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Posts na categoria "Inter"

Inter bate U. de Chile e assume vice-liderança no Grupo 4 da Libertadores. Na véspera do Gre-Nal, titulares vencem a 1ª no ano

26 de fevereiro de 2015 0

Ricardo Duarte

Um Inter minimamente organizado (talvez pela primeira vez no ano) e com o domínio das ações durante boa parte do jogo, surgiu no Beira-Rio diante da Universidad de Chile. Venceu por 3 a 1 e assumiu a segunda colocação no grupo 4 da Libertadores. Na quarta-feira, de novo no Beira-Rio, terá um jogo decisivo contra o líder da chave, o Emelec – e no domingo haverá Gre-Nal, também no Beira-Rio, pelo campeonato estadual.

O Inter poderia ter feito o 1 a 0 nos chilenos ainda no começo do primeiro tempo. Dois lances de faltas deveriam ter resultado em pênaltis, um em Jorge Henrique, outro em Vitinho. Os de Santiago começavam a conter o Inter a faltas.

Apesar da posse de bola, porém, o ataque colorado era algo insosso, sem penetração e sem grande contundência área adentro. O primeiro tempo escorria para o final quando D’Alessandro teve a camisa puxada na área e, dessa vez, o árbitro deu o pênalti – e foi o menos claro dos três. D’Alessandro cobrou aos 46 minutos e fez o merecido 1 a 0.

No segundo tempo, a Universidad de Chile buscou o empate. Logo a dois minutos, Ubilla caiu na área, entre dois colorados. O árbitro, a léguas de distância do lance, não marcou pênalti, em uma jogada duvidosa. Não demorou para que Alex fosse a campo. Mas a saída de Vitinho, em vez de Jorge Henrique, fez com que Diego Aguirre fosse vaiado. Com menos de quatro minutos em campo, Alex lançou Jorge Henrique que parecia ter voltado no tempo, correu como nunca no Inter e marcou o 2 a 0 contra os chilenos.

O Inter relaxou e cedeu espaços. Canales descontou e foi para cima do Inter. Para evitar a pressão, Aguirre trocou Jorge Henrique por Nico Freitas. O 3 a 1 do desafogo e que confirmou o Inter na vice-liderança do Grupo 4 começou em um passe de Nilton para Aránguiz, que deu um lançamento espetacular para Sasha marcar o gol que encaminhou a partida.

Os titulares de Aguirre venceram a primeira na temporada – com um público de 35.833 torcedores, que deixaram nos cofres do clube uma renda superior a R$ 1 milhão. Os triunfos anteriores haviam sido conquistados pelo time reserva. O Inter cresce na temporada na Libertadores e na véspera do Gre-Nal, válido pelo Gauchão. Contra o Grêmio, o Inter poderá ter até meio time de suplentes no clássico do Beira-Rio.

Alex comanda vitória do Inter em Rio Grande e pede passagem para o time da Libertadores

22 de fevereiro de 2015 6

Lauro Alves

Alisson
Bem posicionado, fez duas defesas difíceis. Nota 7

Winck
Começou entusiasmado, subindo o tempo todo. Depois, foi recuando. Nota 6

Réver
Ainda busca o melhor ritmo de jogo. Fez o lançamento para o 1° gol de Alex. Nota 6

Juan
Boa atuação, seguro, apesar de não jogar desde outubro. Saiu cansado. Nota 7

Alan Ruschel
Apoiou pouco. Salvou um gol no primeiro tempo, falhou no gol do São Paulo. Nota 5

Nicolás Freitas
Eficiente no combate aos atacantes e aos meias. Joga duro, firme nos desarmes. Nota 7

Nilton
Alguma dificuldade contra a velocidade do ataque. Bem no 2° tempo. Nota 6

Jorge Henrique
Três boas arrancadas e um pênalti sofrido. O ostracismo lhe fez bem. Nota 7

Anderson
Não faltou entusiasmo, deu uma arrancada 40 metros, mas errou muitos passes. Nota 6

Alex
De novo, o melhor em campo. Está merecendo uma chance no time principal. Nota 8

Nilmar
Já se vão mais de cinco meses desde a volta ao Inter e Nilmar segue devendo. Nota 5

Paulão
Mal posicionado, chegou atrasado na cobertura do gol de Edimar. Nota 5

Rafael Moura
Parecia nervoso. Deu um pescoção em um adversário e, depois, levou o amarelo. Nota 4.

Rodrigo Dourado
Tentou repetir a boa atuação de Freitas. Nota 5

Pela Libertadores, Inter cumpre promessa, preenche cota de gringos e eleva a folha para R$ 12 milhões

20 de fevereiro de 2015 13

Foto: olweb.fr / Divulgação
Foto: olweb.fr / Divulgação

Não falta esforço para a direção do Inter na busca de reforços para realizar uma boa campanha na Libertadores e tentar o tricampeonato – apesar do trôpego começo de campanha em La Paz, com a derrota por 3 a 1 para o The Strongest. Com a contratação de Lisandro López, o atacante argentino havia sido oferecido ao Beira-Rio ainda em 2013, mas, na época, não houve como trazê-lo de volta à América do Sul.

Com Lisandro – que deverá ser apresentado na próxima semana e deverá assinar um contrato por até três temporadas -, o presidente Vitorio Piffero e o diretor de futebol Carlos Pellegrini cumprem uma das promessas da eleição: preencher a cota de estrangeiros. Além de D’Alessandro, Aránguiz e Luque, agora o clube conta com Nico Freitas e Lisandro Lopez. São três argentinos, um chileno e um uruguaio.

Mais: após a saída de diversos jogadores ao final da temporada passada, o Inter retoma os investimentos e devolve a folha do futebol para a casa dos R$ 12 milhões mensais.

Ainda que Lisandro López estivesse jogando no Al-Gharafa, do Catar, ele passará por um período de retreinamento e passará a ser utilizado no Gauchão, até que possa ser inscrito na Libertadores, a partir das oitavas de final – caso o Inter esteja lá -, ao final de abril. López foi indicação do técnico Diego Aguirre. Assim como o uruguaio Nico Freitas.

Em 2015, o Inter já contratou Réver, Vitinho, Anderson, Léo, Nilton, Nico Freitas e Lisandro López.

O Anderson volante está sepultado no Inter. Agora, ele será armador ou meia-atacante

19 de fevereiro de 2015 9

Alexandre Lops

Anderson, atuando como volante, jamais será visto outra vez com a camisa do Inter. Ao menos não com Diego Aguirre. O treinador reconheceu que precisava fazer este teste, afinal, o camisa 8 jogou assim no Manchester United. Mas não gostou do que viu. E quer Anderson mais à frente, como armador ou até mesmo como meia-atacante.

- Aránguiz é um jogador que pode defender e atacar. Anderson é para atuar mais à frente. Tentei colocá-lo como um jogador mais defensivo, mas ele está com alguma dificuldade. Tem que pegar ritmo de jogo. É mais ofensivo do que Aránguiz. Anderson é um jogador para atuar mais perto da área do adversário – disse Aguirre, ontem, em entrevista à Rádio Gre-Nal.

Anderson será titular nesse domingo, contra o São Paulo, em Rio Grande. E deverá começar a partida contra La U, na quinta-feira, no Beira-Rio, pela segunda rodada da Libertadores.

Por que The Strongest?

13 de fevereiro de 2015 3

Foto: Aizar Raldes / AFP
Foto: Aizar Raldes / AFP

Adversário do Inter na abertura da Libertadores, nessa terça-feira, em La Paz, o The Strongest possui um dos nomes mais curiosos da América. Afinal, por que um time boliviano se chama “O Mais Forte”?

Foi assim: a partir de 1899, começaram a surgir clubes de futebol na Bolívia. Em La Paz, nasceram o La Paz Football Club, que depois virou Bolivian Rangers FC, e o The Thunders FC. Depois vieram o Dread Club e o Victory Club (todos nomes em inglês por influência dos inventores do futebol, como Sport Club Internacional e Grêmio Foot-ball Porto Alegrense, por exemplo). Mas nenhum deles durou muito tempo. Fechavam e reabriam ou mudavam de nome.

Foi então que, em 1908, um grupo de amigos se reuniu em La Paz a fim de fundar e jogar por um clube que realmente se mantivesse por bom tempo, que realmente fosse “o mais forte”. Foi aí que surgiu o “Strongest” (em inglês, mais forte). Mas, para dar ênfase mesmo ao novo clube, ele foi rebatizado: The Strongest (o mais forte).

O clube vingou e em 2015 comemorará 107 anos. Por causa das cores, o amarelo e o preto, ganhou o apelido de Tigre.

Aguirre vê Inter pronto para a Libertadores e que atletas decidiram que Anderson bateria o pênalti

12 de fevereiro de 2015 9

Lauro Alves

Pela terceira vez na temporada, os titulares do Inter jogaram e empataram. Desta vez, um 0 a 0 com o Cruzeiro, no Vieirão, em Gravataí. A equipe voltou a demonstrar as mesmas virtudes no ataque e os mesmos erros defensivos. Anderson estreou com a personalidade costumeira. Fez boas jogadas e errou um pênalti. Mas assim que estiver em ritmo de competição será titular.

No sábado, o Inter levará um time reserva ao Centenário para enfrentar o Caxias. Com Anderson e Réver reforçando a equipe. Na segunda-feira, a delegação embarcará para a Bolívia. No dia seguinte, estreará nos 3,6 mil metros de altitude de La Paz, contra o The Strongest. E há chances de Anderson começar a partida pela Libertadores.

- Sinto que o time está melhorando. É verdade que não vencemos, mas isto faz parte de um processo que estamos vivendo. Merecíamos o gol, mas não tivemos tranquilidade para marcar. Temos que ter calma para continuar e tentar ganhar o próximo jogo – disse o técnico Diego Aguirre.

Ainda que o clube seja apenas o sexto colocado no Gauchão, uma campanha totalmente oposta aos investimentos feitos no futebol, o treinador uruguaio entende que a equipe está pronta para a estreia na Libertadores. Elogiou as atuações de Nilton e de Aránguiz, além de destacar a solidariedade de Vitinho e de Sasha na marcação. Garantiu que ainda utilizará a partida de sábado para definir a escalação para La Paz.

- O time está pronto, está bem e com muita ansiedade para o começo da Libertadores. Será um jogo complicado. Temos que tomar precauções, é uma partida especial, diferente. No domingo resolverei quem jogará em La Paz – afirmou Aguirre.

Causou alguma surpresa Anderson e seus menos de 20 minutos de Inter cobrar o pênalti (mal marcado pelo árbitro), em vez de D’Alessandro, o batedor oficial.
- D’Alessandro não bateu porque decidiram (os jogadores) que o Anderson bateria. Quem se sente bem e que pensa que vai marcar, bate. Anderson bate bem na bola – justificou Diego Aguirre.

Mesmo elogiado pelo técnico, o volante Nilton deixou o campo irritado com alguns torcedores. Foi apupado ao ser substituído por Luque e trocou xingamentos perto do alambrado. Questionado sobre o incidente, comentou:
- Foi coisa de meia-dúzia de babacas.

O diretor de futebol Carlos Pellegrini destacou o crescimento da equipe. Entende que Anderson e D’Alessandro já demonstraram algum entendimento em campo.
- O resultado não tem acontecido, é verdade. Mas vi muitas coisas boas, tivemos várias chances de gol. O time está começando a crescer e a pegar corpo. Anderson e D’Alessandro se buscaram em campo – declarou Pellegrini.

O dirigente destacou a chegada do volante uruguaio Nicolás Freitas e garantiu que o elenco está fechado para ser inscrito na Libertadores, amanhã. O atacante argentino Lisando López, do Al-Gharafa, poderá ser contratado para as oitavas.
- Para iniciar a Libertadores, este é o nosso plantel. Ao longo do ano, ainda vamos acrescentar – concluiu o dirigente.

Apesar dos elogios internos, o Inter sabe que precisa vencer para ganhar confiança. A Libertadores começará na terça-feira e o Grupo 4, com Inter, The Strongest, Universidad de Chile e Emelec, não surge como um dos mais fáceis do torneio.

Na estreia de Anderson, Muriel é o destaque do Inter

11 de fevereiro de 2015 4

Lauro Alves

Muriel
De novo, um dos destaques de uma defesa que vaza. Nota 8

Léo
Voluntarioso. Mas errou quase todo os cruzamentos. Nota 4

Ernando
Ficou exposto e no mano a mano em diversos lances. Nota 5

Alan Costa
Engrossou e saiu a chutões, quando necessário. Nota 6

Fabrício
Recebeu um cartão cedo e deixou de marcar. Nota 4

Nilton
Precisa de ajuda na marcação. Nota 4

Aránguiz
Foi batido algumas vezes pelo meia Wagner. Nota 5

D’Alessandro
Dos mais esforçados. Correu para todos os lados. Nota 6

Sasha
É o principal atacante do Inter. E até recuou para marcar. Nota 7

Vitinho
Vem sendo o melhor complemento a Sasha. Nota 6

Nilmar
Algumas jogadas de grandes plasticidade e pouca efetividade. Nota 5

Anderson
Personalidade para cobrar o pênalti. Errou. Assim que estiver com ritmo de jogo será titular absoluto. Nota 6

Luque
Entrou no final. Sem nota

Cotação: As notas para a (sofrida) primeira vitória do Inter em 2015

07 de fevereiro de 2015 10

Lauro Alves

Muriel
Salvou o Inter em pelo menos dois momentos. Nota 7

Léo
Teve espaços para avançar. Poderia ter colaborado mais com o ataque. Nota 5

Alan Costa
Está pedindo passagem para o time titular. Um paredão dentro da área. Nota 8

Réver
Ainda precisará buscar muito ritmo de jogo. Perdeu o duelo contra Leandrão. Nota 5

Alan Ruschel
Alguma dificuldade inicial com os avanços de Magrão e de Leandrão. Nota 6

Bertotto
Parecia inseguro com os avanços do Novo Hamburgo. Melhor no segundo tempo. Nota 5

Rodrigo Dourado
Outro que ficou sobrecarregado com a falta de marcação no meio-campo. Nota 5

Alex
Cresceu com as entradas de Nilmar e de Vitinho. Frieza ao marcar de pênalti. Nota 7

Valdívia
Correu para todos os lados na tentativa de organizar o ataque. Nota 6

Martín Luque
Começou bem, animado, arisco e dando piques. Mas errou muitos passes e cruzamentos. Nota 5

Rafael Moura
Sofreu o pênalti. E só. Nota 6

Vitinho
Depois que dá o primeiro toque na bola, só é parado a pancadas. Nota 7

Nilmar
Ainda parece um tanto distante do velho Nilmar. Nota 5

Alisson Farias
Entrou no final. Sem nota

Anderson manda a letra: "Quero ser ídolo no Inter"

07 de fevereiro de 2015 1

Alexandre Lops

Por Amanda Munhoz e Leandro Behs

Você ainda vai se surpreender com o novo Anderson. Falante, sempre foi. Sincero, também. O Anderson que voltou da Europa quase 10 anos depois de ter sido vendido pelo Grêmio ao Porto, e do Porto para o Manchester United, está maduro e sabe o que quer. Sonhava voltar a Porto Alegre. Queria ficar perto dos filhos. Cansou de passar Natal e Ano-Novo sozinho. Conta que precisava voltar a ser amado. O ostracismo dos últimos anos na Inglaterra o deixou carente de carinho. Quer virar ídolo do Inter. E foi contratado pela direção colorada para isto.

- Anderson quer muito jogar. E quer estrear logo na Libertadores também. Ele é desassombrado, tem a cara da Libertadores. Voltou a Porto Alegre para se tornar uma referência no futebol brasileiro – destaca o diretor de futebol Carlos Pellegrini.

Nesta entrevista a Zero Hora, concedida na quinta-feira, no CT Parque Gigante, minutos antes de correr para refazer a carteira de trabalho brasileira, o camisa 8 fala sobre família, saudades de casa, de como ignora as críticas da imprensa inglesa, da amizade com Cristiano Ronaldo, além de sobre conquistar títulos com o novo clube e até renovar com o Inter, que está saudável para jogar de quarta a domingo, sobre a Batalha dos Aflitos e em passar uns tempos na casa que manteve em Manchester ou na fazenda que tem, em Alegrete, “olhando o gado”, quando ficar velho. Também quer reconstruir o campo do Rubem Berta, no qual começou a jogar. Entende que deve isto à comunidade. É um caso raro nos dias de hoje de jogador que fala o que pensa, sem rodeios.

A seguir, os principais trechos da da entrevista:

Você está feliz?
Sou o mesmo cara de sempre e, sim, estou muito feliz, contente mesmo. Fazia tempo… Passei quase 10 anos fora. Minhas férias eram em maio. Aí, tinha que tirar os 30 dias. Passei oito anos sozinho, em Natal, em Ano-Novo. Liberava até a minha empregada, que era brasileira, para as festas e eu ficava sozinho. Era importante para ela ir ver a família, em Portugal, pois o marido dela era de lá. E eu passava sozinho, em hotel, ou com os jogadores do Manchester. Às vezes tinha até jogo. Foram oito anos passando o fim de ano em hotel porque na Inglaterra não para.

Estava com saudades de Porto Alegre?
Estava, sim. Chegou um momento no qual as minhas filhas começaram a perguntar onde eu estava, porque eu não estava aqui, porque eu não as levava na escola, ou eu ouvia um “quero ficar aí contigo um pouquinho, pai”. Então, era a hora de voltar. E não estava sendo muito usado no Manchester. Eu não estava mais confortável lá, precisava de um novo objetivo. Não estava mais animado, apesar de estar treinando muito bem nos últimos meses, mas não tinha a oportunidade de jogar. Falei com a minha família e com o meu empresário: “Ó, preciso jogar, não aguento mais. Não posso ficar mais um ano sem jogar”. No ano passado tive lesões, fui para a Fiorentina, mas fiz poucos jogos. Mas era o momento de voltar e apareceu esta proposta do Inter.

Você tem duas filhas?
Duas, não. Tenho quatro. Três meninas e um menino: Alícia e Isabela, as duas com quatro anos. Mas não são gêmeas, viu (risos)? São de mães diferentes. E a Giovana, de dois aninhos, e o Li Andow, que está com um ano. Mas não sou casado, tô na pista.

Como foi a investida do Inter?
Foi com o presidente. Ele sempre falou comigo, me deu confiança, perguntou como eu estava. Conversei com os jogadores, com Paulão, com Sidnei (ex-zagueiro do Inter e atualmente cedido pelo Benfica ao La Coruña). Eles elogiaram muito o clube. Perguntei como era a galera, disseram que o grupo é bom, uma galera tranquila. Aí, aceitei.

Carlos Macedo

Como você imagina que será a sua relação até mesmo com a cidade, dividida entre colorados e gremistas?
Cara, há pessoas que vão gostar. Há outras que não vão gostar. E ainda tem muita gente que vai te que me aturar. É o meu trabalho. Como te falei, recebi proposta do Inter. O Inter me quis. Sobre o Grêmio… Bem, saí pela porta da frente do clube. Quando estava lá, o Grêmio vivia uma fase complicada em termos de dinheiro. Eu tinha 16, 17 anos e poderia ter saído livre do Grêmio (para o Porto). Mas falei para o presidente (na época, Paulo Odone): “O que é meu é meu, o que é teu é teu”. Com a minha venda ele pôde manter o clube por mais dois anos. Depois, fui vendido do Porto para o Manchester e o Grêmio ganhou ainda mais dinheiro comigo. Agora estou no Inter e darei o meu máximo para sair pela porta da frente. Se sair.

Você já está adaptado ao Inter?
Estou muito feliz como tenho sido tratado. Aqui, no Inter, me senti bem de novo. Estou sendo bem tratado. Na verdade, eu precisava de amor. Jogador às vezes precisa de amor. Inter me deu isto. Não digo da boca para a fora. Todos me trataram superbem desde o primeiro dia. Isto me surpreendeu e me deixou feliz. Digo para os meus amigos: “Cara, eles estão me dando tudo aqui”. Quando entrar em campo darei 100% ao Inter.

Como você está fisicamente?
Cara, estou muito bem. Ouvi que estava gordo. Não. Estou em forma. Jornalistas falam o que querem. Não posso contestar, às vezes tentam crescer em cima do jogador. Respeito. Não jogo para jornalistas, jogo para o grupo. Estou sempre alegre, não tenho vaidades e quero ajudar. Se ganha o Anderson, ganha todo mundo. E no final do dia, todos estaremos em casa comemorando.

Você citou jornalistas. E os jornalistas ingleses? Eles te criticaram muito por lá. Por quê?
Sinceramente, não sei. Ganhei tudo ou quase tudo pelo Manchester. Renovei duas ou três vezes com ele. Se você está mal no clube, você não renova. Trabalhei lá com o melhor treinador do mundo, o senhor Alex Ferguson. Uma pessoa por quem tenho um respeito enorme. Antes de eu vir para cá ele me mandou uma mensagem: “Anderson, você é top, sabe da sua qualidade. Vai com Deus”. Pode perguntar para os jogadores e para a torcida do Manchester, eles me amam. A torcida cantou a minha música no último jogo (The Anderson Song – Better Than Kleberson; A Canção de Anderson – Melhor Que Kleberson, em referência ao pentacampeão com a Seleção Brasileira e que foi mal no Old Trafford). Desde que cheguei ganhei esta música da torcida. Jornal inglês, sabe como é: Falam o que querem. Ouço e fico na minha.

Estas críticas te incendeiam mais ainda para provar algo?
Sei a qualidade que tenho, sei quem eu sou. Não preciso provar nada para ninguém. Apenas para o meu treinador, para o meu presidente e para o meu time. Jogador que não está bem, passa 10 anos na Europa e ganha tudo, o que deve responder? Ronaldinho e Kaká são caras que ganharam tudo e que merecem respeito também. Jogador não vive de contar que jogou sete anos aqui, 10 anos ali. Jogador vive de títulos. Quando encerrar a carreira, vou poder contar para os meus filhos os títulos que ganhei e com quem joguei. Joguei com os melhores do mundo.

E que bagagem esta convivência com jogadores consagrados, como Cristiano Ronaldo, Rooney, Van Persie, entre outros, pode ser levada para o vestiário do Inter?
Que estes caras trabalham. Cristiano Ronaldo trabalha 24 horas por dia, se necessário. Nunca vi ninguém trabalhar tanto como ele. Ele se controla em tudo, desde a alimentação até ter que ir para um trabalho de piscina às 22h. Se há um erro, ele vai treinar até corrigi-lo. É um amigo particular. Ele é f…

Você também ficou assim?
Aprendi a trabalhar e a cuidar de mim. Você não se lesiona por acaso. Às vezes, tenta acelerar uma recuperação para ajudar. Joga cinco, seis partidas e arrebenta de novo. Não. Você tem que voltar quando está bem, para ajudar. Aprendi. Estou muito bem, cuido da minha alimentação. Cheguei bem e sem problema algum. Me falta jogo. É o que mais quero. Me dá cinco, seis jogos e estarei 100% de novo.

Como Aguirre pode aproveitar a sua chegada no meio-campo?
O treinador pode me usar onde deve achar que deve. Ele é o treinador. Vou dar o meu melhor. Se ele quiser me puxar um pouquinho mais trás, vou correr da mesma maneira, como se estivesse lá na frente. Eu quero é fazer gol, se eu puder. Vou jogar onde ele achar que eu deva ajudar. Se ele achar que eu tenho que ir pro gol, eu vou pro gol. Estou aqui para ajudar, como mais um jogador. O importante é onde ele acha que eu tenho que evoluir.

Sua estreia será na quarta-feira, diante do Cruzeiro, em Gravataí?
Espero estar lá na quarta. Depende da comissão técnica. Por mim, eu estaria neste (contra o São José). É esperar. Eu estou bem, me sinto bem.

Qual foi o maior problema do Inter no empate em 4 a 4 com São José, pelo Gauchão?
É complicado, foi apenas o segundo jogo. Entrou o Vitinho, que nunca havia jogado com o grupo. É o começo. Mas quando você tem um jogo que está ganhando de 3 a 0 e deixa empatar, no 4 a 4, é complicado. Ninguém gosta. Acho que, se tivesse ficado um pouco mais com a bola, jogasse mais rápido, com certeza, teria ficado com o resultado. Acho que o São José fez um belo jogo. Mas vamos para o próximo. É muito cedo para falar.

Como vai ser se readaptar ao futebol da América do Sul, que tem um estilo de jogo bem mais lento do que o da Inglaterra?
Eu falei com o meu amigo dia destas. Nosso time tem qualidade. Temos jogadores rápidos do meio para a frente: Sasha, Vitinho, D’Alessandro e Nilmar. Se acelerarmos na frente e apertarmos, podemos chegar lá em cima do mesmo nível (que um time europeu). É uma gurizada nova. Dá para ter um time europeu do meio para frente. Se acelerarmos um pouco mais, vai ser complicado para os outros times segurarem a gente. Futebol é aquilo, só ganha quem corre. A galera tem energia. Só falta estarmos ali juntos, segurar, correr e marcar.

Você está disposto ao sacrifício de atacar, defender?
Eu aprendi, fui obrigado. Não é porque eu estou aqui que vou mudar meu jeito de jogar. No Manchester, eu arrancava com a bola, mas tinha que voltar a marcar.

Apesar de sentir alguma solidão na Europa, como foram esses 10 anos fora?
Eu sou apaixonado pelo Manchester. Aquele clube para mim… Se perguntar para todo mundo, vão dizer: É o clube que ele ama. É o clube onde estive por oito anos. Apesar de (Cristiano) Ronaldo, Tévez, Evra terem ido embora, eu fiquei. Fiz grandes amizades no clube. Tenho casa lá. Não pretendo vender minha casa na Inglaterra. Já estava acostumado. Por exemplo, Natal e Ano-Novo… As datas que são importante no Brasil, para mim, lá não eram. No almoço, eu estava tomando leite e comendo comida. Sempre me adaptei bem.

E o inglês?
Nos primeiros três anos, foi f… Negrinho, que nunca fez escola, chegando em um lugar onde todo mundo fala diferente, é complicado. Em Portugal, era tranquilo. Quando me falaram que eu ia para Inglaterra, falei: “Pô, Inglaterra?” A língua era complicada. Chegando lá, morei com o (Cristiano) Ronaldo por um ano. Ele sempre cuidava de mim. E eu nunca fui um cara que tive vergonha. Apesar de tentar falar, eu falava errado mesmo.

Inglês ao estilo Joel Santana?
Eu falava. O (Cristiano) Ronaldo começou a implicar que eu não falava. Fui dar uma entrevista, e falei tudo errado. Mas, azar, eu tentei. A galera até dizia que eu estava lá há oito anos e não falava inglês. Mas eles me entendem. Eles entendem do jeito que eu falo. Posso falar errado, que eles sabem o que eu falo.

Nesse um ano morando com o Cristiano Ronaldo, teve muita festa?
Não. Tem horas, né? (Cristiano) Ronaldo não é de sair. É um cara complicado. Quem disser que Ronaldo é de festa, é mentira. Quem conhece ele, sabe. Às vezes, final de semana, que está ganhando tudo, ganhando todos os campeonatos, tem que sair, não vai ficar dentro de casa. Tem que curtir a vida. Pô, 20 anos, 21 anos, quer que eu fique dentro de casa? Tu aí, na tua idade, também sai.

Você é uma pessoa que também diz respeito às questões do Grêmio, é o grande nome da Batalha dos Aflitos. Lembrar deste fato é uma coisa que atrapalha o clube por não ter tido um outro grande título, além de três estaduais desde 2005? O que você pensa sobre isto?
O Grêmio é um clube grande. E a torcida espera muita coisa. Mas não adianta só a torcida. A diretoria tem que querer também, contratar gente, fazer pela torcida. O Grêmio… complicado. Um clube vive de títulos. E o Grêmio sempre manda o treinador embora. Agora, o Felipão acertou um pouco o time do Grêmio. Montou um pouco uma estrutura, mudou muita coisa. Mas não adianta só ele empurrar o barco contra 300, entendeu? Tem que puxar todo mundo, ir para o mesmo lado. O clube tem nome, é clube grande, tem novo estádio. Mas não adianta só os torcedores quererem e a diretoria não querer. Começa desde lá de cima até o porteiro.

Qual o teu objetivo no Inter?
É ganhar a Libertadores e o Brasileiro também. Quantos anos o Inter não ganha o Brasileiro (desde 1979)? Este é o objetivo de todo mundo.

Não se pode prever lesões, mas você se considera forte para aguentar a temporada toda?
Forte. Estou muito bem, graças a Deus. O que eu precisava eram jogos. Esta é a grande verdade. E é isto que eu vou fazer. No momento que eu estiver com quatro, cinco jogos seguidos, aí pode vir me cobrar. Me dá seis jogos, aí vou começar a aparecer. Não adianta jogar um e, depois de dois meses, jogar de novo. Não existe jogador que pegue condição física assim. Não adianta. Com Ferguson era assim: jogava uma partida, outra não. Mas estava sempre jogando, sempre bem.

Você suporta jogos às quartas e aos domingos, como é no Brasil?
Vou ter de jogar, sou obrigado a aguentar. Tenho 26 anos, tenho que aguentar. Minha condição física é diferente. Quando eu jogo e jogo de novo, fico melhor. Cada jogo, eu vou melhorando, até chegar a um patamar.

O seu objetivo também é voltar à Seleção Brasileira?
É. Mas meu objetivo primeiro é estar aqui. Mostrar porque eu vim aqui. Este é o meu objetivo.

Você pensa virar ídolo no Inter?
Virar ídolo, sair pela porta da frente. Entrei pela porta da frente, quero sair pela porta da frente. Este é o meu objetivo. Ganhar troféus, como o professor falou. Se tiver que ficar um, dois anos a mais para ganhar estes título… Dar o meu melhor ao grupo. Só depende da gente. Temos um grupo bom.

E depois que abandonar a carreira, o plano é voltar para a Europa?
Ah, não sei. Vou para a minha fazenda, em Alegrete. Ficar tranquilo com os meus gados, olhar as ovelhinhas passando. Depende. Minhas filhas estarão grandes, vou mandar elas para fora, para estudar.

Você voltou ao Rubem Berta depois da fama?
Voltei um dia. A galera disse que não estava muito seguro para voltar. Disseram que eu não precisava voltar, mas continuo falando com a galera por telefone. Penso agora, com calma. Quero ver se consigo falar com alguém lá de dentro para arrumar o Campão, que tem no meio (do bairro), para ajudar a galera. Joguei lá. Passei minha vida toda lá.

Jogou com o irmão do Sasha lá, o Xuxa (que não seguiu carreira no futebol)?
O Sasha eu vi crescendo, era um piazinho.

Quer fazer algo pelo Rubem Berta?
Eu quero. Eu devo isto. Não só pelo Rubem Berta, mas pela galera que jogou comigo. Tinha muita de qualidade no bairro. Eu sempre falo isso, ajuda um ali e, com certeza, tu vais ganhar mais para frente. Este é o objetivo.

O último empréstimo: Inter cederá Jorge Henrique ao Avaí

06 de fevereiro de 2015 1

Agência RBS

Depois de emprestar Wellington Paulista para o Coritiba e Ygor para o Goiás, o Inter está em vias de ceder um terceiro nome de grife: Jorge Henrique. O destino do meia-atacante deverá ser Santa Catarina. Mais precisamente o Avaí, que remonta a equipe a fim de disputar a Séria A nessa temporada. O Vasco chegou a se interessar pelo jogador, mas a transação não evoluiu. A negociação com os catarinenses deverá ter seu desfecho nesse final de semana.
Como Jorge Henrique tem contrato até o final do ano, ele não deverá retornar ao Beira-Rio – assim como Wellington Paulista e Ygor. O Inter deverá bancar grande parte dos vencimentos de Jorge Henrique na Ressacada.
O meia-atacante saiu dos planos de Diego Aguirre para a Libertadores depois que, lesionado, perdeu a pré-temporada de Bento Gonçalves. Mas acabou flagrado por torcedores no show da funkeira Valeska Popozuda, em uma boate de Porto Alegre – com o goleiro Dida. Os dois foram multados pela direção, Dida seguiu no elenco, enquanto Jorge Henrique já tinha o destino traçado: o empréstimo.