Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de outubro 2009

O alerta que vem do México

31 de outubro de 2009 2

Como é de seu feitio, ao começar a preparar a viagem ao México para tentar decifrar a mais recente guerra instalada na América, o repórter Humberto Trezzi tentou fazer contatos prévios com autoridades e jornalistas acostumados à cobertura do banho de sangue que aquele país enfrenta. Não conseguiu, pois todos driblavam o repórter brasileiro como se portasse uma doença contagiosa, transmissível inclusive por telefone. O México vive assim: em Estado permanente de medo.

Jornalistas, policiais e políticos desviavam o assunto inicial do telefonema, perguntando, por exemplo, se não era melhor ele viajar para fazer turismo. Às vésperas do embarque, Trezzi teve de se passar por um amigo brasileiro para a secretária do editor de um jornal. Quando o periodista mexicano aceitou pegar o telefone, constrangido pelo recado anterior de que “não estava”, concordou em falar, mas só pessoalmente.

O medo está respaldado por fatos. No final do ano passado, um repórter que cobria a guerra entre traficantes no México foi assassinado em frente à filha, ao buscá-la na escola. Há um mês, um repórter de outro jornal foi executado em plena redação por um bando de pistoleiros a mando de um dos seis cartéis que dominam o país. As pessoas se negam a fornecer o nome ao dar entrevista.

Na fronteira, os empresários pagam pedágio às máfias para não serem assaltados ou sequestrados. Os policiais em serviço usam toucas ninja para não serem identificados. Os repórteres que cobrem crime não assinam reportagens. O capo de um dos cartéis, especializado em eliminar policiais, criou um site no qual exibe fotos das vítimas vivas – e depois, mortas.

Todo esse cenário também assustou Trezzi, mesmo acostumado à cobertura de conflitos. Em 25 anos de profissão, cobriu combates entre o exército e as Farc na Colômbia, viajou pelo menos em seis oportunidades ao conturbado Paraguai, acompanhou ações criminosas do PCC em São Paulo, visitou o front de guerras civis em Angola, Haiti e Timor Leste e conhece na intimidade a Guerra do Rio, onde esteve 14 vezes em 20 anos, muitas vezes subindo morros em meio a tiroteios entre traficantes, policiais e militares.

– Nunca vi tanto morto – disse Trezzi ao chegar de volta à Redação de ZH, sexta-feira, após mais de 25 horas em aeroportos e aeronaves.

O repórter descreve:

– Em cinco dias, vi uns 60 cadáveres estirados nas ruas, em lojas, em restaurantes, em carros. São metralhados de uma maneira que eu só tinha visto em filmes de máfia. Matam no meio da rua e de dia para mostrar poder de fogo.

A série de reportagens que ZH inicia hoje a partir da página 20 vai mostrar como o México virou a nova Colômbia e traçará um paralelo com o Brasil: a desintegração mexicana pode se repetir se não for estancada a guerra nos morros do Rio, com 42 mortos nas últimas duas semanas. O que aconteceu no México ao longo da história foi uma tentativa ingênua de pactuar com bandidos. O acordo reduziu o número de cadáveres locais, mas incrementou o tráfico de drogas e exportou a morte a conta-gotas.

Sugerida pelos EUA, a reação atual incendeia o país dos sombreros: só nos primeiros 10 meses de 2009, são mais de 7 mil mortes, incluindo aí juízes, políticos, promotores, policiais e jornalistas. Com o conhecimento de quem mantém há três anos a principal coluna de jornal brasileiro sobre segurança, Trezzi pontua um diagnóstico: a reação foi tardia. O alerta pode servir para o Rio, para São Paulo ou para Porto Alegre, onde há vilas fechadas à noite por comandantes do tráfico e a BM é convidada a não entrar.

A morosidade da segurança pública é irmã da corrosão social.

Veja imagens gravadas por Humberto Trezzi no México:

A noite que não acabou

31 de outubro de 2009 0

O repórter do ClicEsportes Eduardo Cecconi e o fotógrafo de Zero Hora Nauro Júnior lançam nas feiras do livro de Pelotas e de Porto Alegre a obra “A noite que não acabou”. O livro-reportagem conta a história do acidente ocorrido com a delegação do Brasil de Pelotas, clube de futebol conhecido como Xavante, no dia 15 de janeiro de 2009.

Oito capítulos estão divididos em 300 páginas, que vão desde os bastidores da trágica viagem, até o final do Campeonato Gaúcho deste ano. Há ainda 16 páginas de fotos. No acidente, morreram os jogadores Claudio Milar e Régis, e o preparador de goleiros Giovani Guimarães.

O escritor Aldyr Garcia Schlee assina o prefácio. O lançamento, da Editora Livraria Mundial, de Pelotas, conta ainda com o projeto gráfico da Nativu Design, e a participação do jornalista Eduardo Lorea na revisão e na edição do texto.

Lançamento na Feira do Livro de Pelotas:

Hoje,às 18h, na Praça Coronel Pedro Osório

Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre:

Dia 04 de novembro (quarta-feira), às 17h30min, na Praça da Alfândega

Trecho do capítulo 3 – Curva

A curva tem uma mureta metálica de proteção em sua margem externa. De dia, o guard rail mais parece o parapeito da janela onde se debruça uma coxilha logo à frente.

À direita da ondulação do relevo, há uma área cultivada com acácias para florestamento destinado à indústria de celulose. Recobre o morro a característica vegetação rasteira do pampa, com herbáceas variadas. Pouco à esquerda, mais abaixo, sobrevive uma pequena plantação de milho.

Da coxilha vultosa ao cúbito da curva faz-se um vale. Em qualquer dos pontos mais altos – na margem da estrada, ou no topo do morro – percebe-se a profundidade que tem em sua base fileiras quase simétricas formadas por um arbusto nativo chamado popularmente de vassoura.

O sol valoriza todas as cores do Paraíso. E torna até agradável o acesso da rodovia estadual em curva à direita inclinada até a federal. São nuances de todos os verdes misturados ao dourado da palha do milho e às singelas gotas de vermelho e amarelo das flores do campo adornando os arbustos.

Mas à noite a paleta de pintura confunde todas as tintas, que pela ausência de cores oferecem o preto como resultado. A coxilha desabitada une-se ao céu, que se compacta ao vale, e abraça a mata nativa, a plantação e as árvores exóticas. O inspirado quadro transforma-se em um paredão uniforme tão negro quanto a própria escuridão.

45 motivos para ir à feira

30 de outubro de 2009 0
Sucesso entre leitores de Zero Hora e estudantes de jornalismo, o livro 45 Reportagens que Fizeram História terá sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre. A obra foi lançada em maio deste ano em comemoração aos 45 anos do jornal dos gaúchos.
Diversos jornalistas cujas reportagens são retratadas no livro participarão da sessão coletiva, que será às 18h do dia 7 de novembro no andar térreo do Memorial do RS, na Praça da Alfândega.
O preço nas barracas da RBS Publicações e da Câmara será de R$ 20,90.
Não perca.

Um livro para o ensino superior

29 de outubro de 2009 0

As mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio, a expansão e modernização de universidades e o novo perfil dos cursos superiores motivaram Zero Hora a registrar tudo isso em um livro. Editado pela RBS Publicações, o trabalho (já disponível para assinantes) será lançado na Feira do Livro e chega à bancas como o nome Tudo o que Você Precisa Saber para Entrar na Universidade. As 112 páginas foram produzidas entre uma edição e outra do caderno Vestibular, onde a repórter Lúcia Pires atua desde 2001. O conteúdo parte do levantamento da oferta de graduação no Estado, mas reúne dados das últimas avaliações do Ministério da Educação no país, oportunidades que surgem em outras regiões, com o Sistema Integrado de Seleção Unificada do MEC e orienta os estudantes na escolha da profissão e na vida acadêmica.

Veja o que diz a autora do livro, guardiã do tema educação universitária, em ZH:

“O Ensino Superior está passando por uma revolução. Quem trabalha com educação sabe: há um esforço do governo federal em ampliar esse grupo de estudantes. Acompanhar a trajetória desses estudantes é o meu cotidiano. E com tantos anos na área já pude comprovar que a informação é a melhor forma de ajudar alguém a montar um projeto profissional e escrever a sua história. O Guia das Profissões lançado pela RBS Publicações é agora mais uma chance de ajudar a ampliar o conhecimento da sociedade e, quem sabe, mudar o mundo. Por que não?”

Como adquirir:

- Assinantes de ZH podem comprar o livro por R$ 21,90, pelo fone 0800-0513323 ou pelo site www.zerohora.com/rbspublicacoes

- O guia estará à venda na barraca da RBS Publicações e de algumas livrarias na Feira do Livro

- Nas livrarias, o preço sugerido é de R$ 29,90

ZH em Jaguarão

28 de outubro de 2009 1

Para marcar o centenário do tratado do limite Brasil – Uruguai, o fotógrafo de Zero Hora Nauro Júnior abre sua exposição de fotos “Expedição Lagora Mirim”, na Casa de Cultura de Jaguarão, nesta quinta-feira. Nauro, correspondente de Pelotas, foi um dos integrantes da equipe de ZH que realizou uma viagem pela lagoa entre 1º e 14 de outubro.

Durante duas semanas a bordo de um pesqueiro, o fotógrafo, o repórter Carlos Etchichury e a estudante de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mariana Müller, percorreram a lagoa que ocupa o extremo sul e avança pelo Uruguai. Mariana foi a vencedora de um concurso promovido por Zero Hora entre estudantes de jornalismo.

A aventura foi acompanhada pelos pescadores Reinaldo Dias, o filho dele Reginaldo Termezana Dias e a nora Michelle. A exposição inicia a partir das 19h na Casa de Cultura, onde também será realizada uma conversa com os jornalistas que realizaram a reportagem.

Abaixo, veja algumas fotos feitas por Nauro durante a expedição:

Jornalista mil e uma utilidades

27 de outubro de 2009 0

Apesar de ser importante para a Zero Hora ter repórteres especializados em determinados temas, a versatilidade é ingrediente fundamental no perfil dos profissionais. Que o diga Vanessa Nunes, nossa nerd em tecnologia.

Na quarta-feira passada, ela foi a São Paulo acompanhar o lançamento do Windows 7 e produzir a reportagem cujos bastidores você acompanhou aqui e aqui.

A viagem, prevista para durar um dia, se prolongou. Vanessa recebeu a missão de ir até a clínica onde o ex-Polegar Rafael Ilha vive. Acostumada a escrever sobre nerdices, a repórter imergiu num universo completamente diferente do que costuma retratar em seus textos para mostrar aos leitores a rotina do ex-cantor e de outros dependentes químicos que lutam contra o drama das drogas.

Reveja as reportagens 

Leia o depoimento de Vanessa Nunes:

“Saí de Porto Alegre para fazer o que estou acostumada: escrever sobre um grande lançamento do setor de tecnologia. Mas a gente nunca sabe o que essa profissão nos reserva.
Estava já em São Paulo quando recebi um telefonema da Redação de Zero Hora para que ficasse mais um dia na cidade para fazer uma reportagem sobre o drama do ex-cantor Rafael Ilha, que fez fama com o grupo Polegar.
Resultado: passei dois dias vestindo a mesma roupa. Minha sorte é que tinha o desodorante na necessaire, o que me poupou de ir às compras mais urgentes. No hotel, havia escova e pasta de dentes. Mas os cabelos, bem… tive mesmo de penteá-los com os dedos.
Esse improviso até que não era o que mais me angustiava, e sim a possível frustração de voltar para casa de bloco vazio. Só que dei sorte. A clínica em que o ex-Polegar mora é de um gaúcho, que logo topou abrir as portas para a ZH. Não tive dúvidas. Devia ir até Embu-Guaçu, cerca de 40 quilômetros de onde estava, para contar como era a rotina do ex-astro no local.
E foi daquelas experiências que só o Jornalismo poderia me proporcionar: pôr os pés em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos, transitar em uma realidade que não é a minha.
Na ZH, conto muitas histórias do mundo virtual. Mas ali era não só o mundo real, e sim uma das suas faces mais chocantes.”

Saiba tudo sobre ZH

27 de outubro de 2009 0

Dúvidas sobre o jornal?
Quem faz parte das equipes? Como o jornal é impresso? De que forma faço um anúncio? ZH Responde.
Elucidar as dezenas de dúvidas enviadas à Redação todos os dias é o espírito desta seção no site de Zero Hora. Funciona como um grande armazenador de perguntas e respostas de questões recorrentes entre os públicos do jornal. Ali, você encontra o detalhamento dos setores, rotinas e processos _ um forte canal de comunicação entre jornalistas e leitores. Quer um exemplo? Confira o gráfico explicando o funcionamento do novo parque gráfico.
Não deixe de visitar o ZH Responde

Árvores mudam visual da Redação

26 de outubro de 2009 1

A Redação ZH ficou mais verde no início da tarde de hoje com as mudas de árvores distribuídas por funcionários da Secretaria Estadual do Meio Ambiente que passaram imediatamente a enfeitar as mesas de trabalho das equipes das diversas editorias do jornal.
Tudo isso faz parte do projeto Árvore é Vida que pretende estimular o plantio de 1 milhão de árvores nativas até abril de 2010 no RS. Entre as espécies estão ingá-feijão, ipê-roxo, cocão, araçá, canafístola, caliandra, pitangueira-negra, cedro, cerejeira, pau-ferro, caroba e tarumã-de-espinho. 
As fotos são de Jefferson Botega.

Arte digital na capa do Caderno de Esportes

25 de outubro de 2009 0

Mesmo acostumado com a rivalidade Boca Juniors x River Plate (que também se enfrentam neste domingo), o argentino Gonza Rodriguez, desenhista freelancer da Editoria de Arte de ZH, ficou impressionado com o envolvimento dos gaúchos na semana que antecede um Gre-Nal.
Em função das consequências que o resultado do jogo deste domingo terá no futuro de Grêmio e Internacional dentro do Campeonato Brasileiro, ele produziu a ilustração da capa do Caderno de Esportes.
No processo de produção, Gonza utilizou inicialmente uma foto de dois colegas da Redação. Depois, montou digitalmente as caras dos técnicos junto a um castelo de cartas, criando um novo cenário. E através da arte digital ele desenhou a cena da capa.

As vozes e as imagens das ruas

24 de outubro de 2009 3

por Ricardo Stefanelli

Tão antigo quanto o jornalismo é a participação do público na produção de conteúdo dos meios de comunicação, mas, nos anos 2000, leitores, ouvintes e telespectadores assumiram tamanha importância que não se faz mais jornalismo sem o público _ como mostrou a capa de ZH de terça-feira, produzida por um auxiliar de enfermagem.

A foto principal era um flagrante impressionante e fiel da vida das pequenas cidades, dia sim, dia não, sobressaltadas pela ação de quadrilhas especializadas em assaltos a bancos. Os criminosos, como sabemos, não se contentam mais em atacar as agências, eles também usam a população à sorrelfa como escudo para as ações guerrilheiras.

Até uma década atrás, mais ou menos, somente quem vivienciava uma situação dessas tinha a exata noção do pavor. As demais, em geral via imprensa, recebiam relatos posteriores, nem sempre com a mesma carga de emoção ou de medo ou de veracidade. Agora, as imagens instantâneas produzidas por anônimos fornecem uma visão aproximada da vida real, e mudam o jornalismo.

Vinte minutos depois de iniciada a ação terrorista em Anta Gorda _ e antes ainda de ela ser concluída _ já chegavam à Redação de Zero Hora os primeiros relatos, no início da tarde de segunda-feira. Em seguida, desembarcaram as primeiras imagens. Aqui no Blog do Editor está a historia de moradores locais transformados segunda-feira em jornalistas por um dia. Vou contar dois casos deles.

Um dentista usou a máquina que fotografa a face e a arcada de seus pacientes para produzir, naquele dia, as cenas de guerra, como se no front estivesse. Colocou-se atrás das placas de um posto de combustível de modo a registrar as imagens de clientes e funcionários do banco de mãos dadas, fechando a rua em um cordão protetor ao bando armado com metralhadoras.

Um auxiliar administrativo abaixou-se próximo à janela do posto de saúde onde trabalha, bem em frente ao local onde a quadrilha manobrava, se abaixou, mirou a câmera do celular para rua a e observou tudo do visor do aparelho, improvisado como retrovisor. Em minutos, os telefones da Redação de ZH tocavam em todos os lados, de leitores oferecendo imagens de todos os ângulos das cenas de terror.

Foi-se o tempo em que máquinas de fotografia e filmadoras serviam apenas para registros familiares, confraternização entre amigos ou para eternizar viagens. A proliferação de câmeras permite também uma comunicação cada vez mais ágil – e, em especial, útil. Querem ver?

Graças a esta rede informal de colaboradores, cada vez mais pública, a polícia pôde ser acionada com rapidez e a Brigada Militar pôde prender quatro dos cinco bandidos. Graças à agilidade dos fotógrafos e cinegrafistas amadores (amadores?) pôde-se ter uma real dimensão do pavor que assola cidades até pouco tempo carimbadas de pacatas.

O flagrante deixou de ser uma exclusividade da polícia e da imprensa _ e por isso a polícia e a imprensa estão desafiadas a serem mais ágeis e atentas para auscultar o que vem do público.