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Compromisso até o fim

09 de fevereiro de 2013 9

Uma missão foi dada à Redação de Zero Hora na manhã daquele sinistro domingo, 27 de janeiro de 2013: investigar, até o fim, as causas e as responsabilidades pela tragédia que vitimou 238 jovens em Santa Maria. O assunto domina reuniões de editores, conversas de repórteres, encontros que definem a capa do jornal. Enquanto não forem identificados os causadores diretos e indiretos das mortes, o assunto não sai da pauta.

Investigação é uma das missões mais básicas – e, ao mesmo tempo, nobres – de um jornal. Ainda mais em uma publicação regional como Zero Hora. Se os jornalistas daqui não fizerem isso, quem vai fazer? Não somos a polícia, nem o Ministério Público ou o Judiciário. Cada um no seu papel. Mas, sim, à imprensa cabe descobrir o porquê das coisas, perseguir trilhas de papel, localizar personagens-chave de uma história. Zero Hora tem uma tradição nisso, e não seria diferente na maior tragédia da história do Rio Grande do Sul.

Trabalhamos em dois níveis: o primeiro tem foco em Santa Maria. A responsabilidade dos donos da boate, dos músicos, das autoridades municipais e estaduais que levou à tragédia. O segundo é um convite à sociedade gaúcha para uma discussão mais ampla: o que as mortes nos deixam de tema de casa individual e coletivo? O que é preciso mudar na legislação, no comportamento, na fiscalização, para que outros jovens não percam a vida de forma tão absurda?

Carlos Etchichury, coordenador do Grupo de Investigação de Zero Hora e editor de Polícia, desde o início liderou as equipes do jornal que investigam o caso de Santa Maria:

– Nossa preocupação foi desembaralhar o cenário e apresentar aos leitores, de forma ordenada e responsável, elementos que pudessem auxiliar nas investigações. Já na edição de terça-feira, dia 29, após ouvir especialistas e mergulhar na legislação, apontamos cinco falhas banais que transformaram a boate Kiss numa gigantesca arapuca. Durante a apuração, percebemos que um documento ajudaria a compreender a origem dos malfeitos que permitiram o funcionamento da boate. O que dizia e quem assinara o Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) feito pelos donos da Kiss e aprovado pelo Corpo de Bombeiros? O documento se fazia necessário porque, desde o domingo, enquanto as famílias choravam suas perdas, os comandos da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros asseguravam que o local funcionava de acordo com a legislação – mas negavam-se a fornecer o PPCI. Zero Hora descobriu que o plano de prevenção, na verdade, nunca existiu. E que o alvará de prevenção, chancelado pelos Bombeiros, fora concedido, possivelmente, de forma irregular. ZH revelou também que pelo menos uma empresa, cujo proprietário é um bombeiro da ativa, especializou-se em fazer alterações de medidas de segurança propostas, justamente, pelo Corpo de Bombeiros. Uma outra linha de apuração se dedica a investigar por que a prefeitura permitia o funcionamento da danceteria com alvará vencido. A apuração de ZH está deixando claro que a cadeia de responsabilidades não se limita aos músicos e aos sócios da boate que já estão presos.

Na edição deste domingo, das páginas 23 a 28, você confere mais um capítulo do trabalho, desta vez sobre a rede de falhas, burocracias e omissões que contribuíram para a tragédia. Leia também uma reportagem que mostra a fragilidade da liberação de funcionamento dos locais públicos no Estado todo. Nossa missão não se encerrará enquanto o assunto não for esgotado, e as responsabilidades, apuradas. É nosso compromisso.


Comentários (9)

  • Andre Guimaraes diz: 9 de fevereiro de 2013

    Sra. Marta Gleich
    Quando fatos como este de Sta Maria acontecem, se não for a imprensa, principalmente um canal de comunicação como ZH ficar em cima, tendem a cair no esquecimento, sendo “maquiado’ pelas autoridades e responsáveis para encobrir suas falhas. Veja Bateau Mouche e outras tragédias do passado. Concordo que por vezes a matéria se torna um tanto quanto repetitiva, porém isto se faz necessário para refrescar a memória dos responsáveis pela elucidação do acontecido como também da nossa justiça lembrar-se que deve punir exemplarmente os culpados diretos e indiretos pelo desaparecimento precoce destes jovens.Continuem a divulgar as matérias, por que se não, os responsáveis irão para o exterior como foram os três proprietários do BM(cento e cinquenta vítimas fatais, e apesar de ser assunto secundário, ninguém recebeu indenização).

  • Volnei Moraes de Moura diz: 9 de fevereiro de 2013

    - A trajedia da Boate Kiss esta sendo apurada de forma exemplar, e possiveis responsáveis (Estado, Municipio, Prorietários e demais que houver) vão ser responsabilizados de acordo com a parcela de culpa de cada um.
    - Quando vão lembrar das Escolas ? Têm muitas que estão em situação precária, não tem extintores, plano de incêndio, ou melhor são verdadeiros alçapões. Vão esperar uma trajedia pra começar a cobrar Providências ?

  • Marco Aurelio Almeida diz: 10 de fevereiro de 2013

    Belo trabalho
    Pena que não vai dar em nada…
    …como tudo no Brasil ,
    Prenderão os donos da boate, o músico , talvez algum bombeiro e um ou dois agentes públicos que dois anos depois estarão em liberdade.
    As boates, bares , repartições públicas, escolas , igrejas, cinemas, teatros , hospitais, … continuarão sem planos de incêndio e evacuação.
    Os alvarás continuarão sendo liberados de forma burocrática e propineira e tudo continuará o mesmo até a próxima tragédia

  • Tomaz Zasso diz: 10 de fevereiro de 2013

    Sou a favor da cobertura jornalística, investigativa e elucidativa dos fatos que está sendo feita. E ZH, como principal jornal “local”, está de parabéns. O que gera a revolta popular, a meu ver, é o sensacionalismo/falta de noção de parte da imprensa. Jornalista pondo microfone na cara da mãe que acabou de perder o filho mandando um “E aí, como é que vai ser agora?!” é demais. Assim como acordar em 27/01, passar o olho sobre uma manchete relatando incêndio em boate e logo depois um texto arrasa-terra “morri hoje em Santa Maria.. afinal quem não morreu?…”. Não eram nem 11h da manhã, parecia que o texto já estava pronto. “Meu Deus, preciso fazer logo O texto sobre essa tragédia ou algum foca vai fazer antes de mim! Amor, cancela o almoço na tua mãe!”…. “Só houve um 11 de setembro… só vai haver um 27 de janeiro…”.

  • Rui Telmo Fontoura Ferreira diz: 10 de fevereiro de 2013

    Prezados Senhores,
    Paz e Bem!

    O tempo passa, a realidade fica, como ela é, não como ela foi, e nem como nós gostaríamos que ela fosse. Portanto, a Lei e a Ordem devem ser cumpridas, pois, estamos em pleno Estado de Direito.
    Agora, os erros foram muitos, traduzidos, no “como não deve ser feito”, nós cidadãos santa-marienses, gaúchos e brasileiros, aprendemos que, independente, do credo religioso, é o momento propício a uma ampla reflexão humanística, criadora, inovadora, evolutiva aos princípios da salvaguarda da vida humana.
    Fundamentados nas coisa reais da vida, que expressam o desenvolvimento espiritual e material, de cooperação ao fiel cumprimento de nossas responsabilidades. Em atitudes de respeito e admiração pela raça humana.
    Assim, aguardamos os acontecimentos com Fé, Esperança e Coragem que, o “Homem”, apesar das intempéries da vida, está num processo de transformação pessoal e mudança de estruturas, e, meios para à sua realização e auto-educação em busca da dignidade humana.
    Cordialmente,
    Rui Telmo Fontoura Ferreira

  • cassia diz: 10 de fevereiro de 2013

    A tragédia de santa maria só servirá para mudanças verdadeiras se os MEIOS DE COMUNICAÇÃO continuarem acompanhando,pois do contrário cairá no esquecimento e nada será feito para melhorar.

  • Antonio Carlos Espit diz: 10 de fevereiro de 2013

    Ao Jornal ZH
    Copiei, colei, salvei e guardei essa Carta da Editora.
    Acho que para o bem ou para o mal, essa Carta já faz parte da história do jornalismo nacional e mundial.
    Para o bem se o compromisso expresso na Carta, no futuro breve e longínquo, for assumido até o limite (econômico e político, principalmente, do qual se revestirá tal jornalismo investigativo)
    Para o mal se o compromisso expresso na Carta for uma atitude oportunista e mercantilista do jornal.
    Aliás, se considerarmos a afirmação “O assunto domina reuniões de editores, conversas de repórteres, encontros que definem a capa do jornal. Enquanto não forem identificados os causadores diretos e indiretos das mortes, o assunto não sai da pauta” a Carta não é da Editora mas do ZH.
    Sendo assim, a Carta de ZH, no fundo, propõe um desafio não somente ao jornal mas a própria sociedade, qual seja: acreditar ou não acreditar no ZH ?
    Prefiro acreditar nos Editores e Repórtes.

  • Roseli Moraes diz: 10 de fevereiro de 2013

    Vocês sabem qual é a empresa mais valiosa na Bolsa de Valores de São Paulo?
    AMBEV (antártica, skol, Brahma, etc…).
    Por causa deste poder etílico ($$$$$$), nada vai mudar no Brasil. Eles vão continuar alcoolizando nossos jovens em qualquer inferninho deste “paisinho”.
    Um dos locais em que mais se consome as “cachaças” desta empresa é em postos de combustíveis, onde centenas de jovens bebem e fumam em cima dos tanques de gasolina. Mas Deus é brasileiro e nunca haverá uma explosão!

  • eloir silva dos santos diz: 11 de fevereiro de 2013

    É tempo de refletirmos urgente sobre nossas responsábildades sob o futuro da vida de todos nós. A estreiteza de pensamentos autocentrados pode ter sido util no passado, mas hoje diante de tantas barbaries,incertezas,injustiça, mazelas, adversidades e o caos para a banalização da vida humana. Profundas mudanças tem que serem feitas breve, no que se refere ao desespero de uma sociedade,que por vezes parece ficar surda, muda e anestesiada. É necessario que aconteça uma grande tragédia como a da cidade de Santa Maria, que destruiu o sonho e projetos de centenas de jovens sonhadores, para que a mesma acorde. Temos que: Parar, Pensar, refletir e buscar soluções imediata antes que mais uma acabe ficando no esquecimento, como tantas outras. que apenas viraram a página da histórias e os culpados estão ai lvres e solto. Nos parece hoje presente, que tudo sera resolvido, ledo engano, se não nos unirmos para superar e barrar estas violências e estes crimes barbáros. Este vai ser apenas mais um que ficara sem respostas, apenas a dor,a falta e a perda destes anti queridos é que vai ficar, na lembrança, na saudade e no coração de cada pai, mãe, parentes e amigos desses jovens. Soluções infelizmente para tais fatos é seguir por outros caminhos, com a sociedade unida com redes combinadas e interconectadas de conscientização e ações mais concretas atravé da união de todos em busca de justiça e de culpados, seja ele la quem for. Se hoje formos esperar por nossas leis ultrapassadas, que beneficiam os criminosos, sera utópico e ficção. Ai entra nossos meios de comunicações, que fazem a linha direta desse desenvolvimento com a massa coletiva da sociedade. Ela tem um papel fundamental de atingir a todos os cidadãos brasileiros, usando sua força não só para esta conscientização,mas com uma responsabilidade muito séria com os verdadeiros e autênticos fatos e acontecimento e que não seja direcionados a esses ou aqueles poderosos. Vamos apartir deste acontecimentos acreditar neste desafio feito por este meio de comunicação e conclamar como cidadão consciênte que somos desta sociedade para ser partícipe dessa jornada. Chega de nos uludirmos pelos encantos transitórios, efêmeros e segmentado, em grupelhos. Pois continuamos a ser presas fácieis de oportunistas de plantões, que sugam nossa capacidade de realizações e aventuram se em projetos e leis via de regra pessoais, enriquecendo a nossas custas e de um povo trabalhador, honesto, esperançoso como eram essa centena de jovens, que sonhavam transformar este Brasil mais justo, mais solidário,mais fraterno e que foram atingidos por esta triste tragédia, culpa de negligentes,desumunos e porque não dizer crápulas e verdadeiros predadores de vidas humanas. Sugestões crie um slogan para essa luta. Para que a mesma não caia no esquecimento e para que seja bem sucedida tem que ser continuada e repetida .

    Porto Alegre, 12/02/2013

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