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Críticas antagônicas sobre o tal do pibão

15 de março de 2014 1

 

martha gleisch

Todo editor de economia já ouviu esta: reportagens, títulos e manchetes positivas ou negativas são capazes de abalar o mercado. Se um jornal forçar a mão e só publicar notícias positivas de economia, empresários, lojistas, autônomos, empresas, enfim, todo os negócios ficam num clima para cima e isso é capaz de agitar a atividade econômica da comunidade. Se, por outro lado, um jornal escolher, por um erro em sua linha editorial, publicar só notícias negativas nesta área, tende a deprimir o mercado.

Essa conversa, que chega a qualquer redação, coloca poder demais nas mãos dos jornalistas. O jornal tem tanta influência assim na atividade econômica? Em termos. Pessoalmente, acredito que o mercado se regula, e que o jornal não determina os rumos da economia, como dizem alguns. O que eu acredito mesmo é que o jornal tem de publicar o que acontece, independentemente de ser positivo ou negativo. Caso contrário, como o leitor vai confiar no que está escrito?

Exemplifico com episódios da última semana. Na segunda-feira, o governador Tarso Genro anunciou, na Expodireto, que o PIB gaúcho seria um pibão: algo entre 6,6% e 6,8%. Demos de manchete. Afinal, o governador não é uma fonte qualquer, é uma fonte das mais importantes. Mas mantivemos um “pode” na manchete, porque era uma previsão, e não o número final. Boas notícias têm que ser comemoradas, têm que ser manchete, a economia do Rio Grande do Sul dá um salto, e o jornal tem, sim, responsabilidade de publicar títulos bons quando os fatos sustentam (vivem nos acusando de sermos urubus e só buscarmos notícias negativas, não é?).

Manchetes da semana: ZH impressa de terça e quinta (primeira e última imagem) e a capa do site na quarta (imagem do meio):

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Na quarta-feira, veio o número oficial: 5,8%. Nossa manchete no site durante o dia foi “Abaixo do previsto por Tarso, PIB sobe 5,8%”. Lembramos que o governador havia antecipado um número maior. Recebemos críticas por sermos caranguejos, puxar para baixo, em vez de comemorar o grande pibão. Sim, 5,8% é um grande pibão. No mesmo dia, saiu a previsão de safra recorde. Outra baita notícia para quem torce pelo Rio Grande. No jornal do dia seguinte, nossa manchete foi duplamente positiva: safra recorde e forte avanço do PIB.

Não deixamos de mencionar, na reportagem e na coluna da Rosane de Oliveira, a antecipação mais otimista do governador. Também não deixamos, na quinta e na sexta, de contar os bastidores desta antecipação: por que e como Tarso disse o que disse. As reportagens igualmente não ignoraram a base sobre a qual se assenta este pibão, que é o desempenho de 2012, de uma queda de 1,4% na atividade econômica. Mas, faço uma autocrítica: talvez pudéssemos ter destacado melhor esta informação nas páginas.

Assim como houve quem nos criticasse por ser caranguejo e puxar para baixo, lembrando o anúncio precipitadamente otimista do governador, houve quem dissesse que aderimos ao governo porque embarcamos na previsão dos 6,6% a 6,8% feita por ele.
Zero Hora foi bem nesse assunto? Acredito que nossos leitores reconhecem que procuramos mostrar o que aconteceu, sem esconder nada, ouvindo todos os lados e opinando nos espaços adequados. Tentamos, evidentemente, valorizar o crescimento econômico do Estado. Como não valorizar? Moramos todos aqui, queremos o desenvolvimento das nossas comunidades e acreditamos que as boas notícias contribuem para isso.

 

Comentários (1)

  • Antonio Carlos Menezes Reis diz: 15 de março de 2014

    Se se tem essa consciência de que a notícia negativa sobre a economia é ruim, pergunto porque jornais de grande circulação nacional como Folha de são Paulo e o Estadão, sistematicamente priorizam a má notícia apara estampada em suas capas, por isso o uso do termo urobolino, acho que o forte componente ideológico faz esses jornais agirem dessa forma.

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