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Posts na categoria "Carta do Editor"

Educação, um tema obrigatório

21 de fevereiro de 2015 0

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O seu filho passou raspando ano passado na escola? Sofre bullying? Tem dificuldade para fazer o tema? Trocou de colégio? Ou já está no último ano do Ensino Médio e prepara-se para a grande mudança rumo à faculdade?

Seja qual for a situação, vida escolar é assunto dominante no dia a dia dos nossos leitores, sejam pai, mãe, tia, tio, avô, avó ou as próprias crianças e adolescentes. E isso se mantém por muitos anos. Se o bebê entrar na creche antes do primeiro aniversário, até chegar à faculdade podem ser 17 anos de vivência do mundo escolar, com todos os seus percalços e conquistas.

Neste início de ano, ZH se alia aos leitores na discussão de temas ligados à vida escolar, com uma série de reportagens que começa hoje e vai até sábado.

Ticiano Osório, editor de Sua Vida, tem o assunto como agenda obrigatória em seu planejamento para 2015:

– A editoria Sua Vida é comprometida com o tema da Educação, uma pauta inescapável, inesgotável e indispensável. Neste ano, algumas das principais reportagens de ZH farão um mergulho no universo das escolas, como fizemos na premiada matéria Lições da Turma 11F, de Letícia Duarte (texto) e Félix Zucco (fotos), vencedora do Prêmio Esso Regional Sul 2014. Vamos abordar a qualidade (ou a falta de qualidade) do Ensino Médio, por exemplo. Também queremos mostrar as percepções de crianças e adolescentes no caminho para o colégio, e dar voz aos professores, divididos entre o amor à profissão e as frustrações diárias: desprestígio, baixa remuneração, ambientes por vezes hostis.

Educação se fará presente em ZH neste ano não apenas em reportagens. Estamos preparando uma renovação do caderno Vestibular, que continuará como um guia para os jovens que querem ingressar na universidade – cada vez mais via Enem, vale ressaltar –, mas ampliará sua lista de assuntos. Zero Hora também investirá em projetos digitais: a ideia é lançar um site exclusivo, com uma equipe própria que desenvolverá conteúdos em textos, vídeos e infográficos.

Contribuir com ações de impacto para a qualidade da Educação é um compromisso histórico do Grupo RBS com a comunidade, expresso em seis itens lançados em 2012, que tratam de dar visibilidade aos temas relevantes do ambiente escolar, como a valorização dos professores e de boas práticas em sala de aula, o papel decisivo dos pais no aprendizado dos filhos e a responsabilidade dos governos com a Educação, sempre no interesse do aluno. Uma das principais iniciativas é o Prêmio RBS de Educação, que em 2015 está em sua terceira edição, um reconhecimento a professores e estudantes que promovem a formação de leitores. A Educação também é um tema prioritário para a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho (FMSS). Ao longo do ano, a FMSS implementará projetos incentivando os jovens a promover a transformação por meio do conhecimento.

Jornalista gosta de más notícias?

14 de fevereiro de 2015 6

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Na sexta-feira, o leitor e jornalista (ex-colega de Zero Hora) Antônio Goulart me puxou as orelhas num e-mail: “Ultimamente, as manchetes de ZH têm sido negativas e preocupantes, em especial sobre a situação econômica do Estado. Acho, por isso, que o jornal deixou de destacar em capa, hoje, uma notícia alvissareira que aparece escondida no meio de um texto na página 24 (coluna de Gisele Loeblein). Segundo um órgão oficial, a Conab, o RS se prepara para colher uma safra recorde de soja, 10% superior à do ano passado. Será que isso não merecia uma manchete? E talvez até um editorial?”.

Merece, sim, Goulart. A supersafra de soja que está se delineando no horizonte gaúcho e seus bons impactos econômicos serão tema de reportagem especial – e potencial manchete do jornal – no caderno Campo e Lavoura do dia 24. “É um volume histórico de soja. Não faltarão oportunidades de destacarmos essa boa notícia”, promete a editora e colunista Gisele.

Todo dia, fazemos um esforço para dar notícias positivas, até para que o jornal não seja uma bofetada no leitor. Nem sempre é possível, e concordo que andamos com manchetes pesadas. Na sexta, o título principal de capa foi “Delator diz que Dirceu sabia de propina ao PT“, sobre a declaração do doleiro Alberto Youssef, colocando o ex-ministro José Dirceu no centro do escândalo. Na quinta, “Explosão e mortes em plataforma da Petrobras“. Na quarta, “19 carros roubados por dia na Capital“. Na terça, “Conta da luz vai ficar de 37% a 66% mais alta“. Na segunda, “Mais 3 obras no RS citadas em esquema de propina“. Semana difícil! Algum desses temas, na sua opinião, não deveria ser manchete? Com a situação da economia no Estado e o cenário de corrupção no país, vamos forçar manchetes positivas? Não tem como.

Editar é escolher e, no mundo todo, comentários de que jornalistas adoram uma má notícia volta e meia surgem como críticas à imprensa. Durante a última semana, o editor de Opinião de ZH, Nílson Souza, compartilhou com colegas da RBS um texto de Arianna Huffington, a fundadora do portal Huffington Post, em que ela defende um maior equilíbrio entre as notícias boas e as notícias ruins. “Histórias de violência, tragédia e corrupção sempre ganham destaque”, argumenta Arianna. “Como jornalistas, nossa função é mostrar para nossa audiência um retrato preciso do que acontece no mundo. Se nós, da mídia, mostrarmos só o lado sombrio, estamos fracassando.”

Notícias ruins – acidentes, tragédias – são campeãs de audiência online e sempre “ganham” de histórias edificantes. É o jornalista que erra quando escolhe publicar esse tipo de conteúdo ou é o leitor que, ao fazer suas escolhas, está dizendo ao editor o que ele prefere? A característica de prestar mais atenção no que é ruim é do jornalista ou do ser humano? Um comentário clássico entre jornalistas lembra que ninguém comenta no bar “sabia que todos os aviões do mundo hoje decolaram e pousaram sem problemas?” No entanto, se um, unzinho dos milhares de voos não chegar a seu destino, isso vira manchete em todos os jornais e comentário obrigatório em todas as rodas. E você, leitor, o que acha disso? O jornal está muito negativo? Ou os fatos é que estão? Escreva para mim: marta.gleich@zerohora.com.br

Caçadores de histórias

08 de fevereiro de 2015 1

marta gleich

26 de janeiro, 17h30min. A repórter Lara Ely e o fotógrafo Bruno Alencastro correm três quilômetros numa trilha de mata fechada, no meio do barro, com pedras soltas, por subidas e descidas íngremes. O objetivo: serem os primeiros a alcançar, em Maquiné, algum lugar com sinal de internet para informar aos leitores que havia sido concluído o resgate dos corpos dos integrantes de um grupo de rapel atacado por abelhas.
Os dias seguintes seriam mais calmos, com uma reportagem sobre os caminhões e ônibus que vendem sorvetes, frutas, verduras e outras comilanças pelas praias – os precursores do movimento hoje conhecido como Food Truck –, outra sobre as santas do Litoral Norte, quando a equipe descobriu que o Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de imagens à beira-mar, ou mais uma, sobre as golden tatoos, as tatuagens provisórias que são moda neste verão.

Bruno Alencastro
A baixa adrenalina durou pouco. No dia 31, cedinho pela manhã, Lara e Bruno pegaram a estrada até Palmares do Sul para uma aventura de 10 quilômetros e três horas de remada na Lagoa Bacopari, para alertar sobre a preservação das águas.
Dois dias depois, pela manhã, após conhecer o pessoal da Cia do Ar em terra firme, na BR-101 em Osório, a dupla subiu ao Morro da Borússia, de onde saltou de parapente para registrar imagens e impressões do Litoral visto de cima. O registro dos céus também foi feito de planador e helicóptero.

Bruno Alencastro
Para variar o cardápio de aventuras por terra, por água e por ar, a equipe foi, no dia seguinte, 3 de fevereiro, conversar com os donos da última casa na beira da praia de edifícios de Capão da Canoa. Recebidos com limonada, descobriram por que dona Isilda dos Santos resiste há duas décadas ao assédio de construtoras para a venda do milionário terreno.
Os dias seguintes seriam recheados com uma reportagem sobre o açaí gaúcho, publicada nesta edição, outra sobre um seminarista-surfista e um padre que celebra missas à beira-mar (publicada no sábado) e mais uma sobre as tartarugas e os animais marinhos recuperados pelo Ceclimar.
Lara e Bruno são uma das quatro duplas de jornalistas que se revezarão neste ano na sucursal de praia de Zero Hora. Há décadas, seguindo o movimento migratório dos gaúchos rumo ao Litoral, ZH envia seus correspondentes para a orla. Acompanhando bombeiros na tragédia de Maquiné, voando de parapente, remando num caiaque, ouvindo histórias de antigos veranistas ou provando o gosto do açaí da Mata Atlântica, esses caçadores de boas reportagens tentam contar, para quem vai à praia ou fica na cidade, as melhores histórias do litoral gaúcho.
Perdeu alguma reportagem da cobertura de praia? Clique aqui e leia outras reportagens

Entrevero empolgante

31 de janeiro de 2015 2

marta gleich

Zero Hora entrou em campo neste fim de semana para ajudar você a acompanhar o Gauchão, na edição que promete ser a mais quente dos últimos tempos. Veja por quê:
- O Grêmio corre atrás do título gaúcho, que não alcança desde 2010. Para o tricolor, que está fora da Libertadores, é a “Copa do Mundo”, como o próprio Ivo Wortmann, auxiliar-técnico de Felipão, disse, e alguns jogadores confirmaram.
- O Inter, que joga a Libertadores também, usará o campeonato para entrosar o time no esquema do novo treinador. Os colorados correm atrás do penta, uma sequência que não se repete desde os anos 70 pelo lado vermelho.
- Os times do interior têm no Gauchão a chance de dar a volta por cima, diante da má performance do ano passado. O Brasil de Pelotas vem embalado pela ascensão à série C do Brasileirão, tem time e treinador bem entrosados e a torcida fanática de sempre. Novo Hamburgo apresenta os seus “galácticos”, jogadores consagrados nacionalmente. Caxias e Juventude sempre figuram como bem cotados, e novatos, como União Frederiquense, aparecem motivados.
- O Gauchão deste ano terá destaque nas duas pontas da tabela. Grêmio e Inter tiveram mais tempo de preparação e, por causa do regulamento, não poderão usar mais de 32 jogadores. Isso fará com que eles usem o grupo principal na maioria dos jogos.
- Na parte de baixo, haverá um risco maior para os clubes rebaixados. As três equipes que caírem para a segundona provavelmente levarão mais tempo para voltar à elite do Gauchão, já que, a partir deste ano, só uma equipe sobe.
Com tudo isso em jogo, nossa cobertura está caprichada.
Neste sábado, um guia do Gauchão foi apresentado na edição impressa e nas plataformas digitais com um resumo de cada clube, o esquema tático preferido de cada técnico e um levantamento sobre os jogadores que mais disputaram o tradicional campeonato gaúcho.
Confira!
No caderno ZH Esporte, às segundas-feiras, uma página especial de Entrevero trará tudo o que ocorreu no fim
de semana pelos campos do Interior.

Aos que argumentam que os campeonatos estaduais se esvaziaram ou estão fora de moda, registro algumas perguntas que foram feitas na Redação na última semana: algum colorado ou gremista aí aceita que seu time entre para perder, inicie essa competição sem gana de ser campeão? Algum torcedor do Interior acha que não vale lutar pelo título? (Em algumas cidades, é a única oportunidade para presenciar o futebol profissional, para os times encherem seus estádios, para uma festa com a comunidade). Alguém se recorda como é ruim cair para a série B do Gauchão ou como é o máximo subir para a série A? O Gauchão é, sim, muito importante e valorizado pelas torcidas, e a cobertura de Zero Hora, ainda mais neste ano, que promete, estará à altura desses sentimentos do torcedor.

Dois anos depois

24 de janeiro de 2015 1

marta gleich
Nas semanas que se seguiram à maior tragédia do Rio Grande do Sul – a morte de 242 pessoas na boate Kiss –, os integrantes do Comitê Editorial do Grupo RBS firmaram um compromisso. A imensurável dor provocada pelas perdas daquelas vidas não deveria ser em vão e, no que dependesse dos jornalistas da empresa, não seria. No intuito de que algo assim jamais se repita, combinamos que as redações deveriam manter a Kiss na pauta, acompanhando e cobrando a apuração de responsabilidades, uma melhor legislação para casas noturnas e avanços na prevenção de incêndios. De lá para cá, dezenas, talvez centenas de vezes o assunto esteve em jornais, rádios e TVs da RBS.

Na edição deste domingo, 24 meses depois, Zero Hora traz um novo ângulo ao caso Kiss, invisível até agora para o grande público e igualmente grave: as novas vítimas da tragédia. A cada mês, são registrados de três a cinco novos casos de sobreviventes que, em maior ou menor grau, tiveram sua saúde abalada pelo acontecimento. As chamas da boate Kiss seguem, dois anos depois, alastrando-se e fazendo vítimas.

Os repórteres Juliana Bublitz e Humberto Trezzi, a fotógrafa Andréa Graiz e o assistente Marcelo Carôllo, num trabalho de formiguinha, procuraram 160 sobreviventes. Falaram com cem deles. Desses, 12 relataram sequelas graves que só apareceram recentemente. São homens e mulheres que estiveram no local, pensaram ter se livrado sem maiores problemas físicos ou psicológicos, mas que, de algum tempo para cá, adoeceram, com depressão, estresse pós-traumático, enfisemas, asma, rinite, sinusite.

– Participo da cobertura da tragédia na Kiss desde o primeiro dia, em 27 de janeiro de 2013. É sempre duro voltar a Santa Maria e reviver o drama de quem sobreviveu e de quem perdeu familiares no incêndio. Dessa vez, foi muito impactante saber que as sequelas continuam aparecendo, que as substâncias tóxicas liberadas com o fogo continuam fazendo vítimas. É um sofrimento sem fim – conta Juliana.

– Muita gente desligava ao me anunciar como jornalista. Outros marcavam entrevista e depois nunca mais atendiam ao telefone. Houve até quem simplesmente disse: “Me deixa em paz, por favor. Não posso ouvir falar desse assunto”. É muito dolorido o trauma das vítimas. Uma dor que teima em não desaparecer – relata Trezzi.

No papel, a reportagem editada por Lúcio Charão está nas páginas 14 a 21. A edição nas plataformas digitais, por FêCris Vasconcellos, gerou um site, com depoimentos em vídeo, que você não pode deixar de conferir em zhora.co/2anoskiss. Em outra parte da reportagem digital, ZH visitou sete casas noturnas de Porto Alegre, na companhia de engenheiros especializados em prevenção de incêndios. Todas estão dentro da lei, mas os profissionais identificaram falhas, de leves a graves, que, se resolvidas, poderiam dar ainda mais segurança aos frequentadores.

Infelizmente, não será a última reportagem sobre o assunto. O compromisso firmado no Comitê Editorial se renova, dois anos depois, porque é nosso dever não permitir que irresponsabilidades, omissões e negligências sejam esquecidas.

Bola ao centro

17 de janeiro de 2015 0

marta gleich

Quantas vezes você já leu em ZH ou soube pela rádio ou TV que foram encontrados celulares, drogas e armas com presos? Aí você se pergunta: mas como? De novo? Quem é que fiscaliza isso? Por que continua entrando?
Quantas vezes você já foi informado de que, por meio de celulares, os presos mandam matar, comandam o tráfico, encomendam crimes variados, fazem a gestão de suas facções, aplicam golpes?
Quantas vezes você já ouviu promessas das autoridades ligadas ao sistema penitenciário de que medidas serão tomadas para combater o problema? E, depois de tudo isso, leu mais uma notícia sobre apreensão de celulares, drogas e armas em prisões?
Em uma recente reunião de editores, cansados – como você – deste absurdo que não se resolve, concluímos que precisávamos de uma “bola ao centro” sobre o tema. Reportagem bola ao centro, no nosso jargão interno, significa parar tudo, começar de novo e tentar responder: “Mas como é que chegamos a este ponto? Por que não se avança?”
Os jornalistas Adriana Irion e José Luís Costa, ambos com longa experiência e prêmios em reportagens ligadas a segurança, dedicaram-se nos últimos dias a colocar a bola ao centro neste assunto, e produziram a reportagem de quatro páginas na edição dominical.
Ao final da leitura, você possivelmente ficará tão indignado quanto nós, jornalistas de ZH, ficamos. Veja o que diz a repórter Adriana Irion:
– Quando veio a público o vídeo com imagens de apenados cheirando cocaína dentro do Presídio Central, cada autoridade justificou a entrada de objetos ilícitos nas prisões de uma forma, e me chamou a atenção que o item que menos apareceu foi o da corrupção, ou seja, o de situações em que agentes penitenciários ou policiais militares recebem benefícios para facilitar o ingresso de ilícitos nas galerias. Por que é tão doído falar em corrupção, tratar dela, escancarar? Juízes e promotores sabem, mas evitam declarações oficiais. Agentes sabem, mas silenciam quando deviam dar depoimento contra maus colegas. Os presos, que se beneficiam da corrupção, obviamente, jamais entregarão a fonte de auxílio. Nesse cenário blindado, é difícil crer em uma solução. Para nós, que de fora olhamos incrédulos, parece simples: se celulares são arremessados pelo muro, coloque mais guardas no muro. Se entram pela porta da frente, faça todos, os servidores também, passarem por revistas de verdade. Se é fato que uma arma não ingressa sem o aval de um carcereiro, investigue e puna por isso, e não por simples faltas funcionais. Não basta tecnologia (que será manuseada por pessoas). É preciso vontade.
Temos um novo secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini, e uma nova titular da Susepe, Marli Ane Stock. A promessa que fazem na reportagem é de combate ao ingresso de celulares em prisões, investimentos em tecnologia, fortalecimento das corregedorias e dos serviços de inteligência, reestruturação física dos presídios, rigor na fiscalização. Recorte e guarde. Zero Hora vai acompanhar e cobrar, em nome do leitor.

Que não seja em vão​

10 de janeiro de 2015 7

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2015 começou tristemente agitado no jornalismo. O ataque à revista Charlie Hebdo, em Paris, que deixou 12 mortos, já se configura como um dos principais fatos negativos do ano, mas, ao mesmo tempo, coloca em pauta assuntos relevantes não só para Redações: a liberdade de expressão, a morte de repórteres, fotógrafos, editores, chargistas, colunistas no exercício da profissão – e, puxando para a vida de cada um de nós, o que vamos fazer com tudo isso.

Andrew Heslop, diretor de Liberdade de Imprensa da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias, alerta que, desde 1992, mais de 1.100 jornalistas foram assassinados no mundo cumprindo seu dever. Em artigo da última semana que resumo aqui, Heslop dá a dimensão do assunto:

“Quando jornalistas são assassinados, é toda a nossa sociedade que deve sentir a ferida. Mas será este recente ataque o que vai finalmente acordar a todos para o fato de que um ataque a um jornalista é um ataque a todos nós? Não é um incidente isolado, mas um exemplo extremo da realidade, muitas vezes violenta, de milhares de profissionais da imprensa em todo o mundo. O fato de ter ocorrido em um país que, enquanto se confronta com sua identidade multicultural, acredita na diferença e diversidade – Liberté, Égalité, Fraternité – é um golpe trágico para aqueles dispostos a celebrar esses valores. Espero que fique registrado como nossas liberdades se tornaram precárias e como é grotesco que qualquer pessoa, em qualquer lugar, seja morta por exercer seu direito à liberdade de expressão. O ataque de quarta-feira atinge a origem da democracia e aspirantes a sociedades democráticas de todo o mundo”.

Quero destacar este ponto: como é grotesco que pessoas possam ser agredidas – ou até mortas – por exercer seu direito à liberdade de expressão. Guardada a diferença abissal do que vou dizer, porque não há como comparar assassinatos a violência verbal, o episódio da França deveria servir de reflexão para todos nós e para a crescente intolerância com a opinião, a religião, a sexualidade, a etnia e até a preferência clubística do outro. Nenhum de nós – eu, meus colegas, você, os demais leitores deste jornal (espero) – vai matar alguém, algum dia, por não respeitar a liberdade de ele se expressar, mesmo que não compartilhemos das mesmas opiniões. Mas até que ponto contribuímos – seja num comentário pelas redes sociais, seja num jogo de futebol, seja numa declaração racista, sexista ou xenófoba, seja em um período eleitoral – para o aumento da tolerância e para ampliar o direito de que todos se manifestem?

Não sabemos quantas notícias de violência absurda, radicalismo e intolerância extrema ainda publicaremos em 2015. Que esta primeira semana não indique o tom do ano. Que as mortes na Charlie Hebdo não sejam em vão e sirvam para nossa reflexão, e para o reforço da liberdade de expressão e de uma cultura de paz.

Votos

03 de janeiro de 2015 11

marta gleich

Por que você lê Zero Hora? E por que continuaria lendo? Neste início de 2015, listo 10 razões ou promessas da equipe da Redação de ZH que renovam o compromisso com nossos mais de 10 milhões de usuários das plataformas digitais e mais de 1 milhão de leitores da edição impressa. Eis o nosso decálogo.

1 - Este jornal tem que ser útil. Ao terminar de ler uma edição impressa ou de visitar o site, o leitor deve ter a sensação de que está bem informado, de que o jornal facilitou a sua vida, de que valeu a pena, de que aprendeu algo novo ou refletiu de forma diferente sobre algum tema.

2- ZH deve estar disponível onde você estiver, na hora que quiser: no seu celular, quando estiver numa fila, para uma consulta rápida. Em casa, na hora do café da manhã (não tem coisa que combina tão bem quanto uma xícara de café e um jornal impresso, novinho). Na leitura noturna, no tablet, naquela hora de relaxar. O jornal estará de olho – ainda mais! – em como você está mudando o jeito de consumir informação.

3 - Para enfrentar a overdose de informação diária a que estamos expostos, os editores de ZH prometem dedicar o seu melhor para fazer a curadoria daquilo que é mais relevante para o leitor. Para que você não perca tempo.

4 - Os jornalistas de ZH se comprometem a, em nome do leitor e com independência, fiscalizar governos, autoridades, órgãos públicos. Cobrar promessas, exigir boa gestão e bons serviços ao cidadão, denunciar corrupção, investigar (ainda mais em época de novo governo estadual e segundo mandato no Planalto!). É o que o jornalismo norte-americano chama de watchdog, ou cão de guarda. E igualmente estar atentos a empresas privadas, cujas más condutas – como poluir rios, sonegar impostos ou corromper, por exemplo – também afetam o cidadão.

5 - A busca incessante da verdade, a verificação dos fatos, a conferência daquilo que se está dizendo por aí, mas que ainda não está bem checado, são mantras desta Redação. Isso pressupõe ouvir mais fontes em cada assunto. Dar voz a todos os lados de uma questão. Ir fundo nos assuntos. Pôr em pauta novos temas. Mostrar bastidores. Enxergar além do que está sendo mostrado pelas fontes. Contextualizar os fatos. Colocá-los em perspectiva histórica.

6 - Em 2015, queremos estar ainda mais a seu lado, leitor. Ouvi-lo. Utilizar em ZH a sua contribuição, seja em uma sugestão de reportagem ou em um comentário sobre uma notícia online. Entender seus anseios e problemas, para estarmos mais conectados a sua vida e às comunidades onde atuamos.

7 - Contar grandes histórias, investir recursos em grandes reportagens nacionais e internacionais, investigar assuntos densos e relevantes. Fazer jornalismo em duas velocidades: mostrar o que acontece no RS, no país e no mundo, ao mesmo tempo em que dedicamos tempo para assuntos de fôlego, que fazem diferença no seu jornal.

8 - Ter opinião, nos espaços reservados a isso, mantendo o compromisso de que essas posições não influenciarão o conteúdo jornalístico. Deixar clara a opinião da empresa, em seus editoriais. Manter um time amplo e de qualidade de mais de 100 colunistas e articulistas, que emitem suas opiniões com total liberdade (discordando inclusive da opinião da empresa). Você não precisa concordar com eles, pelo contrário: os colunistas convidam à reflexão e permitem que o leitor forme suas próprias convicções.

9 - Equilibrar os lados soft e hard da vida e das notícias. Trazer, sim, aquilo que você precisa saber e nem sempre é agradável, mas também ser a pausa para divertir e entreter.

10 - Trabalhar todo dia com um propósito elevado: a busca do desenvolvimento das comunidades onde atuamos, uma vida melhor para você, nosso leitor, a melhoria da educação e o reforço de valores como a ética, o respeito, a justiça, a igualdade, a responsabilidade social, a liberdade de expressão, os direitos humanos e a paz.

2014 na capa

27 de dezembro de 2014 1

carta

Uma forma de revisitar o ano que acaba é olhar por janelas que sempre estiveram abertas para você: em vídeo, relembre as principais coberturas de ZH.

Colunistas e liberdade de expressão

20 de dezembro de 2014 0

marta gleich

Vários leitores cobraram, com razão, por que não esclareci, na semana passada, em que espaços escreveria Moisés Mendes.

Na carta anterior, apenas informei que ele deixaria de ocupar a penúltima página (o tradicional espaço do Sant’Ana) às terças e sextas-feiras. Não expliquei porque ainda não tínhamos todos os detalhes: agora, Moisés passa de três para quatro colunas por semana.Então, para relembrar as mudanças que você passa a ver em ZH a partir desta edição:

- Moisés Mendes escreverá às segundas, quartas e sextas, ao lado do editorial. Nos domingos, compartilha a página com Potter, na antepenúltima página.

- Sant’Ana passa a escrever uma página inteira aos domingos.

- David Coimbra escreve de segunda a sábado, no lugar anteriormente ocupado por Sant’Ana e Moisés (penúltima página).

- Marcos Piangers ocupará, nas sextas, a página 4, até então com o texto de David Coimbra.

Quero também comentar algumas teorias conspiratórias que se espalharam nas redes sociais, especulando por que Moisés
Mendes não escreveria mais às terças e sextas. A mais absurda imaginava que ele teria sido punido pelo jornal por ter criticado duramente o deputado federal Jair Bolsonaro. A tese é totalmente infundada. Zero Hora defende a liberdade de seus colunistas. Eles são pagos justamente para emitirem suas opiniões, sem censura.

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Na quarta-feira, logo após o anúncio do fim do embargo e da retomada de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, Zero Hora decidiu enviar um correspondente a Havana. Desde quinta, está na ilha Rodrigo Lopes, para trazer aos leitores um olhar exclusivo sobre a grande transformação vivida pelos cubanos – confira reportagem. Experiente jornalista internacional, Rodrigo já realizou dezenas de coberturas como enviado especial do Grupo RBS, entre elas a renúncia do papa Bento XVI no Vaticano, o furacão Katrina, em New Orleans, os terremotos no Peru e no Haiti, a crise na embaixada brasileira em Honduras, a guerra do Líbano, o resgate dos mineiros no Chile e o conflito na Líbia.