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Bastidores: Jornalista de ZH faz campanha para ajudar meninas

24 de junho de 2015 0

Por Luísa Martins

Algumas correntes do Jornalismo pressupõem que o repórter deve se comportar de forma absolutamente neutra em relação ao entrevistado, sem demonstrar qualquer sentimento. Maria Vitória e Maria Esperanza, personagens da reportagem especial Cicatrizes, publicada em maio, não me deram nem chance de pensar nessa regra. Com seus jeitinhos desengonçados de andar, seus sorrisos típicos da ingenuidade da infância e sua vontade de viver, mesmo em um ambiente de pobreza, me conquistaram ao primeiro olhar.

A família das duas é especial. Moram todos juntos — pai, mãe e cinco filhos — em um puxadinho, na periferia de São Jerônimo, a uma hora de Porto Alegre. Todos são muito unidos e amorosos uns com os outros, mas as gêmeas são “as cerejinhas do bolo”, como diz Lucimar, o pai, pedreiro quando tem trabalho (o que não é sempre).

As cerejinhas são tão sapecas que deram trabalho logo ao nascer, há 9 anos: eram siamesas, vieram ao mundo grudadas, em um tipo raro de malformação. A cirurgia de separação pela qual passaram em 2006 deixou sequelas: as bexigas não funcionam bem e alguns músculos ficaram comprometidos.

Douglas Roehrs

Douglas Roehrs

Mesmo depois de publicada a reportagem, de vez em quando ligo para a Sônia, mãe das Marias, para saber se estão bem. Da última vez, veio um apelo: as meninas estavam precisando de fraldas, alimentos, roupas e cobertores. Comovida, porque conheço o lugar onde moram e sei das necessidades por que passam, resolvi fazer uma pequena campanha nas redes sociais e na redação de ZH, que logo abraçou a causa.

A caixa de papelão que disponibilizei perto do computador onde trabalho foi se enchendo dia após dia (faz menos de uma semana que disparei o e-mail para os colegas). A editora Marta Sfredo, por exemplo, doou um blusão de infância, daqueles de estimação, que a gente resiste em passar adiante.

— Tenho certeza que esse blusão que a mim é tão querido vai ter um bom destino — me disse ela.

A mobilização entre os colegas tem me trazido muita alegria. Até a editora Carla Dutra, que está de licença-maternidade, mandou suas doações. A campanha chegou às redações da Rádio Gaúcha e do Diário Gaúcho, que também têm se esforçado para colaborar. As coisas que estavam em casa acumulando pó vão chegar a quem realmente precisa. Não há nada mais triste que um homem morrendo de frio, diz um poeta da minha terra. Mas fazer o bem aquece o coração da gente.

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