve tanto para auxiliar quanto para facilitar o processo da procriação humana.

A resolução determina que a reprodução assistida não deve ser utilizada com o intuito de seleção do sexo do bebê e nem de qualquer outra característica biológica, a menos que o objetivo seja evitar alguma doença relacionada ao seu sexo. Além disso, recomendou o número de embriões destinados às receptoras por cada grupo de idade e determinou a proibição de procedimentos embrionários redutores, em caso de gravidez múltipla.

Assim, havendo aptidão e sendo prestados os devidos esclarecimentos a respeito da técnica, após a assinatura do termo de consentimento, todas as pessoas poderão se expor às técnicas da reprodução assistida. Lembrando, ainda, que essas técnicas também podem ser utilizadas para relacionamentos homoafetivos como também por pessoas solteiras. No entanto, a resolução deixa claro o direito do médico em opor-se à prática, dependendo da situação.

A resolução também atribuiu à clínica, a responsabilidade pelo controle das doenças infectocontagiosas, de modo a evitar a transmissão de doenças pelo material biológico humano à paciente receptora da técnica de reprodução. Outro ponto observado, foi a proibição da natureza lucrativa ou comercial da doação dos gametas e dos embriões.

Além disso, a resolução estabeleceu o anonimato da identidade entre os doadores e os receptores e impôs uma idade limite para a doação dos gametas por homens e por mulheres. Estabeleceu também o impedimento de mais de duas gestações de crianças de sexos diferentes, advindas de um mesmo doador, na região da clínica, em uma área de um milhão de habitantes, através do registro dos nascimentos.

Do mesmo modo, atribuiu à clínica, a responsabilidade pela seleção dos doadores e pela garantia, dentro do possível, da compatibilidade e da semelhança com a receptora. Além disso, vedou a participação dos médicos e dos participantes da equipe, na doação dos gametas para a reprodução assistida.

No tocante à criopreservação, a resolução estabeleceu a necessidade dos pacientes manifestarem a sua vontade, por escrito. Então, eles decidem o destino dos embriões em caso de falecimento de um deles ou de ambos, no caso de divórcio, em caso de doação, etc. Destacando que os embriões, com mais de cinco anos, poderão ser descartados se os pacientes assim desejarem.

Interessante saber, que a técnica de reprodução assistida, também pode ser utilizada para a seleção de embriões compatíveis com um filho – já existente do casal – que necessita de transplante de órgãos ou de células-tronco como medida de tratamento. E mais, a resolução também trata da situação da doação temporária do útero, deixando clara a necessidade da existência de um problema médico que impeça a gestação na doadora genética. Destacando, ainda, a possibilidade dessa doação em casos de uniões homoafetivas.

A resolução trata também, a imprescindibilidade da doadora do útero pertencer à família de um dos membros do casal, num parentesco até o quarto grau. Logo, podem ser doadoras, as mães, as filhas, as tias, as sobrinhas, as avós, as netas e as primas, todas com a idade limite de 50 anos. Salientando-se, ainda, que a doação do útero não pode ter caráter lucrativo ou comercial.

Por fim, a resolução trata da situação da reprodução assistida após a morte do(a) doador(a), caso em que a técnica será possível desde que exista a prévia autorização do(a) falecido(a) para uso do seu material biológico crio preservado.

* Advogada

Artigo: Troco um tablet pela busca da dignidade

16 de maio de 2013 2

Bernardo Caprara *

No final do mês de abril, o magistério público realizou uma paralisação nacional. Foi um momento importante para a reflexão e para a luta da categoria. Passado algum tempo, a 1ª Coordenadoria Regional de Educação do Rio Grande do Sul começa a distribuir tablets para os docentes. Gostaria de problematizar a perspectiva adotada pelo governo frente ao cenário educacional, ressaltando a inoperância e o equívoco de algumas das suas propostas.

É óbvio que vivemos uma realidade em que a tecnologia atravessa a vida social. Nós, professores, precisamos estar cientes dos acontecimentos desse cunho. Eis o lado interessante da política de distribuição dos tablets. De alguma forma, mesmo que desprovida de sentido, como uma boia perdida na imensidão de um oceano, os educadores estão sendo condicionados a lidar com os modernos recursos que dispomos. Trata-se de um aspecto positivo.

No entanto, parece piada propagar que isso concretiza uma política séria e comprometida com a qualidade educacional. Enquanto as escolas penam, tanto do ponto de vista da estrutura física, quanto do caos pedagógico que permeia o nosso ofício, os governantes inserem goela abaixo uma reforma no ensino médio. Iniciativa maquiada pela disseminação de aparelhos cuja necessidade é questionável – no mínimo. Afora o fato de que poderemos usar os tablets para algumas tarefas facilitadoras, sou taxativo em sentenciar que a ausência deles não é o eixo do problema da educação.

Ao invés de negociar uma parceria com uma empresa qualquer, o que sem dúvidas dispendeu algum investimento público, nossos gestores poderiam juntar esforços para pagar o piso nacional do magistério. Não porque as máquinas consignadas sejam rejeitáveis, volto a dizer. Mas porque é uma evidência empírica mundial que valorizar os salários dos profissionais componentes dos sistemas de ensino tem que ser prioridade. Nos dias de hoje, digo com tristeza, poucos acadêmicos dedicados querem virar professores da rede pública. Isso é uma verdade terrível, uma realidade incômoda que direciona para o fracasso uma das ocupações mais relevantes na atualidade.

Concordo que muitos colegas fazem corpo mole ou deveriam ser mais cobrados nas suas atuações em sala de aula. E é por isso que urge um projeto de Estado que financie a educação com vigor, que remunere com dignidade aqueles que estão no olho do furacão. Que reestruture os colégios, acabando com as goteiras, instalando internet sem fio por todos os ambientes em todos os estabelecimentos. Que disponibilize salas de vídeo, projeção e informática. Que termine com as rachaduras, os ventiladores quebrados e todas as demais mazelas materiais. Até para que a sociedade exerça o direito de nos cobrar com mais ênfase, sem que seja possível respondermos na linha do conformismo pelo salário miserável que recebemos ou pelo ímpeto de trabalhar 60 horas por semana a fim de atingir uma condição financeira de médio conforto. O cotidiano demonstra que o suporte básico não é cumprido.

Impossível é não retornar a uma referência à reformulação do ensino médio. De uma hora para a outra, através de um documento de 40 páginas, que, com todo o respeito, lembra mais um capítulo introdutório de uma dissertação ou tese não corrigida, o executivo gaúcho aplicou uma significativa transformação conceitual. Saliento que tenho vários pontos de convergência com o texto que fundamenta o ensino médio politécnico. Muitos são os argumentos acurados. Só que a prática e a teoria estão deveras distantes, contrariando as diretrizes dos próprios escritos que as baseiam. Além de assassinar a carga horária de determinadas disciplinas, o processo democrático de consecução desta política não está sendo executado democraticamente. A comunidade escolar não foi e não está sendo protagonista desse movimento. Está tudo acontecendo como dá para ser feito, à medida que os mandamentos da SEDUC batem na porta. Uma grande confusão.

Acho mesmo que os tablets podem ser úteis. Creio, entretanto, que não poderei adquirir aquele que me caberia. No dia marcado para aprender a ligá-lo e a fazer desenhinhos num Paint genérico, apresentarei dois trabalhos em dois eventos diferentes. Quem não for na formação, não recebe o brinquedo. Não vou deixar de fomentar a minha construção enquanto docente/autor/criador para ter a satisfação de ganhar um instrumento tecnológico. Estou trocando uma ferramenta pela busca da dignidade. Não obstante, nunca vi os governantes incentivarem um docente a pesquisar, a escrever, a expor suas ideias perante os pares da sua área de estudos. Ah, mas pelo menos eles vão ter um tablet.

* Sociólogo, Mestre em Sociologia pela UFRGS e Professor

Artigo: Usucapião. Eu tenho direito?

10 de maio de 2013 0

Camille Stalleikem *


A aquisição de uma propriedade ou de um direito real (exemplo: uso, habitação, usufruto, servidão predial, enfiteuse) sobre coisa alheia, denomina-se usucapião. Para tanto, a pessoa precisa exercer a posse sobre o bem, de maneira ininterrupta e com intenção de proprietário. É necessário também, que essa posse ocorra no prazo previsto em Lei e sem a oposição do dono.

A Lei estabelece diferentes prazos para a usucapião poder ser alegada e a propriedade sobre o bem, adquirida. Assim, a Lei estabelece o prazo de 15 anos, para quando o indivíduo possuir um imóvel, ininterruptamente, sem oposição e independente de título ou de boa-fé, consoante disposto no art. 1238 do CC/02.

Reduz, ainda, esse prazo para 10 anos quando, na forma descrita acima, o imóvel for a moradia habitual do possuidor ou quando ele tiver efetuado alguma obra ou serviço de caráter produtivo nesse bem, conforme disposto no §único do art. 1238 do CC/02.

E mais, a Lei garante ao indivíduo o prazo de apenas 05 anos ininterruptos e sem oposição, para quando ele não for proprietário de nenhum outro imóvel (urbano ou rural) e possua como sua, uma área rural de até 50 hectares, que seja produtiva e que lhe sirva de moradia. Ou então quando possuir como sua, nas condições descritas acima, uma área urbana de até 250 metros quadrados.

Ademais, em casos de servidão aparente, com justo título, continue e inconteste, o prazo para a usucapião é de 10 anos e, quando o possuidor não tiver título, esse prazo aumenta para 20 anos, conforme disposto no art. 1379 e § único do CC/02.

Destaca-se que para a usucapião ser concedida, a posse – no prazo de 05, 10 ou 15 anos – deve ser ininterrupta, isto é, não deve existir intervalo pelo possuidor nessa posse, e nem qualquer tipo de interrupção por um terceiro interessado no imóvel.

A Lei admite que o possuidor acrescente a posse dos seus antecessores à sua, desde que ambas sejam pacíficas e contínuas. Logo, a soma das posses é admitida para a configuração da usucapião, conforme expresso no art.1243 do CC/02. Então, se o possuidor provar o tempo da sua posse atual e o tempo da posse anterior, ele poderá utilizar o tempo da soma das posses para alcançar o prazo legal.

Por fim, cabe lembrar que os bens públicos não podem ser usucapidos por nenhuma pessoa, em respeito ao previsto no parágrafo 3º do art. 183 da Constituição Federal e ao parágrafo único do art. 191 do mesmo diploma.


* Advogada

Artigo: Assembleias Escolares: para promover a cultura de paz nas escolas

09 de maio de 2013 0

Susana Más*


É inegável o grande desejo que todos nós temos de que as escolas sejam lugares de convivência democrática e pacífica. Nas escolas podemos construir espaços e tempos que promovam a paz, através do diálogo e da resolução não violenta de conflitos. Várias e muito bem-sucedidas iniciativas têm sido desenvolvidas nesse sentido. Dentre as muitas ações possíveis para construir a cultura de paz nas escolas estão as assembleias escolares, em especial as assembleias de alunos, que são um efetivo espaço para a educação moral baseada na justiça, na democracia e na capacidade de dialogar, valores esses tão necessários à vida coletiva.

Metodologia de grande valor formativo, as assembleias escolares dão concretude ao desejo que educadores e educandos têm que o ambiente escolar seja de convivência democrática e pacífica. Importante para o trabalho das assembleias escolares é conceber que os conflitos são próprios dos humanos e que não devem ser combatidos ou ignorados. Os conflitos podem – e devem- ser trabalhados e resolvidos através de práticas não violentas.

Com a resolução de conflitos pela via da não violência, como é o caso das assembleias escolares, estaremos promovendo a cultura de paz que exige ação planejada e uma profunda crença de que nossos alunos podem ser seus promotores. Paz se aprende, já nos dizia Marcelo Rezende Guimarães, respeitado pesquisador gaúcho que tem várias publicações sobre o tema.

Nas assembleias, alunos e alunas analisam os conflitos do dia a dia da vida escolar e de forma coletiva buscam alternativas para a sua resolução. Fala-se de tudo nas assembleias: desde as questões dos relacionamentos entre alunos e professores, das atividades de sala de aula, até, por exemplo, os espaços destinados à prática de esportes, qualidade dos alimentos servidos na merenda escolar, para citar alguns. Também faz parte da pauta das assembleias aqueles fatos que têm contribuído para uma boa convivência escolar. Há outras questões que devem ser consideradas para a realização das assembleias e que podem ser conhecidas com o estudo das publicações de Ulisses Araújo, Josep Puig e Miguel Ángel de Bem, para citar alguns pesquisadores.

Muitas escolas no Rio Grande do Sul já trabalham com as assembleias escolares e no município de Santa Cruz do Sul várias escolas, na maioria da rede pública municipal, assessoradas pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, estão vivendo essa experiência que já apresenta muito bons resultados. Esses professores que se desafiaram em conhecer e trabalhar com a metodologia das assembleias escolares acreditam que as escolas podem ser lugares mais amorosos. Assim como eles, pensamos que é crucial aproximarmos nossos compromissos morais expressos nas propostas pedagógicas com ações planejadas. Como disse Paulo Freire, é necessário que os nossos ideais educativos sejam vividos, corpo reificados.


*Professora do Departamento de Educação – UNISC

Artigo: Qualidade na educação ou desenvolvimento socioeconômico: o que vem antes?

08 de maio de 2013 0

Julio Cesar Godoy Bertolin *

O desafio de melhorar a qualidade da educação básica pública e o desempenho dos alunos brasileiros nas comparações internacionais é, praticamente, um paradoxo. Por um lado, pesquisas nacionais e internacionais demonstram que o principal fator determinante do desempenho dos alunos em exames não é a diferença de qualidade entre as escolas, mas sim o capital cultural dos jovens ou o contexto socioeconômico em que eles estão inseridos. Ou seja, sem avanços socioeconômicos no ambiente extra escolar pouco se pode fazer para melhorar o desempenho dos alunos de forma significativa. Por outro lado, é consenso em nível mundial que altas taxas de atendimento e qualidade da educação são fatores fundamentais para o desenvolvimento socioeconômicos dos países. Ou seja, sem educação de qualidade e equidade um país não cresce e nem se desenvolve, o que, por conseguinte, não possibilita transformar o contexto familiar e o meio social dos alunos.

Então, o que deve ser feito primeiro, melhorar a qualidade da educação ou melhorar o contexto sociocultural dos alunos? O problema é que ambas as questão estão imbricadas, inter-relacionadas, uma depende da outra, por isso não existe ordem de prioridade de uma sobre a outra. Por óbvio, as duas “frentes” precisam ser trabalhadas. A melhoria do contexto sociocultural dos alunos, ou seja do ambiente familiar e social dos mesmo, é um desafio complexo visto que alcançar tal condição em larga escala envolve um amplo conjunto de áreas, políticas e programas, de forma que o resultado pode demorar uma geração. Aspectos diversos e complexos como cultura, crenças, economia, distribuição de riqueza, assistência, saúde, trabalho, renda, inclusão tecnológica e a própria educação envolvem a melhoria do contexto sociocultural dos alunos.

Pelo lado da educação o desafio não é menor e sua solução requer reconhecimento e união de esforços. Considerando que o capital cultural do aluno influência decisivamente na sua aprendizagem, simplesmente responsabilizar os diretores e os professores pelos baixos desempenhos das escolas públicas é um equívoco. O capital cultural do aluno, além de ser consubstanciado no ambiente familiar, também se dá no meio social e nos espaços de lazer, interação e comunicação, tais como nos momentos de acesso à cultura e aos meios de comunicação. Nesse sentido, pode-se dizer que além dos professores muitos outros “sujeitos” têm responsabilidades sobre o baixo desempenho dos alunos das escolas públicas brasileira. Dos pais de família aos professores, dos governos aos meios de comunicação, incluindo aí os órgãos de imprensa, todos têm alguma parcela de responsabilidade e, portanto, antes de responsabilizar o outro, é fundamental que cada sujeito ou grupo de interesse identifique o que ele próprio pode fazer para contribuir no imenso desafio de qualificar a educação básica pública brasileira.

Professor *

Artigo: Da saudade, o compromisso

07 de maio de 2013 0

Nei Alberto Pies *

“Toda a política pública sazonal ou que venha atender interesses passageiros que não tem continuidade, principalmente às que dizem com a questão de violência, tem perdas porque o projeto em algum momento vai ter que recomeçar e certamente não começam do ponto onde estava. Assim, as situações que foram examinadas, vão regredir e esse retrocesso é o grande prejuízo”. (Luis Cristiano Aires, juiz de Direito, sobre as perdas da não continuidade do trabalho das Mulheres da Paz)

Como num sonho roubado, acabou o trabalho social das Mulheres da Paz que vinha sendo realizado em nossa cidade há mais de um ano. A prevenção à violência contra mulheres e jovens tornou-se órfã de um dia para outro. As possibilidades de divulgar e convencer a comunidade sobre a importância dos direitos humanos e da cidadania como o melhor antídoto para a superação de nossa tão complexa realidade de violência esgotaram-se porque preferiram que este trabalho continuasse sendo realizado apenas por voluntários, que já o fazem faz muito tempo.

O Projeto Mulheres da Paz, em Passo Fundo, é uma fecunda e valiosa semente lançada para colaborar com a superação da violência em Passo Fundo, particularmente da violência doméstica praticada contra as próprias mulheres. Como demonstra o encarte produzido pela jornalista Kamila Almeida e publicado no Jornal Zero Hora do dia 28 de abril de 2013, quem sofre as consequências da violência doméstica são também nossas crianças, adolescentes e jovens. A referida jornalista soube de maneira especial abordar o caso da Sílvia, Mulher da Paz. Quem acompanhou os desdobramentos desta triste história, irá transformar saudades em compromissos com a Silvia e com tantas mulheres que a sua história representa.

A luta pela superação da discriminação e violência contra a Mulher falará sempre mais alto em nossas vidas. Por isso mesmo, nos tornamos tão corajosos e insistentes na defesa de Projetos como o Projeto Mulheres da Paz, da qual Silvia fez parte. Este projeto deu tão certo em nossa cidade porque foi realizado com mulheres, em comunidades onde ocorre o ciclo da violência doméstica, com o protagonismo das vítimas. As Mulheres, ao refletirem sobre as causas da violência e ao se apropriarem dos seus direitos, tornaram-se mediadoras de conflitos e protagonistas de uma cultura de paz e direitos humanos.

Lamentamos que a tão propalada ideia de continuar tudo o que era bom já se transformou em esquecimento ou era verborragia de campanha eleitoral. Mas para as Mulheres da Paz e para os ativistas de direitos de direitos humanos que as acompanharam neste percurso, acabou apenas um trabalho sistematizado e organizado enquanto Projeto. Ficam grandes ensinamentos: a convicção de que segurança pública precisa vir acompanhada de processos de cidadania ativa para ser completa. Que a prevenção à violência contra mulher passa pelo encorajamento e protagonismo cidadão que adquirimos através da informação, cidadania e direitos. Que a cidade, a partir de seus bairros mais vulneráveis, precisa articular todos os sujeitos ativos e entidades para construir uma cultura de paz a partir dos direitos humanos. Que a violência contra a mulher deixará de ser uma triste realidade quando se tornar uma política pública local a partir de nossa cidade.

Sobram saudades, mas renovam-se os compromissos.

* Professor e ativista de direitos humanos

Artigo: Além do infinito

03 de maio de 2013 0

Edy Adan*

Esta é uma história real, dependendo, é claro, do ponto de vista de quem a ler.
Não posso definir aqui e agora o que vi, mas o que vi foi algo de imensurável grandeza.
Vi um imenso mundo ainda às claras, com um sol que pairava aobre aquela manhã clara e brilhante, passáros que cantavam melodias sentados sobre os galhos das árvores.
Sei que isso foi criado por alguém há alguns anos milhares de anos _ mas quem?
Sei, que quando constituído foi, esse mundo era ainda mais belo e contundente, mas uma raça distinta foi evoluindo, e aos poucos tomou ares de seres pensantes.
Mas quem os criou?
Quem poderá ter tido a brilhante ideia de, a partir de átomos saltitantes dispersos pelo universo _ criar um mundo.
Mundo este que tomou forma para justamente satisfazer aquela raça, com seus pensamentos, sentimentos, emoções, e muita contradição.
Que mundo é esse?
Logo eu que sempre fui avesso ao descrédito, que sempre dei razão e apoio para que todo o ser tenha liberdade para realizar seus projetos de vida.
Ah!
Já estava esquecendo dessa palavra _ vida
Nesse mundo no qual me encontro agora, há vida por todos os lados.
Há muitos que dão um imenso valor à vida, já outros “tão nem aí”.
Fazem até “farra” com a tal da vida.
Oh vida!
Quero que alguém me prove que eu não estou sonhando _ mas ninguém ainda tem uma resposta.
Uns falam que um certo legado chamado religião encontrou a resposta definitiva para o que estou buscando _ já fazem mais de 2 mil anos.
Dois mil anos é tempo, não é mesmo?
Corro até o dicionário e procuro a definição para a palavra religião _ encontro várias.
Qual delas será a mais correta?
Hummmmmm!
Que mundo é este meu Deus?
Ah!
Agora já estou ficando mais “ligadão” Deus!
Essa palavra não me é estranha!
Num mundo semelhante a este, certo tempo atrás, mais precisamente 2 mil e poucos anos, existia uma história de um visitante que esteve ali por 33 anos.
Esse mesmo homem que a maioria não afirma, foi enviado ali para pregar a fé e o seu nome era Amor.
Sim!
Agora estou lembrando desse senhor.
Amor, ah o Amor!
Será que seria essa a palavra mágica, da qual fui designado encontrar?
Sento para fazer uma pausa e observar um pássaro que acabou de pousar no meu quintal.
_ Peraí!
_ Você não é um pássaro!
_ Não, não, não!
_ Quem são vocês?
_ Somos além do infinito, e a vida que você viveu foi apenas um sonho.
_ Agora relaxe, pois vamos mandá_lo de volta à Terra.
Fico ali preso naquele caixote de laser suspenso no ar.
_ Ei amigos!
_ Vocês têm certeza que querem mesmo me enviar para essa tal de Terra?
_ Gostei daqui!
_ Não discuta, vocês não souberam preservar o seu planeta, e agora vêm aqui no nosso tentar fazer o mesmo.
_ Peraí!
_ Aquele senhor ali sentado sob o sol _ lembro dele
_ Ah!
_ O amor!
_ Amor é seu nome?
_ Sim.
_ Mas por que você ínfimo terráqueo, quer falar com o Sr. Amor, pois quando ele esteve lá no seu mundo foi maltratado.
_ Ho amigo, não fui eu!
_ Havia outros naquela época.
_ Siiiiim!
_ Os romanos!
_ Foram os romanos.
_ He, he, he, he!
_ Todos vêm com a mesma conversa _ os romanos, foram os romanos.
_ Pois então Sr. João
_ Meu nome não é João é…
_ Para nós vocês são todos João.
_ E chega de conversa, você vai voltar lá para o seu mundo claustrofóbico e falar para que se resolvam por lá mesmo.
_ Nosso mundo aqui é só para os escolhidos.
_ Você tem certeza seu anjo metido que quer mesmo me mandar de volta?
_ Vocês não aprendem mesmo, são autoritários, preconceituosos, conservadores _ volte lá e diga para a sua raça que vamos dar_lhes mais uma chance falô!
_ Mais isso muito em função do Sr. Amor ser misericordioso _ conhece essa palavra terráqueo?
Eu então, não tive mais alternativas a não ser voltar.
Tok, tok, tok, _ senhor Adan, senhor Adan!
Era o serviço de quarto me acordando, e isso já passava das 10h da manhã.
* Consultor de moda

Artigo: Violência: Pena de morte já!

02 de maio de 2013 0

Ubiratã Ferreira Freitas *


Nos últimos anos com o aumento da violência eu tenho percebido que as autoridades e políticas públicas não se movem em direção alguma para dar segurança à sociedade brasileira. Estou com medo de andar pelas ruas, ir a parques, sair à noite e fazer tudo que um adulto pode fazer dentro de uma “democracia”. Os noticiários regional, estadual e nacional têm mostrado em jornais, revistas e mídia em geral, que nos últimos anos, meses, semanas e dias a violência tomou conta das telas dos televisores brasileiros, não consigo ver uma notícia que seja em benefício da sociedade.

Os índices da violência aumentam em passos largos, a vida não tem mais valor, o respeito pelo outro não existe há muito tempo, a “promiscuidade mental” tomou conta das pessoas, todos querem levar vantagens sobre diversas coisas, à ética não existe mais entre “pessoas esclarecidas e não esclarecidas”. A televisão mostra a cada hora as “falcatruas” que acontecem em todos os setores da sociedade, autoridades sem autoridades por que estão metidos em corrupção, “homens da lei” (juiz) que não paga uma fisioterapia para uma menina que ele próprio atropelou com sua lancha, etc.

A violência, essa palavra está em alta e é possível perceber em quase toda a sociedade, em um simples ato, em uma partida de futebol, na igreja, na família, violência é moda, ou seja, matar é moda, aleijar famílias é moda, queimar pessoas que estão trabalhando é moda, matar taxistas é moda, onde está a alegria do povo brasileiro? A bestialização da sociedade é moda?

São pergunta difíceis de responder, e ao mesmo tempo difíceis de escrever também, pois parece que não vale nada, que são somente palavras sem rumo, sem direção, sem um valor que uma palavra realmente mereça. A corrupção tomou conta da sociedade. Políticos, policiais, gestores, empresários, professores, alunos, pais, estão cada vez menos sabendo o que realmente vale a pena nessa vida, não se consegue traçar metas para uma evolução social adequada com as novas tecnologias, chegamos a um conhecimento tecnológico que está nos remetendo à barbárie medieval.

O titulo desse artigo é sugestivo, e sei que vou ser bombardeado por algumas pessoas que defendem os Direitos Humanos, e que não concordam com essa visão cruel e medieval, ou melhor, das sociedades antigas como a babilônica e seu código Hamurabi “olho por olho, dente por dente”. Somente tenho a certeza de que pessoas de bem, corretas, éticas estão morrendo sem mesmo poder se defender como em outros períodos históricos. Onde fica os ”Direitos Humanos” dessas pessoas?

Estou pensando diariamente como estão às famílias dos taxistas que foram assassinados em Santana do Livramento, em Porto Alegre em São Paulo. E como foi cruel para o pai que viu a filha em chamas em seu consultório, e o jovem que entregou um celular e foi morto sem reagir, e a moça gravida que estava chegando em casa e foi morta, simplesmente mata-se por matar, deixando uma crianças sem pais, ou seja, famílias dilaceradas pela falta de segurança.

O que se pode fazer contra tais fatos? O que vai acontecer com esses marginais? Até quando eu tenho que pagar para alimentar essa gente que não faz nada em prisões fora de parâmetros e ultrapassadas, com agentes corruptos que facilitam a entrada de drogas, telefones. Isso é justo?

Necessitamos URGENTE de uma reformulação no Código Penal, acrescentando a PENA DE MORTE no Brasil, os criminosos não tem medo de nada, por que sabem que NÃO DA NADA, pois vão ter um advogado pago por mim, pois a procuradoria fornece esse profissional para defender esses criminosos e ainda em alguns casos, pagam uma boa pensão para a família do preso (sei que as famílias não têm culpa desses atos), e a minha família como fica? Ainda querem a Copa do Mundo. O que eu posso fazer com tanta violência? Virar o Zorro ou um Django.


* Professor