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Editor Entrevista: Marta Sfredo

26 de junho de 2015 0
Douglas Roehrs

Douglas Roehrs

A jornalista Marta Sfredo tornou-se titular, no dia 16 de junho, da coluna de Economia de ZH, cargo que já ocupava interinamente há oito meses.

Formada em Jornalismo pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1984, Marta trabalha no jornal desde 1992.

Abaixo, a colunista fala sobre as mudanças no jornalismo e os desafios da nossa função.

Para você, a coluna, assim como o jornal, está sempre em fase Beta. Ou seja, busca-se constantemente aperfeiçoamento. Nesses oito meses de interina, você já mudou seu estilo?

Acho que mudei algumas coisas. A gente procurou fazer um processo bem de transição, não de ter uma mudança drástica, mas que conversasse melhor com este momento. Um momento de mais análise, pois a economia está passando por um processo difícil. Um momento de incluirmos um pouco mais este mundo de tecnologia, economia criativa, coisas novas que vão aparecendo.

Você se formou em 1984 na Fabico e entrou em ZH em 1992. Como avalia a mudança na forma de fazer jornalismo de lá para cá?

Quando a gente começou a fazer jornalismo não tinha Google. E a gente brinca ‘como é que a gente conseguia fazer jornalismo sem Google?’. Checar era algo muito complexo, pois tínhamos pastas gigantes que a gente mandava descer do arquivo para checar dados. Deste ponto de vista, da facilidade da checagem, melhorou muito, mas em compensação, algumas coisas se tornaram mais complexas. A economia se tornou mais complexa. A diversidade de assuntos aumentou muito. O jornalismo também, nesses anos, passou a ser mais democrático, ou seja, a gente está conversando mais com as fontes, até para definir o que é pauta e não é pauta. Nós éramos mais fechados e hoje estamos mais abertos, e eu acho isso muito legal. Um jornalista só não é capaz de ver tudo o que está acontecendo, e quando há mais parcerias para definir o que vale e não vale fica mais rico o trabalho.

Hoje, há ferramentas tecnológicas que fazem o nosso trabalho. Isso fortalece ou enfraquece o jornalismo?

Bem usado, pode fortalecer. Google não pode ser fonte, ele tem de ser checagem. Todo o universo das redes tem de ser o instrumento do jornalista, não a fonte. Quando a gente fala em usar bem as ferramentas que temos, é usar para tornar o trabalho mais qualificado, mais rico, mais aprofundado. Não é só para tornar o trabalho mais fácil. É super difícil para gente concorrer neste universo onde todo mundo é gerador de informação, e isso aumenta a responsabilidade do jornalista. A informação que o jornalista dá deve ser mega hiper ultra-checada, com selo de qualidade para se diferenciar dos produtores de informação que não têm esse compromisso. De um lado torna mais complexo e do outro facilita. Só saber usar bem.

Qual o maior desafio como colunista de ZH?

O maior desafio, neste momento, é tentar traduzir a complexidade que a gente vive. Estamos vivendo um momento de crise econômica muito intensa e, ao mesmo tempo, tem gente fazendo coisas muito bacanas e tendo bons resultados. Nosso compromisso é pintar este quadro com a complexidade que ele tem.

Como tem sido sua interação com o leitor?

Super bacana. Eu amo quando os leitores entram em contato. Hoje, por exemplo, eu recebi um email cumprimentando pelo fim da interinidade, que a pessoa passou por algo semelhante. É muito engraçado que as pessoas sentem muita familiaridade. São pessoas que a gente não conhece, mas como elas leem todos os dias, desenvolvem certa familiaridade e eu acho isso muito bacana. Quando o leitor dá retorno, é o meu maior prêmio.

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