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Você concorda com a tese do editorial de que a educação é o melhor antídoto para a incivilidade?

12 de abril de 2012 23

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionados para publicação na edição impressa.

Ao deixar seu comentário aqui no Blog do Editor, informe nome e cidade.


Participe!

OS INCOMODADOS QUE SE MUDEM

Merece uma reflexão mais aprofundada esse episódio que envolve o jogador Jô, do Internacional, e seus vizinhos do bairro Vila Jardim, em Porto Alegre. Sentindo-se perturbados pelo barulho das festas promovidas pelo atleta em sua residência, os moradores da rua recorreram à Justiça para fazer cumprir a Lei do Silêncio, a legislação municipal que dispõe sobre medidas para impedir ou reduzir a poluição proveniente de sons e ruídos excessivos. Até aí tudo normal, um conflito comum nos centros urbanos encaminhado para a solução judicial. O que despertou a curiosidade e a indignação da opinião pública foi a manifestação do atleta sobre o incidente: “Quem estiver incomodado que se mude”, sentenciou, evidenciando uma mentalidade egoísta e incompatível com a convivência civilizada.

Infelizmente, não se trata de uma visão isolada. A desconsideração com o próximo é muito mais comum do que pode sugerir esse episódio envolvendo um personagem de grande visibilidade devido à atividade que exerce. O problema não é o atleta, é o comportamento que ele simboliza. Veranistas do Litoral, moradores de bairros menos sofisticados, vizinhos de casas noturnas enfrentam com muita frequência os dissabores do barulho insuportável. A tecnologia do som proporcionou aos indivíduos o poder de destruir a tranquilidade alheia _ e muitas pessoas não hesitam em utilizá-lo.

Mas as manifestações cotidianas de incivilidade não se restringem ao universo dos ruídos. No trânsito, que é onde as pessoas são obrigadas a compartilhar espaços, elas aparecem no desrespeito às faixas de segurança e aos semáforos, na disputa por vagas em estacionamentos públicos, nas infrações diversas e até em reações criminosas contra a fiscalização. Os “jôs” de todos os dias também furam filas, jogam lixo na rua, picham paredes, usam os cotovelos para chegar na frente e consideram-se no direito de cometer pequenas transgressões para levar vantagem.

Incivilidades nem sempre são delitos, mas são atos que rompem as regras elementares da vida social. Quebram o pacto social de relações humanas. Quando proliferam numa sociedade, instaura-se um sentimento de abandono do espaço público e de desamparo pessoal _ e as vidraças quebradas, como comprova a célebre teoria da impunidade, estimulam o descaso, a repetição de delitos, a falta de confiança nas instituições e a anarquia.
Como se atenua este mal da civilização, causado pelo egoísmo e pela falta de solidariedade? Evidentemente que com educação. As leis, a vigilância das autoridades, as punições para os infratores também funcionam, mas o principal antídoto para a intolerância continua sendo a educação familiar e escolar, especialmente quando centrada numa cultura de paz, no respeito às diferenças e no estímulo à convivência humanitária.

Comentários (23)

  • HENRIQUE diz: 12 de abril de 2012

    Acho que a RBS já entrou em clima de campanha eleitoral. E tal como todos os políticos brasileiros, defende a educação como a redenção para muitos males da sociedade. Contudo, a própria RBS, passa o ano inteiro denegrindo a imagem dos professores, com matérias e opiniões medíocres de seus colunistas.

  • Leandro Martins diz: 12 de abril de 2012

    A falta de respeito ao próximo é o grande mal da nossa sociedade e deve ser combatido sim, com educação, mas não podemos busca-la só nas escolas, mas em nossas famílias, pois é aí que começa a se formar o caráter de nossas crianças. E o estado deve combater a poluição sonora, visual e o desrespeito a civilidade com leis mais rígidas e campanhas de conscientização.

  • Taciana diz: 12 de abril de 2012

    Acredito no trabalho conjunto (cidadãos + governo) para a solução dos males da sociedade. Educação engloba família, escola, governo, política,…Mas enquanto for reforçada a imagem de que os servidores públicos são incompetentes, que os políticos são corruptos e que os órgãos públicos não dão conta de suas atribuições, é impossível vislumbrar um futuro melhor (e existe muita gente boa, honesta ocupando esses espaços e exercendo MUITO BEM as suas funções). As irregularidades, os desvios e os crimes devem ser divulgados sim. Mas quem sabe se os exemplos positivos ocupassem um espaço mais importante na mídia? (e eles existem!). Afinal, já diziam nossas sábias avós “as palavras ensinam, mas os exemplos arrastam!”.

  • VERA LUCIA NASCIMENTO diz: 13 de abril de 2012

    O editorial vem de encontro às constatações com que nos deparamos todos os dias. A falta de limites, de educação mínima grassa solta, permeando todas as classes sociais. A educação é, sim, a única solução para o caos que está minando a sociedade. Porém, a educação vem de casa, sendo apenas complementada na escola. Não adianta dizer que a escola e os professores estão falhando na sua missão. Quem está falhando drasticamente é a família e a sociedade, que tem confundido liberdade com liberalidade.

  • Daniel Reinoso diz: 13 de abril de 2012

    O sujeito que atropela ciclistas e está na rua como se nada tivesse acontecido; os donos de pitbull que não se importam de que o cão esteja solto, sem focinheira, por que ele é mansinho; o ladrão que mata sem dó nem piedade e em dois u três anos está na rua, para matar de novo; a justiça vesga e omissa; o “você sabe com quem está falando”; o jornal que gasta metade do seu espaço para falar em futebol e big brother, o político ladrão e corrupto que “rouba mas faz”; o governador delinquente que infringe a lei para não aumentar o salário miserável que ganham os professores, etc, etc… É, vamos crucificar o Jó…

  • Clovis Alberto Oliveira de Souza diz: 13 de abril de 2012

    Um outro mundo, civilizado, só é possível através da EDUCAÇÃO que vise o bom convívio. Além de respeitar, temos que valorizar as diferenças. Com os diferentes é que aprendemos e crescemos culturalmente.

  • Ricardo López Fetter diz: 13 de abril de 2012

    A saída é não apenas investir pesado em educação, tipo 10 vezes mais do que se investe agora, mas também criminalizar o mal educado. Fumou onde não devia? Fez barulho? Jogou papel no chão? É criminoso! Não tem lata de lixo? Leva o lixo pra casa, ora bolas. Aí, depois de uns 30 ou 40 anos insistindo nessa fórmula a coisa com certeza muda.

  • José Agustoni diz: 13 de abril de 2012

    Vou tecer meu comentário sobre o tema mais adiante. Por ora vou apenas apontar o comentário do Henrique como um exemplo de falta de educação e convocá-lo a apontar uma matéria da ZH que seja onde professores são denegridos.

  • Edgar Sacreis Corrêa diz: 13 de abril de 2012

    Acredito que a base de tudo está na Educação. E vejo muito difícil, acredito impossível, isso mudar nós próximos anos digo décadas. Podemos afirmar a grande e esmagadora maioria desrespeita, tira vantagens sobre o outro, seja no trânsito, no super, no trabalho. Em todos os níveis isso acontece, se for feito uma pesquisa onde as pessoas, sem se identificar, relatem a verdade sobre seus atos, ficaríamos impressionados com o quanto isso graça entre nós e em que nível. Digo que não mudará tão cedo pelos exemplos que se vê: o idoso que usa o beneficio do caixa preferencial para fazer serviços para empresas e ganhar com isso, assim como o homem ou mulher de 40 anos que com uma criança emprestada ou o próprio filho de 7 anos ou mais o pega nos braços e quer passar na frente na fila e ainda o menino (menina), com seu boné virado, som no ouvido, fura a fila, passa na frente de todos e senta no primeiro banco amarelo do ônibus.

  • Marcus Brito diz: 13 de abril de 2012

    Infelizmente não, o problema não é a grau de educação. Esse tipo de incivilidade é cometida em mesmo grau, e se não maior, por moradores de “bairros mais sofisticados” e proprietários de carros que custam mais que uma casa.

    Isso parece ser particularmente verdadeiro no trânsito. Aparentemente, quanto maior o carro, menor o respeito prestado aos demais. É justamente em bairros como Higienópolis, Boa Vista e Moinhos de Vento que mais vejo papel e bitucas de cigarro jogadas na rua, e fezes de animais largadas nos canteiros.

    O problema é cultural. Em algum momento o povo passou a achar certo — mais do que isso, a achar bonito desrespeitar os outros.

    Vai ser difícil mudar isso, mas acho que educação e fiscalização rigorosa no trânsito é um excelente primeiro passo. O trânsito comporta uma cultura de violência e agressão, e esse estresse passado no trânsito com certeza reflete nas demais atividades da vida de uma pessoa.

  • Gustavo diz: 13 de abril de 2012

    Isso é princípios de uma mudança nos problemas sociais do Brasil. Investir muito em educação é fundamental.
    Mas não adianta facilitar o acesso para que somente mais pessoas tenham acesso, com isso piorando a qualidade da educação.
    Nossa educação tem que melhor, é necessário fazer toda uma reforma educacional, verificar os conteudos abordados em cada situação, remodelar as formas de avaliação, aumentar o salário dos professor, os beneficios. Os professores são fundamentais para uma melhoria no mundo e na nossa sociedade. Para isso deveriam ser bem tratados.
    Além disso acho que deveriam voltar algumas matérias aos curriculos, algo como artes livres, mais filosofia, fundamentos de finanças e economia, música e etc…

  • João diz: 13 de abril de 2012

    Sim à opinião do editorial. Sob o meu ponto de vista, a educação, alí comprendido o ensino dos valores que nos são afeitos, é o que traz a civilidade que tanto gostaríamos de ver em nosso dia a dia. Simples assim!

  • Roberto Mastrangelo Coelho diz: 13 de abril de 2012

    Concordo. Lembremos do V a. C., quando o filósofo Pitágoras disse EDUCAI AS CRIANÇAS PARA NÃO PUNIR OS HOMENS. No periodo escolar precisamos educar os nossos filhos nos primeiros anos, para que a rotina de horários de estudo façam parte da sua vida. Os jovens até sua juventude precisam ser monitorados por adultos, passando os valores filosóficos como o equilibrio o respeito as leis , participando de atividades esportivas, artes, como música, dança, pintura, com intuito de desenvolver os talentos individuais assim como os diversos tipos de inteligencia que temos, que são importantes para nossa vida adulta. Em outras palavras, a ocupação sadia das nossas crianças e jovens reduziria drásticamente a drogadição e o alcolismo, que são as piores chagas da nossa sociedade.

  • Marcus Vinícius Fernandes Machado diz: 13 de abril de 2012

    Entro na concordância plena. Poderíamos acrescentar além da incivilidade, a “incidadania” que presenciamos no cotidiano. Estes saõ alguns valores pessoais adquiridos em casa, o respeito, empatia e educação com o próximo precisam ser primordiais na base familiar, e esta sim está defasada.
    Atualmente os pais estão jogando a responsabilidade de educar para a escola. Lá aprendemos sim, o “bê-a-bá”. A cultura, valores morais, éticos e demais do gênero os genitores estão terceirizando para professores e outras pessoas que possam passar mais tempo com seus filhos. Nós, pais e mestres do futuro necessitamos retomar a base familiar como responsabilidade própria, como pilar do nosso lar para que possamos formar cidadãos com cultura e educação suficiente na construção da sociedade melhor, que virá.

  • Magda Moreira diz: 13 de abril de 2012

    Acho, sim, que a educação pode ser um bom começo, mas a pergunta é: Que tipo de educação? A educação acadêmica ou a educação do caráter? Sim, pq nem nos colégios e nem nas universidades se educa o caráter, isso vem de berço, vem de casa, da família. Pode se ver nitidamente por nossos políticos de uma maneira geral. A maioria deles foi educada em boas escolas e boas universidades, e, existe exemplo maior de incivilidade? A educação é a porta, mas pra atravessá-la com mérito há que se ter consciência.

  • joão paulo giorgetta (porto alegre) diz: 13 de abril de 2012

    muitas pessoas falam e também dizem que tem civilidade!comprometimento com o próximo. mais não é isso que vemos no nosso dia-dia!não é?é barbárie atrás de barbárie.pessoas cada vez mais egoistas e intolerantes!lamentável termos que conviver com pessoas assim.e muitas delas com um bom nível sócio econômico!fica caracterizado cada vez mais que entre ricos e pobres somos todos iguais.o que os diferencia mesmo é o cpf!

  • Milton Ubiratan Rodrigues Jardim diz: 13 de abril de 2012

    A educação, o civismo, o saber viver, nós recebemos de nossos pais na infância, não adianta “sermos” ou “termos”, que vai mudar alguma coisa em nossas vidas. No caso em tela, podemos concluir que o mesmo não recebeu as devidas orientações para se conduzir como um cidadão de respeito. Infelizmente, para ele, não adiantou progredir monetariamente, pois sua infância foi severamente pobre em educação.

  • Israel diz: 13 de abril de 2012

    O problema esta na educação sim, mas na educação que deveria ser ministrada no lar, na família . Me refiro a princípios e valores. Mas como ensinar o que não se conhece. Como aprender o que não se vê todos os dias seja na sociedade, na mídia,governantes,etc. Princípios e valores é o alicerce de tudo, mas parece que ninguem ta interessado, pois não é prazeiroso e não da lucro.

  • jaluza Neves diz: 13 de abril de 2012

    No Brasil o que mais falta é educação exemplo jogar lixo na rua,chiclete, quebrar as lixeiras, furar a fila ,estacionar o carro em local destinado a deficientes são inumeros os meios de se mostrar que não se é um povo civilizado ,em compensação somos um dos povos mais bem receptivos do mundo nisso somos melhores do que a Espanha .

  • Angela Maieski diz: 13 de abril de 2012

    Concordo e acredito que a escola ajuda e muito, na conscientização, porém quando a falha da caráter vem da própria estrutura familiar, onde pais superprotegem seus filhos, dando exemplos e permitindo-lhes comportamentos
    anti-sociais não há escola que resolva. A incivilidade inconsciente pode ser vencida, mas o mau caráter, em geral, é herança familiar.

  • Rosane Gayer dos Santos diz: 13 de abril de 2012

    Concordo em grau, gênero e número que a educação é a base da civilidade, da boa educação e do respeito, a tudo e, principalmente, às demais pessoas.
    Mas a educação, a civilidade, o respeito devem começar dentro do lar, desde a mais tenra idade, continuar na escola e na vida afora.
    Muitos pais não ensinam seus filhos e ainda dão maus exemplos a eles, lhes ensinando com isso o péssimo comportamento na vida, o egoísmo e o desrespeito com tudo e todos, infelizmente. E ainda se acham os espertos, os inteligentes, os mais “vivos” que os outros. Pobres diabos e pobres coitados, pois são cegos e não vem que um dia a conta lhes será apresentada de alguma forma, pois se assim não fosse os nossos presídios não estariam cheios e nem os drogados estariam se multiplicando de tal forma. Sugro muita reflexão sobre o assunto para todos, tanto imprensa como pessoas.

  • Vera Lúcia Pretzel diz: 13 de abril de 2012

    A educação de qualidade para todos os níveis sociais, é certamente o primeiro passo para se ter igualdades no campo social . Alunos nada aprendem nas atuais escolas brasileiras depredadas, decadentes e deprimentes. E chamam a isso de escola. Da mesma forma, não se educa ninguém numa família que não sabe sobre o que os seus filhos estão estudando.
    Valorizar as horas de estudo não é só papel do educador dentro da sala mas é intensificado pela família que tem papel fundamental nisso.
    Existe também o lado cultural nacional que supervaloriza o visual em detrimento do conteúdo. Além disso, gasta-se hoje muito mais mantendo delinquentes nas prisões sujas, ao invés de construir escolas com espaços que incentivam o aprendizado e remunerar bem seus professores . Há uma total inversão de valores construindo prisões. Não vejo a curto prazo solução imediata. Educação demora e é por toda vida. Deseducação tem resultado imediato.

  • Cintia Moscovich diz: 15 de abril de 2012

    Não creio que seja questão de educação. Acho que é sinal de pura burrice e falta de civilidade (as duas coisas são a mesma). Moro no miolo do Moinhos de Vento e há 4 anos luto contra uma barulheira gerada pela creche do Grêmio Náutico União, que se alugou a casa ao do lado da minha casa (a antiga creche, que ficava dentro do clube, deu lugar a estacionamento para 300 carros e lavagem). A perícia realizada pelo perito do juiz revelou que eles fazem 5 vezes mais barulho que o permitido em lei. A diretoria do clube não se incomoda. E tudo o que me disseram foi que, se eu estava incomodada, que me mudasse. E que, aliás, eles pagariam bom dinheiro pela minha casa. Durante tratamento contra o câncer, pedindo caridade, ouvi da piscóloga da escola que eu parasse de incomodar, que as crianças tinham que brincar. Para as crianças, a psicóloga disse que elas não tinham nada de dar bola para mim, que eu não mandava em ninguém e que todo mundo podia brincar à vontade. O que a gente vai pensar sobre isso?

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