A república de Dunga
Tinha tudo para ser um domingo perfeito na terra de Dunga. A Praça da República em Ijuí, Noroeste do Estado, ficou pequena para os cerca de três mil torcedores que tomaram de assalto o coração da cidade para torcer pela Seleção Brasileira contra a Costa do Marfim. Bandeiras tremulando, vuvuzelas ensurdecendo e uma equipe da Rede Globo em Ijuí deram o tom do dia que entrou para a história da cidade.
O Hino Nacional brasileiro, bradado a plenos pulmões pela torcida, deu início às emoções da tarde. Quando Dunga apareceu no telão instalado na Praça, o povo se encheu de orgulho e gritou palavras de apoio ao capitão do tetra.
Os gêmeos Artur e Elisa Azambuja, nove anos, foram a caráter à Praça. Com óculos, perucas e camisas, os dois torceram como gente grande. A farmacêutica Arlete Azambuja, 44 anos, mãe da dupla, comprou os acessórios para a festa de aniversário dos gêmeos, que coincidiu com a estreia do Brasil na Copa.
– O que a gente compra para um tem de comprar para o outro – relata.
E com a força de mil elefantes, Artur, Elisa e todos que estavam na Praça fizeram o chão tremer nos três gols do Brasil. Nem Freud poderia explicar a euforia que invadiu os corações dos torcedores.
Aparentemente alheio à festa, o responsável por levar as imagens de Ijuí para todo o país, Saulo Mezzomo, estava enfiado no furgão da RBS. Ele conta que 10 funcionários foram mobilizados para o trabalho. E confessa:
– Nossa comemoração é mais contida por estarmos acostumados com futebol.
Após a vitória, ao som de Macarena e outros sucessos, a torcida aguardou a aparição da cidade em rede nacional. Quando o repórter Luciano Calheiros disse as primeiras palavras, a Praça veio abaixo. Os conterrâneos de Dunga tiveram tudo para viver um domingo perfeito. E foi exatamente o que aconteceu.

