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A vida da gente

18 de outubro de 2015 2

marta-gleich

Por trás destas páginas, tem gente. Gente como você, um de nossos milhares de assinantes e leitores. Que problemas ou satisfações estará vivendo neste fim de semana? Será que foi afetado pelas chuvaradas, enchentes, granizo, raios deste outubro inclemente? Será que não sofreu com as intempéries, mas juntou roupa, alimentos, e foi socorrer quem precisava? Como será que você é? Que história de vida tem para contar?

Por trás destas páginas, tem gente. Gente como o jovem leitor Luís Dias Ferreira Soares, de 16 anos, que citei com alegria na última semana em várias conversas. Porque ele escreveu uma coisa que foi direto para o meu coração, ou o meu cérebro, seja lá onde mora minha alma jornalística: “Sou um menino de 16 anos e nunca me senti tão envolvido por uma reportagem antes. Decidi pegar a ZH que comprei no domingo para minha mãe e ler no meu percurso no trem. Fiquei encantado pelo relato (da repórter Letícia Duarte, que viajou com refugiados sírios pela Europa, em um caderno publicado no domingo passado), que comoveu a mim e a muitos outros leitores. Uma tremenda sensibilidade que registra pequenas frases que simbolizam grandes histórias dessas pessoas que abandonaram tudo para conseguirem viver com um mínimo de dignidade e paz. Obrigado”. Obrigado diz esta Redação a ti, querido Luís! Não pode haver realização maior do que emocionar um jovem leitor com uma grande reportagem.

Por trás destas páginas, tem gente. Gente que está chegando à Redação de Zero Hora. Como os 15 jovens que foram selecionados entre dezenas de estudantes de faculdades de Jornalismo para o projeto Primeira Pauta ZH e que pararam a Redação na quarta-feira. Na hora de saber quais eram os cinco que venceram esta edição e que farão um estágio de uma semana em ZH, alguns deles choraram e se emocionaram. Neste programa que já está na sua sétima edição, garimpamos talentos que um dia, talvez, farão uma reportagem tão marcante quanto a de Letícia Duarte, para comover leitores em sua viagem de trem, como o jovem Luís.

Por trás destas páginas, tem gente. Gente que está deixando a Redação de Zero Hora. Como o nosso querido Gilberto Leal, um dos principais jornalistas especializados no setor automotivo, que, depois de 46 anos, deixou de escrever sua coluna em ZH impressa (ele segue no blog zerohora.com/gilbertoleal). No dia 26, a Redação vai parar de novo, desta vez não para receber jovens que chegam, mas para homenagear o Gilbertinho, como ele é carinhosamente chamado por todos aqui.

Por trás destas páginas, tem gente. Gente como o repórter Paulo Germano e o fotógrafo Tadeu Vilani, que se molharam até a cintura na última semana para retratar as maiores enchentes e tempestades vividas pelos gaúchos em décadas. Gente como o senhor Varlan Soares – um desenhista de 67 anos entrevistado por eles na Ilha dos Marinheiros –, que emocionou os leitores ao mostrar seu desenho de Jesus caminhando sobre as águas para salvar os apóstolos de uma tormenta:

– Perdi tudo, mas tenho saúde. E ninguém me tira a fé – disse Varlan.

Por trás destas páginas, tem gente. Gente como o colunista Tulio Milman, que se engajou na campanha #EuAjudo, criada pela RBS para estimular a solidariedade com os flagelados. Tulio escreveu no seu Facebook: “Eu só fico querendo que tudo acabe logo. Que as pessoas voltem pra suas casas. E que esse sentimento tão focado no outro não evapore”. Gente como uma leitora que respondeu ao apelo da colunista Rosane de Oliveira: “Rosane, eu ajudei. Um pouco depois das oito horas da manhã de hoje, estava levando donativos aos abrigados no Tesourinha. Ontem, fiz um pequeno rancho, incluindo material de limpeza, higiene, fruta, pão, sanduíche, presunto e queijo. E, hoje cedinho, montei os sanduíches para ajudar no café da manhã. Fiz isso com muito carinho e zelo, como um gesto de gratidão pela vida, pelo poder fazer por aqueles que eventualmente precisem de ajuda, como agora. Ninguém está livre de precisar um dia. Continuem com a campanha até quando for necessário.”

Gente. Um jornal é feito de gente.

Comentários (2)

  • Carlos Renatos dos Santos Costa diz: 18 de outubro de 2015

    Uma pequena casa de madeira à beira dos mananciais de água. Suas tábuas já estão podres por seguidas enchentes. A proprietária, abrigada numa barraca improvisada diz: “Só quero voltar para minha casa, alimentar meus filhos e levá-los para a escola!” Uma casa é uma janela para o mundo e por mais frágil que seja, não é frágil o sentimento dos seus moradores e solidariedade que os unem.
    Jovens, quando olharem para casa de seus país e não compreenderem porque eles continuam habitar o velho ninho, saibam que todos os anos, alguma tábua é substituída, uma parede é pintada, um telha é consertada, uma foto é pendurada na parede. Dificilmente, conseguiram tirar os “velhos” daquele lugar, mesmo que seja para passear, pois as estações das chuvas mudam, mas o amor continua o mesmo. Não apenas o amor pelo entorno, sempre em construção, mas pelas histórias de superação, de luta e da certeza que dessa vida nada se leva.

  • Amorim diz: 24 de outubro de 2015

    Que bonito… Gente é, de fato, a matéria de um jornal e diante das aparentes contradições da vida a boa comunicação é uma ponte que nos dá uma conexão com a passagem, nos faz sentir “mais” gente.

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