Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Um primeiro olhar sobre o Berliner Zeitung

18 de março de 2014 0

barra_brunascirea2

Por Bruna Scirea*

Fiquei feliz da vida quando soube que trabalharia no Berliner Zeitung (BZ) durante o meu período de estágio em Berlim. Os porquês são muitos.

O BZ é um jornal diário fundado em 1945, em Berlim. A tiragem é de 126 mil exemplares e o número de leitores diários chega a 400 mil. É o maior jornal da região Berlim-Brandenburg (Capital e Região Metropolitana). Até aí, nada de tão revelador.

O que torna o Berliner Zeitung um jornal especial e a experiência aqui ainda mais enriquecedora, no entanto, é o fato de ele ter sido o primeiro jornal diário fundado após a Segunda Guerra Mundial. E, por isso, tem uma história que começa assim: desde sua primeira edição, a publicação funcionava como um órgão do comando do Exército Vermelho e a equipe editorial era formada por oficiais soviéticos e membros do Partido Comunista Alemão, o Kommunistische Partei Deutschlands (KPD).

Entre 1945 e 1990 ele circulava apenas na Berlim Oriental. Após a reunificação da capital alemã, as fronteiras concretas caíram. No entanto, e ainda que a intenção do jornal seja conquistar leitores de todos os cantos da cidade, apenas cerca de 15% dos assinantes do BZ moram em bairros que antes faziam parte da Berlim Ocidental. Com maior influência no lado Oeste, há outros dois grandes jornais regionais, o Tagesspiegel e o Berliner Morgenpost (que está entre os produtos da grandiosa editora Axel Springer). Curioso, né?

Pois bem, de volta ao presente. Para um jornalista brasileiro, acostumado com o murmurinho incessante das grandes redações do país, a adaptação aqui pode ser complicada. O BZ é um dos jornais alemães, entre eles também o Die Zeit, que não possui redação integrada – aquela área grande, sem divisórias, enlouquecedora para os iniciantes e indispensável para os veteranos. Aqui os repórteres trabalham sozinhos, em duplas ou em pequenos grupos em salas separadas conforme a editoria ou de acordo com assuntos que cobrem dentro de uma mesma seção do jornal. Até tem uma sala que se parece com uma redação, mas é usada praticamente apenas no fechamento do jornal, por alguns editores e diagramadores.

Aí, além da troca frenética de e-mails, o que une todo mundo é esse corredor enooooooorme aqui:

foto

Tenho medo de corredores. Por sorte, trabalho na redação online, que ainda que bastante silenciosa, está reunida em uma sala sem divisórias. UFA! Assim, ó:

berliner zeitung
Enquanto o jornal conta com cerca de 130 jornalistas, a equipe online que trabalha na central de Berlim é formada por pouco mais de dez pessoas – e a metade é freelancer (grande parte do conteúdo vem da sede do online, que fica em Colônia). Embora a equipe na Capital seja reduzida, o site é uma grande aposta da empresa e todos os jornalistas publicam seus textos também na versão online. Muito mais do que o impresso, o site do Berliner Zeitung tem como objetivo ser a fonte de informação do berlinense. Isso explica por que, entre os assuntos destacados na homepage, 70% são sobre a Capital. E é também por isso que minha principal missão aqui, sugerida por eles mesmos, é falar das minhas impressões sobre a cidade.

Como na maioria dos jornais brasileiros, todos os dias um representante da equipe online participa da reunião da editoria Lokales (Geral) e depois da grande reunião – que reúne editores de todas as editorias do jornal. Além disso, temos encontros internos semanais para discutir pautas, assuntos ligados a mídias sociais e projetos. Bem na verdade, o trabalho acaba sendo bastante parecido. Afinal, é jornalismo. O que é mesmo diferente e estranho é a capacidade de manter o silêncio. Também parece não existir a velocidade imposta pelo digital, a ânsia de dar uma notícia primeiro.

Mas acredito que seja apenas uma primeira impressão. Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. Volto aqui para contar (esse é o objetivo do “120 dias na Alemanha“), se essa percepção mudar.

foto 2

Bastidores: 120 dias como repórter na Alemanha


*
A jornalista Bruna Scirea está em Berlim e conta semanalmente, aqui no Blog do Editor, a experiência profissional como repórter no Exterior. Ela é bolsista do Internationale Journalisten-Programme (IJP) e trabalha por dois meses no Berliner Zeitung.

Envie seu Comentário