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Posts do dia 26 janeiro 2013

Interajam, compartilhem

26 de janeiro de 2013 0

Um grupo de jornalistas de Zero Hora viveu na prática, nos últimos dias, um exemplo real de como a revolução digital, movida a redes sociais, dispositivos móveis e tecnologia cada vez mais ao alcance da mão das pessoas, pode impactar decisivamente a dinâmica de uma redação de jornal, um ambiente outrora bem menos exposto a estímulos externos.

Tudo começou por volta das 18h da terça-feira, quando chegou a informação de que um policial militar havia atirado numa pessoa que ameaçava passageiros no trensurb e que a bala também havia atingido alguém que estava na estação. Como a informação era de feridos leves e a confusão estava contida – e, no mesmo dia, o noticiário policial estava tomado pelo chocante caso de mãe e filho mortos em uma lancheria, junto com um assaltante –, o fato virou uma nota curta em zerohora.com às 18h51min.
Teria ficado assim e seria também nota no jornal impresso do dia seguinte. Até que veio o primeiro impacto externo na forma de uma mensagem enviada a uma das contas de Twitter da Redação: “Um homem armado acabou de ser baleado no @Trensurb por um policial militar, tenho tudo filmado em HD. Mais 1 pessoa ferida”. Um tweet (rede social operando) enviado de um celular (mobilidade em ação) por um leitor que havia filmado a cena (tecnologia digital massificada).

Não é razoável que ZH tenha um fotógrafo em cada vagão do trensurb o tempo todo à caça de fatos jornalísticos. Mas a imprensa e a sociedade multiplicaram olhos, ouvidos e todos os demais sentidos ao ganhar onipresença e agilidade que podem transformar 30 segundos filmados no celular numa imagem reproduzida aos milhões pelo planeta.

O vídeo chegou à Redação perto das 20h, quando a equipe tratava de aprofundar a cobertura, rechear a notícia nas plataformas online e para o papel no dia seguinte. Já era possível prever que, uma vez publicadas as imagens, o fato ganharia nova dimensão. Questões como a abordagem policial, o tumulto, a segunda pessoa atingida e a segurança do trensurb certamente viriam à tona. E vieram.

Por vários canais, os leitores se manifestaram. Apenas no Facebook de ZH, foram mais de 1,5 mil compartilhamentos do vídeo e quase 700 comentários. Publicada às 21h12min em zerohora.com, a imagem logo teve centenas de visualizações. Era preciso ouvir o PM, cujo procedimento estava sendo questionado seja por quem o considerou excessivo, seja por quem defendeu que devesse ter sido mais ostensivo.

Perto da meia-noite, o policial foi localizado em casa. A entrevista estava no site em seguida e foi publicada em boa parte da edição impressa de quarta.

O dia amanheceu com os canais de interatividade de ZH abarrotados de participações. O tema foi enriquecido no site com opiniões de especialistas sobre o fato e com notícias dos personagens da cena, àquela altura reproduzida em outros sites pelo país e pela TV.

A cobertura foi arrematada com uma reportagem especial nas páginas 4 e 5 de ZH de quinta-feira, em que novas frentes do debate foram abertas por sugestões dos tweets, posts, e-mails e outras manifestações do público.

E assim, por inspiração de leitores atentos, críticos e conectados, que ZH se orgulha de ter, uma nota curta virou uma cobertura ampla e repleta de facetas. Um jornal precisa, cada vez mais, ser permeável à expectativa do público e ágil para responder a este novo ambiente de relações de mão dupla numa sociedade que não se contenta mais em ler, ver e ouvir. Quer, acima de tudo, compartilhar e interagir.