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O golpe revisitado

29 de março de 2014 8

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Viva a democracia! Ela está permitindo, sem amarras, que o Brasil revisite um dos episódios mais marcantes de sua história: o golpe militar de 1964 e seus desdobramentos em 21 anos de ditadura. E a imprensa – nunca é demais lembrar que sem ela não há democracia – cumpre um papel relevante neste processo.

Zero Hora não esperou o 31 de março para tratar dos 50 anos do golpe. Nas últimas semanas, em vários espaços, tem publicado reportagens, análises, resgates históricos e revelações que ajudam a mergulhar no tema. Acesse todo o nosso conteúdo em zhora.co/50anosdogolpe.

A MÃO CIVIL
Grupos de empresários e estudantes, setores da imprensa e da Igreja Católica e figuras como o político Carlos Lacerda estão entre os representantes civis que chancelaram a derrubada do presidente João Goulart e a ascensão dos militares ao poder. O papel dos civis é analisado em caderno especial nesta edição. Na versão digital, o caderno é enriquecido com conteúdos como a música do cantor Teixeirinha em homenagem ao então presidente Médici, evidenciando a simpatia dos tradicionalistas com os militares.

A RESISTÊNCIA
Documentário já disponível em zerohora.com reconstitui duas passagens do que grupos de esquerda batizaram como resistência armada: o assalto a uma agência do  Banco do Brasil em Viamão, em março de 1970, e, dias depois, a tentativa de sequestro do cônsul dos Estados Unidos em Porto Alegre. Duas ações frustradas que acabaram levando guerrilheiros a prisão e torturas.

CULTURA GOLPEADA
Em quatro edições de março, o caderno Cultura mostrou os impactos da ditadura sobre a música, o cinema, o teatro e as artes visuais, ressaltando alguns dos mais nefastos traços do regime militar, que impôs censura, repressão e perseguições para sufocar a oposição.

HERANÇA ECONÔMICA
Publicada em 23 de março, uma reportagem do caderno Dinheiro percorreu os feitos dos governos militares na economia. Mostrou avanços em áreas como infraestrutura e sublinhou o legado negativo, que incluiu dívida externa, favelização, desemprego e inflação.

USTRA FALA
O coronel Brilhante Ustra, primeiro militar apontado pela Justiça como torturador, tentou negar esta condição em entrevista publicada domingo passado. Mas não resistiu às perguntas da repórter Cleidi Pereira e acabou reconhecendo o uso de técnicas como o interrogatório contínuo, além de dar detalhes de métodos repressivos.

O TORTURADOR
Na sexta-feira, ZH revelou que Paulo Malhães, coronel que torturava e matava no Rio de Janeiro, esteve no RS em 1970 com uma missão sinistra: ensinar e requintar métodos de tortura.

RECONTANDO A HISTÓRIA
Em novembro de 2012, quando não se falava de 50 anos do golpe, ZH desfez uma farsa. Com base em documentos guardados por um militar morto em Porto Alegre, provou que o ex-deputado Rubens Paiva dera entrada em uma unidade da repressão no Rio antes de desaparecer, algo que o regime militar negava. A revelação fez avançar a investigação sobre o assassinato do político, um dos episódios mais simbólicos dos anos de chumbo.

Comentários (8)

  • Harildo Broedel diz: 29 de março de 2014

    O famigerado Brilhante Ustra “não resistiu às perguntas da repórter Cleidi Pereira e acabou reconhecendo o uso de técnicas como blá, blá, blá”. Ele ñ resistiu às perguntas da arguta, da valente, da perspicaz, da inexorável repórter do grande, do imparcial, do exemplar, do monolítico jornal Zero Hora, paladino da justiça, da moral e dos bons costumes no Brasil e no muuuuuundo! Um jornal que nunca joga confete na própria cabeça, tão ridiculamente como fazem outros jornais por aí! hahahahahahahahahahaha!! Façam um apanhado das manchetes de ZH durante os ditos “anos de chumbo”! Recontem a história mostrando como ZH sempre foi, como o Teixeirinha, conivente com a ditadura. Como foi covarde e adesista. Como rezou pela cartilha dos militares e como lucrou, lucrou e lucrou com isto! Aliás, como quase todos os jornais brasileiros. Como o Globo, pai adotivo de Zero Hora! Então, não me venha agora cantar vantagens como se seu jornal fosse um arauto da liberdade, da vergonha na cara, da moralidade, do respeito à democracia e ao direito do povo a ter suas próprias opiniões e torná-las públicas. Nem todo gaúcho, meu senhor, é um imbecil apalermado, é um bajulador desprezível, é um covarde joão -bobo, é desprovido de raciocínio, é um esclerosado inútil! Respeitem aqueles que pensam e que portanto existem para colocar gente como o sr. sem seu devido lugar!

  • José Silva diz: 30 de março de 2014

    Quero protestar enfaticamente contra a entrevista com o torturador, coronel Brilhante Ustra. É muito contraditório que um site, como este da RBS, que faz elogios à democracia, conceda uma página inteira a um carrasco, que serviu ao regime ditatorial, para ele mentir descaradamente. Os militares também são treinados para mentir. O editor-chefe e a repórter que o entrevistou sabem perfeitamente que isto é uma realidade. No entanto, abriram um espaço generoso, que só serviu aos interesses do torturador, para tentar limpar sua imagem pessoal, bem como a dos militares fascistas.
    Da leitura desta repugnante entrevista, ficou evidente a ingenuidade da repórter, tentando arrancar de um notório mentiroso – já publicou suas mentiras em livro – respostas sobre os crimes que ele cometeu. Será que a repórter acreditou que o bandido iria revelar o que ele sempre negou, inclusive quando foi ouvido na Comissão Nacional da Verdade???
    Do ponto de vista dos leitores jovens – que desconhecem o que houve na época da ditadura – a entrevista serviu para confundi-los, pelas mentiras do coronel-torturador. Já para aqueles que conhecem a história, a entrevista não acrescentou absolutamente nada de novo.
    Reconhecer “o uso de técnicas como o interrogatório contínuo, além de dar detalhes de métodos repressivos” – como destaca o editor-chefe – como sendo uma vitória da publicação, é algo irrelevante, já que nestas décadas passadas muito já foi divulgado sobre o que aconteceu nos porões do aparato repressivo. Além disto, o bandido sabe o que pode dizer e o que tem que mentir.
    Se a intenção deste site é “ouvir os dois lados”, então é preciso ter critérios na escolha do entrevistado e no tamanho do espaço destinado à entrevista. É óbvio que um entrevistado como este – que ainda está sendo processado na Justiça – iria aproveitar esta excelente oportunidade para mentir. Foi o que ele fez durante toda a entrevista. E isto é revoltante!
    Por tudo o que eu disse, fica a impressão que a RBS deu um presente ao coronel-torturador. Ele manipulou toda a entrevista. E isto já era esperado. Só o editor-chefe e a repórter ignoravam que isto iria acontecer???

  • Luciano Huber diz: 30 de março de 2014

    A restrição às liberdades civis e a tortura praticada pelos militares foram abomináveis, mas o que teria sido do Brasil e, quem sabe, até da América como um todo, se o pesadelo soviético aportasse por aqui? Pergunte a um alemão ou coreano, de qual lado da cerca eles prefeririam viver? E é pelo passado que se compreende o futuro. Temo pelo que nos espera.

  • Zé das Quantas diz: 31 de março de 2014

    O Harildo Broedel parece ser um grande anunciante da RBS. Tanto que o editor-chefe de ZH teve que engolir a descompostura do homem! E o pior de tudo é que o Harildo está coberto de razão! Quem tem, tem medo, né, Nilsinho?

  • Lúcia Pires diz: 1 de abril de 2014

    Caro Zé das Quantas, a ZH aceita críticas, sem problemas. Obrigada.

  • Roger diz: 3 de abril de 2014

    Parece a história do marido corno,que tudo sabe,mas não faz nada.Responsabilidade da imprensa é parar de desenterrar defunto e procurar “guampa em cabeça de cavalo”. E a fundura que esse pt e companhia estão enfiando o Brasil??? De parte de vocês, é conivência ou cumplicidade ???????????????

  • Roger diz: 3 de abril de 2014

    É caro Luciano; a nossa faceira imprensa continua achando que o comunismo é a oitava maravilha do mundo, e que milhares de pessoas enfrentam o mar do caribe e tubarões, tentando fugir diariamente prá magnífica ilha de cuba.
    A piada do século!!!!!

  • Guilherme diz: 12 de maio de 2014

    Com certeza, a ditadura civil militar foi um dos períodos mais negros de nossa história, Sou estudante de história, tenho algo a acrescentar sobre o cantor regionalista Vitor Mateus Teixeira, já faz alguns anos que pesquiso o fenômeno musical e cinematográfico que foi esse cantor.
    Teixeirinha não era engajado politicamente mas dava voz as classes mais oprimidas da sociedade, operários, camponeses, motoristas, etc, se dava bem com todos os políticos, independente se fossem de esquerda ou Direita, mas nunca se aprofundou em política.
    Amigo de Brizola apoiou a legalidade “Eu sou gaucho do sistema antigo, estou sempre firme com a legalidade”(GAUCHO ANDANTE-TEIXEIRINHA), homenageou e incentivou os estudantes a lutarem “Estudantes brasileiros vão em frente sem temer, pelo Brasil de amanhã vamos lutar e vencer!”(HINO AOS ESTUDANTES-TEIXEIRINHA).
    Com base nos meus estudos sobre a obra e vida do cantor, não acredito que o mesmo era a favor da ditadura militar, mas sim foi alienado pela propaganda massiva do governo daquela época que falava em milagres econômicos etc, e alguns setores da imprensa que diziam que Medici não admitia torturas e era um bom patriarca. Os civis que não tinham acesso a informação mais critica e nem era engajados politicamente, alienavam-se.
    Letra “presidente Medici” (Teixeirinha) retrata bem isso :

    Quem é aquele gaúcho
    Que fez coisas mais de mil
    Que fez um novo Brasil
    “E não perseguiu ninguém”..

    No final de sua vida mesmo hospitalizado Teixeirinha apoio as “DIRETAS JÁ”, e disse:- “o governo não ajuda o povo, cobrar impostos não é ajudar o povo”,
    Teixeirinha não era politizado, por isso não soube distinguir o bem e o mau nessa época, mas isso não o desconstrói como cantor popular que deu voz as classes mais oprimidas da sociedade.

    Só uma correção, Teixeirinha não encaixa-se como um tradicionalista, pois cantava até samba, mas sim como um cantor regionalista brasileiro.

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