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Posts na categoria "Carta do Editor"

O encanzinado

28 de março de 2015 6

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No currículo de um bom repórter, obstinação conta muitos pontos. A persistência para seguir um assunto até o seu desfecho ou até que todas as perguntas estejam respondidas sempre fez parte do sucesso de um jornalista. José Luís Costa poderia colocar no seu currículo obstinação, persistência, organização, resiliência, metodologia de investigação. Ou, como resume sua editora, Dione Kuhn: “O Zé é um encanzinado”. Repórter especial de ZH, José Luís acompanha, desde 2011, o misterioso golpe na Arquidiocese da Igreja Católica em Porto Alegre, que ganharia R$ 12 milhões do governo português para reformar paróquias, mas caiu em uma armadilha com prejuízo de R$ 2,5 milhões. A figura central desta fraude é Adelino Pinto, ex-vice-cônsul de Portugal na capital gaúcha, um personagem controvertido e com passado nebuloso na terra natal, para onde fugiu logo após a revelação do escândalo. Demitido do emprego, processado pela Justiça, com ordem de prisão preventiva e nome na lista vermelha da Interpol, Adelino não pode ser alcançado pela polícia – normas diplomáticas portuguesas impedem extradição de seus cidadãos, assim como ocorre com brasileiros no Brasil. Mas ele não está livre de ser cobrado e de ter de dar explicações, ainda que vivendo a vida a 8,8 mil quilômetros do Rio Grande do Sul. Decidido a seguir contando esta intrigante história, José Luís monitora há quatro anos o caso junto aos órgãos responsáveis, criou uma rede de contatos em Portugal e propôs aos editores viajar a Lisboa. O resultado da obstinação do repórter você pode conferir aqui.

EDUCAÇÃO – Na última quinta-feira, lançamos o novo caderno de educação da Zero Hora, o Educa, em substituição ao Vestibular. A iniciativa faz parte da crença do Grupo RBS na relevância do tema para todos os públicos e do compromisso de ZH de acompanhar, discutir e instigar a transformação na educação. Agora, além de falar sobre os processos seletivos para conseguir uma vaga na faculdade, com Enem ou concurso vestibular, o caderno investe em matérias sobre outros assuntos que também importam muito para o crescimento profissional e acadêmico dos estudantes – sejam eles de Ensino Médio, faculdade ou pós-graduação. Língua estrangeira, intercâmbio, carreira e até as relações entre pais e filhos estarão no novo projeto de educação de ZH, que prevê ainda um braço digital mais robusto. Na seção zerohora.com/educa você já encontra as reportagens do caderno e também as últimas notícias sobre Enem, vestibular, tendências em ensino, programas e cursos de graduação, pós-graduação, intercâmbio, idiomas e atualidades que podem fazer diferença na sua formação.

A OPINIÃO DE ZH SOBRE O FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – No segundo editorial sobre temas polêmicos (o primeiro tratou da legalização da maconha, em 8 de março), ZH aborda hoje o financiamento eleitoral. A série previa, como segundo e terceiro assuntos, a maioridade penal e a privatização de presídios, mas os fatos, com as investigações da Operação Lava-Jato, se impuseram. Como o tema está na ordem do dia, resolvemos antecipar a posição de ZH sobre as formas possíveis de pagamento das campanhas. Principal fator da corrupção na administração pública no país, o financiamento eleitoral é debatido também em uma ampla reportagem, para que o leitor entenda as opções possíveis, suas vantagens e desvantagens, e tire suas próprias conclusões.

 

Uma investigação de duas redações

21 de março de 2015 1

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Por trás da reportagem especial deste domingo, Minha Casa Minha Fraude, há bastidores que gostaria de compartilhar com nossos leitores.

Desde 2012, criamos em Zero Hora um Grupo de Investigação. Formado por repórteres e editores que se dedicam de forma especial a ser, como os americanos denominam, “watchdogs”, ou cães de guarda da sociedade, esse time pensa pautas, planeja a longo prazo e vai a campo investigar, em reportagens que algumas vezes significam investimentos de apuração e edição de até um ano.

Formado hoje pelos jornalistas Adriana Irion, Carlos Rollsing, Eduardo Torres (Diário Gaúcho), Humberto Trezzi, José Luis Costa, Maurício Tonetto e Rodrigo Lopes, o grupo de repórteres decidiu que o principal programa habitacional do governo federal, o Minha Casa Minha Vida, merecia uma investigação especial. O projeto tem muitos méritos, entre eles o de concretizar o sonho da casa própria a quem nunca teve a chance de dispor de um teto. Em 2013, foi responsável por um terço (32,1%) do total das construções de moradias do Brasil. O problema é que o programa governamental tem sido alvo de fraudes variadas, vendas irregulares e construções de má qualidade. Mais: em algumas cidades, o tráfico de drogas acossa a comunidade, alvo frequente de operações policiais.

A diferença nesta investigação é que ela foi produzida por repórteres investigativos de dois jornais do Grupo RBS: Humberto Trezzi e o fotógrafo Fernando Gomes, de ZH, e Ânderson Silva e a fotógrafa Betina Humeres, do Diário Catarinense – já que as fraudes não se restringem ao Rio Grande do Sul. Durante 40 dias, os jornalistas se debruçaram sobre documentos oficiais e bateram de porta em porta de condomínios construídos para o Minha Casa Minha Vida. Depararam com mau acabamento das construções (infiltrações, inundações, rachaduras) em prédios de Canoas, Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Cachoeirinha, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Constataram que em pelo menos oito cidades gaúchas de porte médio proliferam denúncias de comércio ou aluguel irregular de imóveis do programa governamental. Em Santa Catarina, aos problemas de infraestrutura e invasão, somam-se tráfico de drogas, prostituição e ameaça de morte em Blumenau e Palhoça. Cada um dos jornais publica neste domingo o mesmo tema, mas cada um com o enfoque adequado a seu público e sua zona geográfica. Essa soma de esforços traz ao leitor um conteúdo mais completo e mais aprofundado.

RIO 2016 – A Olimpíada já começou, pelo menos para Zero Hora. Na sexta, foi a estreia da coluna No Pódio, espaço fixo semanal sobre os preparativos para o evento do ano que vem assinado pela editora de esporte digital e de Olimpíada Débora Pradella. E, de hoje até terça, ZH publica a série de matérias que marca os 500 dias para o Rio 2016 produzida pelo repórter Vinicius Vaccaro após viagem à cidade-sede.

Apresentaremos as instalações e o andamento das obras em versão impressa e digital, os preparativos do Rio para receber turistas e os atletas brasileiros que chegam com chances de medalhas à competição.

Senhoras e senhores, calma!

14 de março de 2015 4

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Podem convidar para a mesma mesa os colunistas de Zero Hora David Coimbra e Moisés Mendes. É certeza de uma conversa agradável, inteligente e, acima de tudo, bem-humorada. Só não esperem que eles concordem em tudo. Não concordam, e ao defenderem com maestria as suas ideias estão cumprindo seus papéis de jornalistas colunistas, aqueles que injetam suas opiniões nos debates que se travam na sociedade e têm seus argumentos repetidos pelos que os questionam ou os apoiam.
David, Moisés e outros tantos colegas que ocupam espaços de opinião em ZH têm procurado refletir sobre os protestos que marcaram o país nos últimos dias e, segundo as expectativas, terão seu ponto máximo neste domingo. Moisés, em 11 de março, chamou de golpistas encabulados os que pretendem fazer da mobilização deste domingo plataforma para uma ruptura institucional. “O golpe está apenas nas entrelinhas do discurso”, alertou. Dias antes, em 8 de março, Rosane de Oliveira montou o quebra-cabeça de problemas que o governo enfrenta e que desembocam nas manifestações deste domingo. “Dilma está pagando pelo que fez, pelo que deixou de fazer e pelos atos de seu antecessor”, resumiu. No dia 11, Luis Fernando Verissimo adicionou outro ingrediente ao debate ao afirmar: “A questão maior por trás de todas as lambanças sendo investigadas atualmente é a do financiamento de partidos e campanhas”.
As paixões e ódios que estes tempos de Lava-Jato despertam nas pessoas receberam um olhar do Luciano Potter no domingo passado. Ele lamentou pelos que “não querem conversar, ouvir, negociar, aceitar o lado bom do oponente, retrucar com educação”.
E quanto ao David? Bem, aqueles que o acompanham em Zero Hora e zh.com.br – para concordar, discordar, idolatrar ou abominar – já perceberam que ele nem de longe é um admirador do atual governo. Justamente por isso, uma reflexão dele em 12 de março ganha um peso gigantesco neste momento. Um valor inestimável para quem tem na democracia, na liberdade de opinião e de manifestação, algo que não é negociável e deve ser preservado. Escreveu o David: “Só existe uma maneira de um país ‘se salvar’: é pelo cumprimento do acordo social, pela aceitação das regras por toda a comunidade. Pela lei. Sarney assumiu nos idos de março de 1985. Nos idos de março de 44 a.C., Júlio César levou 23 punhaladas aos pés da estátua de Pompeu. Nos idos de março de 2015, o Brasil sairá às ruas em protesto contra um péssimo governo. O que restará destes idos de março? Seja o que for, espero que esteja dentro da lei. Porque a História já mostrou: com a sorte, nós não podemos contar”.
Para quem já foi ou ainda vai às ruas, aproveitem a liberdade e a democracia e cuidem bem de ambas.

Nossa opinião sobre a legalização da maconha

07 de março de 2015 12

Na edição deste domingo, 8 de março, o Grupo RBS declara em editorial que é a favor da legalização da maconha. É o primeiro de uma série de editoriais sobre temas polêmicos que exigem cobertura e posicionamento. Resultado de intensos debates no Comitê Editorial, a revisão de posições da empresa faz parte de uma crença: o público espera que um grupo de comunicação tenha posições claras e as manifeste, inclusive sobre temas árduos e controversos. O Grupo RBS acredita que a transparência é o elemento fundamental da relação com os seus públicos.

O fato de a empresa declarar-se a favor da legalização não colide com a independência da reportagem. Os editoriais, devidamente identificados e publicados nas páginas de Opinião (8 de março, na página 33), expressam a posição e o pensamento da RBS. Nas reportagens, nas colunas e nos artigos, o princípio é a pluralidade. Todas as vozes e todas as opiniões, contra, a favor, muito antes pelo contrário, podem e devem se expressar. E, com todas essas informações, o leitor chegará a suas próprias opiniões.

Mas por que agora, e por que a maconha? Porque há uma realidade que está aí, e entendemos que não podemos nos omitir. Devemos sair da retórica e partir para medidas objetivas. A proibição da maconha só alimenta o tráfico e os homicídios. A falta de segurança que vivemos tem, em grande parte, traficantes do tóxico como protagonistas. Não estamos, com isso, fazendo a apologia do consumo da maconha, pelo contrário: a droga faz mal à saúde e ponto final. Não é disso que se trata. Acreditamos que, ao legalizar a produção e a distribuição, com rígido controle, o tráfico perderá poder e a segurança se ampliará.

O tema da violência e do crime voltará a ser pauta nesta série de editoriais sobre assuntos polêmicos. A maioridade penal e a privatização dos presídios estão previstas para os próximos dois meses. A posição da empresa virá sempre acompanhada de uma ampla reportagem, para que o leitor receba uma profunda análise de todas as questões ligadas ao assunto.

Dentro do princípio da pluralidade, que é um dos pilares da nossa linha editorial, estamos externando a opinião da empresa, mas fazemos questão de ampliar o debate, como mostra a reportagem especial das páginas 25 a 32. Queremos que você também participe e manifeste a sua opinião. Contribua, escrevendo no fórum sobre a legalização da maconha no conteúdo especial em zerohora.com ou deixe comentário aqui no blog.

Torcida do bem

28 de fevereiro de 2015 2

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Todos os pensamentos positivos e toda a atenção de quem gosta de futebol no país estão voltados neste domingo para o Beira-Rio, onde deve ocorrer um fato histórico: a saudável possibilidade de gremistas e colorados torcerem juntos, lado a lado, de forma cordial e organizada, sem violência. Há uma enorme expectativa para que a iniciativa do Inter – pela qual mil colorados convidam mil gremistas para assistirem ao Gre-Nal juntos – dê certo e seja reprisada posteriormente na Arena. Porque isso pode significar uma virada no futebol, não só aqui, mas como um movimento que se espalhe pelo Brasil. A torcida do bem, que representa 94% dos torcedores, segundo estudo do sociólogo Mauricio Murad, uma das maiores autoridades em Sociologia do Esporte do país, é a grande maioria, e não pode ser prejudicada pela torcida do mal, os 6% violentos, agressivos, brigões. Não há no Brasil (olha os gaúchos se achando) outro Estado com tanta polarização no futebol como o Rio Grande do Sul. Isso gera milhares de coisas boas. Mobilização pelos times, paixão pelo esporte, assunto com os amigos, proximidade de pais e mães com filhos, de tios com sobrinhos, de avós com filhos e netos. Até a flauta é saudável. Só não é bom quando ofende, quando passa do limite, quando vira violência verbal ou física. Por isso essa iniciativa é tão importante.

Aqui na Zero Hora, todo o nosso time da editoria de Esportes apoiou imediatamente a iniciativa, dando amplos espaços para sua divulgação (a capa de hoje é um lindo pôster para ilustrar e incentivar esse evento).

Por uma coincidência, antes de o vice-presidente de Administração do Inter, Alexandre Limeira, ter a ideia da torcida mista e de propor a iniciativa ao clube, tínhamos reservado para este Gre-Nal uma novidade que tem tudo a ver com o climão do fim de semana: a narração torcedora.

A partir de agora, os principais jogos de Grêmio e Inter serão acompanhados, no minuto a minuto dos aplicativos Gremista ZH e Colorado ZH, por um jornalista gremista ou colorado. A diferença é que, em vez de uma narração fria, como “cobrança de escanteio para o Inter” ou “falta para o Grêmio”, poderá aparecer “É agora! Grande chance para o Inter. Vamos lá, Colorado!” e “Falta perto da área. Sinto cheiro de gol. Avante, Tricolor!”. Muito mais adequado à vibração que o público espera quando acompanha o seu time. Se não for um Gre-Nal, mas um jogo de Grêmio ou de Inter contra outros times, o minuto a minuto terá uma versão apaixonada (de Inter ou de Grêmio, quem estiver jogando) e outra versão neutra. Atualize seu aplicativo para acompanhar essa novidade.

Um cuidado extra foi adicionado na preparação da narração torcedora. Para não correr o risco de incentivar qualquer ofensa à torcida adversária, criamos um manual de boas práticas para os jornalistas que vão trabalhar nesse novo jeito de contar a partida. Flauta pode. Agressão, de jeito nenhum. Nosso time aderiu totalmente à torcida para que este domingo seja lembrado como o dia em que gremistas e colorados começaram a virar o jogo da intolerância no futebol.

Educação, um tema obrigatório

21 de fevereiro de 2015 0

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O seu filho passou raspando ano passado na escola? Sofre bullying? Tem dificuldade para fazer o tema? Trocou de colégio? Ou já está no último ano do Ensino Médio e prepara-se para a grande mudança rumo à faculdade?

Seja qual for a situação, vida escolar é assunto dominante no dia a dia dos nossos leitores, sejam pai, mãe, tia, tio, avô, avó ou as próprias crianças e adolescentes. E isso se mantém por muitos anos. Se o bebê entrar na creche antes do primeiro aniversário, até chegar à faculdade podem ser 17 anos de vivência do mundo escolar, com todos os seus percalços e conquistas.

Neste início de ano, ZH se alia aos leitores na discussão de temas ligados à vida escolar, com uma série de reportagens que começa hoje e vai até sábado.

Ticiano Osório, editor de Sua Vida, tem o assunto como agenda obrigatória em seu planejamento para 2015:

– A editoria Sua Vida é comprometida com o tema da Educação, uma pauta inescapável, inesgotável e indispensável. Neste ano, algumas das principais reportagens de ZH farão um mergulho no universo das escolas, como fizemos na premiada matéria Lições da Turma 11F, de Letícia Duarte (texto) e Félix Zucco (fotos), vencedora do Prêmio Esso Regional Sul 2014. Vamos abordar a qualidade (ou a falta de qualidade) do Ensino Médio, por exemplo. Também queremos mostrar as percepções de crianças e adolescentes no caminho para o colégio, e dar voz aos professores, divididos entre o amor à profissão e as frustrações diárias: desprestígio, baixa remuneração, ambientes por vezes hostis.

Educação se fará presente em ZH neste ano não apenas em reportagens. Estamos preparando uma renovação do caderno Vestibular, que continuará como um guia para os jovens que querem ingressar na universidade – cada vez mais via Enem, vale ressaltar –, mas ampliará sua lista de assuntos. Zero Hora também investirá em projetos digitais: a ideia é lançar um site exclusivo, com uma equipe própria que desenvolverá conteúdos em textos, vídeos e infográficos.

Contribuir com ações de impacto para a qualidade da Educação é um compromisso histórico do Grupo RBS com a comunidade, expresso em seis itens lançados em 2012, que tratam de dar visibilidade aos temas relevantes do ambiente escolar, como a valorização dos professores e de boas práticas em sala de aula, o papel decisivo dos pais no aprendizado dos filhos e a responsabilidade dos governos com a Educação, sempre no interesse do aluno. Uma das principais iniciativas é o Prêmio RBS de Educação, que em 2015 está em sua terceira edição, um reconhecimento a professores e estudantes que promovem a formação de leitores. A Educação também é um tema prioritário para a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho (FMSS). Ao longo do ano, a FMSS implementará projetos incentivando os jovens a promover a transformação por meio do conhecimento.

Jornalista gosta de más notícias?

14 de fevereiro de 2015 6

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Na sexta-feira, o leitor e jornalista (ex-colega de Zero Hora) Antônio Goulart me puxou as orelhas num e-mail: “Ultimamente, as manchetes de ZH têm sido negativas e preocupantes, em especial sobre a situação econômica do Estado. Acho, por isso, que o jornal deixou de destacar em capa, hoje, uma notícia alvissareira que aparece escondida no meio de um texto na página 24 (coluna de Gisele Loeblein). Segundo um órgão oficial, a Conab, o RS se prepara para colher uma safra recorde de soja, 10% superior à do ano passado. Será que isso não merecia uma manchete? E talvez até um editorial?”.

Merece, sim, Goulart. A supersafra de soja que está se delineando no horizonte gaúcho e seus bons impactos econômicos serão tema de reportagem especial – e potencial manchete do jornal – no caderno Campo e Lavoura do dia 24. “É um volume histórico de soja. Não faltarão oportunidades de destacarmos essa boa notícia”, promete a editora e colunista Gisele.

Todo dia, fazemos um esforço para dar notícias positivas, até para que o jornal não seja uma bofetada no leitor. Nem sempre é possível, e concordo que andamos com manchetes pesadas. Na sexta, o título principal de capa foi “Delator diz que Dirceu sabia de propina ao PT“, sobre a declaração do doleiro Alberto Youssef, colocando o ex-ministro José Dirceu no centro do escândalo. Na quinta, “Explosão e mortes em plataforma da Petrobras“. Na quarta, “19 carros roubados por dia na Capital“. Na terça, “Conta da luz vai ficar de 37% a 66% mais alta“. Na segunda, “Mais 3 obras no RS citadas em esquema de propina“. Semana difícil! Algum desses temas, na sua opinião, não deveria ser manchete? Com a situação da economia no Estado e o cenário de corrupção no país, vamos forçar manchetes positivas? Não tem como.

Editar é escolher e, no mundo todo, comentários de que jornalistas adoram uma má notícia volta e meia surgem como críticas à imprensa. Durante a última semana, o editor de Opinião de ZH, Nílson Souza, compartilhou com colegas da RBS um texto de Arianna Huffington, a fundadora do portal Huffington Post, em que ela defende um maior equilíbrio entre as notícias boas e as notícias ruins. “Histórias de violência, tragédia e corrupção sempre ganham destaque”, argumenta Arianna. “Como jornalistas, nossa função é mostrar para nossa audiência um retrato preciso do que acontece no mundo. Se nós, da mídia, mostrarmos só o lado sombrio, estamos fracassando.”

Notícias ruins – acidentes, tragédias – são campeãs de audiência online e sempre “ganham” de histórias edificantes. É o jornalista que erra quando escolhe publicar esse tipo de conteúdo ou é o leitor que, ao fazer suas escolhas, está dizendo ao editor o que ele prefere? A característica de prestar mais atenção no que é ruim é do jornalista ou do ser humano? Um comentário clássico entre jornalistas lembra que ninguém comenta no bar “sabia que todos os aviões do mundo hoje decolaram e pousaram sem problemas?” No entanto, se um, unzinho dos milhares de voos não chegar a seu destino, isso vira manchete em todos os jornais e comentário obrigatório em todas as rodas. E você, leitor, o que acha disso? O jornal está muito negativo? Ou os fatos é que estão? Escreva para mim: marta.gleich@zerohora.com.br

Caçadores de histórias

08 de fevereiro de 2015 1

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26 de janeiro, 17h30min. A repórter Lara Ely e o fotógrafo Bruno Alencastro correm três quilômetros numa trilha de mata fechada, no meio do barro, com pedras soltas, por subidas e descidas íngremes. O objetivo: serem os primeiros a alcançar, em Maquiné, algum lugar com sinal de internet para informar aos leitores que havia sido concluído o resgate dos corpos dos integrantes de um grupo de rapel atacado por abelhas.
Os dias seguintes seriam mais calmos, com uma reportagem sobre os caminhões e ônibus que vendem sorvetes, frutas, verduras e outras comilanças pelas praias – os precursores do movimento hoje conhecido como Food Truck –, outra sobre as santas do Litoral Norte, quando a equipe descobriu que o Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de imagens à beira-mar, ou mais uma, sobre as golden tatoos, as tatuagens provisórias que são moda neste verão.

Bruno Alencastro
A baixa adrenalina durou pouco. No dia 31, cedinho pela manhã, Lara e Bruno pegaram a estrada até Palmares do Sul para uma aventura de 10 quilômetros e três horas de remada na Lagoa Bacopari, para alertar sobre a preservação das águas.
Dois dias depois, pela manhã, após conhecer o pessoal da Cia do Ar em terra firme, na BR-101 em Osório, a dupla subiu ao Morro da Borússia, de onde saltou de parapente para registrar imagens e impressões do Litoral visto de cima. O registro dos céus também foi feito de planador e helicóptero.

Bruno Alencastro
Para variar o cardápio de aventuras por terra, por água e por ar, a equipe foi, no dia seguinte, 3 de fevereiro, conversar com os donos da última casa na beira da praia de edifícios de Capão da Canoa. Recebidos com limonada, descobriram por que dona Isilda dos Santos resiste há duas décadas ao assédio de construtoras para a venda do milionário terreno.
Os dias seguintes seriam recheados com uma reportagem sobre o açaí gaúcho, publicada nesta edição, outra sobre um seminarista-surfista e um padre que celebra missas à beira-mar (publicada no sábado) e mais uma sobre as tartarugas e os animais marinhos recuperados pelo Ceclimar.
Lara e Bruno são uma das quatro duplas de jornalistas que se revezarão neste ano na sucursal de praia de Zero Hora. Há décadas, seguindo o movimento migratório dos gaúchos rumo ao Litoral, ZH envia seus correspondentes para a orla. Acompanhando bombeiros na tragédia de Maquiné, voando de parapente, remando num caiaque, ouvindo histórias de antigos veranistas ou provando o gosto do açaí da Mata Atlântica, esses caçadores de boas reportagens tentam contar, para quem vai à praia ou fica na cidade, as melhores histórias do litoral gaúcho.
Perdeu alguma reportagem da cobertura de praia? Clique aqui e leia outras reportagens

Entrevero empolgante

31 de janeiro de 2015 2

marta gleich

Zero Hora entrou em campo neste fim de semana para ajudar você a acompanhar o Gauchão, na edição que promete ser a mais quente dos últimos tempos. Veja por quê:
- O Grêmio corre atrás do título gaúcho, que não alcança desde 2010. Para o tricolor, que está fora da Libertadores, é a “Copa do Mundo”, como o próprio Ivo Wortmann, auxiliar-técnico de Felipão, disse, e alguns jogadores confirmaram.
- O Inter, que joga a Libertadores também, usará o campeonato para entrosar o time no esquema do novo treinador. Os colorados correm atrás do penta, uma sequência que não se repete desde os anos 70 pelo lado vermelho.
- Os times do interior têm no Gauchão a chance de dar a volta por cima, diante da má performance do ano passado. O Brasil de Pelotas vem embalado pela ascensão à série C do Brasileirão, tem time e treinador bem entrosados e a torcida fanática de sempre. Novo Hamburgo apresenta os seus “galácticos”, jogadores consagrados nacionalmente. Caxias e Juventude sempre figuram como bem cotados, e novatos, como União Frederiquense, aparecem motivados.
- O Gauchão deste ano terá destaque nas duas pontas da tabela. Grêmio e Inter tiveram mais tempo de preparação e, por causa do regulamento, não poderão usar mais de 32 jogadores. Isso fará com que eles usem o grupo principal na maioria dos jogos.
- Na parte de baixo, haverá um risco maior para os clubes rebaixados. As três equipes que caírem para a segundona provavelmente levarão mais tempo para voltar à elite do Gauchão, já que, a partir deste ano, só uma equipe sobe.
Com tudo isso em jogo, nossa cobertura está caprichada.
Neste sábado, um guia do Gauchão foi apresentado na edição impressa e nas plataformas digitais com um resumo de cada clube, o esquema tático preferido de cada técnico e um levantamento sobre os jogadores que mais disputaram o tradicional campeonato gaúcho.
Confira!
No caderno ZH Esporte, às segundas-feiras, uma página especial de Entrevero trará tudo o que ocorreu no fim
de semana pelos campos do Interior.

Aos que argumentam que os campeonatos estaduais se esvaziaram ou estão fora de moda, registro algumas perguntas que foram feitas na Redação na última semana: algum colorado ou gremista aí aceita que seu time entre para perder, inicie essa competição sem gana de ser campeão? Algum torcedor do Interior acha que não vale lutar pelo título? (Em algumas cidades, é a única oportunidade para presenciar o futebol profissional, para os times encherem seus estádios, para uma festa com a comunidade). Alguém se recorda como é ruim cair para a série B do Gauchão ou como é o máximo subir para a série A? O Gauchão é, sim, muito importante e valorizado pelas torcidas, e a cobertura de Zero Hora, ainda mais neste ano, que promete, estará à altura desses sentimentos do torcedor.

Dois anos depois

24 de janeiro de 2015 1

marta gleich
Nas semanas que se seguiram à maior tragédia do Rio Grande do Sul – a morte de 242 pessoas na boate Kiss –, os integrantes do Comitê Editorial do Grupo RBS firmaram um compromisso. A imensurável dor provocada pelas perdas daquelas vidas não deveria ser em vão e, no que dependesse dos jornalistas da empresa, não seria. No intuito de que algo assim jamais se repita, combinamos que as redações deveriam manter a Kiss na pauta, acompanhando e cobrando a apuração de responsabilidades, uma melhor legislação para casas noturnas e avanços na prevenção de incêndios. De lá para cá, dezenas, talvez centenas de vezes o assunto esteve em jornais, rádios e TVs da RBS.

Na edição deste domingo, 24 meses depois, Zero Hora traz um novo ângulo ao caso Kiss, invisível até agora para o grande público e igualmente grave: as novas vítimas da tragédia. A cada mês, são registrados de três a cinco novos casos de sobreviventes que, em maior ou menor grau, tiveram sua saúde abalada pelo acontecimento. As chamas da boate Kiss seguem, dois anos depois, alastrando-se e fazendo vítimas.

Os repórteres Juliana Bublitz e Humberto Trezzi, a fotógrafa Andréa Graiz e o assistente Marcelo Carôllo, num trabalho de formiguinha, procuraram 160 sobreviventes. Falaram com cem deles. Desses, 12 relataram sequelas graves que só apareceram recentemente. São homens e mulheres que estiveram no local, pensaram ter se livrado sem maiores problemas físicos ou psicológicos, mas que, de algum tempo para cá, adoeceram, com depressão, estresse pós-traumático, enfisemas, asma, rinite, sinusite.

– Participo da cobertura da tragédia na Kiss desde o primeiro dia, em 27 de janeiro de 2013. É sempre duro voltar a Santa Maria e reviver o drama de quem sobreviveu e de quem perdeu familiares no incêndio. Dessa vez, foi muito impactante saber que as sequelas continuam aparecendo, que as substâncias tóxicas liberadas com o fogo continuam fazendo vítimas. É um sofrimento sem fim – conta Juliana.

– Muita gente desligava ao me anunciar como jornalista. Outros marcavam entrevista e depois nunca mais atendiam ao telefone. Houve até quem simplesmente disse: “Me deixa em paz, por favor. Não posso ouvir falar desse assunto”. É muito dolorido o trauma das vítimas. Uma dor que teima em não desaparecer – relata Trezzi.

No papel, a reportagem editada por Lúcio Charão está nas páginas 14 a 21. A edição nas plataformas digitais, por FêCris Vasconcellos, gerou um site, com depoimentos em vídeo, que você não pode deixar de conferir em zhora.co/2anoskiss. Em outra parte da reportagem digital, ZH visitou sete casas noturnas de Porto Alegre, na companhia de engenheiros especializados em prevenção de incêndios. Todas estão dentro da lei, mas os profissionais identificaram falhas, de leves a graves, que, se resolvidas, poderiam dar ainda mais segurança aos frequentadores.

Infelizmente, não será a última reportagem sobre o assunto. O compromisso firmado no Comitê Editorial se renova, dois anos depois, porque é nosso dever não permitir que irresponsabilidades, omissões e negligências sejam esquecidas.