Uma coisa e outra
Viciada em tecnologia, a ponto de trocar passeios em Paris em meio às férias para navegar pela internet, minha colega Vanessa Nunes afirma que os torpedos estão com os dias contados e que, em breve, o Orkut perderá charme. Com a autoridade de quem manteve uma dupla vida no Second Life, febre da rede em 2007 que logo perdeu o gás, Vanessa gosta de brincar com a volatilidade do mundo web, em especial das redes sociais.
Particularmente, resisti ao Orkut, mas não ao Twitter, onde me conectei como @ristefanelli no dia seguinte ao apagão que escureceu boa parte do Brasil na terça-feira. Logado, navega-se pelo mundo do importante e do irrelevante. É possÃvel acompanhar William Bonner para receber com antecedência de algumas horas temas das reportagens do Jornal Nacional. Ou se divertir ajudando @realwbonner a selecionar a gravata do dia em enquete que ele próprio promove para estar alinhado, ao lado de Fátima Bernardes, na bancada.
O Twitter - microblog cujo texto das mensagens não pode ultrapassar 140 caracteres - é a rede social da hora, mas é provável que já na semana que vem, quem sabe, comece a sair de moda. Por fora, corre com fôlego o Facebook, criado em 2004 por um ex-estudante de Harvard e que agora se expande em diversos paÃses.
O importante não é a ferramenta, e sim a transformação em curso: milhares de pessoas conectadas em tempo real, sem fronteiras, dispostas a trocar informações sobre qualquer assunto, a qualquer tempo. Ou mesmo jogar conversa fora. O objetivo das redes é facilitar a interação entre as pessoas, missão número 1 dos meios de comunicação social.
À frente de um veÃculo com 45 anos de história, percebo como as mÃdias sociais podem servir como aliadas do jornalismo tradicional. Para isso, é preciso filtrar o que está trafegando e, em especial, ficar atento a tendências. Em uma analogia, é como mandar um repórter à rua atrás de bons temas jornalÃsticos. Pois agora, além das ruas, há as redes sociais.
Para aproveitar a abundância de dados, pautas e discussões desse novo ambiente, ZH criou a função da editora de MÃdias Sociais, ainda recente nas redações de todo o mundo. Há poucos meses, o The New York Times, a BBC e O Estado de S.Paulo também criaram o cargo. Escolhida para o posto, Barbara Nickel, 29 anos, passa a monitorar as redes a fim de flagrar tendências, acompanhando sugestões, crÃticas e perguntas de leitores. Barbara, em suma, terá de ser o que todo jornalista competente sempre precisou ser: atento.
Essa mudança estimula ainda mais a reflexão sobre a relação entre a web e o jornalismo. Vista com temor ou até preconceito no final do século passado, a internet se tornou imprescindÃvel para viver nos anos 2000. Seu papel indispensável pôde ser comprovado, por exemplo, na noite de terça, quando milhares de brasileiros se conectaram pelo Twitter em meio ao apagão. Alertada por uma mensagem de 140 caracteres, ZH soube que a falta de energia já atingia até o Paraguai, enquanto a versão oficial admitia o blecaute em apenas quatro Estados brasileiros (no dia seguinte, o balanço subiria para 18 Estados).





15 de novembro de 2009 às 6:53
[...] Seguido do Estadão aqui, no Brasil, o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, criou o cargo de “editora de mÃdias sociais“. [...]
15 de novembro de 2009 às 6:59
Caro Ricardo, eu acho q jamais deixaremos de ler 1 jornal ou 1 um livro (ao vivo) em papel…poderão invehtar qualquer tipo de veiculo de comunicação e de noticias…mas os jornais e livros jamais deixarão de existir…sem duvida nenhuma…jader martins.-
15 de novembro de 2009 às 10:34
Com certeza o que mais assusta as grandes redes de comunicação é o jornalismo colaborativo. Ainda mais agora que o diploma não é mais obrigatório. Conectadas 100% do tempo, dispondo de ferramentas antes caras e de difÃcil acesso, (câmeras, notebooks,etc) qualquer cidadão é uma agência de notÃcias. Se tiver boa educação e souber distinguir o certo do errado, o ético do antiético, souber ouvir as duas partes e não vacilar muito na gramática de sua lÃngua, coisa que os grandes sempre fazem, a informação, antes presa na mão das redes e agências, se torna livre e aberta. E não apenas o que passou na tv ou estava na capa do jornal.
Um abraço!
15 de novembro de 2009 às 11:25
[...] redes a fim de flagrar tendências, acompanhando sugestões, crÃticas e perguntas de leitores. No post de anúncio da nova função, o editor do ‘Zero Hora’, Ricardo Stefanelli descreveu: — à [...]
15 de novembro de 2009 às 12:19
Olá Ricardo,
Acho muito legal que tu tenhas te posicionado sobre o assunto. Eu estudo Jornalismo na PUCRS e dedico muito do meu tempo as redes sociais. Acredito que elas revolucionarão ainda mais a profissão de jornalista. Escrevo para o Blog Vida de Universitário e Diário da Vida no Kzuka e sempre tento trazer novas tecnologias e atrativos para ambos. No Twitter, eu criei a primeira rádio desta ferramenta e, confesso, que os resultados estão sendo surpreendentes. Fico verdadeiramente feliz com a postura da ZH em criar o cargo que será ocupado pela Barbara Nickel. Isso é mais uma oportunidade que surge para os estudantes. Valeu mesmo!
Abraço,
@rodrigoadams
http://www.kzuka.com.br/vidadeuniversitario
15 de novembro de 2009 às 15:55
Quanto a sobrevivência dos jornais em formato tradicional (papel), acredito que não sobreviverão por muito tempo. Jornais tradicionais locais nos EUA tem quebrado nos últimos anos e o mesmo o NY Times já cogita ir para a web de mala e cuia deixando de lado sua versão impressa.
Isso sem tocar no custo ecológico do jornal impresso que assim que termina sua impressão já está desatualizado. Diferente da web onde é possÃvel atualizar em tempo real sem necessidade de gastar mais papel para isso. E como os mesmos jornais tradicionais nas mÃdias antigas estão presente na web, a credibilidade desse jornalismo permanece existindo, só muda o formato. É tudo uma questão de tempo, pois as gerações mais antigas e resistentes a mudança vão começar a bater as botas. Enquanto isso, as novas gerações que já nascem e crescem num mundo cercado por tecnologia onde a internet é cada vez mais importante, vão perceber que a mÃdia impressa não é mais necessária e pode ser substituÃda completamente.