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A pátria sem chuteiras I, II e III

10 de julho de 2014 1

Da série coincidências…

opin

Três textos foram publicados com a mesma tese e o mesmo título em jornais brasileiros. O de Zero Hora foi publicado no início da Copa, quando o Brasil almejava o Hexa. Os outros dois, depois da tragédia contra a Alemanha.

Confira trechos ou clique na data e leia a íntegra.

 A pátria sem chuteiras

Por Moisés Mendes, em Zero Hora de 14 de junho

(um trecho)

O Brasil levou ao cansaço o uso da seleção como expressão de nacionalismo. A Copa de 2014 é a face sombria do que se construiu até aqui, ou o reverso do que Didi fez naquela final em 1958. Algo muito sério se extraviou pelo caminho.

É por isso que o Mundial superfaturado marcou sua estreia, por coerência, com a vitória da malandragem no pênalti simulado. E assim vamos ao Hexa. Torcendo numa bruma de suspeitas, constrangimentos, indecisões, vergonhas, civismos e cinismos. Quando se desfez a conexão com o gesto de Didi que abarcou a brasilidade?

A Copa no Brasil levou a Seleção a se exaurir como identidade. Pode ter chegado a hora de experimentar outros signos de pertencimento.

 

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 Pátria sem chuteiras

Editorial da Folha de S. Paulo, em 9 de julho

(um trecho)

Derrota brutal da seleção brasileira diante da Alemanha talvez possa representar o fim de uma era dentro e fora do futebol Nem mesmo o mais delirante pessimista poderia ter previsto o resultado do jogo entre Brasil e Alemanha, ontem, no Mineirão.

O vexame histórico, ainda que não numa final de campeonato, vem eclipsar o famigerado “maracanazo” de 1950. Naquela ocasião, com apenas um gol –o de desempate– o time do Uruguai destruiu os sonhos brasileiros.

A ideia de uma “pátria em chuteiras”, na célebre formulação de Nelson Rodrigues, terá provavelmente sofrido um subterrâneo desgaste ao longo dos anos. Um país mais diversificado, plural e rico foi deixando de ver, nos campos de futebol, sua única fonte de compensação diante dos muitos insucessos de seu projeto econômico e social.

Não é a hora, certamente, de procurar raciocínios consoladores diante de um acontecimento que espanta e desconsola dezenas de milhões de brasileiros. O resultado do Mineirão foi o que foi: humilhante, inacreditável, devastador.

Injustificado, talvez, tenha se provado o hábito de depositarmos tanto de nossa identidade nacional num único esporte, num único campo, num único jogo –que sempre é o de hoje.

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 A pátria sem chuteiras

Por Mario Sergio Conti, em O Globo, dia 10 de julho

(um trecho)

A infantilização da seleção seria considerada um lance de gênio se ela tivesse se tornado campeã O general Golbery do Couto e Silva dizia que dentro de cada vitória há uma derrota. E que dentro de cada derrota há outra derrota. O dito do mago da ditadura não era para ser levado a sério, apesar de ter o seu sal de verdade. Tomar de sete a um é chato. Mas não é uma tragédia. Outras derrotas virão, quem sabe até maiores. É do jogo.

O futebol é o mais internacional dos esportes, centenas de milhões de pessoas no mundo todo torcem, sofrem e discutem interminavelmente partidas e campeonatos. Ele pertence ao domínio do entretenimento, existe para divertir, no seu âmago está o prazer. Na Copa do Mundo, boa parte da espécie humana acompanha os jogos, dando origem a uma narrativa global que envolve bilhões de espectadores. Há uma tensão planetária que não redunda em violência. É uma beleza.

A seleção não representa o Brasil. Se o Congresso e os políticos, que são eleitos, não o representam, por que uma equipe de jogadores poderia fazê-lo? O raciocínio é absoluto e vale quando invertido: também nas grandes vitórias o time brasileiro não encarnava, nem virá a encarnar, a nação. Essa história de que a seleção é a pátria de chuteiras é balela, uma metáfora mal-ajambrada.

 

Comentários (1)

  • gilmar bones diz: 10 de julho de 2014

    estamos em um limiar onde provavelmente geraçoes futuras vao exigir
    melhorias de vida e nao titulos mundiais .
    me lembro bem da batalha de sarria onde se ganhassemos a copa iria aumentar a gasolina instantaneamente pois o povo de chuteiras estaria
    embriagado no tetra paulo rossi destruiu o canarinho que voava e 2 dias depois a gasolina subiu
    invejo o panelasso argentino e as madres de maio

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