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Posts na categoria "Carta do Editor"

Marta Gleich: boa noite, celular

22 de novembro de 2014 0

marta gleich

Nove de novembro representou um dia emblemático na mudança de comportamento dos leitores de Zero Hora. Pela primeira vez, mais usuários acessaram o site de ZH pelos smartphones do que pelos computadores. E daí? Daí que provavelmente você tem um smartphone e não desgruda dele nem para dormir. Acorda com o alarme (onde foi parar aquele despertador que você usava do lado da cama?) e corre para checar o Facebook e o WhatsApp, ver as notícias, a previsão do tempo, abrir os e-mails. É só o início de uma jornada você-e-ele, ele-e-você, que dura – se a bateria resistir – até a hora de voltar para a cama. A última coisa antes de dormir, depois de dar um beijo nos filhos, no marido ou na mulher é… dar boa noite para o celular, checando as informações de novo.

Uma pesquisa divulgada em outubro no Reino Unido, com 2 mil usuários, revelou que eles consultam o celular 221 vezes, em média, por dia, num total de três horas e 16 minutos dedicados ao aparelho. Que loucura! O que é mesmo que a gente fazia nessas três horas quando o celular não tinha acesso à internet? Daqui a pouco, os bebês vão nascer com um celular na mão. Em vez de a gente dizer “Olha, é cabeludinho!” ou “Tem o nariz do papai!”, vamos comentar “Este nasceu com um iPhone 6, o sortudo!”. Sem brincadeiras, o smartphone está mudando a forma de consumir notícias, informações e serviços e muito mais – suas câmeras de vídeo e foto devem estar guardadas há horas em algum lugar (e, como acumula funções, vem aumentando não só de preço, mas de tamanho, como mostra reportagem nas páginas 30 e 31).

Ok: o dia 9 de novembro, quando registramos mais tráfego vindo de mobile do que de computadores, foi especial, porque era domingo de Gre-Nal. As pessoas estavam na rua ou no estádio e consultaram muito as notícias do jogo pelo celular. Mas os números mostram que, na média mensal, com ou sem Gre-Nal, uma em cada três visitas a nossos conteúdos digitais já vem de smartphones. E a curva aumenta vertiginosamente. Ou seja, estamos trocando o computador de mesa ou o laptop pelo celular. Em alguns países mais desenvolvidos, mais de 70% da consulta aos sites de jornais vem de smartphones. – Temos garantido o lançamento de todos os produtos digitais de ZH tanto para mobile quanto para computadores – diz o diretor de Produtos Digitais do Grupo RBS, Antônio Coelho – e os exemplos mais recentes são o minuto a minuto, o Gremista ZH e o Colorado ZH.

O mobile, segundo Coelho, é um canal mais “pessoal”, com maior acesso à noite e nos finais de semana. O computador é o canal “corporativo”, com maior acesso em horário comercial e em dias úteis. Estamos atentos a essa mudança veloz de comportamento. E adaptando, de forma constante, a entrega de notícias, informações, serviços e entretenimento a você, para que possa ler a sua ZH onde estiver, como quiser. Não por acaso, em maio, quando o jornal completou 50 anos, mudamos a assinatura da marca para “ZH. Papel. Digital. O que vier.”

*

Quando um assunto toma conta do noticiário, montamos na Redação uma força-tarefa: um time reforçado de jornalistas para tratar somente daquele tema. Foi o que fizemos, sob o comando da editora Dione Kuhn, desde que veio à tona a sétima – e até agora a mais impactante – etapa da Operação Lava-Jato. Desde domingo passado temos um repórter em Curitiba acompanhando as movimentações na Superintendência da Polícia Federal. Nossa Sucursal de Brasília está focada só no assunto. Os colunistas, especialmente Rosane de Oliveira, dedicam amplos espaços ao tema. A cobertura, como mostra a edição deste domingo, não só registra os fatos, mas analisa depoimentos, inquéritos e contratos, aprofunda a questão com entrevistas e análise. Ampliamos os espaços no jornal impresso e nas plataformas digitais para os desdobramentos das investigações. Sem precedentes na história do país, a operação contra a corrupção tem reflexos diretos na economia e na política – e, ao que tudo indica, ainda vai ocupar muitas e muitas páginas.

Carta da Editora: Prioridade à educação

15 de novembro de 2014 1

marta gleich
Há mais de dois anos, depois de campanhas como Crack nem Pensar ou O Amor é a Melhor Herança, o Comitê Editorial da RBS tomou uma decisão. Educação é a bandeira permanente e única do grupo, embora de forma isolada cada jornal, rádio ou TV possa realizar campanhas por temas locais.

Conscientes de que a solução dos mais relevantes problemas brasileiros, como desenvolvimento econômico, segurança, saúde ou qualidade de vida, passa obrigatoriamente por educação, a RBS lançou A Educação Precisa de Respostas e o Prêmio RBS de Educação – Para Entender o Mundo, que está em sua segunda edição (ainda não votou no melhor projeto de incentivo à leitura? Vote aqui). Engajados à campanha, os mais de mil jornalistas da empresa, em cada uma das redações dos jornais, rádios e TVs, passaram a dar prioridade a pautas ligadas ao assunto.

Na quarta-feira, comemoramos muito na Redação um dos resultados deste trabalho: Zero Hora ganhou o prêmio Esso – categoria Regional Sul – com a reportagem “Lições da Turma 11F”, da repórter Letícia Duarte e do fotógrafo Félix Zucco, publicada em dezembro passado. Se você perdeu, recomendo dedicar um tempinho do seu fim de semana e ler.

lezucco 2

Durante todo o ano de 2013, a dupla frequentou a sala 106, de uma turma de primeiro ano do Ensino Médio do Julinho, um dos mais tradicionais colégios do Estado. A cada trimestre, Letícia e Zucco assistiam às aulas de uma semana inteira. A tática jornalística de se misturar ao ambiente até que a presença dos repórteres não seja mais um corpo estranho ao grupo permitiu que desvendassem os porquês das desanimadoras estatísticas da educação no país e no Estado.

Confirmando os números de relatórios sobre o ensino, um em cada 10 alunos da turma ao longo do ano desapareceu dos bancos. Tudo isso em uma escola em que é comum sete docentes faltarem por dia no turno da manhã – o equivalente a 18% do total. E por aí andaram as revelações, em uma reportagem que provocou muito impacto e debate na sociedade.

Zero Hora tinha cinco trabalhos como finalistas do Prêmio Esso, e dois deles eram ligados à educação. A reportagem sobre a turma 11F e “A Luz de Ler”, de Juliano Rodrigues e Mauro Vieira, sobre a alfabetização de adultos na zona rural, no primeiro assentamento de sem-terra no sul do Brasil. O reconhecimento vindo do mais importante prêmio jornalístico do país só reforça, na Redação, nosso compromisso de manter a educação como assunto prioritário em Zero Hora.

 

PrOA em Prosa estreia na Unisinos com exibição de filmes e debate

12 de novembro de 2014 0

proa

As conexões do cinema e literatura estarão em debate nesta quinta-feira na Unisinos.  Com a exibição de dois filmes, debate e lançamento de livros, ocorre nesta quinta-feira (13) a primeira edição do projeto PrOA em Prosa, promovido pelo caderno PrOA de Zero Hora em parceria com a Unisinos. O evento, aberto ao público, será na sala Santander do campus Porto Alegre da Unisinos (Av. Luiz Manoel Gonzaga, 744), às 15h, com mediação da jornalista Cláudia Laitano.

Jefferson Botega

As conexões entre cinema e literatura serão abordadas após a exibição do longa Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes, do diretor e professor da Unisinos, Bruno Polidoro, e Cacá Nazário, sobre Caio Fernando Abreu, e do curta Se Esta Lua Fosse Minha, do aluno do Curso de Realização Audiovisual (CRAV) da Unisinos Pedro Gossler, premiado no Festival de Cinema de Gramado e pelo Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

Além dos diretores dos filmes, participam do painel o coordenador do CRAV da Unisinos, Milton do Prado, e o jornalista Nei Duclós, autor do livro Todo filme é sobre cinema. Ao final do debate, será realizada uma sessão de autógrafos com Ramiro Bicca Junior, autor do livro São Coisas Nossas – Tradição e Modernidade em Noel Rosa e Nei Duclós, autor da obra Todo Filme é sobre Cinema.

 

Bastidores: repórter canadense conta experiências de investigação

11 de novembro de 2014 0

A repórter canadense Isabel Vincent visitou nesta terça-feira (12) a Redação de Zero Hora, acompanhada do cônsul honorário do Canadá, Eric Dorion. Durante uma hora, ela conversou sobre jornalismo com o Grupo de Investigação de ZH,  mediada pelo editor Rodrigo Lopes. Entre outras curiosidades, a repórter do The New York Post falou sobre técnicas de investigação, livro-reportagem e o mercado de jornais de Nova York.

Ricardo Duarte

Isabel cobre assuntos de corrupção política para o tabloide nova-iorquino. Muitas de suas histórias levaram a investigações estaduais e federais. Seu relato sobre o congressista do Harlem Charles Rangel resultou em seu afastamento como presidente do poderoso Comitê de Meios do Congresso americano. Pelas suas reportagens sobre o Caso Rangel, a repórter foi indicada ao Prêmio Pulitzer.

Na conversa, a jornalista contou bastidores de seus livros, entre eles Gilded Lily: Lily Safra, a Formação de uma das Viúvas mais Ricas do Mundo (Harper, 2010).

Isabel venceu inúmeros prêmios de  jornalismo investigativo. Seu livro, See No Evil (Uma Questão de Justiça) documentou o sequestro de Abílio Diniz, em 1989. O relato sobre o caso lhe rendeu o Prêmio de Jornalismo Investigativo da Associação Canadense de Jornalistas. Ela também ganhou o prêmio Jewish Book Award for Bodies and Souls sobre o tráfico de pessoas no Brasil e na Argentina. Vincent é ex-chefe para a América Latina e África do jornal canadense The Globe and Mail. Seu trabalho já foi publicado nas revistas do The New York Times, New Yorker, Time, Marie Claire, L’Officiel (Paris), entre outras publicações internacionais.

Ricardo Duarte

De 1991 a 1995, Isabel trabalhou no Rio de Janeiro como editora-chefe da sucursal da Revista América Latina. Durante este período, foi uma dos finalistas do Prêmio Nacional de Jornais pela cobertura da guerra contra os traficantes de drogas nas favelas do Rio de Janeiro. Em 1993 ela foi premiada com uma citação pela Associação de Imprensa Interamericana pela cobertura jornalística do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, no Peru.

Ela vive atualmente em Nova York.

Carta da Editora: talentosos artistas

08 de novembro de 2014 0

marta gleich Leo Natsume desenha com as duas mãos ao mesmo tempo, e com perfeição. É conhecido por seus retratos hiper-reais, produzidos com canetas esferográficas pretas ou azuis. Para fazer um retrato, chega a utilizar 32 canetas e dedicar dois meses a apenas um trabalho. Não acredita?  Eu também não acreditava. Confira o vídeo:

leo

No mesmo tom das canetas Bic azuis, pintou uma mecha do cabelo, na maior parte das vezes escondida sob o fone branco Sony com que trabalha ali no departamento de Arte da Redação de Zero Hora. O Leo, para mim, é um guri genial. Um talento incomum, que se soma a outros destacados ilustradores, cartunistas, infografistas e artistas de ZH: Leandro Maciel, Gilmar Fraga, Fernando Gonda, Eduardo Uchoa, Edu Oliveira, Gonza Rodriguez, Gabriel Renner, Guilherme Gonçalves, Fernando Monteiro, Michel Fontes. Temos a sorte de contar com profissionais diferenciados na nossa Arte, todos eles muito premiados.

Na última semana, Leo ganhou – de novo, já está ficando repetitivo isso! – mais uma distinção na badalada plataforma Behance. Quem é designer, artista, publicitário etc sabe o que é: uma rede social e uma das maiores plataformas do mundo de portfólios para profissionais criativos. Ali é possível embedar vídeos, animações e customizar apresentações de portfólio de diversas áreas: design, webdesign, publicidade, editorial, fotografia, entre outros. Confira todos os trabalhos do Leo na plataforma Behance. É o quinto reconhecimento. Desta vez, foi por dezenas de ilustrações desenvolvidas para o caderno Vestibular – abaixo, você confere Caetano, Machado de Assis e Gil.

leo 2

Temos muito orgulho de apresentar aos nossos leitores trabalhos dessa qualidade. Ilustração, arte, caricatura e infografia – somente nesta edição temos três infográficos, da Fórmula-1, do Gre-Nal e dos caças suecos – são parte importante de um jornal, tanto quanto textos ou fotos.

Mostra Rede Social de Fotografia estreia no prédio da RBS

06 de novembro de 2014 0

Com 20 retratos de personalidades gaúchas, a Mostra Rede Social de Fotografia estreia nesta segunda-feira na sede do Grupo RBS, em Porto Alegre. A exposição comemora o primeiro ano da coluna Rede Social, da jornalista Fernanda Pandolfi. A exibição, uma parceria de ZH e Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, conta com fotos de Andréa Graiz, Adriana Franciosi e Carlos Macedo e vai até o dia 16 de novembro.

Lúcia Pires

Cedidas por ZH e pelos fotógrafos do jornal, as imagens foram publicadas ou fazem parte de ensaios produzidos ao longo do ano pela coluna. São retratos de momentos especiais de gente como Dado Bier, Scheila Vontobel, Karina Johannpeter, Carla Tellini, Karina Johannpeter, Cesar Paz, Ana Luiza Ferrão.

Lúcia Pires

As fotografias serão vendidas e a renda líquida da ação será revertida integralmente ao Instituto Inamex, de Porto Alegre, que há mais de 37 anos presta assistência para pessoas com deficiência. As imagens foram expostas pela primeira vez em evento comemorativo ao aniversário de um ano da coluna, realizado na noite de terça-feira, no Le Bistrot Gourmet, na Capital.

Lúcia PIres

A exposição pode ser visitada entre as 8h e as 20h na Avenida Erico Verissimo, 400. Para comprar as fotos, entre em contato pelo telefone (51) 3218-4399.

Sobre a coluna Rede Social

A coluna Rede Social mostra diariamente tudo o que ocorre na vida cultural e social. Com foco nos principais eventos e novidades em áreas como tendência, gastronomia, moda, música e comportamento, o projeto envolve a coluna impressa, o blog de mesmo nome em zerohora.com e a cobertura nas redes sociais.

 

Gremista ou colorado?

01 de novembro de 2014 3

marta gleichVocê conhece algum Estado em que a população seja tão apaixonada por seus times como o Rio Grande do Sul? Eu, não. Seria exagerado dizer que quem não se identifica com um dos times  da dupla Gre-Nal não é gaúcho, mas é quase isso. Você sabe do que estou falando. A criatura nasce e já a embrulham na bandeira, ops, no tip-top de um dos times!

Neste cenário de altíssimo interesse pelo assunto, nada mais natural que Zero Hora se especialize, cada vez mais, na cobertura de Grêmio e Inter. É por isso que, desde a última terça-feira, a cobertura digital dos dois times está de cara nova em ZH. Foram lançados os novos sites, mobile sites e aplicativos Colorado ZH e Gremista ZH, para que o público tenha a melhor experiência de informações da Dupla.

– Queremos entregar uma navegação mais rica e integrada em todos os dispositivos e reforçar o valor da dupla Gre-Nal dentro de ZH. Nos novos sites e aplicativos, entregamos mais conteúdo de serviço, tentando entender o que o torcedor quer saber um dia antes do jogo, na data da partida e também no dia seguinte. Ampliamos a cobertura para assuntos mais leves e com foco no humor, além da opinião dos colunistas e das informações habituais de treinos, jogos e bastidores dos clubes – explica Débora Pradella, editora digital de Esportes.

– Esse lançamento marca uma nova etapa nos produtos digitais na ZH. Ao reformular toda a plataforma digital sobre a Dupla, desenvolvemos internamente tecnologias e interfaces que permitem a entrega de uma experiência mais rica e com usabilidade consistente em todos os dispositivos que o torcedor possa utilizar, como computadores, tablets ou smartphones, seja via navegadores web ou aplicativos exclusivos para Android e iOS – diz Antonio Coelho, diretor de Produtos Digitais do Grupo RBS.   dupla Os produtos estão em beta, ou seja, foram lançados numa versão ainda sem todas as funcionalidades, para que os consumidores utilizem, avaliem e opinem sobre os sites e os aplicativos. Com base nesse retorno, ZH fará melhorias contínuas. Dê uma navegada e envie suas impressões por meio da pesquisa na capa do site do seu time!

Você pode avaliar, por exemplo, se foi boa a decisão de colocar a central de jogos em destaque, assim que o usuário entra no site, com informações das partidas do seu time em tempo real. Ou se funciona melhor o player de vídeos, especialmente no celular. E, ainda, se gostou da possibilidade de receber pushs em seu smartphone para secar o time rival.

Como qualquer produto em beta, vêm aí novidades, em breve. Na central de jogos da capa, haverá um número maior de partidas disponíveis e mais informações sobre o jogo. Na lista de notícias, que permite o acesso rápido a todos os assuntos, o leitor ganhará a possibilidade de marcar os conteúdos, para ler mais tarde quando retornar ao site. A ideia é que o Gremista ZH e o Colorado ZH tenham melhorias contínuas.

Até agora, 83% das pessoas que responderam à pesquisa na capa dos sites disseram que conseguiram encontrar o que procuravam com mais facilidade. Segundo os torcedores, “Design” foi o atributo que mais se destacou, seguido da opção “Bah, tudo! Ficou show de bola”. Na sequência: notícias em formato de timeline, organização das informações e central de jogos.

Se você ainda não conferiu os novos sites, acesse zh.com.br/gremio e zh.com.br/inter. No smartphone, os apps estão disponíveis para Android e iOS. Quem já tinha os aplicativos antigos só precisa atualizar para a nova versão. Quem ainda não tem pode baixar na Google Play ou na App Store.

Os próximos debates

25 de outubro de 2014 3

marta gleich

 

Ninguém tem bola de cristal para cravar como serão as capas dos jornais brasileiros nesta segunda-feira, com o resultado das eleições presidenciais e das eleições estaduais onde há segundo turno. Ainda mais depois de alguns erros dos institutos de pesquisa registrados no primeiro turno. Mas uma coisa é certa: tanto no Brasil, quanto no Rio Grande do Sul, haverá, nas próximas semanas, muitas reportagens, análises e opiniões sobre o que fazer com um país bastante dividido em relação à escolha de seu presidente e, para nós, gaúchos, em relação à escolha de seu governador. Ainda mais em cenários de desafios como a volta do crescimento da economia no Brasil ou a impagável dívida estadual, dois atoleiros gigantescos. Esses assuntos estarão nos próximos debates.

Conversando com editores de outras redações de jornais brasileiros na última semana, o que mais ouvi foi “não vejo a hora de terminar esta eleição” e “há muito tempo não via uma eleição assim, tão estressante”. A sensação dos jornalistas não é diferente do sentimento dos demais cidadãos.

Esta foi uma eleição desgastante, pela crescente intolerância com a opinião do outro em redes sociais, pelo fim de amizades antigas só porque “ele não vota no mesmo em quem eu voto”, pelo baixo nível dos ataques entre os candidatos, por uma propaganda que muda de rumo não pela convicção do político, mas pela determinação dos marqueteiros, pelos acontecimentos absolutamente inesperados – o maior deles a morte de Eduardo Campos e a ascensão e queda de Marina. Ou, aqui no Estado, a ascensão e queda de Ana Amélia e o favoritismo de Tarso sendo ultrapassado por Sartori nas pesquisas. Como reconstruir pontes detonadas por intolerância, por não aceitar o contraditório, pela violência das relações pessoais? Como recuperar-se do desgaste e do cansaço desta eleição? Outro debate daqui por diante.

Em Zero Hora, desde o final da década de 90, temos o firme propósito de cobrir eleições sob o ponto de vista do eleitor: como as propostas dos candidatos impactarão a vida real das comunidades. Ao longo desta eleição, dedicamos, de novo, páginas e páginas a isso. Infelizmente, nem sempre foram as reportagens de maior repercussão. Muito menos nas redes sociais. Mas bastava um acusar o outro na propaganda política ou no debate, para que crescesse o interesse e o compartilhamento nas redes.

Passadas as eleições, não pretendemos arredar pé do nosso propósito. Como jornalistas, acreditamos que a nossa missão, nosso “programa de governo”, depois deste fim de semana, será seguir oferecendo espaço para o debate, não mais das propostas de candidatos, mas da busca de saídas para o Estado e para o Brasil. Nosso compromisso é com quem nos lê, com o cidadão, com o entorno onde atuamos. O leitor, acredito, espera agora de seu jornal um debate plural e de alto nível para que sua vida e a vida de sua comunidade melhorem.

Humor no jornalismo

18 de outubro de 2014 0

marta gleich

Na última semana, dois vídeos feitos com os candidatos a governador José Ivo Sartori e Tarso Genro alcançaram 678.657 visualizações – número apurado até sexta-feira, que segue aumentando. Um fenômeno. Os vídeos são um “aperto” nos dois políticos sobre questões sérias, misturadas com perguntas inesperadas – e até constrangedoras – e uma edição com muitas pitadas engraçadas.
Criado para a cobertura de eleições, o La Urna é uma experiência ousada. Como colocar humor em um assunto árduo e muitas vezes enfadonho como a política? Como fazer piada com candidatos sem passar do tom? O público, pela audiência importante que esses vídeos têm conquistado (os 25 episódios do La Urna somam 1.276.262 visualizações), nos diz que estamos mais acertando do que errando.
Coordenado por Paulo Germano, apresentado também por Gustavo Foster, Marcos Piangers, Arthur Gubert e Marina Ciconet, dirigido por Anderson Fetter e editado por Marcelo Carôllo e Luan Ott, o La Urna comprova algo que se discute em congressos de comunicação mundo afora: o humor no jornalismo é uma tendência, herdada de redes sociais e outros meios digitais. A internet tem humor. A comunicação digital das pessoas tem humor. E o espírito transbordou para o jornalismo.
Os mais conservadores dirão que não é jornalismo. Há controvérsias. Tornar mais agradável e palatável um assunto árduo não é levar informação ao público? Ao questionar de forma mais aguda, irreverente e até desconfortável um candidato, não se acaba extraindo dele aspectos relevantes que ajudam a revelar quem ele realmente é, qual a sua personalidade, ou, até, como reage à pressão, no improviso?
Além dos postulantes ao governo gaúcho, o La Urna sabatinou em vídeo candidatos a deputado. A entrevista com Jardel, uma das campeãs de audiência, foi assistida mais de 500 mil vezes. Em alguns casos, tanto nas entrevistas quanto nas reportagens bem-humoradas, o eleitor pôde conhecer melhor seu candidato. Em outros, pelo menos deu algumas risadas. O que também é necessário. Mas muitas vezes, o La Urna, de forma absolutamente inesperada, fez aquela pergunta que o público quer fazer – e que nenhum jornalista até então teve coragem de questionar. O jornalismo é muito previsível? Os formatos são muito previsíveis?
Internet e redes sociais são um termômetro ótimo para medir a reação do público. Tem gente que adora, tem gente que detesta, tem gente que diz que não deveríamos fazer isso (especialmente quando se trata do seu querido candidato), tem quem diga que devemos fazer mais. Sabemos que o desafio da irreverência é achar o tom adequado, o que significa muitas vezes ir no limite, sem cruzar a linha que separa o respeito do desrespeito. Seja com os candidatos, seja com o público.
Não nos pautamos somente pelo volume de audiência.
Como costumamos dizer na Redação, se esse fosse o único critério de decisão, vídeos engraçados de gatinhos estariam
todo dia na capa do site de Zero Hora. Mas acreditamos que, sim, experimentação de formatos diferentes e uso de humor até em coisas sérias, especialmente nos produtos digitais, passaram a fazer parte da rotina de jornalistas e do público.

Bela vida

11 de outubro de 2014 0

marta gleich

Como será o seu funeral? O tema parece pesado para um fim de semana, mas vou tentar convencê-lo de que não é.

Na segunda-feira passada, a Redação de Zero Hora compareceu à despedida da editora e colunista Maria Isabel Hammes, a Bela, no Crematório Metropolitano. Os leitores acompanharam a coluna da Bela por anos – este lado todos conhecem. O que vou contar aqui não tem a ver com assuntos de economia: trata-se da pessoa por trás da página do jornal.

O funeral da Bela, vencida por um câncer, foi uma lição para as centenas de pessoas que passaram por lá. Uma cerimônia de despedida sempre sintetiza o que a gente foi. E esta mostrou-se particularmente significativa. Bela não estava mais viva em seu corpo. Mas podia-se ver a vida da Bela, sua marca, em cada um dos que lá estiveram. A certa altura, o frei franciscano Luis Fernando Tavares disse:

– Maria Isabel semeava vida por onde passava.

É verdade. O impressionante foi cada um de nós perceber, na despedida, o tamanho da colheita que Bela semeou durante seus 55 anos. Estavam lá empresários, colegas da RBS, ex-colegas, amigos, parentes. Uma massa de gente absolutamente heterogênea e improvável. Paulo Sant’Ana, num pronunciamento ao pé do ataúde, destacou isso.

– Olha isso, Bela! Gente de toda parte!

O grande aprendizado daquele dia foi ver o resultado da obra “Vida de Bela”. Uma bela vida. Cada um tinha uma história em especial para contar. “Bela fez meu chá de fralda.” “Bela foi uma jornalista correta e leal quando tivemos o episódio tal na nossa empresa.” “Bela me encaminhou para um emprego.” “Bela era como uma mãe para mim.” “Bela me alegrava todo dia.” Cuidava tanto de todos, se importava tanto com todos, que se esquecia até de cuidar dela mesma.

Bela surpreendia – e até chocava – pela descontração e simplicidade. Quando o presidente de uma multinacional vinha visitar a RBS, sua assessoria ligava antes e perguntava:

– Mas a Bela vai estar junto na reunião, não é?

Faziam questão. Os mais importantes empresários do país adoravam o jeitão dela. No primeiro minuto, quebrava o gelo e os tratava como se fossem o Zé da Esquina, o compadre de anos. Chamava a todos por tu, puxava um papinho pessoal, dava gargalhada, era simples, era humana. Para quem vive a formalidade das corporações, chegava a ser desconcertante. Era assim do Seu Gerdau à pessoa mais humilde.

Aliás, com Jorge Gerdau Johannpeter havia uma história engraçada. Na Redação, chamávamos um dos mais reconhecidos empresários do país de “Gerdau”. Mas Bela o chamava de “Jorge”. Pronto: virou “Jorge” para a Redação (acho que nem o Jorge sabe disso). Maria Elena Johannpeter, esposa dele e presidente da Parceiros Voluntários, foi uma das primeiras a ligar e oferecer ajuda quando soube que Bela estava doente. Uma das primeiras – de centenas. A casa da Bela e, depois, o quarto do hospital viraram um entra e sai. Ela não podia adoecer. Muito menos morrer.

Ainda tenho, na minha caixa de e-mails, uma mensagem dela do dia 28 de junho, em agradecimento às manifestações de carinho da Redação. Destaco alguns trechos, do jeito que ela escreveu: “Tu acreditas que ainda tô respondendo mensagens de ontem? Elas não param… mas o que eu quero dizer é que daqui um tempo tu já imaginaste o orgulho q ainda mais vamos ter qdo a gente olhar todo esse amor que a gente ajudou a criar, marta? Tu já te deste conta desta redação maravilhosa, cada vez mais, maravilhosa q temos? não só jornalisticamente, mas amor mesmo????????????? acho q. sim, fizemos e estamos fazendo nossa parte”.

Sim, Bela, fizeste mais do que tua parte. Com os leitores, com as fontes, com os colegas. Nos ensinaste simplicidade, humanismo, doação ao outro, amizade, lealdade, profissionalismo, solidariedade, paixão pelo jornalismo. Tua cerimônia de adeus foi uma das coisas mais tristes que já presenciei. Mas foi, também, como era típico teu, uma reflexão, para cada um, do rastro que a gente deixa todos os dias na vida dos outros.