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Marta Gleich: três caras aleatórios

18 de julho de 2015 1

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Na última semana, o colunista e crítico de cinema Roger Lerina gravou um vídeo para responder a um leitor de nove anos de idade, Rafael Cohen. Em uma carta à Redação, o menino reclamava: “Fui assistir ao Exterminador do Futuro: Gênesis e adorei muito. Eu acho que seu jornalista está errado. O filme deveria ser cinco estrelas ao invés de ser três. Por que discordo de seu jornalista? Porque o filme tem uma lição que é: não precisa se preocupar com seu futuro, porque o futuro não está escrito”.

No vídeo, Roger lembra que os leitores estão sempre convidados a dizer se concordam ou não com a avaliação de ZH sobre cinema e que achou muito legal o fato de Rafael ter visto uma mensagem positiva e interessante no filme.

Aproveito a carta do pequeno leitor para contar os bastidores da crítica de cinema feita pelo jornal. Afinal, quem decide que um filme vale uma, duas, três, quatro, cinco bolinhas? Três jornalistas especializados em cinema: Roger Lerina, 16 anos de ZH e há 16 também crítico de cinema, Daniel Feix, há oito anos no jornal e crítico de filmes há 11 anos, e Marcelo Perrone, 16 anos na Redação e há 10 anos escrevendo sobre o assunto. O pessoal do 2º Caderno os chama de “três caras aleatórios”, fazendo piada com um telefonema recebido de um leitor há alguns anos. Indignado com a avaliação feita sobre um filme, ele desabafou: “Esses três caras aleatórios aí acham que podem dizer quanto vale um filme!”. A brincadeira pegou e, hoje, os próprios se chamam assim.

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Marcelo Perrone, Daniel Feix e Roger Lerina (da esq. para a dir.)

– Uma avaliação envolve conhecimento do tema e também gosto pessoal. Mas um filme deve, também, ser cotado dentro do seu gênero. Uma produção de Ingmar Bergman pode ganhar cinco, e a mesma nota pode ser dada a um filme de animação da Pixar. Sempre comparamos a obra com as melhores de seu gênero. Toy Story, por exemplo, é um marco em animação. Então, balizamos o ótimo Divertida Mente com o filme top desse tipo, que é Toy Story – explica Perrone.

– O importante é avaliar o quanto o filme fala com o público a que se pretende. As pessoas se equivocam pensando que a gente faz a cotação apenas segundo nosso gosto. Uma comédia romântica precisa ser comparada com outras comédias românticas, para o público que gosta desse gênero. Não vamos comparar um filme desse tipo com Jauja (longa-metragem argentino considerado de difícil compreensão) – diz Roger.

O trio discute muito sobre a cotação – o número de bolinhas, de um a cinco – recebido por cada obra. Algumas vezes, depois de muita conversa, chegam a trocar a nota, caso um dos três não tivesse assistido ao filme e apresente novos argumentos.

– Caverna dos Sonhos Esquecidos, do Herzog, ganhou uma nota 4 quando estreou, ano passado. Agora que voltou a cartaz, rediscutimos e avaliamos que, sim, ele merece um 5 – conta Daniel.

Quem mais discorda são fãs de um determinado personagem ou gênero, quando seu filme predileto recebe uma nota baixa, ou intelectuais que torcem o nariz para uma nota alta dada a um filme da moda campeão de bilheteria.

Se dá tanta polêmica, por que Zero Hora mantém a cotação em forma de notas?

– Já tentamos tirar a avaliação em forma de número de bolinhas – conta Perrone. – Afinal, obras de arte não podem ser reduzidas a notas. Mas não deu certo, os leitores pediram de volta!

– Evitamos dizer “não veja este filme” – conta Roger. Preferimos: “Vá lá, veja, depois avalie”.

Comentários (1)

  • Lorena diz: 18 de julho de 2015

    O guri tem nove (9) anos e fez este comentário?
    Contratem, já !

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