
O vereador Pedro Ruas (PSOL) quer impedir que o Estádio Olímpico seja implodido. Para isso, apresentará um projeto de tombamento do estádio na manhã desta terça-feira, na Câmara Municipal. Se aprovada, a proposta do vereador de 56 anos de idade e sócio do Grêmio desde o Mundial de 1983, a estrutura e o gramado do Olímpico serão considerados patrimônio histórico e, portanto, intocáveis. Conselheiro do Grêmio por 12 anos, incluindo o período de 2008 no qual o Conselho Deliberativo aprovou toda a negociação com a OAS, da troca do Olímpico pela construção da Arena, Ruas afirma não lembrar como votou na ocasião, mas assegura que aceitaria a transação, desde que o velho estádio não fosse demolido. Desde sexta-feira, quando o projeto ficou pronto, o vereador garante estar recebendo telefonemas de apoio e, outros, anônimos com xingamentos e ofensas. O seu único temor é que não haja tempo para que o projeto seja sancionado na Câmara e aprovado pelo prefeito José Fortunati antes da implosão do estádio.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Zero Hora - Por que tombar o Estádio Olímpico?
Pedro Ruas - Porque é um patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul. Ele retrata o conhecimento arquitetônico e esportivo da década de 50, de grandes jogos e grandes títulos. Faz parte da alma gaúcha. O tombamento do Olímpico é uma necessidade imperiosa de preservação de nossos bens. O tombamento do estádio, não das adjacências. Tombamento não é desapropriação, não muda a propriedade, do Grêmio, da OAS, de um terceiro... O proprietário pode fazer o que quiser, menos mexer na estrutura do estádio nem no campo. Impede que sejam feitas mudanças arquitetônicas na estrutura que já existe. Não há verba pública envolvida. Não há custo para o Município ou para o Estado.
ZH - E o senhor desejaria transformar o Olímpico em estádio municipal, por exemplo?
Ruas - Não posso definir isso. Gostaria que ele tivesse salas de aula, pronto socorro, delegacia de polícia, sede de atletismo de alto rendimento, com a utilização do campo como ocorreu em 1963, na Universíade. Mas isso não está no projeto. É uma obra muito pronta para ser colocada abaixo para especulação imobiliária. Só posso colocar no projeto a ideia de preservação.
ZH - O senhor não teme que o seu projeto seja entendido como populista?
Ruas - Não. O mérito deve ser analisado. O mérito é indiscutível. Qualquer tipo de tombamento pode ser questionado e não a circunstância de isso mexer com A ou B.
ZH - E por que somente agora o projeto de tombamento, quando a Arena já foi entregue ao Grêmio?
Ruas - Quando houve o abraço ao Olímpico (em 15 de setembro, com a presença estimada pela Brigada Militar de mais de 10 mil pessoas), fui procurado por dezenas e dezenas de torcedores. Eu esperava que houvesse algum uso posterior à entrega do Olímpico, mas não via isso como um clamor público seis meses atrás. No dia da eleição para presidente (em 21 de outubro) também fui procurado. Não acho correto o sistema que foi utilizado com o Corinthians, com verba pública envolvida. Não é desapropriação. Tombamento é a única medida jurídica que preserva o Olímpico.
ZH - Mas como ficaria a negociação Grêmio/OAS, uma vez que o Olímpico foi dado como contrapartida à Arena?
Ruas - Essa questão é estranha ao tombamento. O tombamento pode ser do agrado ou não do proprietário, ele independe disso. Acho que há maneiras para compor. A propriedade não é absoluta no Brasil, nem pode ser. A preservação da história é indiscutível. A cidade pode ou não pode perder o Olímpico? Não, não pode.
ZH - O Grêmio não acabaria prejudicado com o tombamento?
Ruas - Não vejo prejuízo algum. Tem que perguntar isso ao presidente Fábio Koff. Mas não é esse o debate.
ZH - Como conselheiro do Grêmio, o senhor aprovou o negócio com a OAS?
Ruas - Não lembro, mas digo com tranquilidade: votaria pela aprovação da Arena e da venda do Olímpico, desde que o estádio fosse preservado. Não questiono. O questionamento agora é de outra ordem: a preservação de um bem historicamente relevante. Na Câmara, a votação ocorreu em 2008, e eu não era vereador.