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Uma coisa e outra

por Ricardo Stefanelli

Viciada em tecnologia, a ponto de trocar passeios em Paris em meio às férias para navegar pela internet, minha colega Vanessa Nunes afirma que os torpedos estão com os dias contados e que, em breve, o Orkut perderá charme. Com a autoridade de quem manteve uma dupla vida no Second Life, febre da rede em 2007 que logo perdeu o gás, Vanessa gosta de brincar com a volatilidade do mundo web, em especial das redes sociais.

Particularmente, resisti ao Orkut, mas não ao Twitter, onde me conectei como @ristefanelli no dia seguinte ao apagão que escureceu boa parte do Brasil na terça-feira. Logado, navega-se pelo mundo do importante e do irrelevante. É possível acompanhar William Bonner para receber com antecedência de algumas horas temas das reportagens do Jornal Nacional. Ou se divertir ajudando @realwbonner a selecionar a gravata do dia em enquete que ele próprio promove para estar alinhado, ao lado de Fátima Bernardes, na bancada.

O Twitter - microblog cujo texto das mensagens não pode ultrapassar 140 caracteres - é a rede social da hora, mas é provável que já na semana que vem, quem sabe, comece a sair de moda. Por fora, corre com fôlego o Facebook, criado em 2004 por um ex-estudante de Harvard e que agora se expande em diversos países.

O importante não é a ferramenta, e sim a transformação em curso: milhares de pessoas conectadas em tempo real, sem fronteiras, dispostas a trocar informações sobre qualquer assunto, a qualquer tempo. Ou mesmo jogar conversa fora. O objetivo das redes é facilitar a interação entre as pessoas, missão número 1 dos meios de comunicação social.

À frente de um veículo com 45 anos de história, percebo como as mídias sociais podem servir como aliadas do jornalismo tradicional. Para isso, é preciso filtrar o que está trafegando e, em especial, ficar atento a tendências. Em uma analogia, é como mandar um repórter à rua atrás de bons temas jornalísticos. Pois agora, além das ruas, há as redes sociais.

Para aproveitar a abundância de dados, pautas e discussões desse novo ambiente, ZH criou a função da editora de Mídias Sociais, ainda recente nas redações de todo o mundo. Há poucos meses, o The New York Times, a BBC e O Estado de S.Paulo também criaram o cargo. Escolhida para o posto, Barbara Nickel, 29 anos, passa a monitorar as redes a fim de flagrar tendências, acompanhando sugestões, críticas e perguntas de leitores. Barbara, em suma, terá de ser o que todo jornalista competente sempre precisou ser: atento.

Essa mudança estimula ainda mais a reflexão sobre a relação entre a web e o jornalismo. Vista com temor ou até preconceito no final do século passado, a internet se tornou imprescindível para viver nos anos 2000. Seu papel indispensável pôde ser comprovado, por exemplo, na noite de terça, quando milhares de brasileiros se conectaram pelo Twitter em meio ao apagão. Alertada por uma mensagem de 140 caracteres, ZH soube que a falta de energia já atingia até o Paraguai, enquanto a versão oficial admitia o blecaute em apenas quatro Estados brasileiros (no dia seguinte, o balanço subiria para 18 Estados).

No fim de semana passado, em Florianópolis, em meio ao 5º Encontro RBS de Jornalismo e Entretenimento, o professor Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas, convidado especial do evento, alertou que neste mundo digital vão sobreviver os jornais, rádios, TVs e projetos online relevantes para seu público. Como enfatizou o professor Rosental em sua palestra, não é mais “uma coisa ou outra”, como gostávamos de separar. Hoje, disse ele, “é uma coisa e outra”.
É Zero Hora - e @zerohora
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6 respostas para “Uma coisa e outra”

  1. Tiago Dória Weblog » Zero Hora cria cargo de “editora de mídias sociais” diz:

    [...] Seguido do Estadão aqui, no Brasil, o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, criou o cargo de “editora de mídias sociais“. [...]

  2. jader martins diz:

    Caro Ricardo, eu acho q jamais deixaremos de ler 1 jornal ou 1 um livro (ao vivo) em papel…poderão invehtar qualquer tipo de veiculo de comunicação e de noticias…mas os jornais e livros jamais deixarão de existir…sem duvida nenhuma…jader martins.-

  3. cleber magri diz:

    Com certeza o que mais assusta as grandes redes de comunicação é o jornalismo colaborativo. Ainda mais agora que o diploma não é mais obrigatório. Conectadas 100% do tempo, dispondo de ferramentas antes caras e de difícil acesso, (câmeras, notebooks,etc) qualquer cidadão é uma agência de notícias. Se tiver boa educação e souber distinguir o certo do errado, o ético do antiético, souber ouvir as duas partes e não vacilar muito na gramática de sua língua, coisa que os grandes sempre fazem, a informação, antes presa na mão das redes e agências, se torna livre e aberta. E não apenas o que passou na tv ou estava na capa do jornal.
    Um abraço!

  4. Jornalismo. ‘Zero Hora’ tem editora de mídias sociais | Liberdade Digital diz:

    [...] redes a fim de flagrar tendências, acompanhando sugestões, críticas e perguntas de leitores. No post de anúncio da nova função, o editor do ‘Zero Hora’, Ricardo Stefanelli descreveu: — à [...]

  5. Rodrigo Adams diz:

    Olá Ricardo,
    Acho muito legal que tu tenhas te posicionado sobre o assunto. Eu estudo Jornalismo na PUCRS e dedico muito do meu tempo as redes sociais. Acredito que elas revolucionarão ainda mais a profissão de jornalista. Escrevo para o Blog Vida de Universitário e Diário da Vida no Kzuka e sempre tento trazer novas tecnologias e atrativos para ambos. No Twitter, eu criei a primeira rádio desta ferramenta e, confesso, que os resultados estão sendo surpreendentes. Fico verdadeiramente feliz com a postura da ZH em criar o cargo que será ocupado pela Barbara Nickel. Isso é mais uma oportunidade que surge para os estudantes. Valeu mesmo!
    Abraço,
    @rodrigoadams
    http://www.kzuka.com.br/vidadeuniversitario

  6. Ed Döer diz:

    Quanto a sobrevivência dos jornais em formato tradicional (papel), acredito que não sobreviverão por muito tempo. Jornais tradicionais locais nos EUA tem quebrado nos últimos anos e o mesmo o NY Times já cogita ir para a web de mala e cuia deixando de lado sua versão impressa.
    Isso sem tocar no custo ecológico do jornal impresso que assim que termina sua impressão já está desatualizado. Diferente da web onde é possível atualizar em tempo real sem necessidade de gastar mais papel para isso. E como os mesmos jornais tradicionais nas mídias antigas estão presente na web, a credibilidade desse jornalismo permanece existindo, só muda o formato. É tudo uma questão de tempo, pois as gerações mais antigas e resistentes a mudança vão começar a bater as botas. Enquanto isso, as novas gerações que já nascem e crescem num mundo cercado por tecnologia onde a internet é cada vez mais importante, vão perceber que a mídia impressa não é mais necessária e pode ser substituída completamente.

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