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O frio no foco dos gaúchos

28 de junho de 2011 0

A temperatura enregelante que atinge a Região Sul embeleza as paisagens de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mas também causa transtornos, como o cancelamento de aulas, e surpreende turistas e moradores, que sentem na pele uma sensação térmica de até -25ºC em alguns municípios. O frio – que chegou a provocar -6,2ºC nesta terça-feira em Cambará do Sul - foi o assunto mais comentado em redes sociais como Facebook e Twitter e motivou leitores a enviarem comentários à Redação de Zero Hora.

Pelo Facebook, Claudenir de Juli registrou que, em Carlos Barbosa, a temperatura chegou a 0ºC.

– Agora melhorou, está em 1ºC – brincou ele.

Como está o tempo na sua cidade? Registre as condições do clima onde você mora e envie fotos.

Magda de Almeida acredita que o cancelamento das aulas em um colégio em São José dos Ausentes em função do frio expõe a falta de estrutura nas escolas: “Como se pode ver uma coisa dessas num país que se orgulha de gastar bilhões de reais com um trem-bala absolutamente inútil, outros tantos bilhões com eventos esportivos que só servirão para afagar vaidades e enriquecer os já ricos? Para levar segurança, saúde, educação e bem-estar à população não há verba, muito menos vontade política de fazer o que precisa ser feito”.

Helga Luiza Suffert flagrou uma cena inusitada: mesmo com o frio, um surfista arriscou entrar no Guaíba: “Fotografei, fui ao supermercado e, na volta, lá estava ele, já quentinho, segurando sua prancha com a toalha debaixo do braço”.


O comerciante Décio Gotardo Marini aproveitou a geada em Alegrete e fotografou três cavaleiros no campo.

Afinal, por que o assunto clima gera tanta repercussão entre os gaúchos? Para a meteorologista Estael Sias, da Central de Meteorologia da RBS, a oscilação do tempo no Estado é singular e modifica hábitos da população.

– Acredito que o frio é tão enigmático porque é algo que nos diferencia do resto do país, que tem grandes extensões territoriais e, por isso, contém vários microclimas. Além disso, modifica a paisagem e os hábitos dos gaúchos. Se isso para uns significa um tormento, para outros significa a oportunidade de desfilar vestimentas elegantes e desfrutar do conforto e da gastronomia que as baixas temperaturas nos remetem. As comilanças são justificadas pela necessidade de energia para nos manter quentinhos – quilinhos a mais adquiridos sem culpa que ficam bem escondidos debaixo dos casacos e pulôveres.

E continua Estael:

– O frio nos torna mais próximos, seja numa roda de chimarrão ou numa mesa de fondue para nos “aquecer”. Mas, como tudo na vida, o frio tem seu lado negativo, sobretudo para pessoas desprovidas de comida, roupa e solidariedade. As emergências lotam, a gripe é quase uma epidemia e tomar um banho se torna um desafio, o que em dias “normais” seria um simples hábito de higiene.

E aqui ela fala como meteorologista, mas também com poesia:

– Como meteorologista, considero o frio fantástico, um belo exercício da previsão da temperatura. É o resultado da viagem de uma massa de ar polar que nesta época do ano se espreguiça dos polos até alcançar o Rio Grande do Sul num abraço gelado que nos faz buscar o calor nas cobertas, na comida, nas pessoas.

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