Uma Redação lotada surpreendeu o convidado do último "Imperdível" de 2009. Para quem não leu o texto anterior, o Blog do Editor explica: Imperdíveis são bate-papos promovidos por Zero Hora ao longo do ano que ajudam a melhorar o dia a dia e a qualidade da produção. Hoje, foi a vez de Caco Barcellos, que está na cidade para aproveitar a folga de Ano-Novo e do programa Profissão Repórter, da TV Globo, ao lado da família, no bairro Petrópolis, na Capital.
— Como está grande esta Redação. Faz tempo que não venho aqui. Pensei que teria um grupo pequeno nesta época do ano — disse o jornalista, ao entrar no quarto andar do prédio da Zero Hora e reencontrar velhos conhecidos como o repórter Carlos Wagner e o editor de Fotografia, Ricardo Chaves (foto abaixo).
Além de boa parte dos cerca de 230 profissionais de ZH, o encontro atraiu jornalistas da RBS TV, Rádio Gaúcha e outros setores da empresa. Apresentado pelo diretor de Produto da RBS, Marcelo Rech, Caco abriu a conversa agradecendo ao convite e pedindo a participação dos colegas de profissão com perguntas. Em seguida, lembrou de como foi concebido o programa, que começou como um quadro do Fantástico, e suas transformações até o sucesso de hoje.
— A ideia do programa é mostrar o debate ético, as discussões ideológicas e os bastidores de cada reportagem. Mas, no início, foi entendido pelos editores como a exposição de nossos erros, o jeito de pegar o microfone e coisas assim, como um programa humorístico faz. Depois de seis meses, comprovamos audiência e conseguimos o projeto "solo" — contou.
Na Redação, o papo se estendeu. Entre os assuntos, que passaram por Tim Lopes, Rota (a tropa de elite de São Paulo), crimes de colarinho branco e a imprensa mundial, a preocupação com a audiência foi destaque:
— É fundamental que o programa tenha uma boa audiência, que seja atraente. Como torná-lo atraente é a questão. Achamos que um programa atraente é o de reportagem. Mas em vez de falar de vidas, queremos que as pessoas nos permitam mostrar suas vidas.
Com uma equipe de 28 pessoas na busca por boas histórias, Caco contou ainda como é feita a escolha das reportagens:
— Todo repórter deve trazer uma sugestão, mas todos tentam derrubá-la. Aquela que sobrevive, é porque tem vida e tem chance.
Viver a emoção com o entrevistado, acompanhar meses uma pessoa e mostrar uma ação, que justifique a verdade da história, é alma do programa comandado por Caco Barcellos, que vai continuar apostando em jovens talentos e em inovação, com performances como a de Eliane Brum, repórter experiente da Revista Época que integrou a equipe no último programa do ano.
— Gostamos de mexer com assuntos que estão todos os dias batendo à nossa porta, mas que talvez não tenham merecido ainda uma visão mais ampla, mais aproximada. Não achamos que um assunto fica velho. Não interessa contar primeiro. Nos interessamos em contar melhor.
Antes de encerrar, os mais jovens tiveram ainda a oportunidade de conhecer um pouco da trajetória do jornalista, contada por ele mesmo:
— Nasci no Partenon, fui taxista, trabalhava para pagar a PUC. Cursava Matemática. Um dia fui trabalhar no jornal do centro acadêmico que se vendia de mão em mão...
Um começo e tanto.
* Confira o registro da visita de Caco Barcellos na coluna RSVip na edição conjunta de Ano-Novo e saiba quais serão as novidades do programa para 2010 no caderno TV+Show do próximo domingo.