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Posts na categoria "Carta do Editor"

Excesso de tinta vermelha ou azul

12 de abril de 2014 3

martha gleisch

Nos últimos dias, tivemos em Zero Hora uma overdose de Internacional. “O jornal está pintado de vermelho!”, ouvi de gremistas dentro da Redação. Natural. A coisa que mais acontece neste Estado é a flauta clubística. O pessoal da rotativa deve mesmo ter gasto mais tinta vermelha (na verdade, tintas magenta e amarelo, que formam o vermelho). Assim como, no final de 2012, na inauguração da Arena, gastaram cyan, ou a tinta azul.

 

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 A capa do caderno Gigante de 5/4/2014 e a capa de Zero Hora de 7/4/2014 (direita).
A capa do caderno Arena de 8/12/2012 e a capa de Zero Hora de 10/12/2012.

Ao longo dos anos, ouvimos muito mais que “Zero Hora é gremista” do que “Zero Hora é colorada”. Atribuo isso a dois motivos. O primeiro se deve à camiseta tricolor de um de nossos mais populares colunistas, o Paulo Sant’Ana. Fanático pelo Grêmio, mesmo que hoje não escreva nem 10% de suas colunas sobre futebol, Sant’Ana é um dos ícones do clube no Estado. Então, a equação “Sant’Ana = Grêmio, Sant’Ana = Zero Hora , logo Zero Hora = Grêmio” é compreensível. O segundo motivo é o fato de Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS, e Eduardo Sirotsky Melzer, presidente executivo do Grupo RBS, serem gremistas. Se os donos são gremistas, o jornal é gremista? Olha, tenho 30 anos de RBS e, nesses anos todos de Redação, nunca recebi um telefonema deles pedindo para puxar a brasa para o Grêmio. Mas também considero natural que o leitor construa na sua cabeça a tese “se os proprietários da Zero Hora são gremistas, o jornal é gremista”.

E agora vou revelar uma coisa: o editor-chefe de Zero Hora, Nilson Vargas, é colorado. Isso influencia a cobertura? Ai dele se misturar paixão com edição! Não pode! Nossos leitores colorados e gremistas precisam ter certeza de que cobrimos o futebol gaúcho sem preferências pessoais. É por isso que, ao planejar a cobertura da inauguração do Beira-Rio, combinamos: vamos dar E-XA-TA-MEN-TE o mesmo destaque, a mesma relevância, que demos para a inauguração da Arena. E assim fizemos. Claro que esse equilíbrio está condicionado aos fatos, pois não brigamos com a notícia. Quando meu chefe, o colorado Eduardo Smith, vice-presidente de Jornais, Rádios e Digital do Grupo RBS, ressaltou sua preocupação de termos uma cobertura equilibrada da inauguração do Beira-Rio, respondi para ficar tranquilo, porque gremistas e colorados veriam total equilíbrio nos cadernos daquela época e desta.

E quanto a mim? Confesso: não sou chegada a futebol, embora lá em casa torçam para o Inter. A minha torcida maior, sempre, é pelo jogo justo, sem violência, sem racismo, e com uma cobertura equilibrada.

Carta da editora: Zero Hora apoia candidatos?

05 de abril de 2014 10

cartadamarta

A seis meses do primeiro turno da eleição, Zero Hora publica uma pesquisa do Ibope sobre a intenção de voto da população para governadores e senadores. Aproveito a oportunidade para comentar e esclarecer alguns pontos relacionados a eleições. Volta e meia ouço alguém falar que “Zero Hora manipula pesquisas” ou que o jornal “apoia a Ana Amélia Lemos e o Lasier Martins” porque eles foram funcionários do Grupo RBS durante muitos anos. Ouço, também, comentários sobre um suposto “PRBS — Partido da RBS”.

Vamos ao primeiro ponto. Não fazemos pesquisas de intenção de voto. Queremos deixar claro a nossos leitores que este trabalho é feito por empresas que têm a produção de pesquisas como sua atividade principal, como Ibope, Datafolha ou outros institutos reconhecidos. Publicamos o material exatamente com os dados que esses institutos mandam. Por razões de espaço, a edição impressa pode não contemplar todas as dezenas de tabelas que fazem parte dos resultados, mas a íntegra está disponível no site de Zero Hora. Não estamos imunes, como qualquer outro jornal, a cometer uma falha humana na revisão do material, como digitar um número errado, embora a Dione Kuhn, editora de Política, tenha um processo rigoroso, que sempre procuramos melhorar, para conferir tudo. Em algumas eleições passadas, os resultados das eleições não confirmaram os prognósticos da pesquisa. Se houve erro, não foi de Zero Hora, e sim dos institutos. Como é o jornal que publica as pesquisas, muitas vezes somos acusados de um erro que não é nosso.

Sobre o segundo ponto: Zero Hora apoia a Ana Amélia Lemos ou o Lasier Martins? Não. O fato de terem sido funcionários do Grupo RBS não significa que os apoiemos. Entendemos que as pessoas façam este julgamento. Mas a verdade é que a condição de ex-funcionários nos faz ter um cuidado ainda maior. Nos nossos espaços editoriais, tentamos dar o mesmo destaque para todos os candidatos a governador ou a senador. Um dia, a Ana Amélia pode ser notícia na ZH e Tarso Genro ou José Ivo Sartori não. Mas, no outro, ocorrerá o inverso: sairá uma notícia do atual governador e os outros não sairão. E assim por diante. Obviamente, quem vota em um, poderá olhar o jornal naquele dia em que o seu oponente saiu e torcerá o nariz. Ao longo dos dias, isso se equilibra e todos devem receber espaços parecidos.

E o PRBS? Por que falam no “Partido da RBS”? É natural que os partidos procurem candidatos entre comunicadores. São pessoas de enorme exposição junto ao público. A posição do Grupo RBS sobre colaboradores irem para a disputa política é clara: no momento em que se confirma a intenção de se candidatar — e isso pode ocorrer inclusive antes das convenções — o funcionário é obrigado a se afastar das atividades da empresa. Isso aconteceu no ano passado com André Machado e Lasier Martins, por exemplo. Eles saíram do ar e deixaram a empresa no momento em que anunciaram a intenção de ir para o mundo da política. Com Ana Amélia foi o mesmo, em 2010. Em eleições passadas, a regra foi cumprida por outros. Inclusive muitos dos que optaram pela política e saíram da RBS não se elegeram. Com esta norma, procuramos evitar que o candidato utilize seus espaços editoriais para ter alguma vantagem sobre outros concorrentes. Evidentemente, as pessoas ficam marcadas por seus currículos, e é inevitável o público lembrar-se de que Lasier apresentava tal ou tal programa. Mas, para nossos jornalistas e editores, a determinação é uma só: eles — ou qualquer outro — não têm vantagem alguma na cobertura.

Um último ponto: Zero Hora não tem candidato. Não torce para este ou aquele. Nos Estados Unidos, até é comum jornais escolherem um partido ou candidato e tornarem pública esta preferência. No Brasil, não temos esta cultura. Portanto, esperem de nós um tratamento equilibrado, independente e jornalístico nestas eleições.

O golpe revisitado

29 de março de 2014 7

carta-da-editor-nilson
Viva a democracia! Ela está permitindo, sem amarras, que o Brasil revisite um dos episódios mais marcantes de sua história: o golpe militar de 1964 e seus desdobramentos em 21 anos de ditadura. E a imprensa – nunca é demais lembrar que sem ela não há democracia – cumpre um papel relevante neste processo.

Zero Hora não esperou o 31 de março para tratar dos 50 anos do golpe. Nas últimas semanas, em vários espaços, tem publicado reportagens, análises, resgates históricos e revelações que ajudam a mergulhar no tema. Acesse todo o nosso conteúdo em zhora.co/50anosdogolpe.

A MÃO CIVIL
Grupos de empresários e estudantes, setores da imprensa e da Igreja Católica e figuras como o político Carlos Lacerda estão entre os representantes civis que chancelaram a derrubada do presidente João Goulart e a ascensão dos militares ao poder. O papel dos civis é analisado em caderno especial nesta edição. Na versão digital, o caderno é enriquecido com conteúdos como a música do cantor Teixeirinha em homenagem ao então presidente Médici, evidenciando a simpatia dos tradicionalistas com os militares.

A RESISTÊNCIA
Documentário já disponível em zerohora.com reconstitui duas passagens do que grupos de esquerda batizaram como resistência armada: o assalto a uma agência do  Banco do Brasil em Viamão, em março de 1970, e, dias depois, a tentativa de sequestro do cônsul dos Estados Unidos em Porto Alegre. Duas ações frustradas que acabaram levando guerrilheiros a prisão e torturas.

CULTURA GOLPEADA
Em quatro edições de março, o caderno Cultura mostrou os impactos da ditadura sobre a música, o cinema, o teatro e as artes visuais, ressaltando alguns dos mais nefastos traços do regime militar, que impôs censura, repressão e perseguições para sufocar a oposição.

HERANÇA ECONÔMICA
Publicada em 23 de março, uma reportagem do caderno Dinheiro percorreu os feitos dos governos militares na economia. Mostrou avanços em áreas como infraestrutura e sublinhou o legado negativo, que incluiu dívida externa, favelização, desemprego e inflação.

USTRA FALA
O coronel Brilhante Ustra, primeiro militar apontado pela Justiça como torturador, tentou negar esta condição em entrevista publicada domingo passado. Mas não resistiu às perguntas da repórter Cleidi Pereira e acabou reconhecendo o uso de técnicas como o interrogatório contínuo, além de dar detalhes de métodos repressivos.

O TORTURADOR
Na sexta-feira, ZH revelou que Paulo Malhães, coronel que torturava e matava no Rio de Janeiro, esteve no RS em 1970 com uma missão sinistra: ensinar e requintar métodos de tortura.

RECONTANDO A HISTÓRIA
Em novembro de 2012, quando não se falava de 50 anos do golpe, ZH desfez uma farsa. Com base em documentos guardados por um militar morto em Porto Alegre, provou que o ex-deputado Rubens Paiva dera entrada em uma unidade da repressão no Rio antes de desaparecer, algo que o regime militar negava. A revelação fez avançar a investigação sobre o assassinato do político, um dos episódios mais simbólicos dos anos de chumbo.

Carta da editora: a Redação agradece ao leitor

22 de março de 2014 0

cartadamarta
Na madrugada de quinta-feira, o facebook de ZH completou 1 milhão de curtidores. Ficamos tão felizes com esta marca, que a registramos numa foto com toda a Redação. O número é um retorno muito significativo para cada um dos que estão na foto acima e que, todo dia, se esforçam para fazer um jornal bacana para você. Em nome de toda a Redação, muito obrigada pelas curtidas, nós também curtimos muito cada um de vocês!

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Sabemos que não agradamos sempre. Nem queremos unanimidade. Mas o fato é que, como diz a Bárbara Nickel, nossa editora do Leitor, não imaginávamos que o Facebook de Zero Hora, lançado em 2009, se tornasse um espaço de debates tão rico:

– Pelo Facebook, conversamos com os nossos leitores diariamente e conseguimos conhecê-los melhor. Os questionamentos e as críticas nos ajudam a melhorar constantemente o trabalho que fazemos na Redação. Também recebemos sugestões e comentários que acabam virando reportagens, e dos quais só ficamos sabendo graças a esse contato permanente com nosso público – diz ela.

O Facebook de ZH é isso: um lugar para nos aproximarmos do leitor, para debates e para informação. Mas chega de só nós falarmos! Deixo aqui que alguns leitores registrem suas impressões.

Gelson Blanco – Parabéns à equipe. Através da ZH no Face, já tive meu comentário publicado na edição impressa. É muito bom fazer parte desta equipe e deste jornal!

Lorena Kunz – Eu até fui entrevistada e minha foto foi publicada na ZH dominical como curtidora assídua. Valeu Zero Hora, e vamos em frente…

Edson Lino – Parabéns a toda a equipe. Eu sou de Campos dos Goytacazes (RJ) e gosto das publicações. Continuem assim.

Críticas antagônicas sobre o tal do pibão

15 de março de 2014 1

 

martha gleisch

Todo editor de economia já ouviu esta: reportagens, títulos e manchetes positivas ou negativas são capazes de abalar o mercado. Se um jornal forçar a mão e só publicar notícias positivas de economia, empresários, lojistas, autônomos, empresas, enfim, todo os negócios ficam num clima para cima e isso é capaz de agitar a atividade econômica da comunidade. Se, por outro lado, um jornal escolher, por um erro em sua linha editorial, publicar só notícias negativas nesta área, tende a deprimir o mercado.

Essa conversa, que chega a qualquer redação, coloca poder demais nas mãos dos jornalistas. O jornal tem tanta influência assim na atividade econômica? Em termos. Pessoalmente, acredito que o mercado se regula, e que o jornal não determina os rumos da economia, como dizem alguns. O que eu acredito mesmo é que o jornal tem de publicar o que acontece, independentemente de ser positivo ou negativo. Caso contrário, como o leitor vai confiar no que está escrito?

Exemplifico com episódios da última semana. Na segunda-feira, o governador Tarso Genro anunciou, na Expodireto, que o PIB gaúcho seria um pibão: algo entre 6,6% e 6,8%. Demos de manchete. Afinal, o governador não é uma fonte qualquer, é uma fonte das mais importantes. Mas mantivemos um “pode” na manchete, porque era uma previsão, e não o número final. Boas notícias têm que ser comemoradas, têm que ser manchete, a economia do Rio Grande do Sul dá um salto, e o jornal tem, sim, responsabilidade de publicar títulos bons quando os fatos sustentam (vivem nos acusando de sermos urubus e só buscarmos notícias negativas, não é?).

Manchetes da semana: ZH impressa de terça e quinta (primeira e última imagem) e a capa do site na quarta (imagem do meio):

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Na quarta-feira, veio o número oficial: 5,8%. Nossa manchete no site durante o dia foi “Abaixo do previsto por Tarso, PIB sobe 5,8%”. Lembramos que o governador havia antecipado um número maior. Recebemos críticas por sermos caranguejos, puxar para baixo, em vez de comemorar o grande pibão. Sim, 5,8% é um grande pibão. No mesmo dia, saiu a previsão de safra recorde. Outra baita notícia para quem torce pelo Rio Grande. No jornal do dia seguinte, nossa manchete foi duplamente positiva: safra recorde e forte avanço do PIB.

Não deixamos de mencionar, na reportagem e na coluna da Rosane de Oliveira, a antecipação mais otimista do governador. Também não deixamos, na quinta e na sexta, de contar os bastidores desta antecipação: por que e como Tarso disse o que disse. As reportagens igualmente não ignoraram a base sobre a qual se assenta este pibão, que é o desempenho de 2012, de uma queda de 1,4% na atividade econômica. Mas, faço uma autocrítica: talvez pudéssemos ter destacado melhor esta informação nas páginas.

Assim como houve quem nos criticasse por ser caranguejo e puxar para baixo, lembrando o anúncio precipitadamente otimista do governador, houve quem dissesse que aderimos ao governo porque embarcamos na previsão dos 6,6% a 6,8% feita por ele.
Zero Hora foi bem nesse assunto? Acredito que nossos leitores reconhecem que procuramos mostrar o que aconteceu, sem esconder nada, ouvindo todos os lados e opinando nos espaços adequados. Tentamos, evidentemente, valorizar o crescimento econômico do Estado. Como não valorizar? Moramos todos aqui, queremos o desenvolvimento das nossas comunidades e acreditamos que as boas notícias contribuem para isso.

 

Caricatura de Gilmar Fraga está na Mostra de um ano do Pontificado do Papa Francisco

13 de março de 2014 1

reproduçãoA caricatura do Papa feita pelo ilustrador Gilmar Fraga integra a exposição “O Papa Sorriu” que abre nesta sexta-feira (14), às 19h, no Museu de Arte Sacra de São Paulo. A mostra reúne desenhos de cartunistas brasileiros e estrangeiros retratando o primeiro Papa latino-americano.

A caricatura foi criada para a coluna Sentenças, da editoria de Opinião de Zero Hora, publicada em 21 de julho de 2013,

A Mostra de Cartuns  marca o primeiro ano de pontificado do Papa Francisco.

A ideia de homenagear o Papa Francisco com cartuns surgiu quando o presidente da ACB, José Alberto Lovetro, percebeu que os cartunistas haviam captado o “bom humor” do pontífice,  durante a viagem que ele fez ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, realizada na cidade do Rio de Janeiro em julho do ano passado.

A exposição “O Papa Sorriu” fica no MAS até final de abril e tem entrada gratuita aos sábados.

A embaixada do leitor na Redação

08 de março de 2014 0

carta-da-editora1

Barbara Nickel, da editoria do Leitor, avisou na sexta-feira que, dentro de poucos dias, o Facebook da Zero Hora alcançará a marca de 1 milhão de curtidores. “Estamos com 965 mil neste momento e, como o ritmo é muito intenso, deve acontecer na próxima semana”, disse ela. “Podemos dizer que estamos formando uma comunidade de quase 1 milhão de amigos no Facebook.”

Diego Vara
Com oito integrantes, a editoria coordenada por Barbara tem no acompanhamento de redes sociais somente uma de suas muitas tarefas junto ao público. A equipe também é responsável por receber e responder às contribuições por telefone, e-mail, redes sociais, editar a página Do Leitor que sai na edição impressa todos os dias, identificar assuntos que possam gerar pautas para o jornal e estimular de forma constante o engajamento e a interatividade, como o recebimento de fotos, opiniões ou informações.
O crescimento acelerado de curtidores no Facebook não é o único fenômeno identificado pelo time: há um decréscimo no número de e-mails recebidos, e isso não significa que vocês, leitores, estão escrevendo menos para nós. A instantaneidade das redes sociais está substituindo o e-mail, assim como o
e-mail substituiu as cartas. Curiosidade: ainda recebemos cartas pelos Correios – algumas delas datilografadas, outras caprichosamente escritas à mão –, mas  são cada vez mais raras.
“O grande desafio da editoria”, avalia o jornalista Stefano Souza, “é dar voz a todo tipo de opinião”. “Trabalhamos para construir um diálogo com as pessoas, agregando as contribuições e críticas que melhorem nosso trabalho.” Nas redes sociais, que são sua especialidade, Stefano tem como meta principal o compromisso de tornar os perfis de ZH canais de amplo debate e discussão. Os comentários são um espaço de diálogo permanente, nos quais pessoas que não se conhecem passam a conversar. “Como o fluxo de mensagens é muito grande, os próprios leitores começam a responder uns aos outros”, comenta a jornalista Leila Endruweit.
Para trabalhar na editoria, os profissionais precisam ter, muitas vezes, paciência. “Nas redes sociais, às vezes, os leitores não se dão conta de que estão conversando com pessoas do outro lado da tela: não temos problemas para aceitar críticas, mas somos alvo também de xingamentos e ofensas”, relata Barbara. Outro ponto é que, no desespero ao não ter seu problema resolvido junto a empresas ou órgãos públicos, o cidadão procura o jornal em busca de uma solução. “Precisamos ter jogo de cintura, porque nem sempre é fácil explicar ao leitor que um assunto muito importante para ele não é de interesse de todos, e sim um problema particular.” Um leitor recentemente ligou para perguntar o que deveria fazer com uma caixa de leite estragado. Outro pediu ajuda com o controle remoto, em busca da programação da TV fechada.
Como um canal que aproxima a Redação de seus clientes e vice-versa, a editoria do Leitor é uma embaixada do público dentro do jornal, trazendo aos editores questionamentos, contribuições, críticas, sugestões e muito debate, para que ZH tente fazer um jornal cada vez mais adequado a seus leitores e leitoras.

Os bastidores de uma discussão ética

01 de março de 2014 2

cartadamarta

No início da semana passada, meus colegas Nilson Vargas, editor-chefe do jornal, e Carlos Etchichury, editor de Polícia, debateram entre eles e comigo, por e-mail, uma questão ética. Achei interessante revelar o diálogo aos leitores. A conversa começou num questionamento feito na segunda-feira por Nilson: “A matéria do menino Maurício (Maurício Luan Maciel de Oliveira, que ficou tetraplégico em 2011 após levar um tiro numa discussão de trânsito) comoveu e mobilizou. Ele está recebendo ajuda. Pessoas ligam para ajudar. Pessoas choraram ao ler a história dele. Mas por que contamos a história dele e não a história de outros tantos injustiçados, pessoas com sequelas, abandonados pela sorte por aí afora? O que fez desta uma história a merecer tanto espaço? Havia uma razão ou desequilibramos a balança ao contar esta, sabendo que não conseguiremos contar tantas outras?”.

reproduçãoEtchichury, o editor responsável pela reportagem, respondeu: “Decidimos publicar esta matéria porque o repórter José Luís Costa teve acesso a uma história comovente, de um menino que ia conhecer um parque de diversões e, em função de uma discussão banal de trânsito, acabou baleado na coluna. Então, aos 11 anos, o garoto, que sonhava em ser goleiro do Grêmio, foi condenado a passar o resto da vida numa cama, na extrema pobreza. Para piorar, o autor do disparo continua em liberdade, sem ter sido julgado. Precisa mais? Temos de pensar diferente. Histórias assim oxigenam o jornal, humanizam, saem da curva numa editoria como a Polícia. Olha a energia que geramos, o impacto social desta matéria, pautamos o debate, mobilizamos o Grêmio, que levou quatro atletas para visitar o menino. Eu acho que acertamos a mão”.

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Veio a tréplica do Nilson Vargas: “Bom que ajudamos. Mas é um enredo conhecido. Uma matéria sobre alguém com dificuldades, uma onda de solidariedade, uma segunda matéria mostrando a onda de solidariedade. Quantas podemos fazer dessas? Centenas. E de certa forma somos até injustos em fazer com um ou dois e não fazer com milhares. Todos terão um detalhe, uma sutileza para defender que sua história vire matéria e gere onda de solidariedade. Precisamos refletir sobre isso e sobre o nosso papel”.

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O debate expõe o tipo de decisão ética que jornalistas tomam todo dia numa Redação. É justo, é correto, escolher este caso (e não tantos outros) para contar? Que consequências estão por trás de cada escolha de um entrevistado, de uma pauta, de uma edição maior ou menor?

Na minha opinião, a reportagem pode ter beneficiado o menino Maurício – que bom! –, mas ela também pode ter servido para despertar no leitor gestos nobres, como ser solidário, comportar-se de forma pacífica no trânsito, olhar para o lado para ver quem está precisando de ajuda perto de nós. Pode ter feito o leitor refletir sobre justiça, miséria, sistema de saúde, sonhos interrompidos, a doação de uma mãe, a violência que ceifa a vida de adolescentes. Se isso aconteceu – e jamais saberemos em que grau pode ter ocorrido –, cumprimos nosso papel.

Copa do Mundo: Zero Hora é contra ou a favor?

22 de fevereiro de 2014 12

martha gleisch

A menos de quatro meses do início dos jogos, o assunto Copa do Mundo está mais quente do que nunca. Os sentimentos e o debate em relação ao tema se exacerbaram. Rodrigo Muzell, nosso editor de Copa do Mundo, traduz este clima na reportagem de capa desta edição, sobre os humores relacionados ao Mundial. No anúncio do Brasil como sede, tudo foi festa. A partir dos protestos de junho do ano passado, manifestações contra o Mundial surgiram com força em parte da população. Autoridades e governos procuraram descolar sua imagem do Mundial. Com obras caras e atrasadas, sem falar no impasse das estruturas temporárias, o alento vem só da Seleção: Felipão é a esperança da Copa no Brasil.

Neste cenário, qual a posição de Zero Hora? A resposta em uma frase: a direção do Grupo RBS é favorável, os colunistas têm as opiniões mais diversas e as reportagens não têm lado, mostram os fatos.

Vamos por partes. Primeiro, a opinião da empresa. Nilson Souza, editor de Opinião do Grupo RBS, responsável pela equipe que escreve os editoriais de Zero Hora, resume: “O jornal apoia a Copa, mas estimula que a população fiscalize os gastos”. Nos 13 editoriais já escritos em 2013 e 2014 sobre o tema, destacam-se frases como: “É legítimo que as pessoas cobrem rigor e transparência nos gastos com as obras da Copa, especialmente naqueles que envolvem recursos públicos. Da mesma maneira, devem ser consideradas perfeitamente democráticas as manifestações contrárias ao evento esportivo, muitas delas geradas por pessoas e organizações sociais que reclamam investimentos em áreas essenciais como saúde e educação”. Outra dos editoriais: “A Copa já não é mais apenas um compromisso dos governantes que estão no poder… O Mundial passou a ser uma responsabilidade de todos os brasileiros. Não há mais como voltar atrás. E seria mesmo uma insensatez interromper tudo o que está sendo feito para o grande evento esportivo, incluindo-se aí obras de infraestrutura em diversas cidades… Vai ter Copa, sim! O Brasil não pode passar por um vexame histórico diante da comunidade internacional, principalmente neste momento em que busca investimentos externos para retomar o desenvolvimento econômico”.

Já os colunistas do jornal têm opiniões diversas. Um dos mais lidos, Paulo Sant’Ana, é radicalmente contra a realização do Mundial. Desde o anúncio do evento. Na última semana, publicou em sua coluna: “Se eu fosse prefeito de Porto Alegre, influenciaria para que esta Copa do Mundo fosse jogada na Cochinchina, não aqui. Cá para nós, qual a vantagem para um milhão e meio de porto-alegrenses que a Copa seja jogada em nossa cidade? Meia dúzia de jogos sem o Brasil? Isso é uma besteira”.

Outros colunistas discordam de Sant’Ana. Diogo Olivier sempre foi favorável, e segue assim: “Perder a Copa a esta altura do campeonato seria o maior fiasco do novo milênio para o Rio Grande do Sul”, escreveu recentemente. Wianey Carlet era contra, mas ultimamente tem dito que agora não adianta mais reclamar. Martha Medeiros não é contra a realização da Copa. David Coimbra é do time que apoia: “A Copa do Mundo é uma festa. E as pessoas precisam de festas em suas vidas”.

Por isso, se alguém pergunta qual a posição de ZH sobre a Copa, a resposta é: a empresa é favorável. Os colunistas têm toda a liberdade para expressarem suas opiniões, coincidindo ou não com a opinião da empresa. Esta pluralidade é saudável e estimulada. E as reportagens não devem ter lado: refletem o que acontece, como nos textos que você confere na edição dominical na editoria de Esportes.

O futebol, muito além das quatro linhas

15 de fevereiro de 2014 8

martha gleisch

Quando joga luzes sobre episódios obscuros para grande parte do público, um jornal está cumprindo um dos seus principais papéis. Em muitas reuniões aqui na Zero Hora, editores costumam dizer “temos de enxergar além dos muros” ou “os bastidores de uma boa história sempre são interessantes, mesmo que a gente os conte tempos depois”. Na edição dominical, uma reportagem especial e uma entrevista revelam a nossos leitores detalhes que ninguém, até agora, contou: o papel da presidente Dilma no desenlace do imbróglio da Andrade Gutierrez no Beira-Rio e a frustrada negociação que traria Ronaldinho de volta ao Olímpico, no verão de 2011, um episódio traumático na conturbada relação entre o jogador e a torcida gremista. Em uma entrevista com Assis, um personagem tão escorregadio quanto polêmico, Zero Hora pôde perguntar o que muitos torcedores gostariam de saber sobre o caso.repórteres de Zero Hora

 

Leandro Behs e Leonardo Oliveira, cada um com 18 anos de jornalismo esportivo, durante mais de um ano acompanharam o arrastado contrato de parceria do Beira-Rio com a Andrade Gutierrez, para reconstrução do estádio. Foram incontáveis turnos de plantão, em pé, diante da porta de vidro que dá acesso ao setor administrativo do clube, na Avenida Padre Cacique. “Naqueles plantões infindáveis, me corroía a curiosidade de saber o que era conversado dentro das salas. Queria saber como a presidente havia virado aliada do Inter. Havia uma grande história a ser contada”, diz Leonardo. Com excelentes fontes cultivadas no clube ao longo dos anos, ele e Leandro não desistiram, até convencerem pessoas que estiveram no centro das negociações a revelar, tintim por tintim, o que realmente se passou dentro dos gabinetes da construtora, do Inter e do Planalto, em idas e vindas que, por muitas vezes, colocaram sob ameaça a Copa no Estado.

Assis, entrevistado pelos experientes Luis Henrique Benfica e Jones Lopes da Silva, revela, após três anos, a versão da família Assis Moreira sobre o polêmico episódio volta-não-volta Ronaldinho.  Benfica, 40 anos de jornalismo, e Jones, há 36 anos na profissão, têm a experiência necessária não só para obter a entrevista, mas para fazê-la sem deixar de perguntar tudo aquilo que os gremistas sempre quiseram esclarecer.  Souberam ouvir Assis, mas também apontar suas contradições. O empresário é um personagem e tanto: ao mesmo tempo em que afirma não se incomodar em ser o “bode expiatório”, ele começou a conversa com os repórteres disparando contra a imprensa: “Falaram de tudo, disseram as maiores besteiras”.

Os dois temas extrapolam em muito as linhas que delimitam os campos de futebol: o esporte, por sua dimensão e interesse, é muito mais do que bola rolando. Envolve arranjos políticos, negócios, poder, dinheiro, em histórias que repercutem, muitas vezes, muito mais do que as próprias partidas