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A professora guerreira

27 de outubro de 2010 3

Após a confirmação que a sucessão de Vitorio Piffero terá três candidatos, os movimentos políticos do Inter começam a definir as suas cartadas finais para a eleição de 8 de novembro no Conselho Deliberativo. Em meio às brigas da situação, o Convergência Colorada, o principal movimento de oposição do Inter, inovou e apresentou uma mulher como candidata a 2ª vice-presidente da chapa de Sandro Farias. Pós-doutorada em Educação, Berenice Corsetti (na foto acima, junto de Sandro Farias), 64 anos, é professora da Unisinos, e poderá transformar-se na primeira mulher a assumir um cargo tão alto na direção do clube.

Natural de Caxias do Sul, Berenice tornou-se colorada ainda criança, uma vez que a família toda torcia para o Flamengo (atual Caxias), também de uniforme vermelho. Conheceu o Beira-Rio, um sonho de infância, somente em 1999, quando mudou-se de Santa Maria para Porto Alegre. Conselheira do Inter desde 2002 (e são apenas sete mulheres no Conselho atual), ela era ligada ao movimento Inter 2000 – já extinto e cujos seus partidários vincularam-se ao Convergência. Impressionou integrantes do grupo quando, em 2000, seu segundo ano como associada, participou do Linha Vermelha (programa de visita ao clube e que se encerrava em uma conversa com o presidente) e expôs as suas ideias a Jarbas Lima, então presidente do clube. Foi convidada a participar da vida política do Inter.
Desde aquela tarde, ligou-se aos programas sociais do clube. Ajudou a fundar o Mulher Colorada, movimento para incentivar a maior participação do público feminino no clube, participou da FECI (Fundação de Educação e Cultura do Inter), onde ajudou a trocar os computadores e impressoras para os jovens atendidos pelo programa, em uma parceria com a Unisinos, e atua há 10 anos como voluntária do Criança Colorada.
-  Sirvo cachorro-quente e Pastelina para a gurizada, nos intervalos dos jogos – orgulha-se.
Com Berenice, o Convergência também está de olho nos 13% mulheres que compõem o quadro social do Inter (de um total de 106 mil associados). Um número pequeno ainda, é verdade, mas que a candidata pretende ver crescer.
- Sempre fui uma mulher de lutas. Nos anos 80 e 90 liderei diversas greves na Universidade Federal de Santa Maria, para evitar a desestruturação do ensino, e fui a primeira professora a dar aulas no Colégio do Carmo, somente para alunos homens, em 1972, uma época ainda difícil para se quebrar barreiras – contou. – Se vencermos as eleições, me dedicarei aos projetos sociais do clube. Quero ver os meninos da base estudando e tendo oportunidade de ingressar em uma universidade.
Entre os seus ídolos estão a anarquista carioca Maria Lacerda de Moura, que nos anos 20 lutou pelo direito das mulheres à educação, e Fernandão, que segundo ela simbolizou a esperança dos colorados, com as conquistas da Libertadores e do Mundial.
- Não serei eleita para ficar fazendo chazinho para as mulheres. Sonho com um Inter maior ainda – disse. – E, antes que me perguntem, sei bem o que é impedimento e posso dizer as diferenças entre os esquemas 4-4-2, 3-5-2 e o 4-2-3-1 – avisou a candidata do Convergência Colorada.

Comentários (3)

  • julio diz: 27 de outubro de 2010

    Parabens ao convergencia. Conheci a prof. Berenice no projeto criança colorada quando levei meu filho. Grande trabalho e projeto social.

    Gostei da escolha, tomara que passem ao segundo turno para levarem meu voto.

  • Felipe diz: 28 de outubro de 2010

    Fui seu aluno no curso de História da UNISINOS. Grande professora, grande colorada e realmente uma mulher de lutas diversas.

  • Fabiano diz: 1 de novembro de 2010

    Essa eh a que falou 30 vezes ao Pedro Ernesto em Convergencia Socialista ?

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