Opine sobre o Editorial da RBS que defende pesquisas eleitorais
21 de outubro de 2010 Comentários desativadosZerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Comentários enviados até as 18h de sexta-feira serão selecionados para publicação na edição impressa. Participe!
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PESQUISAS SIM, MAS COM TRANSPARÊNCIA
A poucos dias do encerramento de mais um pleito eleitoral em nosso país, percebe-se que, mais uma vez, as pesquisas de intenção de voto tiveram e ainda estão tendo demasiado protagonismo na disputa política, suscitando reações de contrariedade de eleitores, candidatos e partidos. Em consequência, ganham força no Congresso as propostas de restrições, disciplinamento e até mesmo proibição de divulgação de pesquisas eleitorais, sob o pretexto de que tais levantamentos, nem sempre confiáveis, acabam influenciando o eleitorado. A quantidade de sondagens difundidas este ano _ quase uma por dia _ realmente deixa a impressão de que este importante instrumento de aferição da vontade popular está sendo vulgarizado. Mas é um equívoco tentar proibi-las, sonegando do público o direito de conhecer a tendência do eleitorado durante a campanha.
O principal argumento dos opositores das pesquisas é questionável. Se a divulgação das intenções dos eleitores influenciasse tanto quanto alegam, não haveria as viradas que seguidamente ocorrem. Pelo contrário, um dos fatores de descrédito das sondagens é exatamente o fato de, inúmeras vezes, apontarem um resultado e serem contrariadas pelas urnas. Além disso, simplesmente proibir a publicação significaria proporcionar aos partidos e candidatos uma enorme vantagem, já que eles continuariam encomendando levantamentos aos institutos e fariam deles o uso que bem entendessem _ sem que os eleitores pudessem ter as mesmas informações para comparar.
As pesquisas de intenção de voto, realizadas sob critérios científicos e de acordo com as normas do Tribunal Superior Eleitoral, são instrumentos importantes de informação de determinado momento eleitoral. Elas registram este momento como se fotografa uma multidão em movimento: no dia seguinte, ainda que seja mantido o mesmo cenário e o mesmo ângulo, a fotografia já poderá mostrar outras pessoas. O ser humano, felizmente, muda de pensamento e de vontade por conta do seu livre-arbítrio. Aí talvez esteja a melhor explicação para as diferenças entre pesquisas, inclusive daquelas que são feitas pelos mesmos institutos.
Defendemos a livre publicação de pesquisas eleitorais porque a informação sem tutelas é um direito do cidadão. Porém, considerando-se que outros aspectos do processo de escolha de governantes e parlamentares recebem regramento rigoroso, incluindo-se aí a propaganda partidária, as entrevistas aos meios eletrônicos e os debates, seria importante que o Congresso revisasse as regras atuais das sondagens e considerasse a necessidade de aperfeiçoamento.
O importante é que o público tenha a garantia de receber informações verdadeiras, plurais e responsáveis, compiladas e apresentadas com total transparência.













