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Papo de repórter: a vida de (jornalista) peão

29 de agosto de 2013 0

Arquivo pessoal

Por Léo Cardoso, repórter multimídia de ZH.

 

Foram três geladas e chuvosas madrugadas acompanhando a rotina de pessoas que trabalham durante a noite para garantir o funcionamento da Expointer no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. E era muito frio. E era muita chuva. Mas nada disso impedia o sorriso no rosto e a dedicação à lida e aos animais daquelas pessoas.

Documentar o trabalho desses peões, cabanheiros, seguranças e pessoal de limpeza foi um exercício interessante, inspirador e até certo ponto nostálgico. Estar inserido nesse meio rural me remeteu à infância. Nasci e fui criado no sítio da minha família, na zona rural de Viamão, bem na divisa com Porto Alegre. Ao lado do meu falecido avô, conhecido na redondeza como o “Tio Pedro”, aprendi a ordenhar as vacas, acompanhei o nascimento de terneiros e tinha até a minha própria enxada, em tamanho proporcional ao meu à época, e com ela passava capinando pelas terras junto ao Vô.

Léo CardosoDurante o período que fiquei na Expointer, voltei um pouco para esse tempo. Acompanhei o nascimento (o primeiro dentro do parque) da terneira Estreia, presenciei um parto complicado feito por um cabanheiro chamado às pressas para ajudar uma vaca que, depois de duas horas de trabalho de parto, não tinha forças para mandar ao mundo seu filhote. Usei botas para andar no barro, um pala para espantar o frio, e contei com a solidariedade de pessoas que mesmo nas condições mais adversas do tempo trabalhavam com prazer e empenho. Foram muitos mates durante a madrugada para esquentar, outras tantas conversas e histórias. Uma experiência incrível.

Conheci outro lado da Expointer. Ficou por terra, literalmente, a ideia de tudo não passa de uma feira, mostra, exposição. Pude perceber, com a ajuda de todos aqueles que conheci nessas três noites, que o Parque de Exposições Assis Brasil se torna, por uma semana, uma grande fazenda, e a lida real do campo acontece de verdade dentro daqueles portões. Foi inspirador ver as pessoas trabalhando com e para os animais com tanta alegria.

O maior aprendizado que levo ao final dessa matéria é o quanto fazer o que gosta recompensa, por mais que a realidade seja difícil. Ter passado frio e ficado molhado em certos momentos valeu a pena na companhia de todas essas pessoas. Assim como a do campo, a lida do jornalismo também não é fácil, mas é apaixonante.

Assista ao vídeo produzido pelo jornalista:

 

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