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Complexo, desafiador, emocionante

27 de julho de 2013 2

 

 

 

Um artifício eficiente para se montar a pauta de uma reportagem é imaginar: o que o leitor gostaria de saber sobre isso. A cobertura do incêndio e das consequências do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, na madrugada de 27 de janeiro, é uma dessas pautas em que funciona bem usar este artifício. Afinal, desde que a fumaça tomou conta daquele prédio levando 242 pessoas à morte, não faltam questionamentos sobre a tragédia.

Quais os responsáveis? Que punições devem receber? Houve negligência na fiscalização do local por bombeiros e/ou prefeitura? A ação dos bombeiros no combate ao incêndio evitou ou produziu mais mortes? A confusão entre servidores da prefeitura – uns assinando documentos que recomendavam medidas punitivas à boate, outros chancelando o seu funcionamento – pesou para que o fato acontecesse? Haverá justiça ou pizza? Que lições a sociedade tira? Como a cidade dará a volta por cima? E como as famílias podem reagir diante de tamanha dor?

A lista de perguntas e inquietações tomaria mais do que esta página. E a facilidade em tratar desta pauta termina aqui. Responder aos questionamentos para um fato desta grandeza e desta gravidade, lidar com algo que não tem precedentes, mergulhar no emaranhado de leis confusas e contraditórias, tirar pessoas e instituições de posturas defensivas e muitas vezes corporativistas, respeitar a dor e a privacidade sem deixar de mostrar a dimensão da tragédia, levar em conta o tecnicismo de algumas decisões sem deixar de temperar o noticiário com a revolta e a indignação dos que veem sinais de impunidade no ar. Estes são uns poucos itens de outra lista: a da complexidade da cobertura jornalística do Caso Kiss.

Desde 27 de janeiro, Zero Hora mergulhou nesta cobertura – definida por alguns dos mais experientes colegas desta redação como a mais desafiadora da história do jornal. Em uma das muitas discussões internas que temos feito sobre nosso trabalho, alguém disse: “Esta não é uma pauta que escolhemos, é uma pauta que nos escolheu e que devemos levar até o fim”. E assim estamos fazendo.

Neste final de semana, avançamos mais alguns passos. Mostramos uma pesquisa de opinião que traduziu o sentimentos dos santa-marienses seis meses após a tragédia. Luto, indignação (pelo ambiente de impunidade e pela paralisia das autoridades) e disposição para recuperar a cidade do trauma sintetizam estes sentimento. Esquadrinhamos as investigações sobre as 34 pessoas que, em algum momento, foram apontadas como possíveis responsáveis. Nesta edição, além de contar a história e a lição de vida da sobrevivente Kelen Giovana, trazemos uma análise das condições de segurança de 43 casas noturnas gaúchas, uma reportagem de fôlego que rende alentos e alertas sobre situações de insegurança que perduram.

Impressa em centenas de páginas nos últimos 181 dias, a cobertura traz o ingrediente adicional de emocionar cada um de nós, jornalistas. Emoção em doses muito maiores do que qualquer outra pauta pode produzir. Não há como não se impactar pelo drama em série de quem sepultou os filhos, pela vontade de viver de quem luta contra queimaduras e mutilações, pela força de quem transforma perda em solidariedade. E não há como não querer fazer mais e mais jornalismo para chegar às respostas capazes de permitir que a justiça vença, a cidade reaja, a tragédia não se repita e as famílias encontrem a paz.


“Buscar respostas no Caso Kiss é um dos maiores desafios que ZH já enfrentou”

 

Comentários (2)

  • Jofre Paschoal diz: 27 de julho de 2013

    O último parágrafo desta sua louvação ao jornalismo de ZH é de causar espanto! De fato vcs se colocam em altíssimo nível! Na verdade, fico pensando do que seria do RS se ZH não existisse! Ora, não exagere tanto, preclaro editor-chefe…Vc acha que a justiça vencerá, a cidade reagirá, tragédias não mais acontecerão e as famílias enlutadas encontrarão conforto e aceitarão suas perdas só porque ZH encontrou as respostas que procurava, isto graças ao seu jornalismo de escol? O que vcs querem é vender jornais! O que vcs querem – e isto ñ é pecado nenhum, paladino da verdade- é um faturamento crescente. Para isto que empresas jornalísticas existem. Vcs supõem que todos os seus leitores sejam imbecis sem raciocínio. A maioria até que é. Mas, respeitem a minoria pensante, e pensem bem antes de jogarem confete nas próprias cabeças, tão característico do ” jornalismo ” desta empresa. Claro que eu ñ espero que vcs publiquem meu comentário e ñ é para isto que eu o escrevi, afinal acho que só eu mesmo leio este blog. Escrevi para mostrar a vcs que nem todo gaúcho é parvo!

  • Wilfried Jussen Junior diz: 28 de julho de 2013

    O texto do editor não acrescenta absolutamente nada além do que já foi e está sendo debatido há vários meses sobre a tragédia em Santa Maria. É uma explicação com ares de isenção de responsabilidades para o jornal, já que as autoridades não conseguem encontrar e punir os verdadeiros responsáveis pela tragédia. Ora, o jornal pede desculpas por algo que está fora de seu alcance. Além da cobertura e acompanhamento desta terrível tragédia, apresentando novas evidências e divulgando-as à opinião pública, o que mais poderia fazer? Não é de responsabilidade direta do jornal encontrar culpados e puni-los.

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