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De volta ao mundo dos focas

18 de outubro de 2011 0

O repórter Carlos Etchichury está na Rádio Gaúcha há duas semanas em um processo de treinamento para atuação multimídia. Experiente jornalista de Zero Hora, ele conta como é a experiência.


O relógio digital marcava 14h4min quando Andressa Xavier, produtora do Gaúcha Repórter, anunciou que não era mais possível esperar. Morador de São Leopoldo, jornalista Claudio Brito, preso em mais um dos engarrafamentos infernais da BR-116, não conseguiria chegar a tempo para apresentar o programa, cuja trilha de abertura já era ouvida pelos milhares de ouvintes naquele horário. Um dos globetrotters da Gaúcha, Brito substituía Lasier Martins, em viagem à Alemanha, naquela tarde de quinta-feira, dia 13 de outubro.

— André, tu apresenta? — quis saber a produtora.

André Machado é um dos talentos da Gaúcha. Jornalista experiente, apresentador do Chamada Geral Segunda Edição, das 16h às 17h30min, e um dos três responsáveis pelo Gaúcha Atualidade, que vai ao ar todos os dias da semana entre às 8h15min e 9h30min, ele seria a alternativa mais previsível. Mas André, que acumula também a chefia de Jornalismo, balançou a cabeça negativamente. Olhou para o lado esquerdo, e anunciou:

— A Milena apresenta.

Enquanto a trilha avançava, Milena Schoeller, chefe de reportagem à tarde, sentou-se à frente do microfone, recebeu o roteiro das mãos de Andressa e, sem sobressaltos, conduziu um dos mais prestigiados programas da Gaúcha. Parecia veterana, a jornalista de 31 anos. Para a equipe de repórteres e produtores, aquela era apenas mais uma das tantas histórias de improviso bem sucedido na Gaúcha – líder de audiência em todos os horários da programação. Para mim, porém, a agilidade da equipe e a inacreditável capacidade de lidar com estresse da Milena foram reveladores da natureza da rádio e, sobretudo, do DNA da Gaúcha.

As primeiras duas semanas de experiência na rádio possibilitaram-me voltar ao mundo dos focas. Quase 13 anos após ingressar na Zero Hora (a maior parte do tempo produzindo matérias na Editoria de Geral, uma espécie de infantaria da redação), voltei a sentir um frio na barriga ao receber uma pauta.  Uma pauta que chega ao nosso conhecimento pontualmente às 13h, via e-mail.  Entre a leitura do assunto, apuração, gravação e edição de entrevistas,  confecção de textos, manchete e destaque tenho… duas horas meia! Sim. Duas horas e meia para quem gastava uma tarde e um pouquinho da noite para produzir matérias na ZH.

A outra pauta (porque são pelo menos duas), pode ser concluída com mais calma, ao longo do Chamada Geral, ou antes dos correspondentes das 18h50min e das 20h irem ao ar.
Gosto mais de escrever do que de falar, de observar do que perguntar. Portanto, jamais imaginei que rádio seria um veículo amigável. Mas, contrariando os maus presságios, aqui estou, curtindo a instantaneidade radiofônica, louco para entrar no ar mais uma vez.

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