Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de julho 2007

Mateus Andrighetto Tamiozzo

08 de julho de 2007 12

A república de Dunga

Tinha tudo para ser um domingo perfeito na terra de Dunga. A Praça da República em Ijuí, Noroeste do Estado, ficou pequena para os cerca de três mil torcedores que tomaram de assalto o coração da cidade para torcer pela Seleção Brasileira contra a Costa do Marfim. Bandeiras tremulando, vuvuzelas ensurdecendo e uma equipe da Rede Globo em Ijuí deram o tom do dia que entrou para a história da cidade.

O Hino Nacional brasileiro, bradado a plenos pulmões pela torcida, deu início às emoções da tarde. Quando Dunga apareceu no telão instalado na Praça, o povo se encheu de orgulho e gritou palavras de apoio ao capitão do tetra.
Os gêmeos Artur e Elisa Azambuja, nove anos, foram a caráter à Praça. Com óculos, perucas e camisas, os dois torceram como gente grande. A farmacêutica Arlete Azambuja, 44 anos, mãe da dupla, comprou os acessórios para a festa de aniversário dos gêmeos, que coincidiu com a estreia do Brasil na Copa.

– O que a gente compra para um tem de comprar para o outro – relata.

E com a força de mil elefantes, Artur, Elisa e todos que estavam na Praça fizeram o chão tremer nos três gols do Brasil. Nem Freud poderia explicar a euforia que invadiu os corações dos torcedores.

Aparentemente alheio à festa, o responsável por levar as imagens de Ijuí para todo o país, Saulo Mezzomo, estava enfiado no furgão da RBS. Ele conta que 10 funcionários foram mobilizados para o trabalho. E confessa:
– Nossa comemoração é mais contida por estarmos acostumados com futebol.

Após a vitória, ao som de Macarena e outros sucessos, a torcida aguardou a aparição da cidade em rede nacional. Quando o repórter Luciano Calheiros disse as primeiras palavras, a Praça veio abaixo. Os conterrâneos de Dunga tiveram tudo para viver um domingo perfeito. E foi exatamente o que aconteceu.

Thiago Tieze

08 de julho de 2007 1

Joguinho de compadres

Chocalhos, apitos, algumas vuvuzelas e deliciosos bolinhos de bacalhau. Ontem, no restaurante Casa de Portugal, em Porto Alegre, havia cerca de 60 pessoas em clima de festa. A chuva que caiu o dia todo não esfriou a confraternização entre os torcedores de ambas seleções.

Próximo do início da partida, as ruas da Capital estavam vazias. O trânsito fluía como num domingo de inverno, embora fosse sexta-feira. Parecia que todos assistiam a Portugal X Brasil em seus lares. Neste terceiro jogo da primeira fase, os brasileiros ficaram receosos com o futebol apresentado, enquanto os lusitanos ficaram satisfeitos com o empate sem gols.

“Os dois tem que se classificar. Mas acho que o Brasil deve ganhar o campeonato”, afirmou Fernando Dinis, angolano radicado no Brasil desde 1977.

“O zero a zero está ótimo. São pátrias irmãs”, completou o português José Manuel Teixeira Guimarães, que vive há 35 anos no País.

O tenso confronto de estreia, aquele 2 a 1 contra a Coreia do Norte, visto numa ensolarada Lima e Silva, lotada por jovens torcedores e o garçom “Biro-biro”. Ou então, a euforia com os 3  a 1 contra a Costa do Marfim, desfrutados em telões montados no Parcão, onde chineses, vendendo cornetas, só sabiam dizer  “1 por 6, 2 por 10”, não previam uma partida tão insossa.

O discurso e o clima amigáveis, explícitos no restaurante, não ecoaram em campo. As chegadas duras do zagueiro Lúcio em Cristiano Ronaldo desagradaram a torcida feminina. Enquanto a retranca portuguesa, os erros de passe e a falta de criatividade, dos dois lados, fez o televisor de tela plana parecer enfeite de parede.

Ao fim do jogo, o chef de cozinha Cid Fernandes, brasileiro, contemporizou “assim fica tudo em casa. Principalmente num joguinho como o de hoje. Jogo de compadres”.

Caroline Torterola

08 de julho de 2007 3

Simplesmente torcer

O dia era chuvoso em Porto Alegre, mas não impediu que centenas de pessoas se reunissem em um shopping no bairro Floresta onde foi instalado um telão para assistir ao jogo da seleção brasileira contra Portugal, correria e ansiedade pela partida marcaram a chegada.

Estudantes, profissionais liberais, grupo da terceira idade, pessoas comuns, aquelas que sentem alegria por assistir aos jogos com um grupo maior, na verdade fazer parte desta festa linda que de quatro em quatro anos fortalece o orgulho de ser brasileiro.

Ah o décimo segundo jogador sempre fazendo um show à parte, ele que não entra em campo e que faz do jogo de futebol, especialmente dos jogos da seleção, um momento ímpar, mágico, essencial e vibrante o instigante torcedor. Foi lindo ver aquelas pessoas das mais diferentes realidades chegarem ali munidas de bandeiras, vestidas a caráter com o sorriso largo e o brilho no olhar repleto de expectativas em um único e comum objetivo, para aqueles brasileiros é sempre mais que um jogo de futebol, é o jogo da “nossa seleção”.

Bola em jogo e os olhares vidrados no telão sorrisos, tensão, mão na cabeça, aplausos, decepção, euforia, alegria, tudo junto e misturado. Torcedor que torce de verdade se joga, se entrega, vibra, grita, briga com o juiz, com o técnico e tem certeza de estar com a razão. O espetáculo não foi à altura da seleção canarinho, um jogo sem gols nunca é um show completo e a decepção estampou certos olhares que ao longo da partida transformaram-se sem nunca perder a principal motivação: simplesmente torcer e torceram muito.

O esporte é chamado “futebol”, agora o “jogo de futebol da seleção brasileira” para cada uma daquelas pessoas é uma arte valorizada, engrandecida e festejada como toda arte merece e deve ser reverenciada.

Andressa Pazzini

08 de julho de 2007 1

Torcida encara frio de 15°C e
festeja a vitória sobre a Costa do Marfim

Nem o frio de 15°C espantou os torcedores porto-alegrenses que assistiram a partida entre Brasil e Costa do Marfim no Parcão, na tarde deste domingo. Munidas de vuvuzelas, perucas e bandeiras, centenas de pessoas lotaram a Arena Coca-Cola e demonstraram toda a paixão que move os brasileiros quando soma-se futebol e uma competição como a Copa do Mundo.

No local, dois telões transmitiram ao vivo o embate entre a equipe de Dunga e a seleção do técnico sueco Sven-Goran Eriksson. Logo no primeiro tempo, a torcida foi surpreendida por uma Seleção Brasileira mais ágil, diferente da partida de estréia, contra a Coréia do Norte, no dia 15. Ainda assim, alguns torcedores discordaram da escalação do técnico gaúcho, como Noé Melo Fernandes, 75 anos, mais conhecido como “Gaúcho do Beira-Rio”. Vestindo traje gaudério nas cores verde e amarelo e com uma réplica da taça da Copa na mão, Fernandes opinou sobre a os jogadores Kaká e Ronaldinho Gaúcho:

“Apesar de preferir a atuação de Ronaldinho Gaúcho, apóio a decisão de Dunga. Admiro muito a sua personalidade”, disse Fernandes.

Outros torcedores manifestaram suas preferências em relação à equipe, como os chineses Manuel Deng e Leonardo Ni, intercambistas que estão em Porto Alegre há sete meses. Com as cores verde e amarelo estampadas no rosto, Deng e Ni foram firmes ao falar dos jogadores.

“Gostamos muito da Seleção Brasileira, mas desta vez a escalação ficou enfraquecida sem os Ronaldos (Gaúcho e Fenômeno)”, afirmaram.

Apesar das reclamações (ou será o espírito “reacionário” que falou o ex-jogador Sócrates?), os dois gols de Luis Fabiano e o gol de Elano foram suficientes para fazer a torcida vibrar com a vitória de 3 a 1 sobre a Costa do Marfim, o que garantiu a classificação do Brasil para as oitavas de final.

Elder Nunes Corrêa Junior

08 de julho de 2007 27

Nove vale dez

Dia de jogo da Seleção, o Brasil inteiro para. Foi assim no primeiro, quando vencemos por 2 a 1. Nem a decepção pela sofrível vitória sobre os fracos norte-coreanos desanimou os torcedores canarinhos.
No jogo seguinte, os amigos foram a minha casa. Colorados e gremistas iriam torcer juntos pela vitória nacional.

Dunga foi o assunto preferido. Afinal, todo brasileiro tem um pouco de técnico. Projeta substituições, entre uma pipoca e outra, xinga a mãe do goleiro adversário, já no segundo gole verde-e-amarelo. E sofre. Sofre como um cão em vai-e-vem, sem poder botar o pé no gramado, na bola e no traseiro dos inimigos circunstanciais.
A indisposição com o treinador se acentuou quando dois amigos anunciaram o valor da aposta: 10 reais.

Rodrigo Godoy dizia que Luis Fabiano marcaria dois gols na partida, o que foi contestado por Felipe Severo – que tecia severas críticas ao jogador e ao técnico.

Kaká deixou Luis Fabiano na cara do gol. A torcida explodiu: Brasil, 1 a 0! A aposta estava pela metade. Os dois se provocavam. Felipe ainda duvidava do Camisa 9.

No segundo tempo, em um balão para ataque, a redonda caiu perto do nosso centroavante, marcado por três defensores marfinenses. Era seu dia. O Fabuloso tocou a Jabulani com a mão e com o braço, passou pelos adversários. Gooolaço! Sem chances para o goleiro.

Os amigos se abraçaram, afinal, o time jogava bem, e ainda ampliou com Elano. Nem o gol de Drogba estragou a festa. Felipe saiu porta afora, uma arara como a da nota de 10 – não queria replay, nem Copa do Mundo, as vuvuzelas lhe doíam os ouvidos.

O vídeo em comemoração ao segundo gol do Brasil naquele 3 a 1 ensina a nunca se duvidar de um camisa nove. Vale dez. “Dez pila!”, vibrava Rodrigo, comemorando o resultado do jogo.

Gislaine Madureira Monteiro

08 de julho de 2007 0

Em época de Copa, coloco todas as minhas emoções para fora. Canto, danço, grito e envio todas as minhas energias para aqueles que estão em campo na busca de mais um título para a nossa seleção. Além do mais, são quatro anos de espera, de ansiedade, de preparação.

Ah… Como torcer é bom! Reunir a família, os amigos, os colegas do trabalho, os vizinhos… Todos com um só objetivo: ver o nosso país se tornar HEXACAMPEÃO.

Mas uma coisa eu digo: – Não é fácil, não! Os nervos estão à flor da pele!

Queremos correr para chegar a tempo de ver o jogo, não podemos perder um só instante, um só momento, um só lance.

Aqui na torcida, muita pipoca, “vuvuzelas”, apitos e bandeiras.

Na hora do Hino, o coração bate mais forte. As vozes se unem e juntas, vibram de emoção. Nas feições, esperança, alegria, confiança, medo, ansiedade… Será que vamos vencer? O que importa neste momento é torcer, assim não temos nada a perder.

Quando o jogo começa, aquele silêncio e olhos grudados no telão.

O time adversário – Costa do Marfim -, não dá trégua. No campo, faltas, empurrões e alguns cartões. Mas os jogadores brasileiros são fortes e seguem agüentando o “tranco”.

Passado algum tempo, Luis Fabiano, numa jogada com Kaká e Robinho, estreia a rede adversária com um chute espetacular. Que lindo gol! “Fabuloso”! A galera “foi às nuvens”!

Mas não para por aí… Luis Fabiano está entusiasmado e decide fazer mais um para alegrar a vida do torcedor. Outro “golaço”! E antes de terminar, Elano fecha com chave de ouro, nos presenteando, novamente, com bola na rede.

É… Parece que desta vez a Costa do Marfim vai ter que esperar.

E o Brasil? Ah… O Brasil, tenho certeza que vai chegar lá, e irá nos trazer esta taça que tantos sonham em pegar, mas muitos, só podem admirar.

Alvaro Andrade

08 de julho de 2007 6

Uma seleção de incansáveis

Terça-feira, dia útil, horário comercial. Pessoas correm aparentemente sem rumo. No Centro de Porto Alegre, uma rotina completamente alterada. Aos poucos, as ruas ficam vazias. O barulho de cornetas e buzinas se mistura ao som das transmissões de rádio e TVs espalhadas pelos prédios. A Avenida Voluntários da Pátria está em verde e amarelo. Faltam 10 minutos para o Brasil inteiro entrar em campo. O clima é de Copa.

Todos foram ao largo Glênio Peres para assistir à estreia da seleção brasileira. Gremistas, colorados, ricos e pobres: as diferenças são postas de lado em nome da torcida pela vitória. “Pra gente não muda nada, mas se eles ganham, dá orgulho, a gente fica feliz”, resume o aposentado José Selau Mengue, de 59 anos. Ele veio de São Lourenço do Sul para ir ao médico, mas não conseguiu consulta.
O remédio foi esperar uma vitória da seleção: “depois não entendem porque só o futebol é que dá alegria pro povo”, reclama. A cada lance de perigo, uma vibração em coro. Algumas chances desperdiçadas, o primeiro tempo termina, e o catador de latas sentencia: “Kaká não tá nada bem”. Ele e os outros 190 milhões de técnicos brasileiros sofrem com as dificuldades do time de Dunga nos primeiros 45 minutos da seleção na Copa da África.

O árbitro apita o início do segundo tempo. A senhora faz o sinal da cruz, outros benzem seus patuás; a menina faz figa. E parece que a fé e a mandinga do brasileiro dão certo. O gaúcho Maicon entra pela direita, chuta cruzado e está feito o primeiro gol dos pentacampeões em terras africanas. O Centro explode em êxtase e até o policial militar esboça uma recatada comemoração. Mais alguns minutos e Elano recebe um passe primoroso de Robinho. Ele amplia: 2×0. Nem o gol norte-coreano é capaz de estragar a festa, que só aumenta quando a partida acaba. Carnaval gaúcho em pleno mês de junho.

Pela décima quinta vez em 19 mundiais, o Brasil vence na estreia. Uma vitória apertada, um pouco sofrida. Não por acaso, como a rotina da maioria dos brasileiros. Isso talvez ajude a entender a grande identificação desse povo com sua seleção: a incansável luta pela vitória.

Pricilla Farina Soares

08 de julho de 2007 2

Domingo  de futebol brasileiro

Ruas vazias e carros parados em frente às garagens. Era um domingo de sol atípico nos últimos quatro anos. Todos atentos à televisão esperavam o hino nacional começar. Em uma sala decorada com balões, flâmulas, máscaras e cornetas, a família Crespo Lopes aguardava o time do Brasil, que iria enfrentar a seleção da Costa do Marfim no seu segundo jogo na Copa do Mundo da África do Sul. A família esperava um jogo melhor do que contra a Coréia do Norte.

Assim que o jogo iniciou, Eduardo e Guilherme, ambos de quatro anos, pararam de soprar as cornetas para torcer pelo time. É a primeira Copa do Mundo dos primos, que já sabem da fama do futebol brasileiro: “o Brasil vai fazer muitos gols”, disse Eduardo com a roupa nas cores do país. Parece que a previsão não estava tão errada.

Aos 25 minutos do primeiro tempo Luís Fabiano fez o primeiro gol e todos se levantaram para comemorar. A espera deu lugar à animação e as crianças pareciam entoar o mesmo som das vuvuzelas dentro do estádio Soccer City, em Joanesburgo.

Assim que o segundo tempo começou os Crespo Lopes não tiveram tempo de encerrar a conversa quando Luís Fabiano marcou o segundo gol para o Brasil. Com a ajuda das mãos, somente o juiz e os brasileiros para vibrarem com o erro que ocasionou um dos gols mais bonitos do “Fabuloso”. Os marfinenses apelaram para uma apresentação agressiva após o terceiro gol do Brasil feito por Elano. O time de Dunga acabou levando um gol de Drogba, o craque da Costa do Marfim.

O adversário tentou fazer o Brasil se sentir acuado, mas o time dos brasileiros, o primeiro time dos primos Eduardo e Guilherme não se deixou intimidar. Jogou apenas para que todos naquela sala, e todos que em algum lugar vestiam o verde e amarelo pudessem realmente honrar o que a Jabulani expressa: celebração.

Emilia de Moura

08 de julho de 2007 10

Brasil X Coréia do Norte. 1º tempo.

O Centro de Convivência da Universidade de Passo Fundo está cheio, mais de cem pessoas reunidas em frente a um telão. Soa o apito, os olhos estão atentos, uns mais, outros menos. O cheiro de pipoca e a evidente excitação enchem o lugar com certa expectativa que passa, vibrando, de um para outro. Muitas pessoas reunidas é assim, a emoção começa a esquentar devagar, e aos poucos ferve e toma conta do lugar. As manifestações de indignação, de alegria dos mais fervorosos, vão contagiando os mais tímidos, que começam então, a fazer acenos mais fortes de cabeça, dar sorrisos mais largos. Ali, estão acadêmicos de Passo Fundo e região.

Ali, estão o pessoal que atende nos restaurantes, as moças da limpeza. Mas, ninguém parece ligar para isso, unidos talvez por uma paixão, ou pelo bem estar da companhia dos amigos, fazem com que as fronteiras simplesmente desabem, não só as geográficas, mas também as de cor, de raça, de classe. Uuuuu!Quase gol! Com o passar dos minutos o envolvimento é cada vez maior, o coração acelera, é praticamente inevitável: você acaba se engajando, e de repente, é aquela corrente pra frente. Fim do

1º tempo: 0X0.

2º tempo. Outra torcida.

É comum ver famílias reunidas, mas dessa vez dá para sentir a diferença no ar.Eles não estão só reunidos, estão mobilizados. Avós, pais, netos, irmãos… Aqui, ninguém tem vergonha de se exaltar, todos passam a ser técnicos e a entender tudo de futebol: foi pênalti!Tá impedido! Todos gritam, vibram!E então, o ápice: GOL! E aí é aquela profusão de palmas, abraços e sorrisos que se repete no gol seguinte. No final, a Coréia até desconta, mas ninguém comenta muito isso. Naquela sala estavam crianças, jovens, idosos, todos com as suas diferenças. Diferenças?! Que diferenças? Ali todos eram experts, e o orgulho estava estampado nas cores, na empolgação, nas risadas, estava na cara.

Marilei Pessatti

08 de julho de 2007 12

Domingo verde e amarelo

“Vuvuzela não”! Assim sou recebida na casa de Cláudio Czyzeski em Soledade. É dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Além do aviso me espera um típico churrasco de domingo em família. Muita carne, maionese caseira e “a sobremesa é Chico balançado”. A filha para de encher os balões para contestar: “é balanceado mãeeee!”

Concentração das torcidas, gremistas e colorados preparam-se para juntos (pode isso?) acompanhar a Seleção Brasileira. Começa Brasil X Costa do Marfim. Meu anfitrião nervoso ouve a transmissão pelo radinho de pilha, “jogo morno”, mas que aos 24 minutos esquenta: “Gooolll, do Luís Fabiano”. O povo do seu Cláudio comemora.

O clima fica mais descontraído, cada um curte e torce pela seleção do seu jeito, no rádio, na TV, ligados no celular ou ainda conectados ao twitter. Não importa a tecnologia, aos 5 minutos do segundo tempo ecoa um novo grito de gol: “peraí, foi mão, valeu, valeu, é gol,” de novo Luís Fabiano.

Entre discussões de mão na bola, bola na mão, chega a hora do lanche, mas não deu muito certo. Aos 16 minutos tinha pipoca para todo lado. Foi o terceiro gol, Elano. Fiquei me perguntando por que a corneta não? O estourar dos balões verde-amarelos era mais alto do que todas as vuvuzelas da África.

Segue o show, não de bola, mas de agressões e provocações. Pouco futebol, muita falação, jogo violento. A Costa do Marfim segue batendo. Sai Elano, machucado, entra Daniel Alves. Drogba, aos 33 e sem impedimento, de cabeça, acerta a jabulani e balança a rede de Júlio César, 3X1. Empurra daqui, deixa cotovelo de lá, e com 2 cartões amarelos (como?) Kaká é expulso.

Fim de jogo. Brasil já classificado para as quartas de final. Seu Cláudio acha que dei sorte: “Tu és pé quente, te quero aqui no próximo jogo, torcendo pelo hexa”. E eu agradeço, por tudo…

E no Bolão do Claudião

Juliano, amigo da família, se deu bem e não precisou pagar sua parte na comilança da comemoração, acertou o placar de 3 X 1.
No Bolão da Copa ele aposta no “Brasil, é claro”. Confira os outros palpites:

Placar do Jogo Campeão do Mundial
Cláudio – 2 X 0                               Argentina
Edilene – 2 X 0                                Brasil
Alessandra – 2 X 1                         Brasil
Renata – 1 X 0                                 Brasil
Pablo – 2 X 1                                   Brasil
Douglas – 1 X 1                               Argentina