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Arqueologia da dívida pública

10 de agosto de 2013 0

cartadamarta

Só de olhar para o nome da coisa, dá arrepios: dívida pública. Ou porque é um tema chato, ou porque é difícil de entender, ou porque, no imaginário da população gaúcha, é algo gigantesco, insondável e, pior, insolúvel.

O tamanho da bronca não assustou Juliana Bublitz, jornalista de 34 anos e doutora em História Social. Durante os últimos 40 dias, ela entrevistou 31 pessoas, desde técnicos do Tesouro do Estado com anos de experiência até ex-governadores, ex-secretários da Fazenda e outros personagens importantes do passado e do presente do Palácio Piratini. Sua mesa virou um amontoado de tabelas, contas, relatórios da dívida, livros e artigos.

Com paciência e entusiasmo, Juliana refez o caminho de mais de 40 anos da bola de neve da dívida e a transformou em algo compreensível e palatável, numa reportagem publicada na edição de amanhã e num vídeo muito didático, com recursos gráficos que tornam –  juro –, uma barbada entender como, afinal, chegamos a esta dívida de R$ 47,1 bilhões, que, somada aos precatórios, representa o dobro da receita do Estado.

– Estamos reconstituindo um capítulo importantíssimo da história contemporânea gaúcha, fundamental para repensarmos, inclusive, o futuro do Estado. Falar da dívida é importante porque, mais do que um conceito abstrato, esse rombo histórico afeta diretamente a vida de cada um de nós, embora muitos nem imaginem. Se não fosse esse descontrole de anos, hoje o Estado teria mais condições de investir em estradas, saúde, educação, melhorando a qualidade dos serviços prestados à população. A dívida virou um dos freios que impedem o desenvolvimento do RS – diz a jornalista.

ZH vem acompanhando a evolução do problema ao longo dos últimos 40 anos. Mas é a primeira vez que apresenta uma reportagem tão completa sobre o assunto. Para fazê-la, Juliana procurou personagens-chave desta história, como José Hipólito Machado de Campos, hoje com 79 anos, secretário da Fazenda do governo Triches. “Sabe onde o encontrei?”, pergunta a repórter. “No meio de um rebanho de gado, em sua propriedade em Caçapava do Sul.” Outro encontro com uma peça-chave para entender a dívida foi com o atual secretário da Fazenda, Odir Tonollier, e sua equipe de técnicos.

No café do Plaza São Rafael, Juliana conversou com a ex-governadora Yeda Crusius. Cézar Busatto, secretário do governo Britto, emprestou à  jornalista uma pasta com documentos originais, alguns deles assinados pelo então ministro Pedro Malan. Orion Cabral, secretário da gestão Collares, Paulo Michelucchi (governo Rigotto) e o ex-governador Jair Soares abriram as portas de suas casas para a jornalista. Aliás, sobre Jair, saiba o que uma gravata italiana dele tem a ver com a rolagem da dívida em 1985. Não vou contar. Confira a reportagem e descubra como Juliana conseguiu transformar este assunto tão relevante, mas tão insondável, numa reportagem que você vai gostar de ler.

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