Ainda existe romantismo no futebol. Incomodados com a falta de informações sobre a reforma do Beira-Rio, muitas vezes barradas pela comunicação da Andrade Gutierrez e a do Inter, os amigos e sócios colorados Emílio Fialho, 41 anos, e Fernando Schröder, 32, criaram uma página no Facebook na qual passaram a postar as fotos que conseguiam do estádio e as informações que obtinham com engenheiros e operários com quem conversavam informalmente, em meio às caliças e buracos das obras do estádio. Se transformaram em uma espécie de vingadores da torcida. Isso foi há pouco mais de um ano. Aliás, as primeiras fotos foram obtidas na base do peitaço. Na foto, o trio Emílio Fialho (E), Gustavo Seganfredo Farias (no centro) e Cristian Vargas (D).
Impedido de acessar ao estádio para acompanhar a reforma, Fialho comprou um capacete de obra e colou nele o escudo do Inter. De repente, tinha um capacete igual ao dos operários da Andrade Gutierrez, ou seja: conseguiu a senha para driblar a segurança e um passe livre para ingressar no Beira-Rio. Descoberto, após a terceira visita, decidiu mudar um pouco a abordagem ao ouvir de um segurança um sugestivo "não faz mais isso, que tu podes tomar uma coça". Definitivamente, era chegada a hora de atacar nas redes sociais.
Começava ali a epopeia da trupe do Beira-Rio Gigante Para Sempre - SCI. Hoje, o grupo já conta com mais de 12,3 mil colaboradores, tem 6,5 mil fotos exclusivas e foi chamado para reuniões com a Andrade Gutierrez, a fim de auxiliá-los na divulgação das fotos e dos vídeos sobre a reforma do estádio.
- Estamos fazendo agora o que os colorados dos anos 60 fizeram, carregando tijolos para ajudar na construção do Beira-Rio. A diferença é que o nosso tijolo é digital. Ajudamos através da divulgação pelas redes sociais - diz Fialho.
O analista de sistemas acrescenta um detalhe que precipitou o surgimento da iniciativa: resgatar o orgulho colorado.
- O Beira-Rio estava em escombros, triste, e, agora, vemos ele renascer. Esse novo estádio será um grande impulso para o futuro do clube, com um desenho único a partir da cobertura - entende Emílio Fialho.
O grupo chamou a atenção também de movimentos políticos do clube, que tentaram cooptá-los. Tiveram o convite negado. A turma do Facebook não quer se envolver com questões eleitorais do Inter nem são permitidas discussões sobre time ou sobre o rival nas postagens e moderações do Beira-Rio Gigante Para Sempre (ou GPS). Só vale falar da reforma.
Muitas das fotos obtidas pelo grupo são de pessoas envolvidas com a obra. Logo, elas não podem aparecer. Problema? Nenhum. Para isso foi criado o personagem O Impostor do Beira-Rio.
- O Impostor é a assinatura daqueles que nos fornecem as fotos, mas que não podem aparecer - destaca Fialho.
Talvez o grande momento de glória do grupo até aqui tenha sido durante a instalação do primeiro braço da cobertura. Naquele 22 de março, a câmera instalada para a transmissão em tempo real pela internet, no apartamento de um dos integrantes do GPS, em frente ao Beira-Rio, parecia distante demais para os aficionados. Dois deles deixaram o trabalho de lado e foram para a frente do estádio, com laptops e câmeras nas mãos para transmitir de pertinho, ao vivo, a instalação. Gustavo Seganfredo Farias, 26 anos, desenvolvedor de web, e o empresário Cristian Vargas, 24, ficaram das 9h às 23h transmitindo o sobe e desce dos guindastes.
- As pessoas iam chegando e nos ajudando a segurar as câmeras. Teve até um senhor de idade que ficou nos auxiliando - conta Gustavo.
- Fizemos isso por amor ao Inter. Tenho certeza que estamos fazendo história - comemora Cristian.
O empenho da dupla fez com que eles ganhassem a mais alta honraria do grupo: um capacete vermelho, de obra, com a efígie de O Impostor.
- Não somos malucos, somos os últimos românticos do futebol - resume Fialho.









