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A escolha da foto

04 de junho de 2016 6

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Na terça-feira, Zero Hora publicou como foto principal de capa uma imagem da Capela do Pão dos Pobres, restaurada após um incêndio. Omar Freitas, nosso fotógrafo especialista em imagens 360 ou 180 graus, em drones e outros que tais tecnológicos, captou o novo ambiente. Estou até agora me perguntando: ZH errou na escolha da principal imagem do dia?

capa

Observe novamente a capa: há uma imagem secundária, no alto, à direita, de funcionários do ministro da Transparência higienizando com vassouras a porta do gabinete. No final da tarde de segunda-feira, o ministro da Transparência caiu, e o assunto virou manchete de ZH e de muitos outros jornais.
Alguns jornais brasileiros deram fotos das vassouras como principal imagem em suas capas. E ZH a colocou como foto secundária, privilegiando uma imagem menos quente jornalisticamente, a da Capela do Pão dos Pobres. Que, convenhamos, é uma imagem linda, diferente por ser 180 graus, estranha, que pode ter levado um “bom-dia” mais ameno a muitos leitores.
Em uma palestra na UFRGS na manhã de terça, o professor de Jornalismo Mário Rocha me questionou se havia uma posição política por trás da escolha. Também recebi um e-mail de um leitor com a crítica: “Senhora Editora: É estranho, no mínimo, publicar a foto de uma capela de bairro abaixo da manchete principal que trata da queda de um ministro. Se o ministro fosse de Dilma Rousseff, o jornal também publicaria a foto da igrejinha?”.
A editora de capa de ZH, Rosane Tremea, havia chamado a atenção sobre a foto das vassouras na tarde de segunda. Em um e-mail, ela me avisou: “Estávamos com uma bela foto de capa feita em 180 graus na Capela do Pão dos Pobres restaurada, mas agora pintou a foto das vassouras!”. Ao que respondi a ela que optava pela foto do Pão dos Pobres como foto principal, e a das vassouras como foto secundária, por vários motivos:
– Alguns leitores andam reclamando de um excesso de capas e notícias sobre a crise política. Há manifestações sugerindo que publiquemos também outros temas, inclusive boas notícias.
– O tema da queda do ministro estava bem contemplado na manchete, e não deixamos de dar a boa foto das vassouras, embora de forma secundária.
– Gostamos de valorizar boas notícias – e o restauro da capela era uma boa notícia local.
Mas o questionamento é válido e, sim, talvez tenha errado na escolha. Respondendo ao professor e ao leitor: não, não houve nenhum viés político ao colocar a foto das vassouras em posição secundária na capa, muito menos uma tentativa de esconder o assunto porque se tratava de um ministro de Temer e não de Dilma. Foi simplesmente uma escolha editorial, como as centenas que fazemos por dia ao preparar uma edição. Alguém pode interpretar de forma diferente? Pode. E o debate é saudável.

Comentários (6)

  • Paulo Guerra diz: 4 de junho de 2016

    eu acho que a sra. acertou na mosca!!.

    chega de bolsonaros, dilmas, cunhas, temers, etc.
    coloca a foto da pagina de politica em duas paginas..

  • augusto cesar martins de aguiar correa diz: 4 de junho de 2016

    Assim como tem preferencias políticas tem também clubísticas. Não tem como esconder. Papo furado.

  • João Alberto Vargas diz: 5 de junho de 2016

    Quero parabenizar a editora pela acertadíssima opção em colocar como foto principal do jornal a maravilhosa Capela recém restaurada nas dependências do Pão dos Pobres.
    Sem retirar a importância do fato que foi noticiado na foto menor, ZH mais uma vez dá outro grande passo para a evolução que tem demonstrado ultimamente, tanto ao lançar as publicações para tablets como na inovadora edição eletrônica dominical.
    Confesso que, num primeiro momento, também fiquei um pouco surpreso com o destaque dado à “igrejinha” “do bairro”, como se referiu outro leitor, ou mesmo certa estranheza com a que manifestou o jornalista palestrante quanto à publicação, talvez porque pessoas como essas não tenham refletido mais ou melhor sobre o tema, quiçá ansiosos em colocar ou querer que o jornal sempre priorize um viés pessoal e até ideológico em tudo.
    Contrariamente, ao meu ver ZH adotou uma postura mais altiva, valorizadora e positiva em relação ao patrimônio histórico, cultural e arquitetônico da nossa cidade.
    Aliás, são prioridades como estas que tem sido efetivadas há décadas e até séculos na Europa, nos Estados Unidos e noutros países desenvolvidos como o Japão, para preservar, recuperar e enfatizar suas memórias, monumentos, prédios, tradições, etc, em perfeitas condições de harmonizar com o progresso tecnológico e econômico de seus respectivos países e povos, principalmente para o crescimento e a manutenção do turismo local, sem desconsiderar as constantes evoluções contemporâneas.
    São iniciativas como esta que devem ser mais valorizadas e aplaudidas pela sociedade e pela imprensa.
    Parabéns, repito.”

  • NElsonpoa diz: 6 de junho de 2016

    Escrevi sobre a capela no meu blog. Notícia sobre corrupção e queda de ministro pode ir direto para coluna da Rosane de Oliveira, ainda mais do Ministro da transparência que é uma piada de extremo mal gosto. A reinauguração da “igrejinha” é uma benção para todos nós, um lugar histórico e limpo para a comunidade que ansiava pelo retorno daquele espaço religioso e de recolhimento. ZH acertou em cheio pela coragem de ousar sair da mesmice de notícias que envergonham cada vez mais a nossa vida pública.

  • Ernildo Heitor Agostini Filho diz: 7 de junho de 2016

    Gostaria de parabenizá-la duplamente pela escolha da foto.
    Primeiro, por ter escolhido a capela em detrimento das vassouras, na capa de 31 de maio. Concordo integralmente que a Capela dos Pão dos Pobres é mais importante para os gaúchos do que a queda de um ministro do Brasil. Aquela é patrimônio de Porto Alegre e a recuperação que resgata um passado histórico é uma boa notícia para nós. O outro é um fato corriqueiro na formação e evolução política do Brasil. E não será a vassoura, já tentado por Jânio Quadros, que vai limpar o ambiente político.
    Como chefe a senhora tomou a atitude correta ao discordar da editora de capa, que não poderia ter dúvida entre qual foto publicar.
    Segundo, por ter tornado pública a sua escolha na edição de 4 e 5 de junho. É isso que se espera de um jornal.
    Sou um daqueles leitores que defende que uma boa notícia do Rio Grande pretere uma notícia ruim brasileira ou internacional. Esta será explorada nos sítios na rede mundial de computadores e ampliada nos repetitivos jornais das emissoras de televisão, enquanto que um bom assunto gaúcho será esquecido pela mídia de massa.
    Faço votos que a senhora seja firme e consiga manter essa diretriz de valorizar as coisas do Rio Grande, orientando alguns jovens jornalistas a evitarem:
    - a reprodução de imagens, piadas e assuntos requentados, que já circularam pelas mídias sociais mais velozes que o veículo escrito. Um jornal tem que ter criatividade investigativa.
    - a concessão de mais espaço ao futebol americano e às diversas lutas em relação ao futebol do interior e aos esportes amadores dos clubes e escolas gaúchas;
    - o emprego de gíria em detrimento da precisão da lingua portuguesa;
    - o uso abusivos de termos de idiomas estrangeiros em prejuízo da língua pátria. O jornal tem um papel educacional muito grande e pode influenciar nossos adolescentes a usarem linguagem semelhante. Só que esse modismos desnecessários são condenados em redações escolares, concursos e documentos profissionais; e
    - a valorização de cantores de música brasileira de gosto duvidoso, os quais fazem apologia a uma realidade que não tem vínculo cultural com o Rio Grande, em detrimento dos artistas locais. O Noel Guarany é melhor que o Naldo.

    Por fim, expresso minha restrição à capa da edição de 4 e 5 de junho. Na minha modesta opinião, o que ocorre nas ruas de Bagdá, Fallujah e Mossul é muito específico e descolado do cotidiano gaúcho, não merecendo ser destacado num jornal local como Zero Hora. Parece que a senhora se distraiu e a Rosane Tremea tomou a frente. Confio na sua resistência.

    Como leitor assíduo de longa data, defendo a mídia local e gostaria que ZH continuasse sendo mais “daqui” e menos de “lá”.

  • Claudio Brito diz: 7 de junho de 2016

    Ouso dar meu modesto pitaco no tema “A escolha da foto”.
    A foto foi muito bem escolhida.
    Por todos os motivos, inclusive os jornalísticos, sem esquecer os estéticos.
    Todas as mídias tinham publicado ou exibido as imagens das vassouras que simbolizaram a tentativa da limpeza ética.

    A foto da Capela foi exclusiva, impactante e o jornal ensejou ainda o passeio virtual. Tudo nos conformes atuais.
    E cuidou-se ali de valores muito importantes para nossa comunidade, que tem pelo Pão dos Pobres o maior respeito e carinho. O lixo moral na foto das vassouras. A virtude da esperança na foto da Capela!

    Foi como a foto de um gol.

    Ninguém estranharia se toda a capa estivesse tomada por um golaço do Inter ou do Grêmio.
    Pois a foto da Capela foi a foto de um baita gol social e moral. Traz o reconforto de recuperarmos um espaço limpo e santificado. Vale bem mais que qualquer outra.
    Zero Hora acertou na capa.
    Todas as manhãs abro a porta de casa e apanho a versão impressa do jornal que acompanhei a cada minuto de sua permanente edição eletrônica. Sei como foi bom naquela manhã encontrar-me com o excelente trabalho do Omar Freitas.
    Parabéns!

    Abraço!

    Cláudio Brito

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