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Como as crianças de antigamente

28 de novembro de 2009 0

Por Ricardo Stefanelli

Instigado pela correspondência enviada por alguns leitores sobre a quantidade de páginas de Zero Hora nas últimas semanas, acabei transportado à infância, recordandome dos encontros das mães de outrora:

– Como o seu filho está gordinho, cheio de saúde… – era o elogio que fazia uma mãe reluzir.

Obesidade e face corada, sinais de vigor de antigamente, em tempos de controle de colesterol e uso do filtro solar só podem ser aplicadas à fortaleza dos jornais, não mais como sinal do vigor humano. O assunto retorna à agenda em datas especiais como as que antecedem o Natal e, com prazer, explico aos leitores Adriano Schneider, Alessandro Moraes, André Villarinho, Carlos Spelmeier, Francisco Barreto, Lino Andrighetti, Rogério Tolfo e Rui Gressler como é saudável ter uma ZH rechonchuda e pesada.

Para que os anúncios não briguem com a notícia, o tamanho da edição costuma ser regulado por dois fatores: às vezes, como num 11 de Setembro, cobertura eleitoral ou tempestades, por exemplo, o jornal precisa receber mais páginas editoriais, independentemente de sua adiposidade publicitária. Em condições normais de temperatura e pressão, quem define o tamanho total é a publicidade, fazendo o jornal encorpar.

O importante, nas duas situações, é saber que o leitor recebe, todos os dias, uma quantidade equivalente de páginas reservadas a notícias, reportagens e colunas. Tal qual uma sanfona, se há mais publicidade, cresce o número de páginas editoriais (veja infográfico ao lado com a paginação desta semana).

Essa equação pode ser acompanhada pelos leitores no índice do jornal publicado na contracapa, abaixo do título Hoje em ZH. O primeiro caderno, o que você tem em mãos neste momento, varia de 36 a 96 páginas. O sistema de gaita serve justamente para acomodar toda a publicidade –claramente identificada como tal – sem afetar o espaço editorial. É sempre bom lembrar que uma robusta e diversificada rede de anunciantes cumpre três papéis essenciais:

1) Oferecer informação e serviço adicionais relevantes ao público. Anúncio também é um gênero informativo, apenas de natureza bem distinta da informação jornalística.

2) Subsidiar o preço da assinatura ou de venda avulsa, o que permite, inclusive, tornar os jornais mais acessíveis a camadas de renda mais baixa.

3) Assegurar a independência editorial, pilar básico da credibilidade de um veículo. Em ZH, nenhum anunciante representa mais do que 1% da receita, o que permite rejeitar toda e qualquer pressão econômica ou política, perenizar valores éticos e garantir um noticiário pautado pelo interesse editorial. Um veículo frágil, dependente de um anunciante, pode ter sua independência ameaçada.

Assim, sempre que o jornal chegar pesado e gordinho à sua casa, saiba que é sinal de energia e vitalidade jornalística, como as crianças de antigamente.

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