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Posts com a tag "Grêmio"

Mixou Muñoz

19 de junho de 2015 30

Reprodução Santiago Wanderers

O atacante chileno Carlos Muñoz não virá mais para a Arena. Ele foi anunciado como reforço pelo Santiago Wanderers, do Chile, clube que o projetou para o futebol. O anúncio foi feito pelo Twitter oficial do clube e Muñoz já tirou foto com a camisa de seu time. O contrato é de um ano com o atleta que estava no Al Ahli.

Aos 26 anos, Muñoz volta ao time onde foi revelado, em 2006. Depois disso, o atacante passou pelo Quipué, Colo-Colo, Baniyas SC e Al-Ahli. Enquanto estava no Colo-Colo chegou a figurar na seleção nacional. Sua intenção é voltar a ser visto pelo técnico Sampaoli.

O Wanderers ficou na penúltima colocação do torneio clausura do Chile. O Grêmio chegou a negociar com o jogador, acertou o contrato com ele, mas o anúncio do clube chileno surpreendeu e encerrou qualquer chance de o atacante atuar pelo Grêmio.

Em Grêmio 3x3 Ponte Preta, Mamute é o destaque. Giuliano, a decepção

10 de maio de 2015 0

Ricardo Duarte

Por Adriano de Carvalho

Marcelo Grohe – Fez boas defesas. Mas deu rebote para o terceiro gol da Ponte. Nota 5

Galhardo – Apoiou e arriscou contra o gol adversário. Mostrou dedicação em campo. Nota 6

Geromel – Desta vez, comprometeu. Foi presa fácil para Rildo no segundo gol. Nota 4

Rhodolfo – Fez o que pôde, mas Biro-Biro e Rildo lhe causaram muita dor de cabeça. Nota 5

Marcelo Oliveira – Frágil na marcação. Sofreu com os avanços de Rodinei pelo seu lado. Nota 4

Walace – Tem imposição física. Mas sofreu para conter a movimentação de Renato Cajá. Nota 5

Maicon – Um pouco perdido na marcação. Ofereceu pouca resistência aos meias da Ponte. Nota 4

Lincoln – Começou inspirado. Mas caiu de ritmo no segundo tempo. Precisa de sequência. Nota 5

Giuliano – Muito apagado. Pouco se movimentou e tocou na bola. Saiu vaiado de campo. Nota 3

Luan – Um verdadeiro garçom. Deu duas assistências a Mamute e se movimentou bem. Nota 7

Yuri Mamute – Com oportunismo, fez dois gols. Fará falta enquanto estiver na seleção. Nota 8

Everton – Deu mais velocidade ao time. Puxou contra-golpes e levou perigo a Lomba. Nota 7

Matías – Entrou no segundo tempo e mostrou oportunismo ao marcar o terceiro gol. Nota 6

Douglas – Deu mais qualidade na bola parada. Cobrou escanteio para o gol de Matías. Nota 5

Todos os homens de Aguirre (ou Inter é pentacampeão gaúcho com rodízio de jogadores)

03 de maio de 2015 2

Diego Vara

Como se molda um time campeão? O Inter de Diego Aguirre foi construído sob a desconfiança. Dos medalhões contratados para o início da temporada, nenhum deles começou o Gre-nal do título. Dois deles estavam no banco: Lisandro López e Nico Freitas. Mas, sobretudo, entre os titulares estavam seis jogadores da base, que abriram a temporada sentados na casamata, esperando a vez como suplentes dos reservas ou ainda no sub-23: William, Alan Costa, Geferson, Rodrigo Dourado, Sasha e Valdívia – há ainda Alisson, que terminou 2014 como titular, e Nilmar, que saiu das categorias inferiores do Inter quando Aguirre estava em seu último ano como atacante profissional.

- Eles (os guris da base) jogaram porque eram os melhores que eu tinha. Não dou preferência para ninguém. Isto não é importante (ser da base ou ser medalhão). Precisamos dos jovens, dos jogadores mais velhos, de todos. Com tantas competições que teremos pela frente, é bom eles saberem que não vão jogar sempre. Assim, dão tudo no dia a dia para ganhar um lugar no time – declarou Aguirre.

O técnico seguiu com os elogios aos time e disse:

- O Inter joga um futebol moderno. O que jogamos na primeira parte foi espetacular. Imprimimos um ritmo de jogo que passou por cima do adversário. Depois sofremos, é verdade. Mas tentamos fazer um time mais veloz a cada dia, a cada treino. No jogo do Chile (Universidad de Chile 0×4 Inter) mostramos uma dinâmica que foi muito boa. Os jogadores acreditam na proposta e fazem o possível para que tudo dê certo. Também havia dúvidas sobre a nossa preparação física. É algo normal, mas passamos por cima de muitos times.

Aguirre criou, a partir deste Gauchão, um sistema de carrossel no Inter: com 33 jogadores tendo atuado no Estadual. Este esquema foi vingando porque o técnico insistiu em fortalecer a equipe na Libertadores, descansando os até então titulares de começo de ano, colocando no regional uma formação até então alternativa. O rodízio deu certo. E foi assim que o pentacampeonato gaúcho foi sendo construído – até ontem, o último pentacampeão no Rio Grande do Sul havia sido mo Grêmio, de 1985 a 1989.

- Espero que com a mesma intensidade das críticas venham os elogios. Foi espetacular, pela torcida, pelo time, pelo grupo – desabafou Diego Aguirre. _ Continuamos acreditando, sem mudar as nossas convicções – acrescentou.

O técnico uruguaio, de 49 anos e fala sempre serena, quebrou uma regra que durava no Inter há mais de seis décadas: a de que um treinador estrangeiro não vingava no clube. O último gringo a se sagrar campeão com os colorados havia sido o argentino Alfredo Gonzáles, que conquistou o Gauchão de 1950.
- Parabenizei a todos os meus jogadores antes da partida, pois estavam todos os 30 lá (o 33° é Fabrício, negociado ao Cruzeiro). Isto dá força e, ali, senti que merecíamos ser campeões – afirmou o treinador uruguaio.

Inter dependerá de D'Alessandro para ser Penta. Mas o capitão conseguirá dominar o Gre-Nal do Beira-Rio?

29 de abril de 2015 7

Tadeu Vilani

Depois de Fernandão, nenhum outro jogador teve tanto impacto sobre os torcedores do Inter quanto D’Alessandro. O camisa 10 construiu a sua trajetória de herói colorado a partir do domínio em Gre-Nais. A figura de D’Alessandro perturba a torcida do Grêmio. Desde 2008, quando começou a disputar o clássico, D’Alessandro é o foco da semana Gre-Nal. D’Alessandro não joga uma partida de encher os olhos há algum tempo. Mas terá que ser o grande nome do Inter no clássico de domingo, na decisão do Gauchão.

Orgulhoso, não vai querer ver o primeiro título oficial do novo Beira-Rio parando nas mãos do adversário, com direito a festa, flauta e volta olímpica. Sabe que, em caso de revés, será ele o alvo dos gremistas no dia seguinte. D’Alessandro se concentra para obter a sua redenção em casa. Não perde uma final no Beira-Rio desde a Copa do Brasil de 2009, quando o Corinthians comemorou a conquista no estádio – e D’Alessandro teve uma das piores atuações de sua carreira, com expulsão e tentativa de briga que virou vinheta.

Apesar do sucesso nos clássicos – D’Alessandro soma 11 vitórias, 9 empates e 5 derrota em Gre-Nais, com 8 gols marcados -, o seu desempenho nos Gre-Nais no Beira-Rio não é assim tão expressivo. Em 9 jogos, soma 4 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, com 3 gols marcados.
Domingo, porém, precisará liderar o Inter ao pentacampeonato e à redenção pessoal.

Diego Real, árbitro que anotou dois pênaltis para o Inter: "Acertei e marcaria tudo de novo"

09 de abril de 2015 20

Ricardo Rimoli/Agência Lancepress!

Diego Real, o árbitro que marcou dois pênaltis para o Inter na partida contra o Cruzeiro (2 a 2 no tempo normal, 3 a 1 para o Inter na decisão por pênaltis) — um deles desperdiçado por D’Alessandro, outro convertido por Lisandro López —, pelas quartas de final do Gauchão, faria tudo outra vez.

Aos 33 anos, o microempresário, natural de Pelotas, que desde 2013 apita jogos de Gauchão e das Séries A e B do Brasileirão, entende ter acertado ao anotar as duas penalidades no Beira-Rio. Curiosamente pelo mesmo motivo: mão do zagueiro André Ribeiro na bola.

— Fiquei até surpreso com algumas declarações. Cumpri o que a determinação da Fifa ordena, desde o ano passado. Onde houver situação de bloqueio com a mão, é falta. O jogador do Cruzeiro se atira contra a bola, em ambos os lances. Eu marcaria os dois pênaltis outra vez — comentou Real.

O árbitro conta que, após anotar o primeiro pênalti (quando D’Alessandro tentou cruzar para o centro da área e foi interceptado) e dar o cartão amarelo para André Ribeiro, o zagueiro reclamou apenas da advertência:

— O jogador veio a mim e disse que não era para cartão. Não tinha como não marcar. Houve um cruzamento, que rasgaria a área, e foi bloqueado.

O árbitro admite ter errado no começo da partida, quando em vez de dar cartões amarelos para Juan e para Laerte, por jogadas ríspidas, optou pela conversa.

— Usei a arma verbal, que vem antes do cartão. Não tive a visão correta que era para amarelo — disse ele.

Real assegura ainda que daria as penalidades para o Cruzeiro, em pleno Beira-Rio.

— É claro que marcaria os mesmos lances se fossem para o Cruzeiro. Em Caxias e Inter, dei pênalti para o Caxias, justamente porque a bola caiu na mão do Réver — recordou. — Também ouvi muitas reclamações da torcida do Grêmio. Por favor. Já dei duas penalidades para o Grêmio neste Gauchão: uma contra o Avenida, outra contra o Lajeadense. Este, por sinal, errei. Foi um lance rápido demais, dificílimo, em que a falta ocorreu centímetros fora da área. Mas marquei o pênalti — acrescentou Real.

No Gauchão 2015, Diego Real trabalhou em 11 partidas. E anotou oito pênaltis. Foram dois para o Grêmio (contra Avenida e Lajeadense) e outros dois para o Inter (ambos contra o Cruzeiro), além de um para Caxias (contra o Inter), Lajeadense (contra Veranópolis), Ypiranga (contra São José) e União Frederiquense (contra Aimoré).

— Sei que fiz o meu melhor. Estou com a consciência tranquila — finalizou Real.

Grêmio pagará R$ 85 mil por depredações no Beira-Rio. No Gre-Nal da Paz, colorados destruíram tantas cadeiras quanto os gremistas

12 de março de 2015 9

Leandro Behs

Nos próximos dias, o Grêmio desembolsará R$ 85 mil para o Inter, devido aos prejuízos causados por seus torcedores no Gre-Nal de 1º de março, no Beira-Rio. Foram 47 cadeiras depredadas mais dois banheiros quebrados, entre outros pequenos prejuízos. O curioso, porém, é que se o Gre-Nal em campo terminou em 0 a 0, o clássico do quebra-quebra deu Grêmio… por apenas uma cadeira. Em sua casa, os colorados destruíram 46 cadeiras - cada peça custa R$ 300.
Assim, é possível condenar o visitante? O clube alega que não foi por depredação, mas, sim, por empolgação exacerbada.

Em tempo: não foi registrada qualquer depredação ou incidente na área da torcida mista, onde mil gremistas levados por mil colorados conviveram durante todo o clássico.

O velho Giuliano ressurge para dar a vitória ao Grêmio sobre o Ypiranga

11 de março de 2015 6

Mateus Bruxel

Com boa atuação de Giuliano, a estreia de Braian Rodriguez e o retorno de Ramiro, o Grêmio venceu o Ypiranga por 1 a 0, no Colosso da Lagoa, e assumiu a terceira colocação do Campeonato Gaúcho. As notas:

Marcelo Grohe
Quase não foi exigido. Realizou apenas intervenções. Nota 6

Matías Rodriguez
Firme na defesa. Parou o elétrico Saldanha. Nota 7

Erazo
Um ou outro erro de cobertura. No mais, seguro, Nota 5

Rhodolfo
Precisou engrossar em alguns momentos e sair a chutões. Nota 6

Marcelo Hermes
Se limitou à marcação.Teve dificuldades. Pouco avançou. Nota 4

Marcelo Oliveira
Mais discreto do que em outros jogos. Se manteve na defesa. Nota 6

Fellipe Bastos
Deixou o time na mão no 2° tempo, com uma expulsão tola. Nota 3

Giuliano
Aos poucos, resgata o Giuliano dos velhos tempos. Nota 8

Douglas
Organizou o meio-campo. Mas caiu de produção no 2° tempo. Nota 6

Luan
Um passe perfeito para o gol de Giuliano. Nota 7

Yuri Mamute
Quando toma a frente do lance, só é parado a pancadas. Nota 7

Ramiro
Entrou para dar maior consistência ao meio-campo. Nota 6

Braian Rodriguez
Uma chance e quase fez. Mas acabou prejudicado pela falta de articulação do ataque. Nota 6

Araújo
Foi para o sacrifício, quando o Grêmiuo já tinha um a menos. Nota 5

Inter bate U. de Chile e assume vice-liderança no Grupo 4 da Libertadores. Na véspera do Gre-Nal, titulares vencem a 1ª no ano

26 de fevereiro de 2015 5

Ricardo Duarte

Um Inter minimamente organizado (talvez pela primeira vez no ano) e com o domínio das ações durante boa parte do jogo, surgiu no Beira-Rio diante da Universidad de Chile. Venceu por 3 a 1 e assumiu a segunda colocação no grupo 4 da Libertadores. Na quarta-feira, de novo no Beira-Rio, terá um jogo decisivo contra o líder da chave, o Emelec – e no domingo haverá Gre-Nal, também no Beira-Rio, pelo campeonato estadual.

O Inter poderia ter feito o 1 a 0 nos chilenos ainda no começo do primeiro tempo. Dois lances de faltas deveriam ter resultado em pênaltis, um em Jorge Henrique, outro em Vitinho. Os de Santiago começavam a conter o Inter a faltas.

Apesar da posse de bola, porém, o ataque colorado era algo insosso, sem penetração e sem grande contundência área adentro. O primeiro tempo escorria para o final quando D’Alessandro teve a camisa puxada na área e, dessa vez, o árbitro deu o pênalti – e foi o menos claro dos três. D’Alessandro cobrou aos 46 minutos e fez o merecido 1 a 0.

No segundo tempo, a Universidad de Chile buscou o empate. Logo a dois minutos, Ubilla caiu na área, entre dois colorados. O árbitro, a léguas de distância do lance, não marcou pênalti, em uma jogada duvidosa. Não demorou para que Alex fosse a campo. Mas a saída de Vitinho, em vez de Jorge Henrique, fez com que Diego Aguirre fosse vaiado. Com menos de quatro minutos em campo, Alex lançou Jorge Henrique que parecia ter voltado no tempo, correu como nunca no Inter e marcou o 2 a 0 contra os chilenos.

O Inter relaxou e cedeu espaços. Canales descontou e foi para cima do Inter. Para evitar a pressão, Aguirre trocou Jorge Henrique por Nico Freitas. O 3 a 1 do desafogo e que confirmou o Inter na vice-liderança do Grupo 4 começou em um passe de Nilton para Aránguiz, que deu um lançamento espetacular para Sasha marcar o gol que encaminhou a partida.

Os titulares de Aguirre venceram a primeira na temporada – com um público de 35.833 torcedores, que deixaram nos cofres do clube uma renda superior a R$ 1 milhão. Os triunfos anteriores haviam sido conquistados pelo time reserva. O Inter cresce na temporada na Libertadores e na véspera do Gre-Nal, válido pelo Gauchão. Contra o Grêmio, o Inter poderá ter até meio time de suplentes no clássico do Beira-Rio.

Anderson manda a letra: "Quero ser ídolo no Inter"

07 de fevereiro de 2015 1

Alexandre Lops

Por Amanda Munhoz e Leandro Behs

Você ainda vai se surpreender com o novo Anderson. Falante, sempre foi. Sincero, também. O Anderson que voltou da Europa quase 10 anos depois de ter sido vendido pelo Grêmio ao Porto, e do Porto para o Manchester United, está maduro e sabe o que quer. Sonhava voltar a Porto Alegre. Queria ficar perto dos filhos. Cansou de passar Natal e Ano-Novo sozinho. Conta que precisava voltar a ser amado. O ostracismo dos últimos anos na Inglaterra o deixou carente de carinho. Quer virar ídolo do Inter. E foi contratado pela direção colorada para isto.

- Anderson quer muito jogar. E quer estrear logo na Libertadores também. Ele é desassombrado, tem a cara da Libertadores. Voltou a Porto Alegre para se tornar uma referência no futebol brasileiro – destaca o diretor de futebol Carlos Pellegrini.

Nesta entrevista a Zero Hora, concedida na quinta-feira, no CT Parque Gigante, minutos antes de correr para refazer a carteira de trabalho brasileira, o camisa 8 fala sobre família, saudades de casa, de como ignora as críticas da imprensa inglesa, da amizade com Cristiano Ronaldo, além de sobre conquistar títulos com o novo clube e até renovar com o Inter, que está saudável para jogar de quarta a domingo, sobre a Batalha dos Aflitos e em passar uns tempos na casa que manteve em Manchester ou na fazenda que tem, em Alegrete, “olhando o gado”, quando ficar velho. Também quer reconstruir o campo do Rubem Berta, no qual começou a jogar. Entende que deve isto à comunidade. É um caso raro nos dias de hoje de jogador que fala o que pensa, sem rodeios.

A seguir, os principais trechos da da entrevista:

Você está feliz?
Sou o mesmo cara de sempre e, sim, estou muito feliz, contente mesmo. Fazia tempo… Passei quase 10 anos fora. Minhas férias eram em maio. Aí, tinha que tirar os 30 dias. Passei oito anos sozinho, em Natal, em Ano-Novo. Liberava até a minha empregada, que era brasileira, para as festas e eu ficava sozinho. Era importante para ela ir ver a família, em Portugal, pois o marido dela era de lá. E eu passava sozinho, em hotel, ou com os jogadores do Manchester. Às vezes tinha até jogo. Foram oito anos passando o fim de ano em hotel porque na Inglaterra não para.

Estava com saudades de Porto Alegre?
Estava, sim. Chegou um momento no qual as minhas filhas começaram a perguntar onde eu estava, porque eu não estava aqui, porque eu não as levava na escola, ou eu ouvia um “quero ficar aí contigo um pouquinho, pai”. Então, era a hora de voltar. E não estava sendo muito usado no Manchester. Eu não estava mais confortável lá, precisava de um novo objetivo. Não estava mais animado, apesar de estar treinando muito bem nos últimos meses, mas não tinha a oportunidade de jogar. Falei com a minha família e com o meu empresário: “Ó, preciso jogar, não aguento mais. Não posso ficar mais um ano sem jogar”. No ano passado tive lesões, fui para a Fiorentina, mas fiz poucos jogos. Mas era o momento de voltar e apareceu esta proposta do Inter.

Você tem duas filhas?
Duas, não. Tenho quatro. Três meninas e um menino: Alícia e Isabela, as duas com quatro anos. Mas não são gêmeas, viu (risos)? São de mães diferentes. E a Giovana, de dois aninhos, e o Li Andow, que está com um ano. Mas não sou casado, tô na pista.

Como foi a investida do Inter?
Foi com o presidente. Ele sempre falou comigo, me deu confiança, perguntou como eu estava. Conversei com os jogadores, com Paulão, com Sidnei (ex-zagueiro do Inter e atualmente cedido pelo Benfica ao La Coruña). Eles elogiaram muito o clube. Perguntei como era a galera, disseram que o grupo é bom, uma galera tranquila. Aí, aceitei.

Carlos Macedo

Como você imagina que será a sua relação até mesmo com a cidade, dividida entre colorados e gremistas?
Cara, há pessoas que vão gostar. Há outras que não vão gostar. E ainda tem muita gente que vai te que me aturar. É o meu trabalho. Como te falei, recebi proposta do Inter. O Inter me quis. Sobre o Grêmio… Bem, saí pela porta da frente do clube. Quando estava lá, o Grêmio vivia uma fase complicada em termos de dinheiro. Eu tinha 16, 17 anos e poderia ter saído livre do Grêmio (para o Porto). Mas falei para o presidente (na época, Paulo Odone): “O que é meu é meu, o que é teu é teu”. Com a minha venda ele pôde manter o clube por mais dois anos. Depois, fui vendido do Porto para o Manchester e o Grêmio ganhou ainda mais dinheiro comigo. Agora estou no Inter e darei o meu máximo para sair pela porta da frente. Se sair.

Você já está adaptado ao Inter?
Estou muito feliz como tenho sido tratado. Aqui, no Inter, me senti bem de novo. Estou sendo bem tratado. Na verdade, eu precisava de amor. Jogador às vezes precisa de amor. Inter me deu isto. Não digo da boca para a fora. Todos me trataram superbem desde o primeiro dia. Isto me surpreendeu e me deixou feliz. Digo para os meus amigos: “Cara, eles estão me dando tudo aqui”. Quando entrar em campo darei 100% ao Inter.

Como você está fisicamente?
Cara, estou muito bem. Ouvi que estava gordo. Não. Estou em forma. Jornalistas falam o que querem. Não posso contestar, às vezes tentam crescer em cima do jogador. Respeito. Não jogo para jornalistas, jogo para o grupo. Estou sempre alegre, não tenho vaidades e quero ajudar. Se ganha o Anderson, ganha todo mundo. E no final do dia, todos estaremos em casa comemorando.

Você citou jornalistas. E os jornalistas ingleses? Eles te criticaram muito por lá. Por quê?
Sinceramente, não sei. Ganhei tudo ou quase tudo pelo Manchester. Renovei duas ou três vezes com ele. Se você está mal no clube, você não renova. Trabalhei lá com o melhor treinador do mundo, o senhor Alex Ferguson. Uma pessoa por quem tenho um respeito enorme. Antes de eu vir para cá ele me mandou uma mensagem: “Anderson, você é top, sabe da sua qualidade. Vai com Deus”. Pode perguntar para os jogadores e para a torcida do Manchester, eles me amam. A torcida cantou a minha música no último jogo (The Anderson Song – Better Than Kleberson; A Canção de Anderson – Melhor Que Kleberson, em referência ao pentacampeão com a Seleção Brasileira e que foi mal no Old Trafford). Desde que cheguei ganhei esta música da torcida. Jornal inglês, sabe como é: Falam o que querem. Ouço e fico na minha.

Estas críticas te incendeiam mais ainda para provar algo?
Sei a qualidade que tenho, sei quem eu sou. Não preciso provar nada para ninguém. Apenas para o meu treinador, para o meu presidente e para o meu time. Jogador que não está bem, passa 10 anos na Europa e ganha tudo, o que deve responder? Ronaldinho e Kaká são caras que ganharam tudo e que merecem respeito também. Jogador não vive de contar que jogou sete anos aqui, 10 anos ali. Jogador vive de títulos. Quando encerrar a carreira, vou poder contar para os meus filhos os títulos que ganhei e com quem joguei. Joguei com os melhores do mundo.

E que bagagem esta convivência com jogadores consagrados, como Cristiano Ronaldo, Rooney, Van Persie, entre outros, pode ser levada para o vestiário do Inter?
Que estes caras trabalham. Cristiano Ronaldo trabalha 24 horas por dia, se necessário. Nunca vi ninguém trabalhar tanto como ele. Ele se controla em tudo, desde a alimentação até ter que ir para um trabalho de piscina às 22h. Se há um erro, ele vai treinar até corrigi-lo. É um amigo particular. Ele é f…

Você também ficou assim?
Aprendi a trabalhar e a cuidar de mim. Você não se lesiona por acaso. Às vezes, tenta acelerar uma recuperação para ajudar. Joga cinco, seis partidas e arrebenta de novo. Não. Você tem que voltar quando está bem, para ajudar. Aprendi. Estou muito bem, cuido da minha alimentação. Cheguei bem e sem problema algum. Me falta jogo. É o que mais quero. Me dá cinco, seis jogos e estarei 100% de novo.

Como Aguirre pode aproveitar a sua chegada no meio-campo?
O treinador pode me usar onde deve achar que deve. Ele é o treinador. Vou dar o meu melhor. Se ele quiser me puxar um pouquinho mais trás, vou correr da mesma maneira, como se estivesse lá na frente. Eu quero é fazer gol, se eu puder. Vou jogar onde ele achar que eu deva ajudar. Se ele achar que eu tenho que ir pro gol, eu vou pro gol. Estou aqui para ajudar, como mais um jogador. O importante é onde ele acha que eu tenho que evoluir.

Sua estreia será na quarta-feira, diante do Cruzeiro, em Gravataí?
Espero estar lá na quarta. Depende da comissão técnica. Por mim, eu estaria neste (contra o São José). É esperar. Eu estou bem, me sinto bem.

Qual foi o maior problema do Inter no empate em 4 a 4 com São José, pelo Gauchão?
É complicado, foi apenas o segundo jogo. Entrou o Vitinho, que nunca havia jogado com o grupo. É o começo. Mas quando você tem um jogo que está ganhando de 3 a 0 e deixa empatar, no 4 a 4, é complicado. Ninguém gosta. Acho que, se tivesse ficado um pouco mais com a bola, jogasse mais rápido, com certeza, teria ficado com o resultado. Acho que o São José fez um belo jogo. Mas vamos para o próximo. É muito cedo para falar.

Como vai ser se readaptar ao futebol da América do Sul, que tem um estilo de jogo bem mais lento do que o da Inglaterra?
Eu falei com o meu amigo dia destas. Nosso time tem qualidade. Temos jogadores rápidos do meio para a frente: Sasha, Vitinho, D’Alessandro e Nilmar. Se acelerarmos na frente e apertarmos, podemos chegar lá em cima do mesmo nível (que um time europeu). É uma gurizada nova. Dá para ter um time europeu do meio para frente. Se acelerarmos um pouco mais, vai ser complicado para os outros times segurarem a gente. Futebol é aquilo, só ganha quem corre. A galera tem energia. Só falta estarmos ali juntos, segurar, correr e marcar.

Você está disposto ao sacrifício de atacar, defender?
Eu aprendi, fui obrigado. Não é porque eu estou aqui que vou mudar meu jeito de jogar. No Manchester, eu arrancava com a bola, mas tinha que voltar a marcar.

Apesar de sentir alguma solidão na Europa, como foram esses 10 anos fora?
Eu sou apaixonado pelo Manchester. Aquele clube para mim… Se perguntar para todo mundo, vão dizer: É o clube que ele ama. É o clube onde estive por oito anos. Apesar de (Cristiano) Ronaldo, Tévez, Evra terem ido embora, eu fiquei. Fiz grandes amizades no clube. Tenho casa lá. Não pretendo vender minha casa na Inglaterra. Já estava acostumado. Por exemplo, Natal e Ano-Novo… As datas que são importante no Brasil, para mim, lá não eram. No almoço, eu estava tomando leite e comendo comida. Sempre me adaptei bem.

E o inglês?
Nos primeiros três anos, foi f… Negrinho, que nunca fez escola, chegando em um lugar onde todo mundo fala diferente, é complicado. Em Portugal, era tranquilo. Quando me falaram que eu ia para Inglaterra, falei: “Pô, Inglaterra?” A língua era complicada. Chegando lá, morei com o (Cristiano) Ronaldo por um ano. Ele sempre cuidava de mim. E eu nunca fui um cara que tive vergonha. Apesar de tentar falar, eu falava errado mesmo.

Inglês ao estilo Joel Santana?
Eu falava. O (Cristiano) Ronaldo começou a implicar que eu não falava. Fui dar uma entrevista, e falei tudo errado. Mas, azar, eu tentei. A galera até dizia que eu estava lá há oito anos e não falava inglês. Mas eles me entendem. Eles entendem do jeito que eu falo. Posso falar errado, que eles sabem o que eu falo.

Nesse um ano morando com o Cristiano Ronaldo, teve muita festa?
Não. Tem horas, né? (Cristiano) Ronaldo não é de sair. É um cara complicado. Quem disser que Ronaldo é de festa, é mentira. Quem conhece ele, sabe. Às vezes, final de semana, que está ganhando tudo, ganhando todos os campeonatos, tem que sair, não vai ficar dentro de casa. Tem que curtir a vida. Pô, 20 anos, 21 anos, quer que eu fique dentro de casa? Tu aí, na tua idade, também sai.

Você é uma pessoa que também diz respeito às questões do Grêmio, é o grande nome da Batalha dos Aflitos. Lembrar deste fato é uma coisa que atrapalha o clube por não ter tido um outro grande título, além de três estaduais desde 2005? O que você pensa sobre isto?
O Grêmio é um clube grande. E a torcida espera muita coisa. Mas não adianta só a torcida. A diretoria tem que querer também, contratar gente, fazer pela torcida. O Grêmio… complicado. Um clube vive de títulos. E o Grêmio sempre manda o treinador embora. Agora, o Felipão acertou um pouco o time do Grêmio. Montou um pouco uma estrutura, mudou muita coisa. Mas não adianta só ele empurrar o barco contra 300, entendeu? Tem que puxar todo mundo, ir para o mesmo lado. O clube tem nome, é clube grande, tem novo estádio. Mas não adianta só os torcedores quererem e a diretoria não querer. Começa desde lá de cima até o porteiro.

Qual o teu objetivo no Inter?
É ganhar a Libertadores e o Brasileiro também. Quantos anos o Inter não ganha o Brasileiro (desde 1979)? Este é o objetivo de todo mundo.

Não se pode prever lesões, mas você se considera forte para aguentar a temporada toda?
Forte. Estou muito bem, graças a Deus. O que eu precisava eram jogos. Esta é a grande verdade. E é isto que eu vou fazer. No momento que eu estiver com quatro, cinco jogos seguidos, aí pode vir me cobrar. Me dá seis jogos, aí vou começar a aparecer. Não adianta jogar um e, depois de dois meses, jogar de novo. Não existe jogador que pegue condição física assim. Não adianta. Com Ferguson era assim: jogava uma partida, outra não. Mas estava sempre jogando, sempre bem.

Você suporta jogos às quartas e aos domingos, como é no Brasil?
Vou ter de jogar, sou obrigado a aguentar. Tenho 26 anos, tenho que aguentar. Minha condição física é diferente. Quando eu jogo e jogo de novo, fico melhor. Cada jogo, eu vou melhorando, até chegar a um patamar.

O seu objetivo também é voltar à Seleção Brasileira?
É. Mas meu objetivo primeiro é estar aqui. Mostrar porque eu vim aqui. Este é o meu objetivo.

Você pensa virar ídolo no Inter?
Virar ídolo, sair pela porta da frente. Entrei pela porta da frente, quero sair pela porta da frente. Este é o meu objetivo. Ganhar troféus, como o professor falou. Se tiver que ficar um, dois anos a mais para ganhar estes título… Dar o meu melhor ao grupo. Só depende da gente. Temos um grupo bom.

E depois que abandonar a carreira, o plano é voltar para a Europa?
Ah, não sei. Vou para a minha fazenda, em Alegrete. Ficar tranquilo com os meus gados, olhar as ovelhinhas passando. Depende. Minhas filhas estarão grandes, vou mandar elas para fora, para estudar.

Você voltou ao Rubem Berta depois da fama?
Voltei um dia. A galera disse que não estava muito seguro para voltar. Disseram que eu não precisava voltar, mas continuo falando com a galera por telefone. Penso agora, com calma. Quero ver se consigo falar com alguém lá de dentro para arrumar o Campão, que tem no meio (do bairro), para ajudar a galera. Joguei lá. Passei minha vida toda lá.

Jogou com o irmão do Sasha lá, o Xuxa (que não seguiu carreira no futebol)?
O Sasha eu vi crescendo, era um piazinho.

Quer fazer algo pelo Rubem Berta?
Eu quero. Eu devo isto. Não só pelo Rubem Berta, mas pela galera que jogou comigo. Tinha muita de qualidade no bairro. Eu sempre falo isso, ajuda um ali e, com certeza, tu vais ganhar mais para frente. Este é o objetivo.

O novo 8 do Beira-Rio: Anderson em sua essência, na coletiva de apresentação pelo Inter

03 de fevereiro de 2015 2

Alexandre Lops

Um Anderson prometendo muitos títulos pelos próximos quatro anos surgiu na sala de conferências do Beira-Rio. Vestindo vermelho e sorridente, o novo camisa 8 do Inter foi apresentado pelo diretor de futebol Carlos Pellegrini. Com exceção do sotaque do Rubem Berta, misturado com a pronúncia do Porto e com um acento de Manchester, Anderson foi Anderson em sua essência: respostas diretas e com a confiança de sempre. Em uma coletiva veloz, que durou oito minutos, o meia não fez rodeios. Entende que as críticas que recebeu na Europa são normais, lembrou que atuou com nomes como Cristinao Ronaldo, Rooney, Falcao García, Giggs, Evra, entre outros. Não titubeou sequer para responder sobre a escolha pelo Beira-Rio em vez de voltar para o Grêmio.
- Estava aberto a todos. Mas voltei para Porto Alegre porque o Inter me procurou. Porque o presidente sempre me deu atenção.
O meia de 26 anos se mostrou otimista com o seu retorno ao futebol brasileiro, disse que estará pronto para jogar na próxima semana (o Inter enfrentará o Cruzeiro, em Gravataí), garantiu estar em forma, brincou que agora usa apenas um celular (quando foi promovido aos profissionais do Grêmio utilizava dois aparelhos) e falou sobre o seu sentimento a respeito do Gre-Nal de 1° de março, no Beira-Rio:
- Meu espírito é ganhar, 100%. Vou dar o máximo. Este é o meu objetivo.

A seguir, os principais trechos da entrevista do novo reforço colorado:

A opção pelo Inter e a imagem de jogador gremista
“A volta para Porto Alegre foi porque o Inter me procurou, o presidente sempre me deu atenção, é um grande clube. Estava bem no Manchester, mas não jogava. E eu precisava jogar, precisava voltar para perto da minha família, das minhas filhas. Entrei pela porta da frente no Grêmio e saí pela porta da frente. Acho que fiz um grande trabalho lá (no Grêmio). Pronto. Agora, o meu clube é o Inter. A oportunidade estava aberta a todos, não só para o Grêmio. O Inter que se interessou mais. Sou um cara muito honesto, sincero. Respeito a torcida do Grêmio, mas é futebol. Acontece.”

O Manchester United
“É um clube pelo qual tenho um carinho grande. Passei oito anos da minha vida lá. Só tenho a agradecer aos jogadores e à torcida. Meus primeiros quatro anos foram fantásticos, ganhei tudo lá, até a Champions League e o Mundial. Depois, tive uma lesão grave, do ligamento cruzado (do joelho esquerdo). Voltei muito rápido, jogava, mas tinha uma diferença no joelho, quando voltava, arrebentava”.

Em que posição quer jogar
“Prefiro jogar, não interessa onde. No Grêmio, comecei mais à frente. No Porto, era o 10. No Manchester, tive que me adaptar à posição (de volante).”

Sonha ganhar o quê?
“Quero ganhar Libertadores, Brasileirão, que só tenho o da Série B, e agora quero ganhar um pela Série A, e um Gauchão, que ainda não tenho.

Seleção Brasileira
“Por mim, jogava amanhã. Me vejo como uma aposta, uma promessa, tenho só 26 anos e muito a dar ao futebol.”