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A velocidade da Leitura

29 de janeiro de 2011 1

Por RICARDO STEFANELLI, Diretor de Redação de Zero Hora

Em meio às correspondências enviadas à Redação, faço uma marcação mental em comentários como “não consegui parar de ler a Zero de hoje”. O elogio é revigorante em todas as atividades, mas em especial energiza um trabalho submetido todas as manhãs à avaliação de 2 milhões de pessoas no caso do produto impresso – e 24 horas por dia a 2,3 milhões de usuários pela internet.
Recebemos nesta semana o jornalista franco-argentino Jean-Pierre Tailleur. Especialista em jornalismo comparado, nascido em Buenos Aires e radicado desde a infância em Montpellier. Ele veio conhecer o processo de produção de Zero Hora. Teve sua atenção chamada, segundo ele, para um aspecto específico: a forma meticulosa de edição do jornal, “típica dos espanhóis”, comparou. Edição é a maneira como uma página é arquitetada de modo a facilitar a vida dos leitores, tenha ele 20 minutos para ler o jornal, 60 ou 120 minutos.
O editor, com o apoio da criatividade do designer, define quanto texto vai por página, que foto (ou fotos) devem ilustrar o espaço, qual a necessidade de infográficos e quais os dados a compor este quadro em destaque (números, tabelas, informações extras etc). Estabelece ainda a quantidade de matérias ou notas menores que serão usadas. O editor põe títulos nas reportagens e redige o resumo logo abaixo, no jargão jornalístico conhecido como Linha de Apoio ou Olho.


O editor também encaixa intertítulos em meio aos textos de modo que a leitura apenas destes elementos (título, linha de apoio, intertítulos e legendas) permita uma compreensão rápida do assunto abordado e de seu enfoque. É nessa passagem de olhos pelos elementos em destaque que o leitor decide se fará pit stop na página ou seguirá adiante. As duas decisões são fundamentais para o jornal: a de se debruçar numa página ou a da leitura dinâmica, em alta velocidade, sentindo-se o leitor mesmo assim apto a comentar tal assunto.
Pesquisas de institutos específicos já descobriram que os leitores abrem um jornal procurando os temas e páginas de sua preferência, mas nossa intenção é sempre surpreendê-los, cativando-os com assuntos com os quais não contavam. Se ele não tiver muito tempo, encontrará o que buscava e precisa. Se tiver mais tempo, levará conhecimento adicional. Em razão de sua identidade, de tempo, da experiência e de interesses diferenciados, cada leitor segue uma trilha única em uma mesma edição do jornal.
Há muitos anos os jornais deixaram de ser apenas um resumo dos fatos ocorridos na véspera, pois quem permanece nessa toada perde leitores para a internet, para o rádio e para a TV. O jornal, porém, não deve desdenhar dos fatos ocorridos no dia anterior – mas precisa muito mais para não parecer um clipping de notícias de ontem. Um jornal necessita interpretar, analisar e contextualizar, deve buscar informações exclusivas e precisa ter uma equipe antenada para antecipar o que vai ocorrer hoje, amanhã, na semana que vem ou nas próximas.
Com tudo isso e bem editado, justifica a assinatura e o carinho dos leitores, que podem consumi-lo de acordo com suas preferências e disponibilidade de tempo.

Comentários (1)

  • Natal diz: 30 de janeiro de 2011

    A leitura pode ser sintetizada por esta frase: quem lê, sabe. E por esta outra: quem não lê, pergunta. Os bons Jornais não passam só notícias aos seus leitores, mas, também, verdadeira aula gramatical. E por quê? Porque os jornalistas e outras pessoas que compõem a equipe josnalística se esmeram pela leveza de estilo e correção redacional. Redigir exige certo dote, mas, acima de tudo, vontade de aprender. Todos somos inteligentes. A diferença está em saber utilizar a inteligência. Não se trata de nenhum segredo, porque está ao alcance de todos. À leitura, pois!

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