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"O Grêmio quebraria antes de ganhar dinheiro com a Arena", diz renegociador do contrato com a OAS

27 de setembro de 2013 6
Félix Zucco

Félix Zucco

Prestes a ser assinado, o novo contrato entre o Grêmio e a OAS contou com inúmeros articuladores. Um deles, o empresário Remi Acordi (esq, ao lado de Fábio Koff), também um dos idealizadores da campanha que resultou na eleição de Fábio Koff, em outubro passado.

Homem avesso a manifestações públicas, Acordi fez, por escrito, um longo depoimento ao blog sobre as tratativas para o fechamento do novo contrato. Num dos trechos, diz que “o clube quebraria antes de ganhar dinheiro com a Arena”.

 

A relação com o presidente Fábio Koff

Remi Acordi - Minha relação de torcedor vem do tempo das transmissões de jogos pelo rádio. E ídolos como Juarez, Alcindo, Joãozinho, Milton povoaram minha infância. Os dirigentes eram meus cavaleiros da Távola Redonda e o presidente, o Rei Arthur. Meu dirigente modelo, Rudi Armin Petry. Meu presidente, Fábio André Koff. Gosto do espírito conciliador do Dr. Raul Régis de Freitas Lima e da forma pão, pão, queijo, queijo do Dr. Nelson Olmedo. Sou casado com uma prima irmã do Dr. Fábio, e os laços familiares nos tornaram muito próximos. Sou empresário, e sempre estive ligado de uma forma ou de outra ao varejo.

Como surgiu o projeto Avançar Juntos, que tornou viável a volta de Fábio Koff às disputas eleitorais

Remi Acordi - Prefiro dizer que fui um dos componentes do grupo, cuja liderança era do presidente do Clube dos Treze à época (Fábio Koff), com a contribuição de José Galló, Luiz Carlos Mabilde, Renato Moreira, Irany Santanna Jr. e eu. Nosso sonho era deixar um projeto legado, com o escopo do Grêmio que queremos para nossos filhos e netos. E, para tanto, o projeto visava criar um diferencial competitivo por meio de gestão profissional e integração com nossos sócios e torcedores. Se fizermos, na administração do clube, apenas mais do mesmo, não conseguiremos mais competir com os clubes do centro do país.

A opção por não ocupar cargos na direção

Remi Acordi - Entendo que em tudo na vida existe o timming correto para cada etapa da trajetória de todos nós. Não tenho nenhuma função executiva no Grêmio, por entender que sou mais útil ao clube apoiando quando solicitado a contribuir, oferecendo, dentro das minhas limitações, meu melhor. Esclareço que não participo das eleições , nem figuro como candidato em nenhuma chapa.

 O papel na renegociação com a OAS

Remi Acordi – Verificou-se que quem tornava a Arena rentável era o Grêmio. E isso não era o propósito do projeto inicial. A Arena será um grande negócio para o Grêmio, no médio e longo prazo, após pagar seus financiamentos. Mas, nos contratos originais, o Grêmio quebraria antes de ganhar dinheiro com a Arena. Além de tudo isso, Grêmio e Arena disputavam receitas. O Grêmio perdia a possibilidade de ter novos sócios com cadeiras no estádio, e a Arena não via atratividade em o Grêmio ampliar o número de sócios torcedores. Procuramos conduzir, após o presidente Koff ter preparado o terreno, a formulação de um novo desenho financeiro que respeitasse nossa capacidade de pagamento e criasse sinergias com a OAS para a produção de novas receitas. Para isso contei com o talento dos doutores Wagner Salaverry e André Berg da Quantitas e o olho clínico do dr. Irany Santanna Jr.

As vantagens que o Grêmio e os associados obtém com o novo contrato

Remi Acordi - Essa renegociação permitirá que o Grêmio economize mais de R$ 20 milhões ao ano, relativamente aos contratos originais. São mais de R$ 400 milhões ao longo do prazo do contrato. E permitirá que o clube e a OAS, de fato, se beneficiem e busquem as receitas novas que o estádio gerará a partir dos esforços e do alinhamento que agora foi criado. Por isso, foi uma negociação viável. A Arena deixa de ser dependente do Grêmio (clube) para se tornar rentável. O Grêmio terá condições de arcar com seus pagamentos. E ambos estarão alinhados na busca de novas receitas, da ampliação de sócios, e no crescimento do público no estádio. Agora, definitivamente, para que a Arena ganhe, o Grêmio também ganhará, e para que o Grêmio ganhe, a Arena também será beneficiada. Alinhamento que, antes, não havia.

A relação do Grêmio com a OAS

Remi Acordi - Toda a negociação tem seus momentos de tensão. Mas o espírito que norteou o encontro inicial foi mantido e está sendo preservado dia após dia. Nossas premissas eram respeitar uma empresa com mais de 8 mil colaboradores e, de outra parte, uma legião de mais de 8 milhões de torcedores. Manter um foco eminentemente técnico. Não julgar ninguém, especialmente fora do contexto original. Sem buscar vencedores ou vencidos, conscientes de que a guerra emburrece o vencedor e deixa rancoroso o vencido. Com o objetivo de assegurar a sobrevivência do Grêmio, buscando o que a OAS poderia fazer pelo Grêmio, e o que o Grêmio poderia fazer pela OAS. Com uma frase de Nietzche como mote: “O cérebro verdadeiramente original não é o que enxerga algo novo antes de todo o mundo, mas o que olha para coisas velhas e conhecidas, já vistas e revistas por todos como se fossem novas”. Com o target de conseguir uma Fair Opinion com equilíbrio e humildade.

A Arena passa a ser efetivamente do Grêmio?

Remi Acordi - Numa análise direta, do ponto de vista financeiro e até contábil e de gestão, quando o presidente Koff assumiu o clube, a Arena não era do Grêmio. Essa percepção mudará significativamente com o novo contrato. Há alinhamento para busca de receitas conjuntas, menor dependência financeira da Arena com o Grêmio, e fundamentalmente melhorias nos contratos e termos jurídicos, incluindo regras de governança, que efetivamente mudaram a percepção do presidente Koff. A Arena é do Grêmio. Nenhum outro clube jogará nela. Sem o Grêmio, ela não existe. E o Grêmio e a OAS estarão alinhados, com benefícios e riscos semelhantes, no desafio de torná-la rapidamente não apenas um excelente e monumental estádio, mas também um ótimo investimento.

As reclamações dos associados em relação a Arena

Remi Acordi - Na pesquisa recente feita junto ao associado do Grêmio, ficou claro que a Arena precisará estar mais próxima do sócio. Ele a vê como a Gisele Bundchen: linda, maravilhosa, mas não a conhece de perto. Como um conhecido de longe. Ou como um primo distante. É da família, mas não sabem quem é.

 As reformas estatutárias

Remi Acordi - O projeto Avançar Juntos ainda esta embrionário. As longas tratativas com a OAS, e seu rito processual, aliada às resistências naturais a mudanças em um clube de 110 anos criam linhas de dificuldades importantes. Some-se a isto a carência de recursos, por comprometimento de receitas futuras e a resultante. É um processo lento e de resistências a mudanças. Outro ponto importante é que o presidente Koff precisa conquistar uma base de apoio sólida no Conselho Deliberativo. Sem isto, é muito difícil realizar as reformas estatutárias e aprovar projetos indispensáveis aos nossos objetivos.

O apoio de Fábio Koff a duas chapas

Remi Acordi - O presidente apoia as chapas 2 e 4. Particularmente, já externei minha simpatia a chapa número 4 , por ela contemplar uma revitalização do quadro com pessoas mais jovens, alinhadas com o projeto, e capazes de enfrentar os desafios deste novo tempo.

Cumpre esclarecer a todos os gremistas que a demora em assinar os documentos definitivos (já estão firmados os documentos negociais) se deve aos cuidados do presidente Koff e nossa equipe, no sentido de atender, além das disposições legais, todos os requisitos de natureza ética e moral que uma negociação deste porte enseja, com a revisão de todos os contratos e aditivos anteriores , exames criteriosos das implicações de natureza legal e tributária, e do exame e detalhamento de todos os memoriais descritivos que assegurem ao Grêmio seus direitos de receber e entregar o pactuado. Reitero a transcrição da fórmula que adotamos: “Um sim, um não, uma linha reta, uma meta, em busca da felicidade.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários (6)

  • Fabricio Mello diz: 27 de setembro de 2013

    Que belo trabalho eleitoral meninos, bem às vésperas da eleição do CD. Ganharam um boa grana?

  • Rodrigo R. diz: 28 de setembro de 2013

    Essa é a gestão “Criando Dificuldades para Vender Facilidades”! Ou então: “Colocando o Bode na Sala”. Depois tire-o: Viu, melhorou!!! Com esses amadores, tudo leva o clube a quebrar! Fora Koff!! Fora pensamento mágico!

  • Acordí do Pesadello diz: 28 de setembro de 2013

    Num passe de mágica, a Arena passou a ser do Grêmio. “Acordi” Luigi, leva este homem para negociar os compromissos do teu Inter! O Dr. Fábio apenas enganou-se e enganou o mundo esportivo quando disse que a Arena não era do Grêmio. Foi apenas um blefe. Em apenas poucos meses tornou a Arena, gremista! A imortalidade é pra estes momentos também! Parabéns…ACORDÍ DO PESADELLO!

  • Mozao diz: 28 de setembro de 2013

    Uma maneira de quitar a divida do gremio com a OAS nesse inicio de parceria seria colocar o logo da oas na camisa do gremio (mas mantando a tramontina e o banrisul)

  • Luciano Daniel diz: 30 de setembro de 2013

    QUANDO IMPLODIREM O OLIMPICO SERÁ O FIM.

  • Luiz C. diz: 30 de setembro de 2013

    Um dos mais bem acabados exemplos de: “me engana que eu gosto”. Então devo acreditar que a Capitalista OAS “rasgará dinheiro”???

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