"Eu deveria ter mandado embora uns três ou quatro", admite Silas, ao falar sobre a demissão do Grêmio
24 de maio de 2013 3Quase três anos após ter sido demitido pelo Grêmio, o técnico Silas, 48 anos, admite que deveria ter mandado embora, por indisciplina, "uns três ou quatro jogadores". É a primeira vez que ele fala sobre os episódios de suposta insubordinação que marcaram a intertemporada realizada pela equipe em julho de 2010, na interrupção do Brasileirão em meio ao Mundial da África do Sul.
O ponto alto daquela intertemporada foi a Copa da Hora, em Florianópolis, disputada, além do Grêmio, por Coritiba, Vasco e Avaí. As péssimas atuações da equipe, que terminou em último lugar, teriam sido resultado da insatisfação dos jogadores com a obrigação de fazer a preparação fora de Porto Alegre. Irritado, o meia Hugo chegou a dizer que o torneio "só atrapalhava".
Mesmo que tenham sido evidentes os sinais de boicote ao treinador, nenhum jogador foi responsabilizado pela direção.
- Eu deveria ter mandado embora uns três ou quatro jogadores com quem tive sérios problemas fora de campo. Não fiz isso talvez por inexperiência, por ter bom coração - revela Silas, atual treinador do Náutico, adversário do Grêmio neste domingo, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
Silas também não cita nomes. Mas está convencido de que os reflexos desse comportamento se estenderam na retomada do Brasileirão. Bastaram algumas rodadas para o time despencar na tabela, ingressar na zona de rebaixamento, e a direção demiti-lo, contratando Renato Portaluppi para o seu lugar.
Como manteve algumas amizades, entre elas o presidente Duda Kroeff e o então diretor de futebol Luiz Onofre Meira, Silas prefere recordar os momentos bons. O principal, claro, o título gaúcho, o último conquistado pelo Grêmio. E a série de 15 vitórias consecutivas.
- Você acha que eu iria esquecer (do título)? Também vou entar para a história como o último teinador campeão pelo Grêmio dentro do Olímpico - sorri.
Silas cita como "inesquecíveis" a vitória por 3 a 2 contra o Fluminense, dentro do Maracanã, pela Copa do Brasil, "com um jogador a menos", os 2 a 0 contra o Inter no Beira-Rio, no primeiro Gre-Nal decisivo do Gauchão, e a virada por 4 a 3 contra o Santos, pelas semifinais da Copa do Brasil.
- Até hoje meus filhos assistem o vídeo daqueles dois gols no Gre-Nal - conta o treinador.
Silas orgulha-se de ter promovido o volante Fernando e de impedir que Jonas fosse mandado embora. Sobre a demissão, acha que ela não ocorreu da melhor forma, mas admite que precisava mesmo sair, diante da forte pressão.
- Tudo aquilo me fez crescer. Como treinador, acho que fico melhor a cada ano - afirma, sem descartar uma volta ao Grêmio no futuro.











