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Posts na categoria "Carta do Editor"

A repórter dos assuntos inexplicáveis

23 de maio de 2015 0

marta gleich

Apaixonada por missões jornalísticas intrincadas, Juliana Bublitz apresenta nesta edição mais uma de suas façanhas: explicar de forma profunda e clara a remuneração e a carreira do magistério estadual.

Você deve ouvir há horas as tais discussões sobre o piso do magistério e o plano de carreira dessa categoria. Mas quem consegue desvendar esses temas incompreensíveis? Juliana, esta santa-cruzense de 35 anos, há 12 em Zero Hora, encarou o desafio:

— Descobri que gosto de traduzir temas difíceis. Destrinchar assuntos que outros repórteres hesitam em fazer, pelas dificuldades que isso implica. É uma forma de estar em constante aprendizado e, ao mesmo tempo, de contribuir para debates importantes e dos quais o jornalismo qualificado, aprofundado, não pode prescindir.

Na lista de assuntos complexos da repórter, estão reportagens como a da história da dívida pública do Estado com a União, em 2013, que passou a ser referência inclusive em faculdades. Ou a explicação sobre finanças públicas estaduais, outro tema árduo. Ou, ainda, a reportagem sobre os depósitos judiciais, publicada neste ano. Sempre em dupla com o editor Leandro Fontoura, corresponsável por tornar a numeralha compreensível.

Há anos, ZH deve aos leitores uma reportagem aprofundada sobre a remuneração e a carreira dos professores da rede pública estadual. Desde que a lei do piso nacional do magistério foi sancionada, em 2008, entra governo, sai governo, e o valor continua não sendo pago. E a justificativa é quase sempre a mesma: sem alterar o plano de carreira, seria impossível cumprir a lei. Juliana decidiu, então, mergulhar no assunto e entender por quê.

Durante um mês, debruçou-se sobre o tema, no Portal da Transparência e na Secretaria Estadual da Fazenda, via Lei de Acesso à Informação. Conversou com ex-secretários de Educação, entre eles o coronel Mauro Costa Rodrigues, que comandou a pasta durante o governo de Euclides Triches, na década de 1970.

O grande desafio era traduzir o significado do plano de carreira, datado de 1974. É o mais antigo em vigência entre os Estados brasileiros, o único remanescente da ditadura militar. Esse plano divide a carreira dos professores estaduais em uma série de classes e níveis, alguns deles relacionados a habilitações que já nem existem mais.

O governo estima que, para pagar o piso, teria de aplicar R$ 3,3 bilhões a mais por ano na folha de pagamento. Diante da atual situação financeira do Estado, a cifra é classificada como “impagável”. O Piratini se limita a dizer que não tem dinheiro, enquanto o Cpers não abre mão de benefícios e teme negociar. A alteração do plano, por ser complexa e por não haver fórmula pronta, é tratada como tabu. O resultado disso é que, desde 2011, o Estado já acumula um passivo de mais de R$ 10 bilhões por não pagar o piso, e a dívida com os professores gaúchos só tende a aumentar.

Em um detalhamento inédito, a reportagem apresenta números exclusivos, a partir dos quais os gaúchos finalmente vão entender como se compõe a remuneração dos professores e quanto, afinal, eles ganham. Além disso, em ZH.com, Juliana mostra, em vídeo, por que o governo não paga o piso nacional.

O momento decisivo

16 de maio de 2015 0

marta gleich

O momento decisivo

Em um ritual que harmoniza tecnicismo e intuição, a escolha da foto de capa é um processo de garimpo que ocorre todo dia bem no centro da redação. Centenas, às vezes milhares, de imagens passam pela tela do computador do editor de Fotografia Jefferson Botega, estrategicamente sentado ao lado do editor-chefe Nilson Vargas e da editora de capa Rosane Tremea, até que a foto se manifesta.

Nem sempre a descoberta é tão nítida: em alguns dias difíceis, a pepita simplesmente não está lá. Mas na noite de quarta-feira, entre centenas de imagens de Ricardo Duarte e Fernando Gomes do jogo do Inter contra o Atlético-MG no Beira-Rio, surgiu o que Henri Cartier-Bresson descreveu em 1952 em seu livro The Decisive Moment: “O fotógrafo trabalha em uníssono com o movimento, como se este fosse o desdobramento natural da forma, como a vida se revela. No entanto, dentro do movimento existe um instante no qual todos os elementos que se movem ficam em equilíbrio. A fotografia deve intervir neste instante, tornando o equilíbrio imóvel”.

Veterano em coberturas de futebol, Ricardo Duarte obteve uma foto (abaixo) que se destacou nacionalmente entre especialistas:

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– Mesmo com o jogador de costas para a minha lente, acompanhei o lance. O segredo nas fotos de futebol é ficar concentrado até a cena acabar – contou Ricardo.

O fotojornalismo passou por grandes transformações nas últimas décadas, como avalia Botega:

– Em 20 anos, passamos do analógico, com revelações de filmes e ampliações em papel, para o digital dos cartões de memória, dos megabytes e gigabytes. Quando nos demos conta, as câmeras de fotografia começaram também a filmar, inventou-se a câmera compacta estilo GoPro, que nos trouxe ângulos totalmente inusitados, passamos a usar drones para fotografar remotamente. É um privilégio viver este momento, sempre buscando as melhores imagens para os leitores de ZH.

Botega criou, em 2009, o Focoblog, dedicado a publicar ensaios fotográficos e imagens especiais da editoria de Fotografia do jornal, além de destacar e debater produções de outros fotógrafos ao redor do mundo. Hoje alimentado também pelo editor Bruno Alencastro, o blog é uma aula para quem gosta de fotografia. Acesse em zerohora.com/focoblog

CARTUNS – ZH lança nesta edição um concurso para revelar novos talentos na arte do desenho de humor. Editores e ilustradores do jornal escolherão os finalistas, e o público julgará quais são os três melhores trabalhos. Confira o regulamento e como participar aqui.

Investimento em grandes histórias

09 de maio de 2015 0

marta gleich

Reportagens de fôlego são cada vez mais raras em jornais do mundo todo. Por exigirem que os jornalistas fiquem semanas ou meses acompanhando um assunto, viajando ou investindo muitas horas de observação e imersão no tema, acabam não sendo prioridade das redações. Na contramão dessa tendência, Zero Hora tem entre seu time de repórteres, editores e fotógrafos um gosto especial por grandes reportagens. Coordenador da produção do jornal, o editor Rodrigo Lopes mantém um planejamento de médio e longo prazos que permite essas incursões em profundidade, para oferecer uma leitura diferenciada a nossos assinantes. Nesta edição, apresentamos mais uma reportagem de fôlego: Vida de árbitro.

Durante dois meses, Jones Lopes da Silva e Sérgio Villar, ambos veteranos da editoria de Esportes, acompanharam a dura jornada de árbitros de futebol. Viajaram 5 mil quilômetros observando a rotina de duplo emprego, perigosas viagens de madrugada, pressões. E produziram a reportagem que começa nesta edição, com o tema da vida desses profissionais na estrada, e segue pelos próximos três dias, com as mulheres árbitras, as divisões de acesso do futebol gaúcho e os juízes Fifa.

Leia com atenção. E, da próxima vez que for a um estádio ou que assistir a uma partida pela televisão, tenho certeza de que você enxergará o juiz com outros olhos.

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO – A entrevista “Com a Palavra” deste domingo é de luxo: a duas semanas da estreia do evento Fronteiras do Pensamento 2015, trazemos a visão do primeiro palestrante, o polêmico biólogo britânico Richard Dawkins. Citado entre os cem maiores gênios vivos, Dawkins lota auditórios por onde vai, como um dos intelectuais mais influentes do mundo. Nos anos 70, lançou O Gene Egoísta, que apresenta uma nova leitura dos trabalhos de Darwin, e, mais recentemente, escreveu Deus – Um Delírio, em que aborda os aspectos positivos do ateísmo. Dawkins falará para 3 mil pessoas no auditório Araújo Vianna, o que dá a dimensão do convidado que ZH apresenta a você com antecedência, e do sucesso do Fronteiras do Pensamento, um evento que, nos últimos anos, trouxe alguns dos intelectuais, artistas e cientistas mais importantes do mundo a Porto Alegre.

APROXIMAÇÃO COM AS UNIVERSIDADES – Na semana de seu aniversário de 51 anos, Zero Hora esteve em todas as faculdades de Jornalismo do Rio Grande do Sul. São 22 editores, repórteres e fotógrafos que compareceram a 25 universidades para trocar ideias com os futuros colegas. Foi bom ver uma gurizada interessada, curiosa e comprometida com o futuro do jornalismo.

A transformação continua​

02 de maio de 2015 1

marta gleich

 

Nesta segunda-feira, ZH celebra, com seus leitores, 51 anos.

Há um ano, no cinquentenário, houve grandes mudanças no jornal. Lançamos uma nova edição dominical, com muito mais conteúdo, reportagens aprofundadas, entrevistas, novos colunistas e o novo caderno PrOA, que tem recebido grande aprovação do público. Também modificamos o site e os aplicativos. Criamos uma nova identidade visual e um novo logotipo, em todas as plataformas.

De lá para cá, Zero Hora segue inovando, se reinventando todo dia. A transformação continua para atender às demandas dos leitores. Somente em março e abril, lançamos dois novos cadernos, o Educa – voltado a vestibular, educação, Enem, carreira, desenvolvimento profissional – e o ATL Paper, com conteúdo da turma do Pretinho Básico da Rádio Atlântida, voltado ao público jovem.

Quero anunciar para você duas novidades deste fim de semana. A primeira é que o sucesso do caderno PrOA nos levou a lançar uma página no site de Zero Hora com o conteúdo desses 12 meses: as melhores reportagens, artigos, colunas. O site será atualizado toda semana, sempre com o melhor do PrOA. Para marcar o aniversário do caderno, preparamos um vídeo especial, com formadores de opinião que analisam a importância do debate, da cultura, da reflexão, que é exatamente o espírito desta marca.

capa do caderno proa
- É uma ótima notícia para o jornalismo constatarmos, na prática, com a boa acolhida que o PrOA teve desde as primeiras edições, que há muitos leitores interessados em textos longos, reflexivos, profundos, ao contrário do que sugere o senso comum. O vídeo que preparamos para comemorar o primeiro aniversário do caderno é exatamente sobre isso – diz a editora Cláudia Laitano, que comanda a equipe do caderno.

Na edição de seu primeiro aniversário, o PrOA fala de futuro. A reportagem desta edição, do jornalista Paulo Germano, mostra os usos da realidade virtual e do seu potencial para os próximos anos em diferentes áreas.

A segunda novidade do fim de semana é o lançamento de um site das reportagens diferenciadas. Lá  você encontra conteúdos multimídia produzidos pelo jornal, como a reportagem sobre a Venezuela publicada no domingo passado. O conteúdo sobre realidade virtual também já está lá, assim como assuntos educacionais, culturais, históricos. Não deixe de conferir, toda semana terá novidade.

capa de Zero Hora
No seu aniversário, Zero Hora se renova, para atender você, leitor, cada vez melhor. Em nome dos mais de 200 jornalistas e cem colunistas, agradeço por sua leitura em mais este ano e reforço nosso compromisso de fazer jornalismo de qualidade, com informação, investigação, serviço, diversão, reflexão, pluralismo e opinião, todos os dias.

Por dentro da Venezuela

25 de abril de 2015 2

Marta Gleich

Sem sair de onde você está neste momento lendo o seu jornal, viaje virtualmente para Caracas pela próxima meia hora. É mais ou menos o tempo necessário para mergulhar na reportagem de nove páginas sobre a Venezuela, do jornalista Léo Gerchmann e do fotógrafo Mateus Bruxel, publicada a partir da página 13 da edição impressa e que pode ser lida em ZH Digital – Venezuela Frente e Verso.

Da mesma forma como eles fizeram, resigne-se por horas na fila do supermercado para tentar achar produtos básicos, como papel higiênico, fraldas, açúcar, leite ou frango. Vibre com a consumidora que conseguiu achar um pacote de manteiga – para descobrir segundos depois que ela estava vencida. Entre nos quartos do Hospital da Universidade Central e solidarize-se com os doentes amontoados nas macas de lençóis puídos, sem medicamentos, sem refeições (a não ser que algum parente providencie). Ouça, no rádio e na televisão, os discursos inflamados de Nicolás Maduro contra os “imperialistas” americanos e os “apátridas” da oposição. Mas não desanime: encha o tanque com apenas um centavo de dólar no país em que o petróleo é responsável por 96% das divisas.

Divulgação
Léo Gerchmann e Mateus Bruxel

Nos últimos meses e anos, a Venezuela figura no noticiário internacional como o país dos problemas econômicos, da inflação sem controle, da mão de ferro do sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, contra seus opositores. Mas como vivem de fato os venezuelanos? Como está a situação do país? É isso que o especialista em América Latina Léo Gerchmann mostra em detalhes nesta reportagem especial de Zero Hora. Acompanhado do fotógrafo Mateus Bruxel, ele esteve por cinco dias em Caracas, convivendo com a população no transporte público, no comércio, nos hospitais e nas ruas, para trazer aos leitores de ZH um retrato sem filtros do duro cotidiano dos venezuelanos.

– Estive em Caracas por três vezes nos últimos cinco anos: nas eleições legislativas de 2010, nas eleições presidenciais de 2013 e agora. Percebi uma deterioração socioeconômica e institucional, além de uma opressão crescente, nítida na propaganda oficial e na ausência de espaços para a oposição – avalia Gerchmann.

NOVO COLUNISTA

Nesta segunda-feira, estreia em ZH como colunista semanal o jurista Nelson Jobim. Nascido em Santa Maria e formado em Direito pela UFRGS, foi deputado federal, membro da Assembleia Constituinte, ministro da Justiça, ministro da Defesa, ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro e presidente do Tribunal Superior Eleitoral e presidente do Conselho Nacional de Justiça. Jobim une-se ao time de mais de cem colunistas de Zero Hora, que oferece aos leitores um amplo leque de opiniões, para que cada um construa sua própria visão dos fatos.

Boas notícias

18 de abril de 2015 2

Marta Gleich

 

No campo da economia, está difícil publicar manchetes positivas em 2015. Todas as projeções indicam que o PIB deve encolher. A elevação do dólar pressiona ainda mais os preços. O desemprego mostra sinais de alta. E a inflação ameaça fechar o ano em 8%, coisa que não acontecia desde 2003. A exceção tem sido o agronegócio, que deve colher em 2015 um novo recorde de grãos no Rio Grande do Sul. Na última terça-feira, Zero Hora publicou reportagem especial sobre a supersafra de soja no Estado, produzida pela repórter Joana Colussi e pelo fotógrafo Tadeu Vilani (se você perdeu, pode conferir em zhora.co/infosoja).

Más notícias econômicas diárias, infelizmente, tornaram-se a rotina nas redações e no conteúdo que o leitor recebe. Nesse momento, o que vira notícia, novidade, surpresa é o contrário: setores, negócios e pessoas que ignoram o cenário difícil e conseguem bons resultados. É por isso que Zero Hora inaugura, nesta edição, a série “RS que dá certo”. A expressão foi utilizada em outra série, publicada em 2012 e 2013, e volta, agora, para identificar reportagens e notícias sobre empresas, setores e iniciativas que enfrentam as dificuldades e crescem.

Nesta primeira reportagem, contamos a história de três empresas gaúchas que sofreram com a crise econômica internacional de 2008, mas conseguiram dar a volta por cima. Com áreas de atuação e tamanhos diferentes, elas adotaram estratégias diversas para continuar crescendo e hoje têm uma lição para ensinar neste momento de turbulência econômica.

O “RS que dá certo” não será publicado apenas em Zero Hora: Rádio Gaúcha e RBS TV também colocarão no ar conteúdos com o mesmo espírito. Exemplos pequenos, médios e grandes de negócios com bons resultados em meio ao ambiente sombrio.

Faz parte de nossa responsabilidade editorial mostrar esses casos, para que sejam inspiradores e se multipliquem, ajudando nossos leitores e as comunidades a enfrentar o ano de 2015.

PARA ENTENDER OS DEPÓSITOS JUDICIAIS

Durante as duas últimas semanas, a repórter Juliana Bublitz percorreu repartições públicas, ouviu técnicos, conversou com ex-governadores e ex-secretários de Estado e reuniu-se com especialistas. Revirou números, tabelas, códigos. Tudo isso com um único objetivo: traduzir para você um tema árduo e cada vez mais importante no debate sobre a crise nas finanças públicas do Estado: os depósitos judiciais. A ideia da reportagem, que você lê nas páginas 12 a 15 desta edição, nasceu de uma obsessão. Há dois anos, Juliana produziu um material especial sobre a história da dívida do Estado com a União. Desde então, se especializou no assunto e botou na cabeça que havia ficado faltando esclarecer melhor esse outro mecanismo, que também é uma fonte de endividamento e que passou a ser usado com cada vez mais frequência pelo Poder Executivo para tapar buracos nas contas. Para ajudar na compreensão do tema, foi produzido um vídeo de dois minutos com gráficos animados, disponível no site de ZH.

— O maior desafio foi encontrar uma forma simples, e não simplista, de explicar o jargão técnico e o que o uso desses recursos representa para o Estado e, em última instância, para o cidadão — diz Juliana.

A caixa-preta das universidades​

11 de abril de 2015 2

Marta Gleich

Em uma ação inédita na imprensa brasileira, por sua dimensão, cinco jornais reuniram-se para investigar negócios duvidosos em universidades públicas. Mais de 20 jornalistas de ZH, de O Globo (RJ), O Estado de S.Paulo (SP), Gazeta do Povo (PR) e Diário Catarinense (SC) ouviram 105 pessoas, pesquisaram mais de 3,2 mil páginas de documentos e editaram a reportagem que é publicada simultaneamente nos cinco títulos neste domingo.

A ideia de unir alguns dos maiores jornais brasileiros para investigar e publicar, juntos, um mesmo assunto, surgiu no segundo semestre do ano passado, na Redação de Zero Hora. Primeiro, foi escolhido o tema: a caixa-preta das universidades públicas. Depois, formou-se o grupo de repórteres investigadores. Adriana Irion e Humberto Trezzi em ZH, Lauro Neto, em O Globo, Paulo Saldaña, no Estadão, Felippe Anibal, na Gazeta do Povo e Luis Hangai, no Diário Catarinense. A eles, juntaram-se equipes de editores, fotógrafos e diagramadores.

Ao unir forças para a investigação, os repórteres dos cinco jornais fizeram uso da Lei de Acesso à Informação – já que, em alguns casos, os documentos não estão disponíveis – e também de ferramentas fundamentais para a democratização de dados no país, como os portais de transparência federal e estaduais. Muitas idas a campo e teleconferências depois, o resultado é a reportagem de nove páginas que você confere neste domingo.

Aquilo que deveria ser uma saudável aproximação de empresas privadas e universidades públicas, para que a pesquisa e o conhecimento vindos da academia beneficiassem a sociedade, é um mundo cheio de irregularidades. Professores que deveriam ter dedicação exclusiva e só realizar atividades para empresas privadas esporadicamente comprometem sua frequência às aulas para trabalhar em projetos bem remunerados ou em suas atividades particulares. Na prática, garantem mais lucros para si e para agentes privados do que para a comunidade, que paga os impostos e sustenta as universidades.

Assista ao vídeo dos bastidores da reportagem

Prolifera a falta de transparência. Por meio de convênios com fundações, surgem serviços de cifras milionárias que, muitas vezes, nada têm a ver com os objetivos acadêmicos das instituições. Muitas são entidades criadas e geridas por docentes que participam da direção da universidade, com frequência em flagrante conflito de interesses.

Um exemplo é o hábito do Dnit em subcontratar a Universidade Federal do Paraná (UFPR), sem licitação, para fazer análises técnicas em obras de rodovias. Outro é o caso de uma professora da Unirio (RJ) que, em um mesmo projeto com a Petrobras, atuava como coordenadora, bolsista, fiscal e sócia de duas empresas subcontratadas pela universidade. No Rio Grande do Sul, professores de Odontologia da Universidade de Santa Maria, contratados com Dedicação Exclusiva, recebiam mais do que seus salários clinicando em consultórios próprios, fora da universidade – o que é proibido por lei. Também no Sul, é revelada a suspeita de que um alto funcionário do Ministério da Saúde teria conquistado um título de mestre da UFRGS sem comparecer ao mínimo de aulas.

Os órgãos de controle, como os tribunais de contas da União e dos Estados, Controladoria Geral da União, além do Ministério Público, questionam a forma como essas relações são estabelecidas, e indicam na reportagem a potencial porta para irregularidades.

– Foi uma excelente iniciativa reunir talentos de veículos distintos para produzir um material de enorme valor. O Globo já havia participado de uma iniciativa semelhante com o Estado de S. Paulo, há alguns anos, e periodicamente produz no Grupo Diários de América trabalhos conjuntos. O resultado é sempre extraordinário. Ganham os jornais, ganham os anunciantes, mas, sobretudo, os leitores – diz Ascânio Seleme, diretor de Redação de O Globo.

 

O encanzinado

28 de março de 2015 6

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No currículo de um bom repórter, obstinação conta muitos pontos. A persistência para seguir um assunto até o seu desfecho ou até que todas as perguntas estejam respondidas sempre fez parte do sucesso de um jornalista. José Luís Costa poderia colocar no seu currículo obstinação, persistência, organização, resiliência, metodologia de investigação. Ou, como resume sua editora, Dione Kuhn: “O Zé é um encanzinado”. Repórter especial de ZH, José Luís acompanha, desde 2011, o misterioso golpe na Arquidiocese da Igreja Católica em Porto Alegre, que ganharia R$ 12 milhões do governo português para reformar paróquias, mas caiu em uma armadilha com prejuízo de R$ 2,5 milhões. A figura central desta fraude é Adelino Pinto, ex-vice-cônsul de Portugal na capital gaúcha, um personagem controvertido e com passado nebuloso na terra natal, para onde fugiu logo após a revelação do escândalo. Demitido do emprego, processado pela Justiça, com ordem de prisão preventiva e nome na lista vermelha da Interpol, Adelino não pode ser alcançado pela polícia – normas diplomáticas portuguesas impedem extradição de seus cidadãos, assim como ocorre com brasileiros no Brasil. Mas ele não está livre de ser cobrado e de ter de dar explicações, ainda que vivendo a vida a 8,8 mil quilômetros do Rio Grande do Sul. Decidido a seguir contando esta intrigante história, José Luís monitora há quatro anos o caso junto aos órgãos responsáveis, criou uma rede de contatos em Portugal e propôs aos editores viajar a Lisboa. O resultado da obstinação do repórter você pode conferir aqui.

EDUCAÇÃO – Na última quinta-feira, lançamos o novo caderno de educação da Zero Hora, o Educa, em substituição ao Vestibular. A iniciativa faz parte da crença do Grupo RBS na relevância do tema para todos os públicos e do compromisso de ZH de acompanhar, discutir e instigar a transformação na educação. Agora, além de falar sobre os processos seletivos para conseguir uma vaga na faculdade, com Enem ou concurso vestibular, o caderno investe em matérias sobre outros assuntos que também importam muito para o crescimento profissional e acadêmico dos estudantes – sejam eles de Ensino Médio, faculdade ou pós-graduação. Língua estrangeira, intercâmbio, carreira e até as relações entre pais e filhos estarão no novo projeto de educação de ZH, que prevê ainda um braço digital mais robusto. Na seção zerohora.com/educa você já encontra as reportagens do caderno e também as últimas notícias sobre Enem, vestibular, tendências em ensino, programas e cursos de graduação, pós-graduação, intercâmbio, idiomas e atualidades que podem fazer diferença na sua formação.

A OPINIÃO DE ZH SOBRE O FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – No segundo editorial sobre temas polêmicos (o primeiro tratou da legalização da maconha, em 8 de março), ZH aborda hoje o financiamento eleitoral. A série previa, como segundo e terceiro assuntos, a maioridade penal e a privatização de presídios, mas os fatos, com as investigações da Operação Lava-Jato, se impuseram. Como o tema está na ordem do dia, resolvemos antecipar a posição de ZH sobre as formas possíveis de pagamento das campanhas. Principal fator da corrupção na administração pública no país, o financiamento eleitoral é debatido também em uma ampla reportagem, para que o leitor entenda as opções possíveis, suas vantagens e desvantagens, e tire suas próprias conclusões.

 

Uma investigação de duas redações

21 de março de 2015 1

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Por trás da reportagem especial deste domingo, Minha Casa Minha Fraude, há bastidores que gostaria de compartilhar com nossos leitores.

Desde 2012, criamos em Zero Hora um Grupo de Investigação. Formado por repórteres e editores que se dedicam de forma especial a ser, como os americanos denominam, “watchdogs”, ou cães de guarda da sociedade, esse time pensa pautas, planeja a longo prazo e vai a campo investigar, em reportagens que algumas vezes significam investimentos de apuração e edição de até um ano.

Formado hoje pelos jornalistas Adriana Irion, Carlos Rollsing, Eduardo Torres (Diário Gaúcho), Humberto Trezzi, José Luis Costa, Maurício Tonetto e Rodrigo Lopes, o grupo de repórteres decidiu que o principal programa habitacional do governo federal, o Minha Casa Minha Vida, merecia uma investigação especial. O projeto tem muitos méritos, entre eles o de concretizar o sonho da casa própria a quem nunca teve a chance de dispor de um teto. Em 2013, foi responsável por um terço (32,1%) do total das construções de moradias do Brasil. O problema é que o programa governamental tem sido alvo de fraudes variadas, vendas irregulares e construções de má qualidade. Mais: em algumas cidades, o tráfico de drogas acossa a comunidade, alvo frequente de operações policiais.

A diferença nesta investigação é que ela foi produzida por repórteres investigativos de dois jornais do Grupo RBS: Humberto Trezzi e o fotógrafo Fernando Gomes, de ZH, e Ânderson Silva e a fotógrafa Betina Humeres, do Diário Catarinense – já que as fraudes não se restringem ao Rio Grande do Sul. Durante 40 dias, os jornalistas se debruçaram sobre documentos oficiais e bateram de porta em porta de condomínios construídos para o Minha Casa Minha Vida. Depararam com mau acabamento das construções (infiltrações, inundações, rachaduras) em prédios de Canoas, Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Cachoeirinha, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Constataram que em pelo menos oito cidades gaúchas de porte médio proliferam denúncias de comércio ou aluguel irregular de imóveis do programa governamental. Em Santa Catarina, aos problemas de infraestrutura e invasão, somam-se tráfico de drogas, prostituição e ameaça de morte em Blumenau e Palhoça. Cada um dos jornais publica neste domingo o mesmo tema, mas cada um com o enfoque adequado a seu público e sua zona geográfica. Essa soma de esforços traz ao leitor um conteúdo mais completo e mais aprofundado.

RIO 2016 – A Olimpíada já começou, pelo menos para Zero Hora. Na sexta, foi a estreia da coluna No Pódio, espaço fixo semanal sobre os preparativos para o evento do ano que vem assinado pela editora de esporte digital e de Olimpíada Débora Pradella. E, de hoje até terça, ZH publica a série de matérias que marca os 500 dias para o Rio 2016 produzida pelo repórter Vinicius Vaccaro após viagem à cidade-sede.

Apresentaremos as instalações e o andamento das obras em versão impressa e digital, os preparativos do Rio para receber turistas e os atletas brasileiros que chegam com chances de medalhas à competição.

Senhoras e senhores, calma!

14 de março de 2015 4

carta_nilson

Podem convidar para a mesma mesa os colunistas de Zero Hora David Coimbra e Moisés Mendes. É certeza de uma conversa agradável, inteligente e, acima de tudo, bem-humorada. Só não esperem que eles concordem em tudo. Não concordam, e ao defenderem com maestria as suas ideias estão cumprindo seus papéis de jornalistas colunistas, aqueles que injetam suas opiniões nos debates que se travam na sociedade e têm seus argumentos repetidos pelos que os questionam ou os apoiam.
David, Moisés e outros tantos colegas que ocupam espaços de opinião em ZH têm procurado refletir sobre os protestos que marcaram o país nos últimos dias e, segundo as expectativas, terão seu ponto máximo neste domingo. Moisés, em 11 de março, chamou de golpistas encabulados os que pretendem fazer da mobilização deste domingo plataforma para uma ruptura institucional. “O golpe está apenas nas entrelinhas do discurso”, alertou. Dias antes, em 8 de março, Rosane de Oliveira montou o quebra-cabeça de problemas que o governo enfrenta e que desembocam nas manifestações deste domingo. “Dilma está pagando pelo que fez, pelo que deixou de fazer e pelos atos de seu antecessor”, resumiu. No dia 11, Luis Fernando Verissimo adicionou outro ingrediente ao debate ao afirmar: “A questão maior por trás de todas as lambanças sendo investigadas atualmente é a do financiamento de partidos e campanhas”.
As paixões e ódios que estes tempos de Lava-Jato despertam nas pessoas receberam um olhar do Luciano Potter no domingo passado. Ele lamentou pelos que “não querem conversar, ouvir, negociar, aceitar o lado bom do oponente, retrucar com educação”.
E quanto ao David? Bem, aqueles que o acompanham em Zero Hora e zh.com.br – para concordar, discordar, idolatrar ou abominar – já perceberam que ele nem de longe é um admirador do atual governo. Justamente por isso, uma reflexão dele em 12 de março ganha um peso gigantesco neste momento. Um valor inestimável para quem tem na democracia, na liberdade de opinião e de manifestação, algo que não é negociável e deve ser preservado. Escreveu o David: “Só existe uma maneira de um país ‘se salvar’: é pelo cumprimento do acordo social, pela aceitação das regras por toda a comunidade. Pela lei. Sarney assumiu nos idos de março de 1985. Nos idos de março de 44 a.C., Júlio César levou 23 punhaladas aos pés da estátua de Pompeu. Nos idos de março de 2015, o Brasil sairá às ruas em protesto contra um péssimo governo. O que restará destes idos de março? Seja o que for, espero que esteja dentro da lei. Porque a História já mostrou: com a sorte, nós não podemos contar”.
Para quem já foi ou ainda vai às ruas, aproveitem a liberdade e a democracia e cuidem bem de ambas.