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Primeira Pauta: entrevista coletiva marca primeiro dia do treinamento

27 de setembro de 2016 0

A semana começou mais cedo para a turma Primeira Pauta 2016. Nesta segunda-feira (26), os estudantes anteciparam a chegada à Redação para acompanhar a reunião de pauta do jornal, às 9h30min. Ao participar da primeira reunião de editores do dia, na semana pré-eleições, entraram no ritmo acelerado do jornalismo de ZH. Até sexta, o grupo deverá produzir uma reportagem e assistir a aulas.

Assim que a pauta do jornal foi fechada, as discussões para definir a pauta para a semana de trabalho começou, com a supervisão do editor Ticiano Osório. O dia ainda teve aula de apuração com a jornalista Adriana Irion, técnica de entrevista com Juliana Bublitz e uma prática que desafiou os futuros jornalistas: entrevista coletiva com o presidente do Grupo RBS Eduardo Melzer. Veja como foi a entrevista:

Omar Freitas

“Nosso compromisso não é com o papel, é com a notícia”, diz Duda Melzer

O presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, participou do primeiro dia de treinamento dos estudantes de Jornalismo vencedores do concurso Primeira Pauta ZH, concedendo uma entrevista coletiva. O encontro ocorreu na redação do jornal Zero Hora e durou 40 minutos. O futuro do jornalismo na era digital foi um dos principais temas da conversa. Para Duda, sempre haverá espaço para o jornalismo de qualidade, independentemente da plataforma. Leia abaixo os principais pontos da entrevista.

[LARISSA] Na sua visão como empresário de jornalismo, o que nós, estudantes, devemos dar mais importância na nossa formação profissional?

Primeiro, nunca nada vai substituir o jornalismo de boa qualidade, nunca, porque o que nós vemos agora é que o consumo de jornalismo só aumentou. Antes líamos o jornal de manhã, hoje a gente passa lendo a Zero Hora o dia inteiro em diversas plataformas. Então, aumentou o ponto de contato, cada vez se consome mais aquilo que o jornalista produz, então a qualidade do que fazemos tem que ser maior e melhor. Segundo, eu preciso ser um profissional que entende de forma clara a minha função social, tenho que ter uma conexão com o meu público. Aquilo que produzo tem que impactar, tem que dar um tipo de conteúdo que vai melhorar a vida daquela pessoa que lê o jornal. Eu tenho que estar conectado com o que se passa na minha comunidade. Outro aspecto, que é muito importante, é que nós temos o privilégio de trabalhar numa profissão que tem uma função social que nos fascina. É o que a gente sempre diz, por trás de uma notícia tem um ser humano apaixonado pelo o que faz, escrevendo alguma coisa, produzindo um conteúdo, e esse conteúdo vai transformar a vida de uma outra pessoa. Isso tudo são coisas que quem está nesse atividade tem que ter consciência, ter a responsabilidade de saber que a sua produção, seu trabalho do dia a dia, gera esse tipo impacto.

[FELIPE] O Jornalismo está sofrendo uma grande crise: muitas empresas fizeram uma série de cortes de funcionários nos últimos anos, incluindo o Grupo RBS. Enquanto isso, as grandes reportagens vêm ganhando força, e um único repórter acaba produzindo conteúdo para várias plataformas ao mesmo tempo. Como o senhor enxerga isso e até que ponto isso afeta a qualidade do conteúdo?

Nunca se consumiu tanto jornalismo como hoje. O problema é que o modelo de negócios se transformou, e precisamos nos adaptar a isso. Se a gente abrir mão da qualidade, abrimos mão do nosso negócio porque hoje, com as redes sociais, a notícia é absolutamente commoditizada, e o nosso leitor também quer instantaneidade. O que nos diferencia é a qualidade e a credibilidade. O que a gente entende por qualidade é, sem dúvida, um jornalismo profundo, de análise, que respeita as especificidades de cada plataforma. Se quisermos ter uma empresa jornalística de qualidade, precisamos encontrar maneiras de nos financiarmos para manter ótimos jornalistas. A redação tem que ter o tamanho certo, o tamanho que ela pode aguentar. Nós estamos em um momento de desafio, de repensar o negócio, e precisamos ter muita agilidade para fazer, testar, ver o que deu certo, ter a humildade de dizer o que deu errado e mudar.

[FELIPE] O senhor acha que esses possíveis erros da empresa podem ter desencadeado a chamada mídia alternativa? Como o Grupo RBS enxerga esses grupos que estão crescendo cada vez mais?

Eu enxergo com bons olhos toda iniciativa séria na área de comunicação. Eu acredito no empreendedorismo e valorizo ações com credibilidade, seriedade, ética, responsabilidade. Quanto mais novidades e iniciativas bacanas surgirem, melhor para o jornalismo.

[EDUARDO] Na sua opinião, quais são as projeções para o rumo da empresa?

A projeção para a nossa empresa é muito positiva, mas nós temos que saber separar duas coisas. Temos duas crises: uma conjuntural e uma estrutural.
Na conjuntural, temos o Brasil vivendo um processo de recessão absoluta, um dos piores da história. Isso impacta qualquer atividade, até quem faz comunicação. O que nós temos que fazer é apertar o cinto e focar naquilo que realmente é relevante para passar por essa turbulência toda. Não sabemos quando, mas uma hora isso passa. Nenhuma crise no mundo veio para ficar, as empresas que são sólidas sofrem, mas elas se reinventam e vêm com mais força ainda, como é o nosso caso. Eu estou seguro disso.
Também temos a questão estrutural. Essa é estimulante, porque diz respeito a como vamos pensar o nosso negócio para não só manter nossa relevância, mas sim aumentá-la. O que devemos fazer é não abrir mão do jornalismo de qualidade. Nós somos uma empresa de comunicação que tem a consciência do seu impacto social. Nós vamos investir em qualidade, fazendo as apostas certas para nos conectarmos com o mercado. Para isso precisamos nos reinventar, ouvir as pessoas de dentro da redação. Eu também tenho o maior interesse em saber o que o pessoal do Primeira Pauta pensa, porque são estudantes de Jornalismo que hoje são potenciais colaboradores. Essa troca é uma das fortalezas do Grupo RBS.
Nós temos que ter muita humildade pra receber críticas, mas também muita tranquilidade para saber que estamos trilhando um caminho não convencional. Nós queremos trilhar o caminho da liderança, e líder só tem um. A RBS tem postura de líder e tem vocação para ser líder. Então nós estamos preparados para romper paradigmas, quebrar barreiras históricas e fazer coisas que ninguém está fazendo.

[GABRIELA] A conversão digital é uma realidade e promete dominar o cenário do jornalismo. Nessa perspectiva, qual o futuro do jornalismo impresso?
Ninguém sabe o futuro do jornalismo impresso. Há muitos anos se fala que o jornalismo impresso vai morrer. Eu acho que vão morrer as empresas que não se reinventarem. O que importa é que, enquanto o nosso público buscar conteúdo no impresso, enquanto o impresso for importante e a operação desse negócio for sustentável, nós vamos estar lá. Não é que nós vamos abandonar o impresso na hora em que ele não for mais sustentável, é que o nosso público vai ter abandonado o impresso. O nosso compromisso não é com o papel, a gente não faz papel aqui, o nosso compromisso é com a notícia. Essa conexão com o público é muito importante e eu tenho convicção de que o jornalismo, cada vez mais, aumenta sua importância e sua relevância no mundo de hoje.

[FELIPE] O senhor fez MBA nos Estados Unidos, então deve ter uma visão abrangente sobre a mídia estrangeira. Existe algum modelo de negócios de outro país que poderia valer a pena trazer para o Rio Grande do Sul?
A gente tem uma grande atividade de benchmark, de visitar outras empresas, de ter a curiosidade como um valor que nos mantêm vivos e ativos. Este ano, eu visitei os principais jornais do mundo, me reuni com o presidente do The New York Times e com vários outros líderes da indústria para entender o que eles estão fazendo para se adaptarem às mudanças do jornalismo, e o que acontece lá fora é muito parecido com o que acontece aqui. Nós ficamos muito orgulhosos quando algumas delas vêm nos visitar para ver o que estamos fazendo aqui também. Isso mostra que a gente está conectado e participa do mercado de maneira muito ativa. Precisamos ter e mostrar postura de líder, e isso só acontece quando tu tem curiosidade e humildade para entender que não sabe tudo e precisa pesquisar, descobrir e aprender mais.

[CAROLINE] Em 2014, o Grupo RBS foi reconhecido como uma das empresas de mídia e internet do Brasil que mais geraram valor para seus públicos e uma das mais inovadoras do país. Como manter esse reconhecimento?
Não trabalhamos para ganhar prêmios, isso acontece por consequência. Tudo se resume a duas coisas: gente e visão. Precisamos ter uma visão muito clara para onde vamos e pessoas muito boas para executar, pensar junto, sonhar para poder levar a empresa para onde ela deve ir. Temos compromisso com o público do Rio Grande do Sul e com o mercado publicitário brasileiro para um jornalismo de qualidade.

 

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Texto produzido por Eduardo Uhlmann (UFPel), Felipe Goldenberg (UFRGS), Gabriela Garcia (UFRGS), Joice Caroline (Unisc) e Larissa Burchard (Unipampa).

 

 

 

 

 

 

 

 

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