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Tataraneto do patrono do Grêmio é dono de clube de futebol nos Estados Unidos: O Miami Dade FC

16 de novembro de 2014 1

Divulgação

O mais novo dono de um clube de futebol nos Estados Unidos nasceu em Porto Alegre, ex-jogador da base do Grêmio e tataraneto do primeiro patrono gremista, Aurélio de Lima Py. Roberto Linck Júnior (na foto, apresentando a nova camiseta do clube), 26 anos, fundou em maio o Miami Dade FC. Dade foi um sargento do exército norte-americano e que, depois de morto em combate, emprestou seu nome ao condado em que Roberto vive e no qual o clube com alma gaúcha foi idealizado.

Os pais de Roberto se mudaram para Miami há 12 anos. A família havia trocado Porto Alegre por Florianópolis em busca de novas oportunidades de trabalho e de maior segurança. No Grêmio, Beto atuava como meia-atacante no time de Anderson, deixou o clube, embarcou com a família, mas não ficou na Flórida. Morou na Califórnia, estudou em Chicago, rodou os Estados Unidos.

- Se tivesse ficado no clube, talvez tivesse participado da Batalha dos Aflitos. Teria sido divertido – brinca o proprietário do Miami Dade.

Depois de terminar os estudos, foi tentar ser jogador na Europa. Na base do peitaço. Rodou pela Itália e Holanda, em intermináveis peneiras. Conseguiu jogar na segunda divisão romena, defendendo o Ramnicu Valcea. Entre os seus contatos nos Estados Unidos, Roberto conheceu Thomas Di Benedetto, o empresário que liderou o grupo de investidores que adquiriu a Roma, em 2011. Benedetto ofereceu um teste na Itália para o gaúcho. E Roma foi crucial para o início do Miami Dade.

- Estávamos em um churrasco, jogando uma pelada, quando recebi uma falta e fraturei a tíbia. Acabei voltando a Miami para realizar o tratamento e ficar perto da família de novo – conta o neo dirigente.

Recuperado da contusão, Roberto decidiu que era chegada a hora de, enfim, morar em Miami. Mas queria seguir jogando e, na cidade, não havia clubes de futebol. O Miami Fusion, que chegou a jogar na MLS (a principal liga do país), fechou as portas em 2001. Passou a contatar dirigentes de clubes importantes em passagem pela cidade e, um dia, ouviu um conselho do vice-presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu:

- Você não precisa ter dinheiro para formar um clube de futebol: precisa ter a ideia e fazer com que esta ideia gere dinheiro.

Os contatos seguiram, Roberto criou o Linck Group e, a partir de novas parcerias _ uma delas com o ex-lateral da Seleção Brasileira Roberto Carlos _, montou o projeto do Miami Dade. Sucesso imediato, em três meses o clube de Roberto Linck Júnior conquistou a NAL (National Adult League, uma espécie de quarta divisão) e garantiu vaga ao US Open Cup (torneio aos moldes da Copa do Brasil), torneio que disputará a partir de janeiro.

- Tenho muito orgulho de seguir os passos de meu tataravô. Um dia quero montar um projeto no Rio Grande do Sul. Quero voltar à minha cidade, criar um novo clube ou fazer parceria com uma equipe. Minhas raízes estão em Porto Alegre – diz Roberto.- O Miami Dade tem 33 jogadores, de 12 nacionalidades diferentes (brasileiros, marfinenses, mexicanos, norte-americanos, argentinos, porto-riquenhos, ingleses, belgas, uruguaios, italianos, nigerianos e colombianos). A NAL permite número ilimitado de estrangeiros, a fim de desenvolver o futebol nos Estados Unidos – destaca o gaúcho empreendedor.

Gre-Nal em Miami

Um dos projetos de Linck é realizar o primeiro Gre-Nal nos Estados Unidos. No recente recesso da Copa do Mundo levou o Cruzeiro para enfrentar o Miami Dade. Foram dois amistosos (com duas derrotas de Miami), com público de 30 mil torcedores por partida _ a maioria formada por brasileiros. No começo da temporada, ainda sem o Miami Dade ter sido fundado, Linck tentou levar a dupla Gre-Nal para a cidade. O Inter aceitou, mas o Grêmio não deu resposta.

- Ainda realizarei este sonho de trazer os dois para cá. Grêmio e Inter precisa descobrir o mercado dos Estados Unidos. Precisam explorar este mercado. Real Madrid, Manchester United, todos os grandes da Europa já descobriram um país que tem 25 milhões de jogadores federados, contra 13 milhões do Brasil, por exemplo – afirma Linck que, para 2015, projeta levar a Inter de Milão para um amistoso em Miami.

Green Card

Apesar do salário médio de US$ 3 mil (o que a dupla Gre-Nal paga para juvenis ou juniores, por exemplo) e das bolsas de estudos, o principal atrativo dos clubes das ligas menores _ como é o caso atual do Miami – é o Green Card (o documento que torna um estrangeiro cidadão norte-americano, com todos os direitos e deveres).

- Muitos jogadores buscam nosso mercado para poder viver aqui depois. O Valderrama (astro da seleção colombiana, que atuou no Tampa Bay Mutiny, Miami Fusion e Colorado Rapids) fez isto. Veio para cá atraído pelo Green Card – explica Linck Júnior.

Aplicativo

Uma das fontes de renda do Miami Dade é um aplicativo, desenvolvido por Roberto Linck Júnior em parceria com o ex-lateral da Seleção Brasileira Roberto Carlos. Com o Ginga Scout, o app que estampa a camisa do clube, qualquer atleta pode apresentar as suas qualidades e até postar seus vídeos, que serão acessados por treinadores mundo afora e, sobretudo, por técnicos de universidades norte-americanas.

- Os treinadores podem escolher os jogadores que desejarem e, nos caso de os atletas optarem pelos Estados Unidos, ganham bolsas de estudos para jogar aqui – conta o dirigente gaúcho.

O projeto do Miami Dade é chegar à MLS (Major League Soccer). Para isto, porém, é preciso comprar uma vaga na competição, ao preço de US$ 75 milhões. Um valor alto demais para o novato clube. Ainda mais agora que Miami terá, a partir de 2015, um clube na MLS. O inglês David Beckham será o dono da nova franquia, ainda sem nome.

- Quem sabe um dia consigamos investir em uma franquia ou mesmo fazer uma parceria com Beckham? – sonha Linck.

Por enquanto, sem estádio próprio, o Dade joga no campo da universidade Saint Thomas, que abriga um público de apenas 2,4 mil torcedores e cujos ingressos custam US$ 10.

Grêmio e clube à beira-mar

Homem de negócios, Linck deixa de lado a paixão gremista quando o tema é “business”. Como pretende fazer parcerias futuras com a dupla Gre-Nal, sugere um empate nesse domingo, no clássico da Arena. Pretende voltar a Porto Alegre para realizar negócios.

- Quero muito ter um clube no Gauchão. Talvez em Porto Alegre ou na praia. Em Atlântida, por exemplo. Um clube ao estilo Traffic, que tem o Desportivo Brasil e o Estoril (em Portugal), para formar jogadores e dar uma chance a eles no mercado dos Estados Unidos – declara Roberto Linck Júnior, o gaúcho dono de um clube de futebol em Miami.

Quem foi Aurélio de Lima Py

Nascido em Bagé, Aurélio de Lima Py estudou em Porto Alegre e se formou em medicina no Rio de Janeiro. De volta a Porto Alegre, em 1906, se estabeleceu na capital gaúcha e passou a participar da vida do Grêmio _ fundado três anos antes. Em 1912, assumiu pela primeira vez a presidência do Grêmio. Comandou o clube por nove anos. Foi aclamado o primeiro patrono do Grêmio (os outros dois são Fernando Kroeff e Hélio Dourado). Py morreu em 1949, 19 anos depois de ter deixado pela última vez a presidência do clube.

 
* Colaborou Wendell Ferreira

Comentários (1)

  • lucas orlando diz: 28 de dezembro de 2014

    OLA sou lucas tenho 20anos natural de jacare-sp. . pois sou jogador tbm e me enteressei mto. pelo projeto quero saber como faco pra participar . futeboll éo q sei fase de melho e creio q deus vai me ajudar a faser parte deste grupo espero retorno mto obrigado.

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