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Posts do dia 16 novembro 2011

A emoção na cobertura de um final feliz

16 de novembro de 2011 0

Por Alisson Coelho, correspondente Vale dos Sinos

“Foi difícil não  me emocionar. A garganta deu aquele nó, e foi necessário concentração para a tarefa: mostrar para os leitores de Zero Hora como estavam Elisiane dos Santos San Martin e os gêmeos Guilherme e Gustavo. A história de mãe e filhos mereceu cobertura da imprensa, com repercussão nacional, depois que a mãe precisou viajar mais de 500 quilômetros para ter os bebês.


As fotos e o conteúdo que o repórter-fotográfico Miro de Souza e eu fomos buscar dentro do Hospital Municipal de Novo Hamburgo na tarde desta terça-feira eram exclusivas, e fruto de muita persistência e de uma relação de confiança que desenvolvemos na cobertura do caso com a família de Elisiane.

Sempre considerei, como ávido leitor, que as melhores histórias são sempre as que têm um final feliz. E poder contar um final feliz de um drama real foi um privilégio.

Entramos no quarto no final da tarde, no horário de visitas. Logo que chegamos vimos os dois berços, as toalhas bordadas com os nomes dos meninos, e me passou pela cabeça que nada daquilo poderia estar acontecendo na vida daquela família, pelo descaso com que a saúde pública é historicamente tratada no Brasil.  O nó se acentuou.

Mas então vi o rosto de Elisiane e do pai dos gêmeos, Alex Caetano Naparo. Era uma felicidade tão profunda no olhar deles ao ver os pequenos que o nó se desfez. Depois de mergulhados em um drama do qual não queriam fazer parte, o casal agora se prepara para viver, ao lado dos filhos, e nas palavras de Elisiane, “a realização do sonho de uma vida”.

De minha parte resta cumprir uma promessa. Elisiane disse ter acompanhado a cobertura do que lhe acontecia depois que saiu do coma induzido, e a matéria que mais a emocionou foi a que fizemos no dia do registro dos meninos. Ela ainda guarda um recorte de Zero Hora, já rasgado pelo manuseio, e me pediu que conseguisse uma nova página, que será emoldurada e colocada no quarto dos bebês. Hora de buscar os arquivos.

Prêmio Esso 2011 para ZH

16 de novembro de 2011 0

O jornalista de Zero Hora Itamar Melo foi o vencedor da categoria Regional Sul do Prêmio Esso 2011.

Na reportagem Caça-níqueis, caça-vidas, publicada em 8 de maio deste ano, Itamar contou as histórias de pessoas que tiveram suas vidas arruinadas por jogos de azar.

O Esso de Educação foi para equipe do co-irmão de ZH, em Blumenau, o Jornal de Santa Catarina para a equipe formada por Tatiana dos Santos, Cleisi Soares, Gilmar de Souza e Arivaldo Hermes, com o trabalho Mestre com carinho.

Os nomes dos vencedores escolhidos pelas comissões de premiação foram anunciados no dia 10 de novembro. Os premiados serão homenageados no próximo dia 1º de dezembro, durante um jantar no Rio de Janeiro.

No total, foram 1.272 trabalhos inscritos: 604 reportagens, 169 trabalhos fotográficos, 211 trabalhos de criação gráfica em jornal, 58 trabalhos de criação gráfica em revista e 140 primeiras páginas de jornal e 90 trabalhos de telejornalismo.

Clique nos links para ver a matéria na íntegra:

Caça-níqueis parte 1

Caça-níqueis parte 2

Caça-níqueis parte 3

Os 10 finalistas do concurso cultural "Paulo Sant'Ana Por Um Dia"

16 de novembro de 2011 9

Os 10 textos abaixo foram escolhidos pela Redação de Zero Hora como finalistas do concurso cultural “Paulo Sant’Ana Por Um Dia”.

A promoção comemora os 40 anos do colunista em ZH, que serão completados nesta quinta-feira, dia 17, quando será conhecido o vencedor do concurso.

Confira os selecionados:

EXPERiÊNCIA

Brenda Gutier – Porto Alegre

Nesta minha jornada de trabalho como radialista, advogado, delegado e cronista, já vi, ouvi e vivi muita coisa. Apesar de estar habitando a casa dos 70 anos, percebo que ainda não sei nada da vida e aprendo a cada dia. Este caso que segue aconteceu com uma jovem amiga minha.

Estava ela em um destes ônibus da capital, pela manhã, com violenta falta de ar e tosse. Subindo a escada, ela avistou um idoso adentrando e sentando nos bancos apropriados, frente ao cobrador. O caso foi que, logo após, com o ônibus lotado, entra uma mulher com uma criança de colo e fica diante do senhor, sem ter aonde sentar, com o menor apoio e equilíbrio possível para administrar sua bolsa, a criança e as freadas do motorista. O sequenciamento do ocorrido foi que, mesmo com a situação arrebatada da mulher, o senhor não a ajudou, e o que me abalou mais foi quando me contaram que ao lado do idoso havia uma idosa. Era uma criança de colo e a senhora nem ousou ajudá-la. Onde está a solidariedade dos idosos? Onde foram parar os velhos que propõe mitigar o sofrimento alheio? Onde estão nossos vovôs e vovós que transmitiam o legado da terceira e melhor idade com tanto orgulho?

Precisamos fomentar esse antigo orgulho da experiência, da ajuda mútua, da felicidade em ajudar o próximo. Como expus aqui em minha coluna, meados da troca de abril para junho, nunca esperei que a velhice batesse a minha porta. ” (…)Velhice não tem espera, ela ataca à traição; Velhice é a pior doença. E ela ainda carrega consigo a pior maldição: é quando se tem pela primeira vez a ideia da morte.(…)”. Entendo que essa fatalidade há de vir um dia, mas já que se viveu tanto tempo e se tem tantas histórias para contar, para que viver aborrecido, de mal com a vida e o pior, deixando de transmitir a bondade – que é mérito dos mas velhos – a pessoas com tanta necessidade de esperança? Fico perplexo com a falta de honorificidade dos idosos quanto a sua idade.

Onde está a alegria de viver? Vejamos meu caso: a doença – ou o destino, como quiserem – tentou me derrubar, mas não deixei que isso acontecesse. Meus leitores sabem o que passei e ainda estou passando, mas posso afirmar que sou feliz sendo experiente e aconselho-os: suportemos as tristezas, vivamos a felicidade e transmitamos essa alegria de viver que conquistaremos quando desacelerar dessa loucura que é a vida.

***

SAUDADE ONÍRICA

Cândida Schaedler – Harmonia

Durante minha habitual sesta na redação de Zero Hora, tive um sonho muito estranho. Em parte, gostaria que ele fosse premonitório, mas sei que foi apenas minha fértil imaginação habitando até meu inconsciente. Porém, gostei tanto desse sonho que vou compartilhá-lo com meus leitores:

Estava caminhando por uma Porto Alegre limpa, organizada, em que todos os transeuntes cumprimentavam um ao outro com um educado bom dia e um sorriso agradável. Os porto-alegrenses também caminhavam despreocupados, com ar satisfeito e sem medo de assaltos.

De repente – sonhos não têm sentido nem obedecem à ordem cronológica -, estava dentro do meu carro, dirigindo-o tranquilamente, em um trânsito sem engarrafamentos e no qual os motoristas se respeitavam. Em nenhum momento outro carro cortou minha frente, buzinou porque eu andava dentro dos limites de velocidade ou ultrapassou o sinal vermelho.

Ao chegar à redação de ZH e entrar em minha sala, senti o cheiro da Páscoa, aquele ar característico que marcou de forma especial a minha infância. Vi-me feliz da vida por ter recebido os chocolates do coelho pascal e indo com a cestinha de vime comparar os meus doces com os dos meninos da rua onde morava.

Que saudade da infância tomou conta de mim naquele momento!

E, como se não fosse o bastante, ao abrir o jornal só li boas notícias. A Copa do Mundo, que já havia sido realizada no Brasil, gerou bons lucros para o país e trouxe melhorias que perduraram e melhoraram consideravelmente a vida de muitos brasileiros.

O Sistema de Saúde também havia melhorado muito. Filas quase não existiam mais e os políticos investiram corretamente nessa área. O nível de educação da população brasileira também estava altíssimo, um dos melhores do mundo. Inacreditável!

Mais incrível ainda foi chegar à seção de esportes e ler que o Grêmio estava em primeiro lugar na tabela do Brasileirão e que, no ano anterior, havia se consagrado campeão do Mundo!

Na melhor parte, quando vi que os coqueiros diretamente ligados à minha infância estavam bem no meio de meu escritório e eu estendia a mão para apanhar um coquinho, acordei com um sobressalto ao sentir um colega sacudindo-me com força: “Sant’Ana, tu estavas andando enquanto dormia. Chegaste até a estender a mão para o nada, como se quisesses pegar algo. Achei estranho.”.

Certa vez, escrevi que “na vida, a fantasia sempre dá de goleada em prazer na realidade”. Bem que eu gostaria de ter ficado dormindo mais um pouco. Pelo menos só até apanhar um coquinho e me deliciar com o doce da minha infância mais uma vez.

***


O NOSSO TEMPO

Clarissa Weiss Pereira Benetti – Caxias do Sul

Observamos como há edifícios mais altos, mas nossos pavios estão mais curtos? E o que dizer dessas auto-estradas mais largas, mas nossos pontos de vista são cada vez mais estreitos; gastamos mais do que podemos e sempre temos menos; compramos mais, inclusive coisas que só vamos usar uma vez, para depois deixá-las num canto.

Temos casas maiores e famílias cada vez menores; temos a medicina, mas e a saúde? Não importa se temos recursos ou não, mas sempre vamos pedir por ela.

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma irresponsável, rimos de menos, dirigimos feito uns loucos, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados , raramente lemos um livro, gastamos mais o nosso tempo diante da TV que só falta jorrar sangue pela tela…Raramente pensamos… O tempo urge, meus amigos.

De que adianta muitas posses, se reduzimos nossos valores? Falamos demais; amar é tão difícil, mas o ódio nos vem com muita frequência. Aprendemos como ganhar a vida, mas vivemos essa vida? Não, mas muitas vezes, vivemos a vida dos outros.

Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos. Já fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho. É raro hoje em dia recebermos um bom dia ou um muito obrigado.

Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos

coisas maiores, mas não melhores. De que adianta quantidade sem qualidade? Limpamos o ar, mas estamos com a nossa alma completamente poluída, impregnada de coisas ruins.

Com a correria do dia a dia, nossas refeições são rápidas, mas de lenta digestão; vemos homens altos mas com caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos escassos e rasos. Almejamos a paz, mas e a guerra no lares e o que dizer deste trânsito caótico?; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas uma boa alimentação, isso sim é complicado.

Com muita oferta, temos viagens rápidas, fraldas descartáveis e moralidade idem, ficadas de uma noite só e sem compromisso, corpos acima do peso, mas com infinitos remédios que nos fazem alegrar, aquietar e até matar.

Com tudo isso, há muita coisa exposta na vitrine mas nada no estoque; vivemos num tempo em que a

tecnologia pode levar-te estas palavras e você meu amigo, pode sim escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente ignorar e/ou dar um Ctrl+alt+delete.

Há um bom e velho ditado popular que agora não lembro de quem, mas diz que: É preciso viver, não apenas existir.



***

À PROCURA DO AMOR

Karine Chagas Flores – Canoas

Amor. Cadê o amor? A população está cada vez mais cheia de casais, são casamentos, namoros e “rolos” por todos os lados, mas e o amor, onde está? Os relacionamentos têm sido baseados no prazer, no favorecimento recíproco e no ganho de vantagens. Todo aquele sentimento fundamentado no carinho, atenção e bem-estar do outro acaba desaparecendo com o passar dos dias, das horas ou até mesmo dos minutos. Em troca, sobram brigas, desentendimentos e reconciliações baseadas nos ganhos com tais permanências, afinal os términos de relacionamentos custam dinheiro, tempo e causam desgastes emocionais.

O desaparecimento do amor pode ter inúmeros motivos, mas talvez o principal deles seja o medo. Nascemos recebendo constantes avisos de que “homens/mulheres não prestam” ou ainda “que não devemos nos apaixonar, nunca!” e com estas constantes mensagens crescemos, nos apaixonamos e sofremos. Dizem que amor de verdade, aquele que nos deixa com um frio na barriga, com vontade de falar com a pessoa amada o tempo todo e com uma felicidade estúpida e nunca sentida antes, só ocorre uma vez. Uma única vez.

Depois de experimentado o amor verdadeiro e único, vem o sofrimento. Sim, uma parte sempre sofre e muito. Trata-se de um sofrimento silencioso, devagar, que dói por dentro e que sai do corpo em forma de lágrimas. Após toda essa lástima e de nos lembrarmos e profanarmos aqueles avisos que um dia recebemos, partimos para novos romances com a esperança de que seja como da primeira vez; inesquecível. Mas não é. É apenas um romance singelo, passageiro e sem amor. Nós mudamos, não propagamos mais o amor para as outras pessoas, por medo, receio, ou simplesmente vingança. E assim, fazemos outros indivíduos sofrerem e repassarem essa falta de amor pelo mundo.

Fica claro que esse aumento de pessoas melancólicas e depressivas está ligado à ausência de amor, alegria e satisfação em todo o tipo de relacionamento, inclusive familiar e profissional. A população tem grande dificuldade em esquecer as mágoas e trocar de página. Entretanto, por mais que esse rápido esquecimento pareça inadequado e doloroso, devemos sempre permanecer com o nosso coração aberto para novas experiências.

É notável que fazer alguém feliz é um dos atos mais belos e graciosos da Terra. Colocar o sorriso no rosto de outras pessoas é apaixonante, e por mais que posteriormente isso possa nos causar um sofrimento aparentemente irremediável, é preciso arriscar. E assim, será oportuno que partamos rumo a um novo capítulo, para então alegrarmos outras almas como se fosse à primeira vez.

***

VERDADES DOLOROSAS

João Timotheo Esmerio Machado – Lajeado

Carl Jung disse : “O amor da mulher não é um sentimento – isso só ocorre no homem – mas um anseio de vida, que às vezes é assustadoramente não sentimental e pode até forçar seu auto sacrifício”. Jung foi cruel em sua verdadeira colocação. As verdades sempre são dolorosas, pois cortam, muitas vezes, a própria carne da sociedade como uma navalha enferrujada.

Conheço muitas mulheres que, em sua juventude, abriram mão de amores verdadeiros por amores convenientes e construíram suas vidas com homens financeiramente mais estáveis. Trocaram relações sinceras, carnais e reais por homens que possuíam carteiras que elas achavam que poderiam estar cheias de dinheiro. Muitas vezes submetendo-se por anos a uma vidinha social e sexual medíocre, quando não sofrendo dentro do seu lar todo o tipo de violência física e psicológica. Tudo para garantir uma possível harmonia do lar e a manutenção das crias. A mentira é uma das bases da cruel hipocrisia de muitas famílias nucleares brasileiras.

Mas as estatísticas mostram que são as mulheres que, via de regra, terminam os casamentos e pedem o divórcio. A verdade é que muitas mulheres, depois de anos de casamento, depois de estudarem, de construírem suas carreiras profissionais, de se estabilizarem financeiramente e de criarem seus filhos, trocam seus casamentos convenientes desgastados por novos amores verdadeiros.

Para alguns homens estas mulheres maduras são muito mais fáceis de conviver, pois perderam a fúria natural da fêmea primata, que tem por objetivo primordial a procriação e a manutenção da sua prole a qualquer custo. Aprendi que as mulheres de mais de quarenta anos amam sem nenhuma pretensão. Amam apenas por amar.

Não tem pressa de ascensão profissional e não querem mais filhos. Querem um companheiro que seja um eterno namorado libertário, que permita sua liberdade de ação e seu trânsito pela sociedade, que respeite seus amigos e suas opções profissionais, que seja bom de cama, que dê conta de sua enorme libido balzaquiana e que alimente suas fantasias sexuais sem grilos.

Estas novas fêmeas da nossa espécie causam um enorme medo em muitos homens, pois elas são poderosas, decididas, autônomas, experientes e, principalmente, não se permitem ser controladas. São bem pouco dependentes psicológicas e sexualmente independentes. São profissionalmente e financeiramente realizadas. Felizes dos poucos homens que se permitem amar este tipo de mulher, sem medo, sem trauma, sem pressa e sem controles.

Estas são as mulheres que podem dar – de fato – a um homem um amor tranquilo, com gosto de fruta mordida.

 

***

UMA MORTE BEM VIVIDA

Júlia Raíssa Mader – Erechim

Ainda falta muito tempo para a morte chegar, não é? Bem, talvez nem tanto. Ela pode vir a qualquer momento, sem marcar com antecedência, não se importando se o momento é favorável (se bem que para a morte, nenhum momento é favorável) ou não. Ela nem quer saber se você gostaria de ouvir sua música preferida mais uma vez, ou se ainda não teve a oportunidade de se declarar para seu amor. Sim, sem mais nem menos ela pode chegar e colocar nossas vidas de pernas para o ar.

E então é inevitável uma pergunta: será que vivi esses anos realmente da maneira “correta”? Ao chegar ao fim da vida, ninguém quer olhar para trás e deparar com um passado que não valeu a pena. Erros são normais – e como diriam muitos, são os erros que nos levam aos acertos – porém, olhar o passado e ver somente falhas, não é o que esperamos. Queremos notar diariamente que nossos esforços foram úteis e que nada foi em vão. A vida é “curta” e queremos acertar sempre.

Pergunto-me se a tal da morte atinge apenas o nosso físico. Às vezes sinto que nossa alma está mais “morta” que nosso próprio corpo. De que adianta viver em um corpo saudável se nosso interior está ferido? E muitas vezes nos ferimos diariamente e nem nos damos conta. Morremos todos os dias, quando deixamos de fazer algo que gostamos, quando deixamos de dar valor a quem nos ama, quando passamos horas sem dar um único sorriso. Será que realmente é bom viver dessa maneira? Com um físico perfeito, mas com uma alma machucada? E essa morte com certeza é pior que a outra.

Talvez chegar ao fim da vida e poder dar um belo sorriso, ao olhar para o seu passado, seja bem mais recompensador do que deixar de fazer algo bom pensando no que os outros vão dizer. Deixe de lado o que lhe faz mal, desapegue-se. Esqueça as pessoas que lhe fazem sofrer. Jogue fora o que está velho, porque o que realmente é importante fica guardado na memória. Veja o lado prazeroso das situações ruins. Faça o que for bom para você. Viva o presente, lembre-se só das coisas boas do passado e não tenha medo do futuro. Encare os desafios com vontade. Sorria o tempo todo. Sorria da vida e sorria para a vida.

E quando a tal da morte chegar, você vai poder olhar para ela e dizer que tudo valeu a pena. Que as pessoas nunca deixem a morte levar primeiro suas almas. Que as pessoas não tenham medo dela e que vivam intensamente cada minuto. E tudo isso vai ser recompensador. Um belo sorriso vai iluminar seu rosto, ao fim de uma vida que com certeza terminou da melhor maneira possível

***

O MEDO DE SONHAR

Luana Paula Bez – Erechim

Estava eu outro dia passeando pelo parque e não pude deixar de ouvir a conversa de duas amigas, já com uma idade considerável. As duas senhoras falavam sobre seus sonhos de adolescentes, aqueles sonhos que não tiveram coragem nem força para lutar por eles, aqueles sonhos que nunca foram esquecidos, mas que foram deixados para trás, sonhos de amores, de profissão, de coisas materiais ou uma meta a ser seguida.

Aquela conversa me levou a refletir sobre os meus sonhos, sobre a minha realidade e a minha imaginação. Os sonhos é o que levam o homem a evoluir, a buscar coisas diferentes. São eles que fazem alguém realmente viver, acreditar, seguir em frente e lutar.

Depois daquilo, eu, involuntariamente, comecei a olhar no rosto das outras pessoas, procurando por alguma ruptura entre seus sonhos antigos e a realidade. Acabei por descobrir que não só pessoas de mais idade, mas também jovens já se decepcionaram muito por seus sonhos. Nunca pensei que fosse tão comum as pessoas desistirem do que mais querem, é uma coisa já feita por todos, todo mundo algum dia já desistiu do que queria, seja por medo, insegurança ou fraqueza.

Os sonhos são objetivos que podem ser alcançados, basta acreditar, porém, hoje em dia, as pessoas facilmente desistem daquilo que querem e uma das causas disso é a dúvida, que gera um medo. Não apenas pelos medos cometidos por cada sonhador, mas as críticas que ele receberá, porque, com certeza, você sempre será lembrado pelos seus erros e não pelos seus acertos.

Ter um sonho é uma coisa tão natural, tão humana, tão boa e divertida, mas o problema é que as pessoas não são fortes o bastante para segui-los, para completá-los, para buscá-los e para lutar por eles. Se você quer alguma coisa, comece sonhando, acreditando, e não desista por nada, não deixe que o medo atrapalhe seus sonhos.

***

DORES E ALEGRIAS DA MINHA VIDA

Nathalia Kurtz Dias – Porto Alegre

Uma das maiores alegrias de minha vida foi quando Renato Portaluppi voltou ao Grêmio, no ano passado, para comandar o tricolor de Porto Alegre.

Todos sabem o esforço que fiz para ele não deixar de chefiar a equipe, prorrogando sua chefia no time suplicando para não deixar-nos, quando a exigência de Renato Gaúcho era um salário mensal de 500 mil reais ou partiria.

Pois bem, o sonho durou 11 meses, o verdadeiro êxtase do torcedor gremista durou curtos 11 meses.

Como a maioria dos gremistas, sou eternamente grato ao Renato Gaúcho, por ser um dos melhores jogadores e também técnicos do imortal tricolor.

No entanto, foi bastante doloroso ver Renato deixar o time. Sabíamos que não seria eterno, mas, indiscutivelmente, foi inesquecível.

Também quero deixar aqui registrada minha imensa felicidade em um dos momentos mais marcantes de minha carreira e vida: quando cantei pela primeira vez com Júlio Iglesias aqui, no Beira Rio. Cinco horas esperei para subir no palco com este cantor de talento ímpar, cinco horas de extremo nervosismo, frios na espinha, dor de barriga. Mas, chegado o momento, todos os sintomas foram anestesiados, como se minha felicidade tivesse enganado a tensão. Difícil descrever a sensação, mas nunca mais serei o mesmo depois daquela belíssima noite com o Júlio.

Não posso deixar de dividir a dor da saudade de comer os doces de quando era pequeno. Sim, é uma angústia terrível! Lembrando dos pudins e bolos de chuva que quase todos os dias devorava eu volto a sentir o gosto maravilhoso da minha infância. Ah, esta velhice…velhice sacana, que me impede de fazer um dos melhores prazeres desta minha longa vida.

A maior tristeza que mora dentro de mim, é de não ter a capacidade de ser eterno. Queria eu escrever incessantemente nesta coluna e continuar a ser lido para sempre…

***

VIDA

Paula Giseli Pertussatti – Alpestre

Hoje, no meio da correria normal do final de semestre, resolvi parar um pouco e escrever sobre alguém que está presente em minha vida há muito tempo.

Lembro-me quando eu ainda era uma criança, todos os dias no horário do almoço, quando a família estava reunida, em meio a conversas e discussões, parávamos para escutar – sim, escutávamos atentos a tudo que o Paulo Sant’ Ana tinha para nos passar, era como se ele fosse alguém da família e se ele não chegasse o almoço não estaria completo.

Confesso que naquela época Paulo Sant’ Ana não tinha significado algum para mim, e inúmeras vezes só escutei porque meu pai mandou. E às vezes eu até ficava brava, afinal, sou colorada. Deve ser a semelhança em nossos nomes que faz com que eu me identifique tanto.

Hoje os tempos mudaram, não vejo o Sant’Ana no jornal do almoço, mas ele continua vindo aqui em casa todos os dias. Toda manhã, quando o jornal chega, vou logo olhando o ZH, de trás para frente e lendo primeiro a sua coluna, um hábito que me faz crescer, me faz ter assunto para o dia todo. Afinal, quem nunca disse em meio a uma conversa banal: Você leu a coluna do Paulo Santana hoje? Se a resposta for sim, terão horas de assuntos, e se for não, eu faço logo questão de contar tudo, e assunto se torna mais agradável.

Eu como estudante de Publicidade e Propaganda, gosto de redação e principalmente do jeito que o Paulo tem de escrever. São assuntos corriqueiros, que estão na boca de todo mundo, mas que ele, na sua maneira, consegue deixar tudo diferente, especial. E o que dizer então de quando Sant’ Ana escreve falando de sua doença? Algo que emociona e nos dá força, mostra que mesmo com dificuldades não devemos deixar de fazer o que gostamos, e quando fazemos o que amamos, sentimos prazer e viveremos mais e melhor.

Talvez Paulo Sant’ Ana não saiba, mas para estudantes como nós, que sonham em ser escritores, redatores ou jornalistas, ter o exemplo de vocês é maravilhoso. Conseguir ler e te ouvir nos deixa confiantes. Você é o nosso exemplo.

Fico aqui torcendo para que venham mais 40 anos, que continue escrevendo para que todos os dias possamos ter um pouco do senhor conosco.

Muito obrigada por fazer parte da minha infância, da minha história, da minha vida.

***

POR QUE NÃO ARRISCAR?

Pedro dos Anjos Andrade Júnior – Alvorada

O medo e o temor tomam conta de todas as pessoas neste planeta. De todas, sem exceção. Até o mais renomado e prestigiado palestrante sente um “frio na barriga” ao perceber que se aproxima o momento de entrar em cena. Até o jogador de futebol mais experiente, minutos antes de iniciar a partida, na concentração, sente a angústia dominando seu corpo, como um leão feroz ao avançar à presa. Quer dizer que é impossível, então, lidar com tal situação? Não, obviamente.

O real problema está em nós mesmos. Há uma corrente e/ou barreira invisível que nos impede de arriscar e vencer os nossos temores. Lembro-me de uma foto compartilhada na rede social Facebook por um amigo, na qual um jumento estava amarrado a uma cadeira de plástico. Ora, bastava o animal mexer-se de modo a desvencilhar-se do que o prendia. No entanto, pelo que percebi, ele não o fez, e, por consequência, deve ter ficado preso àquilo que, deveras, era ineficaz para contê-lo. Sendo assim, a que lugar quero chegar?

Quero alertar você, sim, você mesmo que está lendo esta coluna e de alguma maneira está temendo algo, angustiado ou preocupado sobremaneira com problemas que o acometem ou com situações desafiadoras, gravem bem esta frase: nada pode contê-lo.

Jovens, adolescentes, adultos ou até mesmo idosos que leem esta coluna, caso estejam sentido algo que ultrapassa a amizade por alguém, por que não tentar? Na pior das hipóteses receberá uma negativa. E o que mais? Nada, você superou tal medo. Você venceu uma luta interna. É apenas um exemplo, mas se aplica a todas as situações da vida. Tente, é o que digo. Você nunca saberá se dará certo se não tentar. Eu, de minha parte, jamais imaginava estar com meu texto publicado. Então, me perguntei: “Por que não arriscar?”.

Veja o site especial em homenagem ao colunista