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Posts na categoria "Gre-Nal"

Todos os homens de Aguirre (ou Inter é pentacampeão gaúcho com rodízio de jogadores)

03 de maio de 2015 2

Diego Vara

Como se molda um time campeão? O Inter de Diego Aguirre foi construído sob a desconfiança. Dos medalhões contratados para o início da temporada, nenhum deles começou o Gre-nal do título. Dois deles estavam no banco: Lisandro López e Nico Freitas. Mas, sobretudo, entre os titulares estavam seis jogadores da base, que abriram a temporada sentados na casamata, esperando a vez como suplentes dos reservas ou ainda no sub-23: William, Alan Costa, Geferson, Rodrigo Dourado, Sasha e Valdívia – há ainda Alisson, que terminou 2014 como titular, e Nilmar, que saiu das categorias inferiores do Inter quando Aguirre estava em seu último ano como atacante profissional.

- Eles (os guris da base) jogaram porque eram os melhores que eu tinha. Não dou preferência para ninguém. Isto não é importante (ser da base ou ser medalhão). Precisamos dos jovens, dos jogadores mais velhos, de todos. Com tantas competições que teremos pela frente, é bom eles saberem que não vão jogar sempre. Assim, dão tudo no dia a dia para ganhar um lugar no time – declarou Aguirre.

O técnico seguiu com os elogios aos time e disse:

- O Inter joga um futebol moderno. O que jogamos na primeira parte foi espetacular. Imprimimos um ritmo de jogo que passou por cima do adversário. Depois sofremos, é verdade. Mas tentamos fazer um time mais veloz a cada dia, a cada treino. No jogo do Chile (Universidad de Chile 0×4 Inter) mostramos uma dinâmica que foi muito boa. Os jogadores acreditam na proposta e fazem o possível para que tudo dê certo. Também havia dúvidas sobre a nossa preparação física. É algo normal, mas passamos por cima de muitos times.

Aguirre criou, a partir deste Gauchão, um sistema de carrossel no Inter: com 33 jogadores tendo atuado no Estadual. Este esquema foi vingando porque o técnico insistiu em fortalecer a equipe na Libertadores, descansando os até então titulares de começo de ano, colocando no regional uma formação até então alternativa. O rodízio deu certo. E foi assim que o pentacampeonato gaúcho foi sendo construído – até ontem, o último pentacampeão no Rio Grande do Sul havia sido mo Grêmio, de 1985 a 1989.

- Espero que com a mesma intensidade das críticas venham os elogios. Foi espetacular, pela torcida, pelo time, pelo grupo – desabafou Diego Aguirre. _ Continuamos acreditando, sem mudar as nossas convicções – acrescentou.

O técnico uruguaio, de 49 anos e fala sempre serena, quebrou uma regra que durava no Inter há mais de seis décadas: a de que um treinador estrangeiro não vingava no clube. O último gringo a se sagrar campeão com os colorados havia sido o argentino Alfredo Gonzáles, que conquistou o Gauchão de 1950.
- Parabenizei a todos os meus jogadores antes da partida, pois estavam todos os 30 lá (o 33° é Fabrício, negociado ao Cruzeiro). Isto dá força e, ali, senti que merecíamos ser campeões – afirmou o treinador uruguaio.

Inter dependerá de D'Alessandro para ser Penta. Mas o capitão conseguirá dominar o Gre-Nal do Beira-Rio?

29 de abril de 2015 7

Tadeu Vilani

Depois de Fernandão, nenhum outro jogador teve tanto impacto sobre os torcedores do Inter quanto D’Alessandro. O camisa 10 construiu a sua trajetória de herói colorado a partir do domínio em Gre-Nais. A figura de D’Alessandro perturba a torcida do Grêmio. Desde 2008, quando começou a disputar o clássico, D’Alessandro é o foco da semana Gre-Nal. D’Alessandro não joga uma partida de encher os olhos há algum tempo. Mas terá que ser o grande nome do Inter no clássico de domingo, na decisão do Gauchão.

Orgulhoso, não vai querer ver o primeiro título oficial do novo Beira-Rio parando nas mãos do adversário, com direito a festa, flauta e volta olímpica. Sabe que, em caso de revés, será ele o alvo dos gremistas no dia seguinte. D’Alessandro se concentra para obter a sua redenção em casa. Não perde uma final no Beira-Rio desde a Copa do Brasil de 2009, quando o Corinthians comemorou a conquista no estádio – e D’Alessandro teve uma das piores atuações de sua carreira, com expulsão e tentativa de briga que virou vinheta.

Apesar do sucesso nos clássicos – D’Alessandro soma 11 vitórias, 9 empates e 5 derrota em Gre-Nais, com 8 gols marcados -, o seu desempenho nos Gre-Nais no Beira-Rio não é assim tão expressivo. Em 9 jogos, soma 4 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, com 3 gols marcados.
Domingo, porém, precisará liderar o Inter ao pentacampeonato e à redenção pessoal.

Grêmio pagará R$ 85 mil por depredações no Beira-Rio. No Gre-Nal da Paz, colorados destruíram tantas cadeiras quanto os gremistas

12 de março de 2015 9

Leandro Behs

Nos próximos dias, o Grêmio desembolsará R$ 85 mil para o Inter, devido aos prejuízos causados por seus torcedores no Gre-Nal de 1º de março, no Beira-Rio. Foram 47 cadeiras depredadas mais dois banheiros quebrados, entre outros pequenos prejuízos. O curioso, porém, é que se o Gre-Nal em campo terminou em 0 a 0, o clássico do quebra-quebra deu Grêmio… por apenas uma cadeira. Em sua casa, os colorados destruíram 46 cadeiras - cada peça custa R$ 300.
Assim, é possível condenar o visitante? O clube alega que não foi por depredação, mas, sim, por empolgação exacerbada.

Em tempo: não foi registrada qualquer depredação ou incidente na área da torcida mista, onde mil gremistas levados por mil colorados conviveram durante todo o clássico.

Inter bate U. de Chile e assume vice-liderança no Grupo 4 da Libertadores. Na véspera do Gre-Nal, titulares vencem a 1ª no ano

26 de fevereiro de 2015 5

Ricardo Duarte

Um Inter minimamente organizado (talvez pela primeira vez no ano) e com o domínio das ações durante boa parte do jogo, surgiu no Beira-Rio diante da Universidad de Chile. Venceu por 3 a 1 e assumiu a segunda colocação no grupo 4 da Libertadores. Na quarta-feira, de novo no Beira-Rio, terá um jogo decisivo contra o líder da chave, o Emelec – e no domingo haverá Gre-Nal, também no Beira-Rio, pelo campeonato estadual.

O Inter poderia ter feito o 1 a 0 nos chilenos ainda no começo do primeiro tempo. Dois lances de faltas deveriam ter resultado em pênaltis, um em Jorge Henrique, outro em Vitinho. Os de Santiago começavam a conter o Inter a faltas.

Apesar da posse de bola, porém, o ataque colorado era algo insosso, sem penetração e sem grande contundência área adentro. O primeiro tempo escorria para o final quando D’Alessandro teve a camisa puxada na área e, dessa vez, o árbitro deu o pênalti – e foi o menos claro dos três. D’Alessandro cobrou aos 46 minutos e fez o merecido 1 a 0.

No segundo tempo, a Universidad de Chile buscou o empate. Logo a dois minutos, Ubilla caiu na área, entre dois colorados. O árbitro, a léguas de distância do lance, não marcou pênalti, em uma jogada duvidosa. Não demorou para que Alex fosse a campo. Mas a saída de Vitinho, em vez de Jorge Henrique, fez com que Diego Aguirre fosse vaiado. Com menos de quatro minutos em campo, Alex lançou Jorge Henrique que parecia ter voltado no tempo, correu como nunca no Inter e marcou o 2 a 0 contra os chilenos.

O Inter relaxou e cedeu espaços. Canales descontou e foi para cima do Inter. Para evitar a pressão, Aguirre trocou Jorge Henrique por Nico Freitas. O 3 a 1 do desafogo e que confirmou o Inter na vice-liderança do Grupo 4 começou em um passe de Nilton para Aránguiz, que deu um lançamento espetacular para Sasha marcar o gol que encaminhou a partida.

Os titulares de Aguirre venceram a primeira na temporada – com um público de 35.833 torcedores, que deixaram nos cofres do clube uma renda superior a R$ 1 milhão. Os triunfos anteriores haviam sido conquistados pelo time reserva. O Inter cresce na temporada na Libertadores e na véspera do Gre-Nal, válido pelo Gauchão. Contra o Grêmio, o Inter poderá ter até meio time de suplentes no clássico do Beira-Rio.

Anderson manda a letra: "Quero ser ídolo no Inter"

07 de fevereiro de 2015 1

Alexandre Lops

Por Amanda Munhoz e Leandro Behs

Você ainda vai se surpreender com o novo Anderson. Falante, sempre foi. Sincero, também. O Anderson que voltou da Europa quase 10 anos depois de ter sido vendido pelo Grêmio ao Porto, e do Porto para o Manchester United, está maduro e sabe o que quer. Sonhava voltar a Porto Alegre. Queria ficar perto dos filhos. Cansou de passar Natal e Ano-Novo sozinho. Conta que precisava voltar a ser amado. O ostracismo dos últimos anos na Inglaterra o deixou carente de carinho. Quer virar ídolo do Inter. E foi contratado pela direção colorada para isto.

- Anderson quer muito jogar. E quer estrear logo na Libertadores também. Ele é desassombrado, tem a cara da Libertadores. Voltou a Porto Alegre para se tornar uma referência no futebol brasileiro – destaca o diretor de futebol Carlos Pellegrini.

Nesta entrevista a Zero Hora, concedida na quinta-feira, no CT Parque Gigante, minutos antes de correr para refazer a carteira de trabalho brasileira, o camisa 8 fala sobre família, saudades de casa, de como ignora as críticas da imprensa inglesa, da amizade com Cristiano Ronaldo, além de sobre conquistar títulos com o novo clube e até renovar com o Inter, que está saudável para jogar de quarta a domingo, sobre a Batalha dos Aflitos e em passar uns tempos na casa que manteve em Manchester ou na fazenda que tem, em Alegrete, “olhando o gado”, quando ficar velho. Também quer reconstruir o campo do Rubem Berta, no qual começou a jogar. Entende que deve isto à comunidade. É um caso raro nos dias de hoje de jogador que fala o que pensa, sem rodeios.

A seguir, os principais trechos da da entrevista:

Você está feliz?
Sou o mesmo cara de sempre e, sim, estou muito feliz, contente mesmo. Fazia tempo… Passei quase 10 anos fora. Minhas férias eram em maio. Aí, tinha que tirar os 30 dias. Passei oito anos sozinho, em Natal, em Ano-Novo. Liberava até a minha empregada, que era brasileira, para as festas e eu ficava sozinho. Era importante para ela ir ver a família, em Portugal, pois o marido dela era de lá. E eu passava sozinho, em hotel, ou com os jogadores do Manchester. Às vezes tinha até jogo. Foram oito anos passando o fim de ano em hotel porque na Inglaterra não para.

Estava com saudades de Porto Alegre?
Estava, sim. Chegou um momento no qual as minhas filhas começaram a perguntar onde eu estava, porque eu não estava aqui, porque eu não as levava na escola, ou eu ouvia um “quero ficar aí contigo um pouquinho, pai”. Então, era a hora de voltar. E não estava sendo muito usado no Manchester. Eu não estava mais confortável lá, precisava de um novo objetivo. Não estava mais animado, apesar de estar treinando muito bem nos últimos meses, mas não tinha a oportunidade de jogar. Falei com a minha família e com o meu empresário: “Ó, preciso jogar, não aguento mais. Não posso ficar mais um ano sem jogar”. No ano passado tive lesões, fui para a Fiorentina, mas fiz poucos jogos. Mas era o momento de voltar e apareceu esta proposta do Inter.

Você tem duas filhas?
Duas, não. Tenho quatro. Três meninas e um menino: Alícia e Isabela, as duas com quatro anos. Mas não são gêmeas, viu (risos)? São de mães diferentes. E a Giovana, de dois aninhos, e o Li Andow, que está com um ano. Mas não sou casado, tô na pista.

Como foi a investida do Inter?
Foi com o presidente. Ele sempre falou comigo, me deu confiança, perguntou como eu estava. Conversei com os jogadores, com Paulão, com Sidnei (ex-zagueiro do Inter e atualmente cedido pelo Benfica ao La Coruña). Eles elogiaram muito o clube. Perguntei como era a galera, disseram que o grupo é bom, uma galera tranquila. Aí, aceitei.

Carlos Macedo

Como você imagina que será a sua relação até mesmo com a cidade, dividida entre colorados e gremistas?
Cara, há pessoas que vão gostar. Há outras que não vão gostar. E ainda tem muita gente que vai te que me aturar. É o meu trabalho. Como te falei, recebi proposta do Inter. O Inter me quis. Sobre o Grêmio… Bem, saí pela porta da frente do clube. Quando estava lá, o Grêmio vivia uma fase complicada em termos de dinheiro. Eu tinha 16, 17 anos e poderia ter saído livre do Grêmio (para o Porto). Mas falei para o presidente (na época, Paulo Odone): “O que é meu é meu, o que é teu é teu”. Com a minha venda ele pôde manter o clube por mais dois anos. Depois, fui vendido do Porto para o Manchester e o Grêmio ganhou ainda mais dinheiro comigo. Agora estou no Inter e darei o meu máximo para sair pela porta da frente. Se sair.

Você já está adaptado ao Inter?
Estou muito feliz como tenho sido tratado. Aqui, no Inter, me senti bem de novo. Estou sendo bem tratado. Na verdade, eu precisava de amor. Jogador às vezes precisa de amor. Inter me deu isto. Não digo da boca para a fora. Todos me trataram superbem desde o primeiro dia. Isto me surpreendeu e me deixou feliz. Digo para os meus amigos: “Cara, eles estão me dando tudo aqui”. Quando entrar em campo darei 100% ao Inter.

Como você está fisicamente?
Cara, estou muito bem. Ouvi que estava gordo. Não. Estou em forma. Jornalistas falam o que querem. Não posso contestar, às vezes tentam crescer em cima do jogador. Respeito. Não jogo para jornalistas, jogo para o grupo. Estou sempre alegre, não tenho vaidades e quero ajudar. Se ganha o Anderson, ganha todo mundo. E no final do dia, todos estaremos em casa comemorando.

Você citou jornalistas. E os jornalistas ingleses? Eles te criticaram muito por lá. Por quê?
Sinceramente, não sei. Ganhei tudo ou quase tudo pelo Manchester. Renovei duas ou três vezes com ele. Se você está mal no clube, você não renova. Trabalhei lá com o melhor treinador do mundo, o senhor Alex Ferguson. Uma pessoa por quem tenho um respeito enorme. Antes de eu vir para cá ele me mandou uma mensagem: “Anderson, você é top, sabe da sua qualidade. Vai com Deus”. Pode perguntar para os jogadores e para a torcida do Manchester, eles me amam. A torcida cantou a minha música no último jogo (The Anderson Song – Better Than Kleberson; A Canção de Anderson – Melhor Que Kleberson, em referência ao pentacampeão com a Seleção Brasileira e que foi mal no Old Trafford). Desde que cheguei ganhei esta música da torcida. Jornal inglês, sabe como é: Falam o que querem. Ouço e fico na minha.

Estas críticas te incendeiam mais ainda para provar algo?
Sei a qualidade que tenho, sei quem eu sou. Não preciso provar nada para ninguém. Apenas para o meu treinador, para o meu presidente e para o meu time. Jogador que não está bem, passa 10 anos na Europa e ganha tudo, o que deve responder? Ronaldinho e Kaká são caras que ganharam tudo e que merecem respeito também. Jogador não vive de contar que jogou sete anos aqui, 10 anos ali. Jogador vive de títulos. Quando encerrar a carreira, vou poder contar para os meus filhos os títulos que ganhei e com quem joguei. Joguei com os melhores do mundo.

E que bagagem esta convivência com jogadores consagrados, como Cristiano Ronaldo, Rooney, Van Persie, entre outros, pode ser levada para o vestiário do Inter?
Que estes caras trabalham. Cristiano Ronaldo trabalha 24 horas por dia, se necessário. Nunca vi ninguém trabalhar tanto como ele. Ele se controla em tudo, desde a alimentação até ter que ir para um trabalho de piscina às 22h. Se há um erro, ele vai treinar até corrigi-lo. É um amigo particular. Ele é f…

Você também ficou assim?
Aprendi a trabalhar e a cuidar de mim. Você não se lesiona por acaso. Às vezes, tenta acelerar uma recuperação para ajudar. Joga cinco, seis partidas e arrebenta de novo. Não. Você tem que voltar quando está bem, para ajudar. Aprendi. Estou muito bem, cuido da minha alimentação. Cheguei bem e sem problema algum. Me falta jogo. É o que mais quero. Me dá cinco, seis jogos e estarei 100% de novo.

Como Aguirre pode aproveitar a sua chegada no meio-campo?
O treinador pode me usar onde deve achar que deve. Ele é o treinador. Vou dar o meu melhor. Se ele quiser me puxar um pouquinho mais trás, vou correr da mesma maneira, como se estivesse lá na frente. Eu quero é fazer gol, se eu puder. Vou jogar onde ele achar que eu deva ajudar. Se ele achar que eu tenho que ir pro gol, eu vou pro gol. Estou aqui para ajudar, como mais um jogador. O importante é onde ele acha que eu tenho que evoluir.

Sua estreia será na quarta-feira, diante do Cruzeiro, em Gravataí?
Espero estar lá na quarta. Depende da comissão técnica. Por mim, eu estaria neste (contra o São José). É esperar. Eu estou bem, me sinto bem.

Qual foi o maior problema do Inter no empate em 4 a 4 com São José, pelo Gauchão?
É complicado, foi apenas o segundo jogo. Entrou o Vitinho, que nunca havia jogado com o grupo. É o começo. Mas quando você tem um jogo que está ganhando de 3 a 0 e deixa empatar, no 4 a 4, é complicado. Ninguém gosta. Acho que, se tivesse ficado um pouco mais com a bola, jogasse mais rápido, com certeza, teria ficado com o resultado. Acho que o São José fez um belo jogo. Mas vamos para o próximo. É muito cedo para falar.

Como vai ser se readaptar ao futebol da América do Sul, que tem um estilo de jogo bem mais lento do que o da Inglaterra?
Eu falei com o meu amigo dia destas. Nosso time tem qualidade. Temos jogadores rápidos do meio para a frente: Sasha, Vitinho, D’Alessandro e Nilmar. Se acelerarmos na frente e apertarmos, podemos chegar lá em cima do mesmo nível (que um time europeu). É uma gurizada nova. Dá para ter um time europeu do meio para frente. Se acelerarmos um pouco mais, vai ser complicado para os outros times segurarem a gente. Futebol é aquilo, só ganha quem corre. A galera tem energia. Só falta estarmos ali juntos, segurar, correr e marcar.

Você está disposto ao sacrifício de atacar, defender?
Eu aprendi, fui obrigado. Não é porque eu estou aqui que vou mudar meu jeito de jogar. No Manchester, eu arrancava com a bola, mas tinha que voltar a marcar.

Apesar de sentir alguma solidão na Europa, como foram esses 10 anos fora?
Eu sou apaixonado pelo Manchester. Aquele clube para mim… Se perguntar para todo mundo, vão dizer: É o clube que ele ama. É o clube onde estive por oito anos. Apesar de (Cristiano) Ronaldo, Tévez, Evra terem ido embora, eu fiquei. Fiz grandes amizades no clube. Tenho casa lá. Não pretendo vender minha casa na Inglaterra. Já estava acostumado. Por exemplo, Natal e Ano-Novo… As datas que são importante no Brasil, para mim, lá não eram. No almoço, eu estava tomando leite e comendo comida. Sempre me adaptei bem.

E o inglês?
Nos primeiros três anos, foi f… Negrinho, que nunca fez escola, chegando em um lugar onde todo mundo fala diferente, é complicado. Em Portugal, era tranquilo. Quando me falaram que eu ia para Inglaterra, falei: “Pô, Inglaterra?” A língua era complicada. Chegando lá, morei com o (Cristiano) Ronaldo por um ano. Ele sempre cuidava de mim. E eu nunca fui um cara que tive vergonha. Apesar de tentar falar, eu falava errado mesmo.

Inglês ao estilo Joel Santana?
Eu falava. O (Cristiano) Ronaldo começou a implicar que eu não falava. Fui dar uma entrevista, e falei tudo errado. Mas, azar, eu tentei. A galera até dizia que eu estava lá há oito anos e não falava inglês. Mas eles me entendem. Eles entendem do jeito que eu falo. Posso falar errado, que eles sabem o que eu falo.

Nesse um ano morando com o Cristiano Ronaldo, teve muita festa?
Não. Tem horas, né? (Cristiano) Ronaldo não é de sair. É um cara complicado. Quem disser que Ronaldo é de festa, é mentira. Quem conhece ele, sabe. Às vezes, final de semana, que está ganhando tudo, ganhando todos os campeonatos, tem que sair, não vai ficar dentro de casa. Tem que curtir a vida. Pô, 20 anos, 21 anos, quer que eu fique dentro de casa? Tu aí, na tua idade, também sai.

Você é uma pessoa que também diz respeito às questões do Grêmio, é o grande nome da Batalha dos Aflitos. Lembrar deste fato é uma coisa que atrapalha o clube por não ter tido um outro grande título, além de três estaduais desde 2005? O que você pensa sobre isto?
O Grêmio é um clube grande. E a torcida espera muita coisa. Mas não adianta só a torcida. A diretoria tem que querer também, contratar gente, fazer pela torcida. O Grêmio… complicado. Um clube vive de títulos. E o Grêmio sempre manda o treinador embora. Agora, o Felipão acertou um pouco o time do Grêmio. Montou um pouco uma estrutura, mudou muita coisa. Mas não adianta só ele empurrar o barco contra 300, entendeu? Tem que puxar todo mundo, ir para o mesmo lado. O clube tem nome, é clube grande, tem novo estádio. Mas não adianta só os torcedores quererem e a diretoria não querer. Começa desde lá de cima até o porteiro.

Qual o teu objetivo no Inter?
É ganhar a Libertadores e o Brasileiro também. Quantos anos o Inter não ganha o Brasileiro (desde 1979)? Este é o objetivo de todo mundo.

Não se pode prever lesões, mas você se considera forte para aguentar a temporada toda?
Forte. Estou muito bem, graças a Deus. O que eu precisava eram jogos. Esta é a grande verdade. E é isto que eu vou fazer. No momento que eu estiver com quatro, cinco jogos seguidos, aí pode vir me cobrar. Me dá seis jogos, aí vou começar a aparecer. Não adianta jogar um e, depois de dois meses, jogar de novo. Não existe jogador que pegue condição física assim. Não adianta. Com Ferguson era assim: jogava uma partida, outra não. Mas estava sempre jogando, sempre bem.

Você suporta jogos às quartas e aos domingos, como é no Brasil?
Vou ter de jogar, sou obrigado a aguentar. Tenho 26 anos, tenho que aguentar. Minha condição física é diferente. Quando eu jogo e jogo de novo, fico melhor. Cada jogo, eu vou melhorando, até chegar a um patamar.

O seu objetivo também é voltar à Seleção Brasileira?
É. Mas meu objetivo primeiro é estar aqui. Mostrar porque eu vim aqui. Este é o meu objetivo.

Você pensa virar ídolo no Inter?
Virar ídolo, sair pela porta da frente. Entrei pela porta da frente, quero sair pela porta da frente. Este é o meu objetivo. Ganhar troféus, como o professor falou. Se tiver que ficar um, dois anos a mais para ganhar estes título… Dar o meu melhor ao grupo. Só depende da gente. Temos um grupo bom.

E depois que abandonar a carreira, o plano é voltar para a Europa?
Ah, não sei. Vou para a minha fazenda, em Alegrete. Ficar tranquilo com os meus gados, olhar as ovelhinhas passando. Depende. Minhas filhas estarão grandes, vou mandar elas para fora, para estudar.

Você voltou ao Rubem Berta depois da fama?
Voltei um dia. A galera disse que não estava muito seguro para voltar. Disseram que eu não precisava voltar, mas continuo falando com a galera por telefone. Penso agora, com calma. Quero ver se consigo falar com alguém lá de dentro para arrumar o Campão, que tem no meio (do bairro), para ajudar a galera. Joguei lá. Passei minha vida toda lá.

Jogou com o irmão do Sasha lá, o Xuxa (que não seguiu carreira no futebol)?
O Sasha eu vi crescendo, era um piazinho.

Quer fazer algo pelo Rubem Berta?
Eu quero. Eu devo isto. Não só pelo Rubem Berta, mas pela galera que jogou comigo. Tinha muita de qualidade no bairro. Eu sempre falo isso, ajuda um ali e, com certeza, tu vais ganhar mais para frente. Este é o objetivo.

O novo 8 do Beira-Rio: Anderson em sua essência, na coletiva de apresentação pelo Inter

03 de fevereiro de 2015 2

Alexandre Lops

Um Anderson prometendo muitos títulos pelos próximos quatro anos surgiu na sala de conferências do Beira-Rio. Vestindo vermelho e sorridente, o novo camisa 8 do Inter foi apresentado pelo diretor de futebol Carlos Pellegrini. Com exceção do sotaque do Rubem Berta, misturado com a pronúncia do Porto e com um acento de Manchester, Anderson foi Anderson em sua essência: respostas diretas e com a confiança de sempre. Em uma coletiva veloz, que durou oito minutos, o meia não fez rodeios. Entende que as críticas que recebeu na Europa são normais, lembrou que atuou com nomes como Cristinao Ronaldo, Rooney, Falcao García, Giggs, Evra, entre outros. Não titubeou sequer para responder sobre a escolha pelo Beira-Rio em vez de voltar para o Grêmio.
- Estava aberto a todos. Mas voltei para Porto Alegre porque o Inter me procurou. Porque o presidente sempre me deu atenção.
O meia de 26 anos se mostrou otimista com o seu retorno ao futebol brasileiro, disse que estará pronto para jogar na próxima semana (o Inter enfrentará o Cruzeiro, em Gravataí), garantiu estar em forma, brincou que agora usa apenas um celular (quando foi promovido aos profissionais do Grêmio utilizava dois aparelhos) e falou sobre o seu sentimento a respeito do Gre-Nal de 1° de março, no Beira-Rio:
- Meu espírito é ganhar, 100%. Vou dar o máximo. Este é o meu objetivo.

A seguir, os principais trechos da entrevista do novo reforço colorado:

A opção pelo Inter e a imagem de jogador gremista
“A volta para Porto Alegre foi porque o Inter me procurou, o presidente sempre me deu atenção, é um grande clube. Estava bem no Manchester, mas não jogava. E eu precisava jogar, precisava voltar para perto da minha família, das minhas filhas. Entrei pela porta da frente no Grêmio e saí pela porta da frente. Acho que fiz um grande trabalho lá (no Grêmio). Pronto. Agora, o meu clube é o Inter. A oportunidade estava aberta a todos, não só para o Grêmio. O Inter que se interessou mais. Sou um cara muito honesto, sincero. Respeito a torcida do Grêmio, mas é futebol. Acontece.”

O Manchester United
“É um clube pelo qual tenho um carinho grande. Passei oito anos da minha vida lá. Só tenho a agradecer aos jogadores e à torcida. Meus primeiros quatro anos foram fantásticos, ganhei tudo lá, até a Champions League e o Mundial. Depois, tive uma lesão grave, do ligamento cruzado (do joelho esquerdo). Voltei muito rápido, jogava, mas tinha uma diferença no joelho, quando voltava, arrebentava”.

Em que posição quer jogar
“Prefiro jogar, não interessa onde. No Grêmio, comecei mais à frente. No Porto, era o 10. No Manchester, tive que me adaptar à posição (de volante).”

Sonha ganhar o quê?
“Quero ganhar Libertadores, Brasileirão, que só tenho o da Série B, e agora quero ganhar um pela Série A, e um Gauchão, que ainda não tenho.

Seleção Brasileira
“Por mim, jogava amanhã. Me vejo como uma aposta, uma promessa, tenho só 26 anos e muito a dar ao futebol.”

Missão Anderson: Inter conta as horas a fim de apresentar o novo reforço para a Libertadores

29 de janeiro de 2015 8

 OLI SCARFF/AFP / AFP

Anderson está trocando o vermelho do Manchester United pelo vermelho do Inter.
O herói gremista da Batalha dos Aflitos estuda a volta para Porto Alegre, desta vez para jogar no Beira-Rio. Fora dos planos de Louis van Gaal, o camisa 28 foi liberado para se acertar com o clube gaúcho.

Já há um acordo salarial na casa dos R$ 500 mil mensais. Para que a nova contratação seja anunciada, resta uma definição sobre as luvas ao meia de 26 anos. O jogador quer cerca de R$ 5 milhões. A direção colorada fez uma contraproposta e tenta diluir o pagamento pelas quatro temporadas de contrato. Caso a negociação seja concretizada, o que poderá ocorrer nas próximas horas, Anderson será do Inter até janeiro de 2019.

No Beira-Rio, o Anderson que povoa os sonhos é aquele talentoso armador do Porto e um volante vigoroso que chegou à Seleção Brasileira, após os primeiros meses de Old Trafford. Na temporada 2013/2014, ele esteve emprestado por seis meses à Fiorentina. De volta ao Manchester, foi relacionado para apenas dois jogos. Sua última partida ocorreu em 26 de agosto, pela Copa da Liga Inglesa, quando Van Gaal escalou jovens, reservas e Anderson contra o modesto Milton Keynes, da terceira divisão.
O Manchester levou 4 a 0, fora de casa, e foi eliminado.

Anderson foi vendido pelo Porto ao Manchester, em 2007, por R$ 108 milhões. Hoje, já sem perspectivas para o meia, tenta se livrar de seu salário, de R$ 700 mil. Em sete temporadas, Anderson fez 179 partidas pelo clube inglês e marcou nove gols. No ano passado, ele foi oferecido à dupla Gre-Nal, ao Santos e ao Flamengo.

Apesar de temporadas recentes pífias, no Inter, o desejo é utilizá-lo como armador. Além de Anderson, o Inter pretende realizar mais uma contratação. Um atacante sul-americano que atua na Europa. Há pressa nas negociações. Afinal, o clube precisa encaminhar a relação de 30 jogadores para a Conmebol até o dia 16 de fevereiro – 24 horas antes da estreia na Libertadores, contra Monarcas Morelia (MEX) ou The Strongest (BOL).

Vitorio Piffero é o novo presidente do Inter e nova direção aguarda o "sim" de Tite para anunciar o técnico

13 de dezembro de 2014 1

Diego Vara

Vitorio Piffero é o novo presidente do Inter. Com 15.051 votos (71,7%) contra 5.927 votos (28,3%) recebidos por Marcelo Medeiros, o oposicionista volta a assumir o clube, agora para o biênio 2015/2016. No total, 21.292 associados votaram. Um número bem abaixo do esperado.

Piffero foi presidente do Inter de 2007 a 2010, período no qual o clube conquistou a Copa Dubai, duas vezes o Gauchão, a Copa Sul-Americana, a Recopa e o bicampeonato da Libertadores.

Ainda sem técnico contratado, a gestão Vitorio Piffero negocia com Tite (que também tem proposta do Corinthians). Caso Tite, com quem Piffero foi campeão da Sul-Americana, não aceite a oferta colorada (que propôs salários de R$ 600 mil mensais e contrato de dois anos ao técnico, contra os R$ 400 mil e um ano de contrato oferecidos a ele pelo Corinthians), cuja resposta é esperada para a segunda-feira, o Inter se voltará para Abel Braga. O uruguaio Diego Aguirre, ex-atacante do Inter, surge como Plano C, enquanto Celso Roth estaria completamente descartado e tem seu nome negado com veemência pela nova direção.

O Inter já tem um primeiro reforço para encarar ar a Libertadores, a partir de fevereiro: o uruguaio Giorgian De Arrascaeta, contratado ao Defensor pelo investidor Delcir Sonda. O volante Nilton, do Cruzeiro, deverá ser o segundo. O atacante Rafael Sobis quer voltar ao Beira-Rio. está deixando o Fluminense e não quer ir para o México, onde o Tigres fez proposta para tê-lo. Este retorno, porém, ainda é alvo de debates entre a nova direção. Mas dificilmente será contratado.

- Assim que eu tiver o meu departamento de futebol, e não será hoje, anunciaremos o nome do novo técnico. Vamos fazer um time forte para conquistar os títulos. Contrataremos quatro jogadores para serem titulares – disse Vitorio Piffero.

Eleição para o Conselho Deliberativo:
Quatro das cinco chapas conseguiram eleger conselheiros para a renovação de metade de CD do Inter. Para obter cadeiras no Conselho era preciso conquistar pelo menos 15% do total de votos.

Confira:
Chapa 01 – A situação certa
4.887 votos – 23,7% (elegeu 39 conselheiros)

Chapa 02 – Piffero, juntos somos Gigantes
6.829 votos – 32,3% (elegeu 55 conselheiros)

Chapa 03 – Tô com o Siegmann
2.344 votos – 11,1% (não elegeu conselheiros)

Chapa 04 – Nosso Clube Sem Barreiras
3.834 votos 18,1% (elegeu 31 conselheiros)

Chapa 09 – Inove Inter
3.201 votos – 15,1% (elegeu 25 conselheiros)

De Boca Juniors a Nacional, passando pela altitude de La Paz: Quem estará na pré-Libertadores (com Inter ou Grêmio)

24 de novembro de 2014 4

Diego Vara

Fernando Gomes

É quase certo que haverá apenas um gaúcho na Libertadores 2015. E, mais provável ainda, que esta vaga seja para a pré-Libertadores. Assim, a Copa começará antes para Inter ou Grêmio entre 4 e 11 de fevereiro.

Em 2012, o Inter jogou a pré-Libertadores, passando pelos colombianos do Once Caldas. Em 2013, a última vez que o gaúcho se classificou via pré-Libertadores, o Grêmio passou pela LDU. Curiosamente, o colombiano e o equatoriano poderão estar na pré-Libertadores uma vez mais (nas fotos acima). Assim como ícones do futebol sul-americano e campeões da Copa, como Boca Juniors e Nacional (URU), ambos já instalados na pré-Libertadores.
Ou seja: Sem molezas.
O sorteio dos grupos da Libertadores e mata-matas da pré-Libertadores ocorrerão em 2 de dezembro, na sede da Conmebol, em Luque (Paraguai).

No total, são 12 vagas para os mata-matas da pré-Libertadores.

Confira quem já está classificado para a pré-Libertadores:
- Boca Juniors (Argentina)
- Nacional (Uruguai)
- The Strongest (Bolívia)
- Morelia (México)
- Deportivo Táchira (Venezuela)
- Alianza Lima (Peru)

Quem ainda pode entrar na pré-Libertadores:
- Campeão da Copa Argentina (Huracán ou Rosario Central)
- Melhor clube do Paraguai, não-campeão de turno
- Campeão da Liguilla do Chile
- Melhor clube da Colômbia não-campeão de turno
- Melhor clube do Equador não-campeão de turno
- Quarto ou quinto colocado do Brasileirão

Quem já está classificado à fase de grupos da Libertadores:
- Cruzeiro (Brasil)
- São Paulo (Brasil)
- Vélez Sarsfield (Argentina)
- River Plate (Argentina)
- San Lorenzo (Argentina)
- Nacional de Medellín (Colômbia)
- Danubio (Uruguai)
- Wanderes (Uruguai)
- Universtiário Sucre (Bolívia)
- San José (Bolívia)
- Mineros de Guayana (Venezuela)
- Zamora (Venezuela)
- Juan Aurich (Peru)
- Alianza Lima (Peru)
- Libertad (Paraguai)
- Colo-Colo (Chile)
- Tigres (México)
- Atlas (México)

Tataraneto do patrono do Grêmio é dono de clube de futebol nos Estados Unidos: O Miami Dade FC

16 de novembro de 2014 1

Divulgação

O mais novo dono de um clube de futebol nos Estados Unidos nasceu em Porto Alegre, ex-jogador da base do Grêmio e tataraneto do primeiro patrono gremista, Aurélio de Lima Py. Roberto Linck Júnior (na foto, apresentando a nova camiseta do clube), 26 anos, fundou em maio o Miami Dade FC. Dade foi um sargento do exército norte-americano e que, depois de morto em combate, emprestou seu nome ao condado em que Roberto vive e no qual o clube com alma gaúcha foi idealizado.

Os pais de Roberto se mudaram para Miami há 12 anos. A família havia trocado Porto Alegre por Florianópolis em busca de novas oportunidades de trabalho e de maior segurança. No Grêmio, Beto atuava como meia-atacante no time de Anderson, deixou o clube, embarcou com a família, mas não ficou na Flórida. Morou na Califórnia, estudou em Chicago, rodou os Estados Unidos.

- Se tivesse ficado no clube, talvez tivesse participado da Batalha dos Aflitos. Teria sido divertido – brinca o proprietário do Miami Dade.

Depois de terminar os estudos, foi tentar ser jogador na Europa. Na base do peitaço. Rodou pela Itália e Holanda, em intermináveis peneiras. Conseguiu jogar na segunda divisão romena, defendendo o Ramnicu Valcea. Entre os seus contatos nos Estados Unidos, Roberto conheceu Thomas Di Benedetto, o empresário que liderou o grupo de investidores que adquiriu a Roma, em 2011. Benedetto ofereceu um teste na Itália para o gaúcho. E Roma foi crucial para o início do Miami Dade.

- Estávamos em um churrasco, jogando uma pelada, quando recebi uma falta e fraturei a tíbia. Acabei voltando a Miami para realizar o tratamento e ficar perto da família de novo – conta o neo dirigente.

Recuperado da contusão, Roberto decidiu que era chegada a hora de, enfim, morar em Miami. Mas queria seguir jogando e, na cidade, não havia clubes de futebol. O Miami Fusion, que chegou a jogar na MLS (a principal liga do país), fechou as portas em 2001. Passou a contatar dirigentes de clubes importantes em passagem pela cidade e, um dia, ouviu um conselho do vice-presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu:

- Você não precisa ter dinheiro para formar um clube de futebol: precisa ter a ideia e fazer com que esta ideia gere dinheiro.

Os contatos seguiram, Roberto criou o Linck Group e, a partir de novas parcerias _ uma delas com o ex-lateral da Seleção Brasileira Roberto Carlos _, montou o projeto do Miami Dade. Sucesso imediato, em três meses o clube de Roberto Linck Júnior conquistou a NAL (National Adult League, uma espécie de quarta divisão) e garantiu vaga ao US Open Cup (torneio aos moldes da Copa do Brasil), torneio que disputará a partir de janeiro.

- Tenho muito orgulho de seguir os passos de meu tataravô. Um dia quero montar um projeto no Rio Grande do Sul. Quero voltar à minha cidade, criar um novo clube ou fazer parceria com uma equipe. Minhas raízes estão em Porto Alegre – diz Roberto.- O Miami Dade tem 33 jogadores, de 12 nacionalidades diferentes (brasileiros, marfinenses, mexicanos, norte-americanos, argentinos, porto-riquenhos, ingleses, belgas, uruguaios, italianos, nigerianos e colombianos). A NAL permite número ilimitado de estrangeiros, a fim de desenvolver o futebol nos Estados Unidos – destaca o gaúcho empreendedor.

Gre-Nal em Miami

Um dos projetos de Linck é realizar o primeiro Gre-Nal nos Estados Unidos. No recente recesso da Copa do Mundo levou o Cruzeiro para enfrentar o Miami Dade. Foram dois amistosos (com duas derrotas de Miami), com público de 30 mil torcedores por partida _ a maioria formada por brasileiros. No começo da temporada, ainda sem o Miami Dade ter sido fundado, Linck tentou levar a dupla Gre-Nal para a cidade. O Inter aceitou, mas o Grêmio não deu resposta.

- Ainda realizarei este sonho de trazer os dois para cá. Grêmio e Inter precisa descobrir o mercado dos Estados Unidos. Precisam explorar este mercado. Real Madrid, Manchester United, todos os grandes da Europa já descobriram um país que tem 25 milhões de jogadores federados, contra 13 milhões do Brasil, por exemplo – afirma Linck que, para 2015, projeta levar a Inter de Milão para um amistoso em Miami.

Green Card

Apesar do salário médio de US$ 3 mil (o que a dupla Gre-Nal paga para juvenis ou juniores, por exemplo) e das bolsas de estudos, o principal atrativo dos clubes das ligas menores _ como é o caso atual do Miami – é o Green Card (o documento que torna um estrangeiro cidadão norte-americano, com todos os direitos e deveres).

- Muitos jogadores buscam nosso mercado para poder viver aqui depois. O Valderrama (astro da seleção colombiana, que atuou no Tampa Bay Mutiny, Miami Fusion e Colorado Rapids) fez isto. Veio para cá atraído pelo Green Card – explica Linck Júnior.

Aplicativo

Uma das fontes de renda do Miami Dade é um aplicativo, desenvolvido por Roberto Linck Júnior em parceria com o ex-lateral da Seleção Brasileira Roberto Carlos. Com o Ginga Scout, o app que estampa a camisa do clube, qualquer atleta pode apresentar as suas qualidades e até postar seus vídeos, que serão acessados por treinadores mundo afora e, sobretudo, por técnicos de universidades norte-americanas.

- Os treinadores podem escolher os jogadores que desejarem e, nos caso de os atletas optarem pelos Estados Unidos, ganham bolsas de estudos para jogar aqui – conta o dirigente gaúcho.

O projeto do Miami Dade é chegar à MLS (Major League Soccer). Para isto, porém, é preciso comprar uma vaga na competição, ao preço de US$ 75 milhões. Um valor alto demais para o novato clube. Ainda mais agora que Miami terá, a partir de 2015, um clube na MLS. O inglês David Beckham será o dono da nova franquia, ainda sem nome.

- Quem sabe um dia consigamos investir em uma franquia ou mesmo fazer uma parceria com Beckham? – sonha Linck.

Por enquanto, sem estádio próprio, o Dade joga no campo da universidade Saint Thomas, que abriga um público de apenas 2,4 mil torcedores e cujos ingressos custam US$ 10.

Grêmio e clube à beira-mar

Homem de negócios, Linck deixa de lado a paixão gremista quando o tema é “business”. Como pretende fazer parcerias futuras com a dupla Gre-Nal, sugere um empate nesse domingo, no clássico da Arena. Pretende voltar a Porto Alegre para realizar negócios.

- Quero muito ter um clube no Gauchão. Talvez em Porto Alegre ou na praia. Em Atlântida, por exemplo. Um clube ao estilo Traffic, que tem o Desportivo Brasil e o Estoril (em Portugal), para formar jogadores e dar uma chance a eles no mercado dos Estados Unidos – declara Roberto Linck Júnior, o gaúcho dono de um clube de futebol em Miami.

Quem foi Aurélio de Lima Py

Nascido em Bagé, Aurélio de Lima Py estudou em Porto Alegre e se formou em medicina no Rio de Janeiro. De volta a Porto Alegre, em 1906, se estabeleceu na capital gaúcha e passou a participar da vida do Grêmio _ fundado três anos antes. Em 1912, assumiu pela primeira vez a presidência do Grêmio. Comandou o clube por nove anos. Foi aclamado o primeiro patrono do Grêmio (os outros dois são Fernando Kroeff e Hélio Dourado). Py morreu em 1949, 19 anos depois de ter deixado pela última vez a presidência do clube.

 
* Colaborou Wendell Ferreira