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Passageiros, pacientes, vítimas

03 de agosto de 2013 0


A dona de casa Renata Garcia, de Alvorada, na Grande Porto Alegre, espera há 15 meses na fila do SUS para fazer uma endoscopia e uma ecografia, pontos de partida para tratar dos problemas de refluxo e gastrite, que, desde 2011, a impedem de — acreditem — dormir na horizontal.

Ricardo Löft é usuário do transporte coletivo da Capital. Há 12 anos embarca em ônibus da linha Rápida Rubem Berta. Por causa da superlotação, ele nunca — isso mesmo: nunca — conseguiu fazer uma viagem sentado.

O Voyage 1984 que Filipi Rosa de Andrade comprou com dinheiro emprestado foi roubado no bairro Cristo Redentor, em Porto Alegre, no dia 27 de julho. Em setembro de 2012, os ladrões já haviam levado de Filipi outro Voyage, comprado quatro meses antes, zero-quilômetro, em 48 prestações. Para o jovem de 21 anos, restaram dívidas e indignação.

Números, estatísticas e estudos especializados são fundamentais para dar altura, largura e profundidade a reportagens. Mas ficam frios e insuficientes se não forem acompanhados de rostos e se estes rostos não contarem histórias.

Renata, Ricardo e Filipi são alguns dos muitos rostos de três séries de reportagens de Zero Hora em 2013. Duas delas, Repórter na Saúde e Repórter no Ônibus, foram publicadas entre junho e julho. A terceira, Repórter na Segurança, estreia nesta edição com um trabalho que mobilizou 10 jornalistas para contar histórias de irritação, desencanto e desamparo de pessoas que tiveram seus carros roubados.

A inspiração para as três séries veio do barulho democrático das ruas. A incursão em várias linhas de ônibus deixou claro que a bronca nacional sobre transporte coletivo, de fato, não foi por 20 centavos, mas contra um sistema ruim, ineficiente e mal fiscalizado.

Hospitais padrão Fifa era o que se lia em muitos cartazes de protesto. A série de ZH mostrou que a saúde pública no Brasil é de segunda divisão, pois afronta padrões de cidadania.

Reportagens sobre as feridas do transporte, da saúde e da segurança não são exclusividade de Zero Hora nem se resumirão às séries destacadas nesta carta. Felizmente, pois estes temas não podem escapar da vigilância do cidadão e da imprensa.

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