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Nos bastidores de ZH: como foi concebida a reportagem Nasce uma Mãe

21 de agosto de 2015 1
Júlio Cordeiro

Júlio Cordeiro

Neste domingo (23/8), ZH publica a história de Daiani Melisa da Silva Dias, assessora parlamentar de São Leopoldo que lutou pelo sonho de ser mãe.

A reportagem Nasce uma Mãe, da repórter Larissa Roso (na foto acima, ao lado da mãe durante o parto) e com imagens de Júlio Cordeiro e Félix Zucco, acompanha o período de gestação e o nascimento de Luiza.

Confira abaixo o relato de Larissa sobre a produção do trabalho:

Minha ideia inicial era narrar a expectativa de uma gestante à espera de um bebê diagnosticado com síndrome de Down. Procurei essa personagem durante três meses, de janeiro a março deste ano. Durante a busca, um obstetra argumentou que minha tarefa seria muito difícil — muitas grávidas optam pelo aborto ao descobrir a alteração cromossômica no feto. Não desisti.

Uma integrante da Associação dos Familiares e Amigos do Down 21, de Novo Hamburgo, me conectou com Daiani Melisa da Silva Dias, assessora parlamentar que estava à espera de Luiza, com nascimento previsto para junho. Eu logo descobriria que a reportagem Nasce uma Mãe, que estará no site de ZH a partir desta sexta-feira e na edição impressa do jornal de domingo, não poderia ganhar melhor protagonista.

Contrariando as previsões médicas de que jamais poderia gerar uma criança e após sofrer dois abortos, Daiani enfim conseguiu levar adiante a terceira gestação. Poucas semanas depois, em uma ultrassonografia, surgiu o alto risco para trissomias — Down entre elas. Com medo de perder o bebê outra vez, a moradora de São Leopoldo recusou se submeter a uma amniocentese, punção no abdômen para coleta de líquido amniótico que confirmaria ou não uma anormalidade genética. Outra possibilidade, o teste NIPT, capaz de dar o diagnóstico a partir de uma amostra do DNA fetal, ao custo de R$ 4 mil, também foi desprezada. Não faria diferença. Daiani levaria a gravidez até o fim. Já amava aquela criança incondicionalmente.

Visitei a família inúmeras vezes, de abril a agosto, na companhia dos fotógrafos Félix Zucco e Júlio Cordeiro. Nos sentimos bem-vindos desde o princípio. Fizemos um trabalho de grupo, o que é fundamental em projetos como este: Daiani compartilhou medos e incertezas, mostrou-se desenvolta diante da câmera, avisou-nos de tudo que estava se passando ao longo do terço final da gestação.

Prevista para 17 de junho último, a cesárea teve de ser antecipada em dois dias. O aviso chegou quando eu estava a caminho de Viamão, para uma entrevista relacionada a outra reportagem. Daiani ligou para comunicar que havia acabado de entrar em trabalho de parto e que partiria rumo ao hospital em pouco mais de uma hora — o registro dessa cena era fundamental para o documentário em vídeo que estávamos produzindo. Pedi para o motorista mudar a rota e aceleramos para a casa do bairro Vicentina, em São Leopoldo.

Conhecedora da história de vida daquela mãe, eu me emocionei muito durante o nascimento de Luiza. As lágrimas molharam a máscara cirúrgica que cobria o meu rosto. Que cena linda, que privilégio assistir ao momento mais aguardado da vida daquela mãe. Não tenho dúvidas: Luiza nasceu na família certa.

Comentários (1)

  • Taís Dias diz: 21 de agosto de 2015

    eu sou a tia apaixonada da nossa Luiza, a gente desejou e te esperou tanto que nunca poderemos descrever a emoção de ter nos braços. E cada dia que passa nosso amor aumenta e sabemos que foi você Luiza que nos escolheu como família e somos eternamente gratos por esta escolha. Faremos todo o impossível para que tu seja a pessoa mais feliz desta vida. Te amamos princesa.

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