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A direção mais democrática do Brasil - só faltam os resultados...

02 de fevereiro de 2014 11

Fernando Gomes

Poucas direções de futebol são tão democráticas com o seu vestiário quanto a do Inter. No ano passado, ela aceitou muxoxos dos jogadores para trocar Caxias do Sul por Novo Hamburgo. Uma viagem mais curta, com concentração menos demorada. Mudou. E os resultados, que já não eram lá grandes coisas, sumiram de vez. Ainda houve o Caso Willians, já no auge da crise, quando o volante deixou o gramado do Centenário, após o fraco 0 a 0 com o Coritiba, bradando contra o interino Clemer.
Ao ingressar no vestiário, Clemer foi comunicado a respeito da crítica pública (Willians disse ao deixar o campo: “Ele tem jogadores e não bota para jogar. Tem três substituições para fazer e não faz nada”) do volante e, ato contínuo, pegou Willians pelo colarinho na frente de todos os jogadores. Resultado: o corporativismo falou mais alto, houve comoção entre os atletas em prol do camisa 8 e o Inter, que já vinha de uma derrota por 3 a 1 no Serra Dourada, repetiu o placar de 0 a 0 ainda contra Corinthians e Ponte Preta – fazendo o mínimo necessário para permanecer na Série A.
Agora, sob o comando de Abel Braga, uma novidade: a concentração acabou. Ao menos para jogos comuns, como o desta noite contra o Cruzeiro – para o Gre-Nal do dia 9, ela deverá voltar. Bom para os jogadores, que não gostam de passar um dia e meio enfurnados em um hotel. Abel foi quem propôs a mudança, ao assinar com o Inter. Crê no exemplo do Botafogo de 2013, que aboliu a concentração – inicialmente por represália dos atletas, devido aos atrasos salariais.
Abel faz o estilo paizão da boleirada. Ganha o grupo com atitudes como essa. Mas também cobra. Adriano Gabiru, contratado em fevereiro de 2006, a pedido de Abel, com quem tinha trabalhado no Atlético-PR e na França, tinha algumas regalias (principalmente quanto a atrasos para as reapresentações) e também era cobrado na mesma medida pelo treinador.
Pois, uma vez mais, a direção de futebol do Inter toma uma medida a favor dos jogadores. Sonha ganhar o Brasileirão ou a Copa do Brasil. A pergunta que fica é: essa nova regalia também beneficiará o clube com bons resultados ou será como em 2013, quando o elenco teve o vestiário blindado por Dunga e quando jogou onde quis com resultados pífios?

Inter e o... mais do mesmo?

12 de dezembro de 2013 15

Mauro Vieira

Se os colorados pensam em um 2014 bem diferente desse 2013, talvez estejam enganados. Com um departamento de futebol fragilizado – uma vez que Luís César Souto de Moura e Marcelo Medeiros deixaram seus cargos, e Medeiros poderá voltar, com maior poder, como vice de futebol, ainda que seja uma segunda opção, porque Vitorio Piffero rejeitou o convite de Luigi para assumir a pasta -, o Inter recorre uma vez mais a um técnico com força de vestiário para o comando.
Assim como Dunga, Abel Braga é daqueles xerifes, que sabem levar a boleirada. Mas tem personalidade forte e se acostumou no Inter a trabalhar com Fernando Carvalho e com Vitorio Piffero. Mas o Inter mudou. Não há mais Carvalho nem Piffero – e o clube passa por uma guerra interna. O Beira-Rio repete a fórmula que não deu certo com Dunga, de entregar o vestiário ao treinador.
O Inter terá basicamente o Gauchão para disputar no primeiro semestre. E Abel precisará lidar com o tédio dos jogadores enquanto o Brasileirão não chega e a Copa do Brasil não esquenta. Depois de ganhar o Mundial e a Libertadores com o Inter e o Brasileirão com o Fluminense, Abel terá motivação para enfrentar os primeiros seis meses sem grandes emoções?

Após ouvir "não" de Dunga enquanto técnico do Inter, Hungria faz nova investida no treinador

28 de novembro de 2013 1
duna

Desempregado desde que foi demitido do Inter, em outubro, Dunga voltou a ter seu nome vinculado a uma seleção de futebol na imprensa europeia. Segundo o jornal Népszabadság, a Hungria tem o desejo de contar com o treinador.

Dunga recebeu proposta dos húngaros ainda quando era técnico do Inter. A tratativa incluía coordenar a seleção do país desde as categorias de base. Como tinha vínculo com o Beira-Rio até dezembro, negou a Europa. Uma nova investida deve ser feita até o final do ano.

Enquanto aguarda o contato, Dunga planeja uma viagem à Europa após o sorteio das chaves da Copa do Mundo, dia 6 de dezembro. Trabalhar na seleção japonesa ou em um clube da Itália também são realidades no futuro do ex-técnico do Inter.

Inter: A hora de cobrar os cascudos

23 de novembro de 2013 7

Bruno Alencastro

Na NBA existe uma máxima: nos últimos segundos de um jogo encruado, renhido, a bola precisa ir para as mãos do jogador mais experiente, muitas vezes o mais famoso e com o maior salário do time. Ele tem, sim, maior responsabilidade de definir uma partida do que os demais atletas. No futebol também é assim. Ou deveria ser. Depois de acumular tropeços e de desperdiçar 58 pontos no Brasileirão – e talvez até ter se arrependido pela demissão de Dunga -, o Inter, enfim, passou a tratar os cascudos como cascudos. Limpou o departamento médico, acelerou recuperações e cobrou reação daqueles nomes mais experimentados do elenco. Vencer o Coritiba (quatro pontos atrás do Inter e já um habitante do Z-4) passou a ser obrigação, a fim de preservar o patrimônio de Série A do clube.
Clemer fez o certo ao recolher os garotos – alguns já começavam a se queimar em meio às derrotas e atuações ruins do coletivo – e devolver os veteranos ao time. Afinal, os maiores salários têm a obrigação de decidir enquanto o cronômetro corre para o zero no Brasileirão. O time de R$ 9 milhões mensais já tropeçou demais no campeonato e deixou a torcida constrangida. Pouco se salvará de 2013. Agora, esse Inter tem uma mínima chance de se recuperar, reabrir o Beira-Rio na primeira divisão, entrar em férias e esperar a chegada de Abel Braga.

Souto de Moura: "Alguns de nossos antigos ídolos não são treinadores. Outros, sim. Clemer é treinador"

06 de novembro de 2013 4

Alexandre Lops/Divulgação Inter

Um mês atrás, Clemer liderava o Inter na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense e renovava as esperanças de os colorados voltarem às cercanias do G-4. Dunga havia sido demitido 48 horas antes, após quatro derrotas consecutivas. Com a vitória em Caxias do Sul sobre Vanderlei Luxemburgo o Inter deixava a 10ª colocação e subia para a 7ª. Mas a sequência não foi boa e, nestes primeiros 30 dias de Clemer à frente do time profissional, a realidade apresenta um time buscando de quatro a cinco pontos para permanecer na Série A. Os números de Clemer no Brasileirão já são inferiores aos de Dunga: 45,3% contra 38%.
Apesar do fraco aproveitamento, a direção elogia o desempenho do treinador, que entrou como interino e acabou efetivado para a sequência da temporada, depois que houve grande rejeição a Celso Roth, que Tite seguia empregado e que Abel Braga optou por seguir em férias.
_ Clemer faz um bom trabalho, considerando que assumiu na crise e que não teve tempo de preparação. Entrou direto no Brasileirão _ afirma o diretor de futebol Luís César Souto de Moura. _ Aliás, estou muito confiante com a partida contra o Botafogo. Acho que como aquela contra o Fluminense _ acrescenta o dirigente.
Ao ascender ao time profissional, Clemer passou a rejuvenescer o grupo, convocando jogadores da base, que já haviam trabalhado com ele. O atacante Valdívia foi o primeiro a receber uma chance real no time. Depois, o meia Alex Santana mais os volantes João Afonso (esse, fixado como titular) e Nathan. de alguma maneira, o Inter de Clemer dava a largada para 2014.
Souto de Moura segue os elogios a Clemer e lembra que o futuro do ex-goleiro no clube ainda não está definido, uma vez que a direção não definiu técnico para 2014. O dirigente ainda discorda sobre a afirmação que o Inter estaria queimando Clemer, assim como ocorreu anteriormente com os ídolos Figueroa, Carpegiani, Falcão, Fernandão e Dunga, todos demitidos após comandarem o Inter:
_ Alguns de nossos antigos ídolos não são treinadores. Outros, sim. Os que não são têm poucas chances de dar certo, mesmo sendo ídolos. Clemer, sim, é treinador. Experimentado. Fez um bom caminho, desde a base até o time principal. Clemer é um exemplo de que é treinador.

Inter demitiu Dunga porque temia brigar contra o rebaixamento no Brasileirão

04 de novembro de 2013 30

Felix Zucco

Permanecer na primeira divisão é um dos grandes orgulhos e pilares do Inter. A Série B, porém, apavora os colorados. O trauma por 2002, quando o clube deixou de cair nos minutos finais do Brasileirão, ainda é um corpo presente nos armários do Beira-Rio. Foi por isso que Dunga acabou demitido.
Na madrugada de 4 de outubro, após a quarta derrota consecutiva no Brasileirão, desta vez para o Vasco, os telefonemas não pararam entre conselheiros e dirigentes do Inter. Um dos mais experientes disse:
- Tem que demitir o Dunga agora. Já são quatro derrotas em sequência. Deste jeito, vamos parar na segunda divisão.
E assim foi feito. Dunga caiu, Celso Roth quase foi contratado, Abel Braga disse que seguiria em férias e Clemer abraçou a causa. Dunga saiu com 45,3% de aproveitamento no Brasileirão e na 10ª colocação. Com Clemer, o aproveitamento é de 38% e o Inter está na… 11ª posição.
Matematicamente, restam 4 pontos para que o clube se mantenha na Série A. segundo o site Infobola, o Inter ainda tem 2% de chances de ser rebaixado.

Desde a saída de Dunga, Inter já falou três vezes com Celso Roth

10 de outubro de 2013 10
Valdir Friolin

Valdir Friolin

Por Alexandre Ernst

alexandre.ernst@zerohora.com.br

A próxima semana antecede o Gre-Nal pelo Brasileirão, mas o foco do Inter está na Copa do Brasil. A segunda partida contra o Atlético-PR está marcada para o dia 23 e, para seguir na competição e ainda sonhar com uma vaga na Libertadores para o ano da reabertura do Beira-Rio, o clube precisa vencer ou empatar no Durival de Britto, em Curitiba, com o placar acima de 1 a 1, para ir às semifinais. Ainda que o desempenho de Clemer tenha sido satisfatório nos dois jogos em que comandou o clube, a corrida em busca de um treinador segue no Beira-Rio.

Celso Roth foi, mais uma vez, contatado pela direção do Inter. Desde que Dunga deixou o comando técnico do clube, já foram três conversas com o campeão da Copa Libertadores de 2010.

A ideia de ser visto como técnico-tampão não agrada ao treinador, mas as conversas a respeito da continuidade do trabalho em 2014 ganharam corpo. Com salário na casa dos R$ 400 mil, Roth poderia permanecer caso classificasse o Inter para a Libertadores _ quando teria seu salário aumentado se fosse mantido no cargo além da parada para a Copa do Mundo. Se no Estado Celso Roth enfrenta o desgosto da torcida, na Europa, há informações de que seu nome está prestigiado. O técnico seria alternativa para comandar o Torino.

Abel Braga, nome de maior prestígio no Beira-Rio segue na Europa, em férias com a família em Portugal. Uma reunião entre o presidente Giovanni Luigi e Abel Braga já ocorreu. E o Inter segue na espera pelo técnico do Mundial de 2006.

 

Recado para Dunga? Osmar Loss no Twitter: "Nada como um dia após o outro"

04 de outubro de 2013 18

osmarloss

A demissão de Dunga repercutiu fora do Estado. Em uma pessoa, em especial. Osmar Loss, ex-técnico das categorias de base do Inter, postou no Twitter uma frase um tanto enigmática, mas que foi recebida por colorados e amigos próximos ao treinador como uma “corneta” ao tetracampeão.

“Nada como um dia após o outro. Este é o futebol”, escreveu Loss no microblog.
Quando deixou o Inter para transferir-se ao Corinthians, rumores apontavam que o relacionamento de Osmar Loss e Dunga não era dos melhores. Dunga teria sido apontado, inclusive, como pivô para a saída de Loss do clube.

Luís César Souto de Moura: "Demitir o Dunga seria jogar para a torcida"

01 de outubro de 2013 29
moura

Em meio à pressão para a demissão do técnico Dunga e a cobrança por melhores resultados no Brasileirão, o diretor de futebol Luís César Souto de Moura recebeu Zero Hora. A conversa ocorreu no CT Parque Gigante, na manhã desta terça-feira, durante o último treino da equipe na Capital antes da viagem para o Rio, onde o Inter enfrenta o Vasco pela 25ª rodada do Brasileirão.

O dirigente falou sobre Brasileirão, Copa do Brasil, manifestações da torcida contra a gestão, a ida para Novo Hamburgo, o retorno para Caxias. Citou dificuldades, apontou as virtudes de Dunga e declarou que não foi surpresa ver Diego Forlán e Leandro Damião no banco de reservas contra o Cruzeiro.

— O grupo não está em dificuldade porque o Damião não está marcando gols.

Zero Hora — Como tem sido a pressão dos últimos dias para o departamento de futebol?

Luís César Souto de Moura — O clima é pesado, você recebe cobrança de todas direções, de todos os lados. Mas está sendo bom entre o grupo de dirigentes, comissão técnica, jogadores e funcionários. Quando ocorre uma crise, há uma tendência de o grupo se fragmentar. Ao contrário: está havendo uma aproximação das relações.

Zero Hora — E a cobrança externa, fora do Beira-Rio?

Souto de Moura — Está todo mundo ansioso. Ninguém esperava nada no início do ano, a partir do momento que ganhamos o Gauchão, a boa arrancada no Brasileiro, as contratações do nível que fizemos… deu uma certa euforia. Chegamos a estar na liderança do campeonato e isso gerou uma reversão completa da expectativa.

Zero Hora — Em que sentido?

Souto de Moura — No começo do ano, sem o Beira-Rio, o pensamento era da cautela: cuidar para não cair. Passado isso, com as contratações, bons resultados, passou-se para o “agora vai, agora é título”. Daí apareceram as dificuldades em campo. Quem está aqui no dia a dia, vendo o trabalho, sabe o potencial desse trabalho e sabe que o desempenho está aquém do potencial. Uma coisa que aprendi é que o futebol recebe mal as revoluções. É melhor optar pela reforma do que pela revolução. A revolução você sabe como começa, mas não sabe como termina. A reforma você faz passo a passo, mas daí tu tens de segurar a pressão.

Zero Hora — Em outras palavras: demitir o Dunga seria o mais fácil.

Souto de Moura — Não sei se seria o mais fácil, mas seria jogar para a torcida. A pior coisa que o dirigente pode fazer é jogar para a torcida, porque ele não vai ser racional. Tem de tomar a decisão pela análise aprofundada ou por fatores de gestão, não pelo clamor público. O clamor está contigo em um dia e deixa de estar no outro. Se temos convicção do que estamos fazendo, temos de fazer o que temos de fazer.

Zero Hora — O que o senhor quer dizer com o discurso da cautela?

Souto de Moura — Um planejamento bem feito costuma ter três cenários: o otimista, o pessimista e o realista. Você tem de estar preparado para os três. O otimista são os titulos.

Zero Hora — O pessimista seria cair para a segunda divisão?

Souto de Moura — Para nós, isso é impensável. Vou usar o termo do Wianey (Carlet, colunista de Zero Hora): “namorar o descenso”, ser ameaçado pelo descenso. Esse era o pessimista.

Zero Hora — E o realista?

Souto de Moura — É o que nós estamos vivendo, variando entre a sétima, a quinta, a quarta colocação no Brasileiro. Mas, lembrando: o campeonato ainda não terminou.

Zero Hora — Como um time despenca da liderança para a sétima colocação do Brasileiro?

Souto de Moura — Há um conjunto de fatores, um fenômeno com diversas variáveis. Algumas podemos trazer a público, outras não. Estamos tratando todas, isso é importante que se saiba. Nossa análise é profunda, não fica na superficialidade com que as pessoas tratam.

Zero Hora — Cite uma destas variáveis.

Souto de Moura — A questão de jogar fora de casa, do gramado… o do Estádio do Vale é bom, mas tem problemas, as dimensões do campo, a proximidade da tela, que pode ser benéfica no momento em que está todo mundo empolgado, mas pode ser ruim quando está todo mundo em uma visão mais pessimista.

Zero Hora — O título do Gauchão enganou?

Souto de Moura — Não. Era o que imaginávamos. Sabíamos que tínhamos condições de ganhar.

Zero Hora — Mesmo com o Grêmio colocando o estadual de lado?

Souto de Moura — Até por isso, ainda que eu ache que este era um discurso defensivo, um discurso para se proteger. Nós não tínhamos a Libertadores e queríamos o Campeonato Gaúcho. Ganhou quem quis mais. Mas isso não nos conformou, tanto que fomos atrás de contratações. Se hoje o Dunga coloca o Caio e o Otávio no ataque e deixa o Damião e o Forlán no banco, significa o sucesso do planejamento.

Zero Hora — Outubro é decisivo para as pretensões do ano?

Souto de Moura — Setembro já foi decisivo. Fiz a conta: tirando o Gre-Nal, que é um jogo à parte, calculei 13 rodadas. O Inter, para alcançar o Cruzeiro, teria de fazer 100% de aproveitamento e o Cruzeiro deveria cair 50%. Isso é possível? Sim. É provável? Pouco. Então, vamos olhar a questão jogo a jogo, nossos objetivos são progressivos. Vamos ingressar no G-4, depois tentar entrar no G-2. Se lá na frente acontecer o alinhamento dos astros, quem sabe o título.

Zero Hora — Copa do Brasil se torna prioridade?

Souto de Moura — Não tem prioridade. Vamos dar igual peso às duas competições, pois depois você priorizou a Copa do Brasil, é eliminado e não te sobra nada. A maior chance de chegar a um título é a Copa do Brasil, claro, uma vez até pelo fato desta conta que disse acima.

Zero Hora — As manifestações contra esse termo que o senhor usou, o “jogo a jogo”, são fortes.

Souto de Moura — De novo: não podemos jogar para a torcida. Temos de ter convicção no que se faz e temos esta convicção. O que não aceito é o argumento da folha, da remuneração. Você deveria então fazer uma auditoria e dar o título brasileiro à maior folha. Futebol é feito no campo. Folha, nominata, tradição, camiseta, não entram em campo. Acho esse argumento pobre.

Zero Hora — Estamos em setembro, esse time do Dunga pode render mais?

Souto de Moura — Sem dúvida. Temos de neutralizar estas variáveis que te disse. Uma delas que estou convencido é a ansiedade. Sofrido nove gols nos 15 primeiros minutos de jogo. Somados com os primeiros 15 minutos do segundo tempo, o número cresce para 19 gols. Tenho certeza de quando se neutralizar essa ansiedade, vamos ter tranquilidade para jogar o jogo.

Zero Hora — Jogadores concordam com essa avaliação?

Souto de Moura — Nossa gestão trabalha em cima de fatos e dados, não em cima de opinião. Não é uma questão de concordar, contra o fato e o dado não tem o que concordar. Fazemos uma administração científica, abstraímos a opinião e calcamos tudo em cima de fatos e dados. Se eu tenho uma opinião e a realidade não concorda com a opinião e está todo mundo na minha volta dizendo que estou errado, é mais fácil eu titubear. Calcado com dados, a opinião pesa menos, pois o dado está do meu lado.

Zero Hora — Dunga tem segurança para trabalhar?

Souto de Moura — Ele tem o apoio da diretoria, dos dirigentes, do departamento de futebol. Tem o apoio do seu grupo de trabalho, o que nem sempre acontece, pois às vezes há dissidências — não é o caso aqui. Oferecemos para ele um apoio para que ele possa continuar com seu trabalho e obtenha os resultados que nós sabemos que ele pode ter com esse grupo de jogadores.

Zero Hora — Surpreendeu Diego Forlán e Leandro Damião no banco contra o Cruzeiro?

Souto de Moura — Outra virtude do Dunga: o critério nas decisões. Eu ficaria surpreso se não acompanhasse o trabalho do dia a dia. Quando ele define a escalação, a gente já conversou. Já ouvimos os critérios para tal escalação e eles fazem todo o sentido. É muito confortável dar apoio para o Dunga, pois entendemos os critérios dele. Ele deixa claro que todo mundo tem de estar pronto, que vai ter lugar para todo mundo, chance para todo mundo. Se o jogador não está em uma boa fase ele promove as alterações.

Zero Hora — Damião passa por uma crise técnica?

Souto de Moura — Não. Está com uma dificuldade, assim como o time todo está. Tivemos a fase que fazíamos muitos gols, seja com o Damião, com o Forlán, D’Alessandro. Agora, passamos a não fazer gols e não podemos colocar isso na conta do Damião. Acho que não é uma crise técnica, é uma dificuldade. A mesma do grupo. O grupo não está em dificuldade porque o Damião não está marcando. O Damião está com a mesma dificuldade do grupo, que está marcando menos.

Zero Hora — O senhor chegou e pensar em deixar o cargo devido aos maus resultados?

Souto de Moura — Não. Sempre fui designado para as tarefas mais difíceis, sempre sou lembrado para as missões complicadas. Se o ano passado não tivesse sido considerado um ano aquém da expectativa, talvez eu nem estivesse aqui. Não tenho apego a cargo. Se aparecer alguém aqui que possa fazer melhor que nós, não tenho nenhuma dificuldade de sair. E já disse para o presidente: ele não vai passar pelo constrangimento de me exonerar. Eu peço para sair.

Otávio, Jackson e Josimar despontam para as vagas em aberto no Inter contra o Cruzeiro

27 de setembro de 2013 2

trio

Não bastasse ao Inter enfrentar o Cruzeiro, líder do Brasileirão, time que não perde há nove jogos — são oito vitórias e um empate —, o técnico Dunga enfrenta, novamente, problemas para repetir a escalação para diminuir a distância do G-4.

São três os desfalques desta vez: o zagueiro Índio, expulso contra a Portuguesa, o volante Airton e o meia D’Alessandro, ambos suspensos por terem recebido o terceiro cartão amarelo.

Como o treino da tarde de hoje foi apenas regenerativo por conta do desgaste pela partida da última quinta, contra o Atlético-PR, pela Copa do Brasil, o trabalho da manhã de sábado deve definir os 11 titulares para o confronto deste domingo, às 18h30min, no Estádio do Vale.

Zero Hora esboça abaixo as opções do treinador para as três funções:

Zaga rejuvenescida

Sem Índio ao lado de Juan, a média de idade da dupla de zagueiros do Inter cai sete anos, de 36 para 29. Como Alan foi diagnosticado com uma lesão muscular e para por três semanas, Jackson (23) e Ronaldo Alves (24) devem aparecer. O mais velho tem força e vinha bem no Gauchão até uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda interromper a sequência favorável. A polivalência de Jackson pode ser decisiva para a escolha de Dunga, uma vez que o jovem também atua como lateral-direito e teria facilidade no setor para cobrir os avanços de Gabriel.

Meio de campo eclético

A etapa final contra o Atlético-PR, pela Copa do Brasil, abriu precedente para imaginar Jorge Henrique como um segundo homem de meio-campo. O ex-corintiano posicionou-se bem ao lado de Willians, mantendo-se à frente da defesa nas investidas do companheiro ao ataque. Conta a favor de Jorge Henrique, ainda, a velocidade e a boa saída de bola para fazer a transição entre a defesa e o ataque. Se tivesse uma semana cheia para treinar, a alternativa poderia se tornar realidade. Porém, o mais provável é que Dunga opte por Josimar ou ainda Ygor na vaga de Airton, atletas que, mesmo com alguma contestação por parte da torcida, estão acostumados com a função.

Velocidade ou experiência na meia?

Contratado na janela de agosto para ser o companheiro de D’Alessandro na armação do Inter, Alex seria o substituto natural para suprir a ausência do argentino. Porém, o desempenho abaixo do esperado nas últimas partidas o descredencia a iniciar contra o time de Marcelo Oliveira. Outro ponto contra Alex está na necessidade de os titulares estarem com os pulmões a pleno — e o próprio jogador já declarou que não está no melhor momento de sua forma física. A tendência é que Dunga escolha Otávio à vaga do camisa 10, mas Fabrício tem o apreço do treinador para a posição. Se quiser optar pela velocidade, Caio ou Scocco também podem aparecer. Alan Patrick corre por fora nesta briga.

Ataque em xeque

Contra o Atlético-PR, Leandro Damião tentou uma finalização de “bicicleta”, buscou deixar o marcador para trás com o drible “lambreta” e acabou com uma triangulação no ataque ao abusar do preciosismo com um toque de calcanhar. A torcida não quis saber se o centroavante havia sofrido com febre alta ao longo da semana, soltou a vaia no Estádio do Vale, e Damião acabou substituído no intervalo. Os 10 jogos sem marcar gols pressionam Damião, e uma má atuação diante do Cruzeiro pode levá-lo ao banco de reservas para dar lugar ao argentino Ignácio Scocco.

— O futebol está bastante nivelado. Quando dois ou três estão abaixo, a equipe sofre um pouco — resumiu Dunga na quinta-feira.