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Posts do dia 12 janeiro 2013

Carta da Editora: Big Brother, Big Polêmica

12 de janeiro de 2013 59

Recebi na terça-feira um e-mail do leitor Juarez Pedro Montano.

Prezada Diretora de Redação.

Permita-me entender como profundamente lamentável a reportagem sob o título “Gaúcho baladeiro”. A Zero Hora – orgulho da imprensa brasileira – utiliza-se de três páginas para veicular propaganda do BBB, dando suporte à busca de audiência por parte da Globo. A propósito do Gaúcho Baladeiro, são destacadas as suas excepcionais qualidades (?), quais sejam: “festeiro”, “garanhão” (…sempre tem muita mulher em volta dele), é ” um cara da noite, que sempre anda em grupo pelas casas noturnas da Avenida Independência… Ele é um “morcego” (fantástico…). “Nasser terá festas de sobra para exercitar seu charme com as mulheres.”

Trata-se da qualificação de um exemplar raro que deve ser muito importante (?) para a formação cultural, intelectual e educacional do jovem brasileiro. O “baladeiro”, o “garanhão”, o “morcego” torna-se, pelas páginas de ZH, um saliente e moderno modelo que deverá conquistar fiéis seguidores de suas inigualáveis e invejáveis virtudes.

Permita-me sugerir que ZH elabore uma reportagem em que aborde quais são os ensinamentos que o BBB transmite à sociedade brasileira, que possam torná-la mais humana, ética e digna.


Gostei do e-mail do leitor Juarez, porque ele toca num tema debatido diariamente pelos editores. Não o BBB, especificamente, mas o espaço que deve ser dado a assuntos de televisão, cinema, teatro, artes plásticas, literatura etc., versus o tamanho do público que os consome, cotejado ainda com, digamos, a relevância do conteúdo para a formação intelectual e educacional do leitor.

Temos uma carinhosa expressão interna que é o “cinema iraniano”, como sinônimo de filmes impenetráveis para grande parte do público, mas que entusiasmam intelectuais mais refinados. Quantas páginas devemos dedicar a um bom filme iraniano, mesmo que ele seja assistido apenas por algumas dúzias de aficionados? Quantas páginas devemos dedicar ao BBB, assistido por milhões de telespectadores, ainda que as lições que o programa deixe, como diz o leitor Juarez, sejam questionáveis no sentido de tornar a sociedade brasileira “mais humana, ética e digna”?

Cláudia Laitano, editora-executiva da área de Cultura de Zero Hora, explica como a equipe responde a esses dilemas todo dia:

– A cobertura da área de cultura e entretenimento em Zero Hora pauta-se, basicamente, por três eixos: relevância cultural (o que o leitor talvez não conheça, mas deveria), proximidade (o que está movimentando a cidade e o Estado e é relevante para a comunidade cultural local) e repercussão (fenômenos de público como a novela Avenida Brasil, a música Ai se eu te Pego, o clipe de Gangnam Style). Eliminar qualquer uma dessas três vertentes seria falhar com a nossa função de manter nossos leitores informados. Zero Hora acredita que os espectadores do BBB, e eles são muitos, devem ser respeitados (e atendidos) tanto quanto os fãs das mais remotas cinematografias asiáticas (tema, aliás, de uma reportagem de Daniel Feix publicada esta semana no Segundo Caderno). Um assunto não elimina o outro, e diferentes prioridades se revezam na capa e nos espaços internos do Segundo Caderno todos os dias, como acontece em todos os grandes jornais que dedicam várias páginas diárias à cultura e ao lazer.

Patrícia Rocha, editora braço direito de Cláudia, acrescenta:

– O espaço dedicado ao BBB foi no caderno de TV, totalmente afinado com o fato de ele ser, há mais de uma década, o fenômeno televisivo (de audiência e repercussão) do verão. E também já foi tema de reflexão em Zero Hora: a partir de estudos feitos no meio acadêmico, tentamos entender esse fenômeno e seus significados.

Em 2005, a pedido de Zero Hora, o jornalista e apresentador Pedro Bial escreveu um artigo em que falava da quinta edição do Big Brother e das polêmicas envolvendo o programa. Lembrava que o formato faz sucesso em dezenas de países e inverte fórmulas tradicionais. Não é o autor que controla os personagens da novela: os personagens dirigem o enredo e definem o desenlace.

“São seus movimentos, hesitações, pausas e espasmos que determinam os cortes de câmera, o tempo da edição, os ângulos, composições e enquadramentos. Esta televisão manipulada por amadores revela-se, a cada nova edição, uma folha em branco onde se inscrevem sintomas, patologias e remédios de nossa civilização em recorrente mal-estar”, escreveu Bial. Lá pelas tantas, o apresentador questionava se o BBB era um espelho dos anseios nacionais ou painel da nossa indigência.

Zero Hora respeita as opiniões e preferências de todos os seus leitores, recebidas em milhares de e-mails, pesquisas diárias feitas pelo call center, conselhos de leitores, pesquisas pontuais e outras dezenas de mecanismos para auscultar diferentes anseios. Como um jornal com mais de 1 milhão de leitores, atendemos a quem quer ler sobre Gangnam Style, e também quem quer saber do último lançamento da música erudita. E-mails como o do leitor Juarez Montano nos ajudam a refletir, a aprimorar nosso trabalho, a entender o leitor e a tentar fazer um jornal cada vez melhor, e por isso lhe agradeço.



Zero Hora é o quarto veículo de comunicação mais premiado do Brasil

12 de janeiro de 2013 0

O jornal Zero Hora é o quarto veículo de comunicação mais premiado do país, empatado com o Estadão. O ranking “Os mais premiados veículos de comunicação brasileiros de todos os tempos” é levantamento realizado pelo site Jornalistas&Cia.   ZH é também o veículo de comunicação mais premiado de todos os tempos da Região Sul do Brasil, com 6.565 pontos e 223 prêmios.

Elaborado pelo Instituto Corda, o ranking foi produzido a partir de uma base de dados de 94 prêmios regionais, nacionais e internacionais, exclusivamente jornalísticos, criados a partir de 1930. Dependendo de sua relevância, os prêmios resultam em pontuações diferenciadas. A posição de cada veículo é determinada pelo somatório da pontuação dos prêmios conquistados por seus profissionais. O prêmio Esso de Jornalismo, o maior do país, por exemplo, vale 100 pontos e é o mais valioso do ranking, junto a prêmios internacionais como o Maria Moors Cabot e o Prêmio Iberoamericano de Jornalismo Rei de Espanha.

O ranking dos mais premiados veículos de comunicação brasileiros está publicado na edição número 879 da newsletter desta semana (de 9 a 15 de janeiro) do site Jornalistas&Cia.