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Kleber: "Paguei muito caro pelas minhas brigas"

06 de julho de 2013 4

Neste domingo, em Zero Hora, o Gladiador Kleber abre seu coração. Fala do drama das seguidas lesões e cirurgias, das brigas em que se envolveu no passado, das quais se arrepende, da origem do apelido e da esperança em um futuro como titular do Grêmio. Confira o que ele disse.

“SÓ QUEM PASSOU POR LESÕES COMO EU PASSEI SABE COMO É DIFÍCIL VOLTAR”

Zero Hora - Desde sua chegada, no final de 2011, foram muitos meses sem jogar por lesão. Como enfrentou esse período?

Kleber - Difícil, né? Duas lesões no mesmo ano. A segunda atrapalhou até para o começo desta temporada. Você se vê fazendo sempre o melhor, marcando gols. Duas fraturas, duas operações, é algo muito ruim, mas faz parte.

ZH – Como era a rotina de recuperação?

Kleber - É muito ruim, é a pior parte. Estamos sempre acostumados a jogar, competir, querer ganhar. De repente, duas fraturas, duas operações. É difícil ir no estádio, ficar só assistindo, e não poder ajudar. É a pior parte na carreira de um jogador.

ZH _ Você já havia passado por cirurgias antes?

Kleber – Já (risos). Uma no nariz, não muito grave, de recuperação curta. Operei os dois joelhos na Ucrânia (jogou de 2004 a 2009 no Dínamo de Kiev) e o púbis no Cruzeiro.

ZH - Quando você chegou, a meta era disputar a Libertadores em 2013. Mas o time tropeçou. Que lição ficou deste tropeço?

Kleber - Estou no Grêmio, faço parte do grupo, mas não foi a Libertadores que eu esperava. No começo, não joguei porque me recuperava da lesão. Quando voltei, o time já estava formado. Entrei em quatro jogos e em três deles o time estava com um jogador a menos. Foi totalmente diferente do que eu imaginava e gostaria. Queria começar bem a temporada para poder ajudar o Grêmio a fazer uma boa competição. Minha sensação é de não ter jogado a Libertadores. Então, meu objetivo é ajudar a classificar o time de novo para poder ajudar no ano que vem.

ZH - Mas a concorrência é grande. Como entrar no time para poder ajudar a conseguir esta vaga na Libertadores?

Kleber- Mas muita coisa muda também. Para o ano que vem, será uma situação totalmente diferente, como foi no ano passado. O grupo era um, hoje é totalmente diferente. Tenho que correr atrás. Não tem problema nenhum, sei do meu potencial, sei o que posso fazer e aonde posso chegar.

ZH - O que lhe falta no momento? Você concorda que não tem a mesma força física que tinha antes da parada?

Kleber- Não vejo dessa forma. Sei que tenho de melhorar. Mas, como eu disse, vim de uma lesão. E depois não tive uma sequência de jogos, foram só três. Até fiz um gol no último (contra o São Paulo). Vejam o Ganso. É um baita craque. Mas olha a dificuldade que ele teve de jogar no São Paulo, oscilando muito. É para você ver a gravidade de uma lesão de joelho, de enfrentar uma recuperação. É difícil mesmo para um cara com a qualidade técnica dele. Só quem passou por lesões desse tipo sabe a dificuldade que é. E olha que a sequência dele (Ganso) é muito maior do que a minha. Comecei o ano machucado, tive que correr atrás enquanto o pessoal estava na pré-temporada.


“QUANDO A DOR VOLTOU, FALEI: AGORA CHEGA, NÃO ESTOU AGUENTANDO MAIS, QUERO SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO”

ZH - Como foi a lesão que provocou a segunda parada. Foi realmente em Bogotá, contra o Millonarios?

Kleber- A lesão não foi em Bogotá, foi contra o Bahia. Depois daquele jogo (em Salvador, dia 27 de outubro), nunca mais joguei. Só voltei em Bogotá (derrota por 3 a 1 para o Millonarios, pela Sul-Americana). Naquela partida, no fiquei nem seis minutos em campo, foram dois ou três, se não me engano. Depois do Bahia, eu entrava nos treinos e sentia dor, não conseguia mais jogar. Fiz o exame e, a princípio, não era grave. Mas, depois, vimos que houve o rompimento de tendão naquele jogo contra o Bahia.

ZH - Mas o rompimento não apareceu no exame?

Kleber – Apareceu no exame.

ZH _ E não lhe disseram?

Kleber - (faz silêncio por alguns segundos antes de responder) Eu continuei trabalhando. Quando a dor voltou em Bogotá, falei: agora chega, não estou aguentando mais, quero saber o que está acontecendo. Então, fui no médico e vi que tinha de operar. Ou seja, eu já tinha um problema, não havia sido uma nova lesão em Bogotá. Foi ruim, perdi mais tempo para poder voltar.

ZH – Você consultou um médico de fora?

Kleber – Fui no médico aqui. Fiz dois exames aqui e levei para outro médico em São Paulo, para ter a opinião de outro. Ele achou que tinha de operar. E aí fizemos a operação.

ZH - E você aguentou calado toda esta situação?

Kleber- Sim. Calado.

ZH - Mas a dor limitava os movimentos?

Kleber – Me limitava totalmente, doía muito, era muita dor. Fiz o gol de empate contra o Bahia e no finalzinho do jogo tomei um carrinho. Como não dava mais para substituir, fiquei em campo até o final, sem poder caminhar.

ZH – E o que os médicos diziam depois da lesão em Salvador?

Kleber - Disseram que o exame mostrou muito edema, muito sangue, muita inflamação, não deu para ver muito bem. Achamos que era uma lesão. Eu também, naquela loucura de querer ajudar, fiz tratamento para o jogo seguinte, contra a Ponte Preta, aqui no Olímpico, mas não consegui passar no teste e ir para o jogo. Eu tentava voltar e nada. Fazia o tratamento, disseram que sentia dor, mas ouvia que era uma inflamação e ia passar.

“EU NÃO GOSTAVA DO APELIDO GLADIADOR”

ZH - Você disputa posição com Vargas ou Barcos?

Kleber _ É relativo, é opção do treinador. Todos os atacantes daqui tem condições de fazer as duas funções.

ZH - Acredita em sequência de jogos. Ou acha que Vargas é titular por decreto?

Kleber - Não vai ser fácil. Espero que para ninguém, que seja difícil para todo mundo, que realmente tenha concorrência e que jogue o melhor. Então, é buscar ser o melhor.

ZH - Como surgiu o apelido gladiador?

Kleber - Surgiu em São Paulo, em 2008 (atuava no Palmeiras), com um radialista da Transamérica. Era pelo meu jeito, meu estilo de jogo e quando vi pegou, o negócio explodiu, torcedor começou a chamar. No começo, eu não gostava muito. Depois, levei numa boa.

ZH - Aí veio para um clube que iria inaugurar uma arena …

Kleber - E tem aquela coisa do estilo de jogo, o espírito, aquilo de ser sempre mais difícil, era muito a minha cara mesmo. Muita gente recomendava. Caio (Ribeiro), que é comentarista, disse que eu não iria me arrepender, é um baita clube. No Cruzeiro, joguei com Roger (atualmente comentarista do SporTV), que sempre falou muito bem. Rodolfo (zagueiro do Vasco), com quem joguei no Dínamo, é meu amigo e disse que foi um dos melhores clubes da vida dele. Só tive boas indicações. Então, nem pensei duas vezes. Tanto que fiz um contrato longo.


“PAGUEI MUITO CARO PELAS MINHAS BRIGAS”

ZH - Você amadureceu depois do nascimento de sua filha? Antes, era um jogador nervoso, que até trocava socos com os adversários. Hoje, não faz mais isso. O que mudou?

Kleber - Antes, o pavio era mais curto. Tem um pouco da minha criação. Nasci num lugar muito pobre, de violência constante, muitos de meus amigos foram mortos e presos. Cresci assim, num bairro da periferia de São Paulo. Então, não aceitava muitas coisas. Não concordo com muitas coisas, com algumas injustiças, sempre fui assim. Vim da Ucrânia, onde o estilo de jogo é mais brigado, de dividida mais forte. Aí, juntou tudo isso com meu estilo de pavio curto e houve muitas expulsões no meu começo no Palmeiras. Depois, você vai amadurecendo, não só pelo nascimento dos filhos, mas pelas pancadas da vida. Comprei muita briga no começo que 90% dos meus colegas comprariam, mas tiveram mais controle, para não se prejudicarem. Paguei muito caro pelas minhas brigas.

ZH - Uma briga fora de campo foi em defesa de João Vitor (ex-volante do Palmeiras, que havia sido advertido por Luiz Felipe Scolari), que resultou em sua saída do Palmeiras.

Kleber - Não só essa. Na época, nunca tinha passado por aquilo, mas houve outras situações. Uma vez, no Palmeiras, em 2008, arrumei uma briga numa balada por causa de um torcedor são-paulino. Tive um problema muito grande com aquilo, a briga se tornou generalizada. Mas era o meu jeito, não aceitei a forma como ele falou comigo. Aí, você vai tomando pancadas da vida e vai vendo que não vale a pena, tira o pé.

ZH - Você se posicionou em favor do grupo contra Marcelo Moreno quando ele disse que seria difícil alguém fazer 22 gols?

Kleber - Fiz dupla de ataque com Moreno e tenho maior amizade com ele. Tanto que, depois do acontecido, ele me ligou. Conversamos, ficou tudo resolvido. Eu sempre gostei dele, só que não achei certo aquilo. Para eu fazer gols, o cara se mata lá atrás para tomar a bola, o meia tem que me dar o passe. Temos consciência de Moreno ajudou bastante, assim como Fernando, Pará, Pico, Marquinhos, Léo Gago. Entendi o que o pai dele pensa. Mas o meu pai nunca vai falar nada. Se falar, vai tomar uma dura publicamente aqui do meu lado. Discordo quando a mulher posta algo no Twitter ou no Facebook. Eu discordo. É o cara que controla a família dele. Achei que foi errado o torcedor gritar o nome dele (Moreno) depois de tudo o que ele havia falado, não só sobre os jogadores, mas sobre a grandeza do Grêmio. Falei o que 90% do vestiário pensava, mas preferiu não falar. Mas, se ele voltar para o Grêmio, será muito bem recebido.

“MEU FUTURO É AQUI”

ZH - Como era sua relação com Luxemburgo?

Kleber - Era boa. O que aconteceu é que Pepe (o procurador Giuseppe Dioguardi) foi autorizado a procurar clube para mim quando eu estava de muletas, em recuperação. Um diretor, que não vou falar o nome, disse que Vanderlei não pretendia contar comigo. Fiquei chateado, claro, pois fazia planos de seguir aqui. Disse que não iria sair. Decidi me recuperar, voltar e ver o que iria acontecer. Não quero sair.

ZH – Seu futuro é mesmo aqui?

Kleber - Meu futuro é aqui. Por cinco anos. Tomara. Se Deus quiser.

ZH - Você se sente em dívida com a torcida?

Kleber - Se estou em dívida, está todo mundo endividado (risos). Os resultados não foram. Mas não tiro o meu da reta. No ano passado, não ajudei como gostaria de ter ajudado. Este ano, voltei todo errado, ainda estou pegando ritmo. Vou torcer para que nada de ruim aconteça e eu possa ajudar a classificar o Grêmio para a Libertadores. E que eu possa jogar mesmo.





Comentários (4)

  • Eduardo diz: 6 de julho de 2013

    Os médicos queriam inutilizar o jogador, deixando uma lesão sem tratamento adequado ou era incompetência dos médicos do Grêmio?? Pergunta que nunca saberemos a resposta correta.
    Kleber foi a São Paulo para falar com um médico de sua confiança e saber que a lesão deveria ser tratada com cirurgia.
    Agora fiquei com pena do Kleber, nas entrevistas ele jamais vai dizer o que realmente pensa do clube.

  • claudio diz: 6 de julho de 2013

    ESSE É O CARA, BAITA CARÁTER, TEM MAIS É QUE FICAR ELE É A CARA DO GREMIO. VAI FIRME GLADIADOR NÓS TORCEMOS POR TÍ.

  • VITOR HUGO RINTER diz: 6 de julho de 2013

    “O tempo é o senhor da razão”, frase de autoria desconhecida, foi imortalizada no Brasil quando Collor, recém banido da presidência da República pelo impeachment que lhe impôs o Congresso Nacional, proferiu aos repórteres. E não é que é mesmo uma frase certeira como uma flecha disparada por Robin Hood? Hoje, Collor é senador eleito, sim senhor, pelo povo e faz parte da tropa de choque do PT/Lula, seus principais algozes na época do impeachment. Digo isto para lembrar também do Renato Gaúcho, um grande craque do passado do Grêmio, Fluminense e outros clubes, que era também um turrão, brigão, mas jogava demais e se lesionava pouco. Uma vez, num treino do Grêmio, no Olímpico, deu um chute num repórter, lembram disto? Hoje, Renato está mais calmo, dá entrevistas sem chutar o balde e repórteres, é um agregador de vestiário, normalmente todos os boleiros gostam muito dele e pelo menos nesta retomada do Brasileirão, acredito que vai fazer um bom trabalho. O tempo fez bem a Renato tirando o fato de que, com a idade que veio junto, como acontece com todos, teve que largar a profissão de jogador. Alguns demoram mais para compreender que o futebol é apenas um esporte de alta competição, não é uma briga de gladiadores, 11 de cada lado. O Kleber, mais velho e sensato, já compreendeu isto. Espero apenas que ele tenha tempo suficiente e saúde para recuperar seu velho futebol, guerreiro e competitivo, como teve um dia, e consiga dar alguma alegria à torcida do Grêmio. Eu, particularmente, torço por ele.

  • Vinicios diz: 7 de julho de 2013

    Vai ser titular em breve, é só dar ritmo de jogo que ele vai voltar a ser o Kleber que conhecemos com raça, explosão e decisivo.Eu, particularmente, acho que deveria ser titular no lugar de Vargas que não disse porque veio e não é jogador do Grêmio, pois sera devolvido no fim do ano.
    KLEBER TITULAR JÁ.

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