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Primeira Pauta: os bastidores da série Tesouros Farrapos

08 de setembro de 2013 0

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Jéssica Weber, 20 anos, vencedora do Primeira Pauta 2013 terminou a semana satisfeita, sorrindo na sala de reuniões de Zero Hora, depois de receber o prêmio do concurso. Ela acompanhou Letícia Duarte e Félix Zucco na reportagem Tesouros Farrapos que começou a ser publicada no domingo (8).  A jovem foi fotografada por Lauro Alves ao encerrar o período no jornal. Foram duas semanas participando da produção e execução da reportagem que vai mostrar até o dia 17 de setembro relíquias da Revolução Farroupilha. Confira as impressões e os bastidores contados pela estudante:

 

Domingo (15/9)

São Pedro ajuda quem retorna à Província de São Pedro que se tornou república. Nos primeiros destinos em que eu acompanhei a equipe, São José do Norte e Pelotas, fomos abençoados com sol, depois de um período de muita chuva. Foi nesta pauta que me surpreendi pela primeira vez com a capacidade da jornalista Letícia Duarte em escrever sem olhar para o bloco de papel, pois quer mirar nos olhos o entrevistado, e também com a paciência e contorcionismo do fotojornalista Féliz Zucco para buscar, por horas, o melhor registro.

Primeiro pegamos uma lancha, chegamos à ilha localizada na Lagoa dos Patos, e o pesquisador José Fernando Costamilan percorreu conosco as ruas em que, na madrugada fria de 16 de julho de 1840, se deu o mais sangrento confronto entre republicanos e imperialistas. Cento e setenta e três invernos depois, nem parece que algo tão brutal ocorreu na cidade com cara de vilarejo, rica arquitetura portuguesa e gente de riso fácil.

Na mesma tarde, ainda fomos com Costamilan até Pelotas para encontrar a baioneta, a relíquia desta pauta. O coordenador que nos atendeu no Laboratório Multidisciplinar de Investigação Arqueológica, Lâmina, chamava-se Jaime Mujica. Um fato engraçado se deu quando a repórter Letícia questionou se ele é parente do presidente do Uruguai, Pepe Mujica, só para quebrar o gelo. E a resposta foi afirmativa, para a surpresa de todos. “Somos primos”, disse Jaime com uma simplicidade que só pode ser coisa de família.

Leia a reportagem

Sexta (13/9)


Antônio Marega respira história e coleciona quase tudo
Foto: Jéssica Rebeca Weber, Arquivo pessoal

Num dia estivemos na capital da República Rio-Grandense, no outro, na capital da República Juliana. Laguna, Santa Catarina, foi a cidade onde conhecemos Antonio Carlos Marega, que tinha história servida pelo pai nos almoços durante a infância e hoje coleciona de tudo – “menos mulher, pois levar para casa não pode e não dá para guardar em álbuns”, brinca. O pesquisador nos acompanhou até o Museu Anita Garibaldi, no belo centro histórico. Sujeito direto, cético com relação ao heroísmo dos farrapos , mas que se mostra completamente à vontade ao contar histórias. Uma delas, sobre a mulher que, hoje, é ostentada como guerreira e símbolo da cidade, Anita, e o italiano Giuseppe Garibaldi. Afirma que os dois não eram bonitos, mas tinham “sex appeal”, ela com seus “seios fartos”, ele com seus longos cabelos e barbas. Conforme Marega, quando Giuseppe a viu, largou a célebre frase: “tens que ser minha”. A cantada deu tão certo que a jovem acompanhou o revolucionário por todas empreitadas – e muitas furadas – em que ele se meteu após.

leia a reportagem

 

Terça-feira (10/9)


O registro das gravações do vídeo sobre o objeto encontrado em Piratini
Foto: Jéssica Rebeca Weber, Arquivo pessoal

“A primeira capital da República Rio-Grandense foi meu destino favorito nesta jornada. Gaúcho que gosta de história precisa conhecer Piratini, antiga Piratinim, onde cada canto surpreende. Há a casa de líderes como Antônio de Souza Netto, a primeira sede do Executivo, o Ministério da Guerra… Sem falar que tudo remete a sua época de metrópole, como os ônibus Expresso Farroupilha, e também a pousada em que dormimos, que homenageia Garibaldi.

O objeto que visávamos em Piratini era a urna onde teriam sido depositados os votos para presidente da República. Mas no Museu Piratini há outros tesouros, como as condecorações recebidas por Bento quando servia ao Império, cuidadosamente conservadas, ou a ata original da Câmara de Vereadores do município em 1836, que registra a eleição do presidente. Esta, escrita com caligrafia e regras ortográficas da época, vi sendo decifrada pela repórter Letícia Duarte e pela diretora do museu, Angélica Panatieri.

A Angélica, fiz uma pergunta que tenho mania de fazer a todos os entrevistados: como entrou no ramo. E a resposta dela me entristeceu. Disse que desde sempre se interessou pelas tradições dos gaúchos, mas que, por ser negra, não podia frequentar Centro de Tradições Gaúchas na cidade quando criança – isso na década de 70. Mas nem por isso abandonou a história que também é sua.”

Segunda-feira (9/9)


Registro feito pela vencedora do Primeira Pauta, em Guaíba
Foto: Arquivo pessoal

“Quem hoje guarda consigo uma relíquia farroupilha conta a história em verde, vermelho e amarelo. Mas, dentre os nossos entrevistados, Oberdã Pires é quem mais respira o 20 de Setembro. Veste não apenas a camiseta, mas o traje completo a fim de reviver o antepassado Onofre Pires para a câmera – com direito até a cara fechada de coronel. Ele nos apresentou a espada de Onofre, e acredita que ela pode ter sido usada no duelo com Bento Gonçalves – o confronto com o primo causou a morte de Onofre.

Além de personalidade e objeto interessantes, Zero Hora compôs a pauta com um baita cenário em Guaíba: a casa que pertenceu a Gomes Jardim, em frente ao cipreste que, reza a lenda, forneceu sombra para os líderes da Revolução Farroupilha enquanto planejavam tomar Porto Alegre, ação executada entre 19 e 20 de setembro de 1835. Naquela mesma edificação, Bento Gonçalves morreu, vítima de inflamação da pleura, em 1847, dois anos depois de terminar a guerra. Dizem que sons de passos pela escada e dentro do quarto em que o general faleceu fazem-se ouvir por lá à noite.”

Domingo (8/9)

“O concurso Primeira Pauta de Zero Hora 2013 me premiou com a caça ao tesouro que todo gaúcho deveria ter. Passando por casas, museus e arquivos históricos de cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina com uma “mui leal e valorosa” equipe,
vi a Revolução Farroupilha se reconstituir por meio de objetos.
Como estudante de Jornalismo e apaixonada por história – da que narra o dia a dia da dona Maria até a que muda o rumo de nações –, foi a melhor aula prática que eu teria em algumas vidas acadêmicas. Foi ainda mais válido por se tratar de uma cobertura multimídia. A convergência de tecnologia e meios de comunicação social é uma via de mão única, mas exige do jornalista um trabalho que não fica visível a quem acessa textos, imagens, vídeos e games em alguns cliques.
Vi que, tanto quanto o bom texto, o faro e o comprometimento com a informação, existem três palavrinhas de sufixo “ência”
que são requisitos obrigatórios no currículo de um bom jornalista. São elas: paciência, insistência, persistência. Isso no off e no online. A pauta nem sempre é o que tu pensas, e a história não tem apenas uma versão. É preciso estar atento a tudo, ouvir a todos, pesquisar e apurar.
Já a Jéssica gaúcha e, como gaúcha,bairrista, viu que estava mesmo certo Joaquim Francisco de Assis Brasil em História da República Rio-Grandense: “Nada falta ao Rio Grande do Sul”. A começar pela história. E até nisso tem Gre-Nal.

 

*Vencedora da 5ª edição do Primeira Pauta, concurso cultural de ZH, Jéssica acompanhou Letícia Duarte e Félix Zucco em seis cidades da série Tesouros Farrapos

Leia todas as reportagens da série

 

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