Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts na categoria "Carta do Editor"

Jornalismo em alta

01 de agosto de 2015 0

marta-gleich

Na última semana, Zero Hora estreou o evento “Em Pauta ZH – Debates sobre Jornalismo”.

Você poderá pensar: problema dos jornalistas! O que isso tem a ver com minha vida? E eu respondo: tem muito a ver.
Muito. Jornalismo não é só uma questão que afeta o mundinho de seus profissionais dentro dos limites das quatro paredes de uma redação. O jornalismo – se bem feito, com liberdade de imprensa e profissionais qualificados – fortalece a democracia, desenvolve uma comunidade, assegura voz a todos, capacita o cidadão.

E é por isso que, neste momento em que a comunicação passa por transformações tão profundas, Zero Hora decidiu promover esses debates, na sede da RBS, com transmissão para os quase mil jornalistas da empresa e com convidados especiais: estudantes de jornalismo, professores das universidades da Região Metropolitana e profissionais de comunicação ligados a agências de produção de conteúdo.

A ideia é fomentar o debate, qualificar ainda mais o jornalismo, investir na atividade, trazendo profissionais que se destacam por sua excelência e pela contribuição para a reflexão sobre a atividade. O primeiro evento foi com Leandro Beguoci, editorchefe da F451, empresa que publica o Gizmodo Brasil e a Trivela, e membro do OrbitaLAB, um laboratório de inovação em jornalismo e mídia. ( Se quiser conferir um site especial sobre o evento, veja em zhora.co/empautazh)

Convidamos Beguoci por um texto que publicou recentemente, com grande repercussão em redações, em que ele aponta as grandes oportunidades deste momento da comunicação, desde que o trabalho dos jornalistas realmente seja relevante e tenha impacto em seus públicos. A cada mês, um novo debate será promovido, aprimorando os jornalistas, discutindo como melhorar a qualidade do jornalismo, refletindo como entregar ao leitor um conteúdo de maior relevância e interesse.

Não mate o mensageiro – Nas últimas semanas, profissionais de ZH têm recebido mensagens furiosas de funcionários públicos estaduais, criticando as notícias e opiniões sobre os atrasos e parcelamentos de salários. Entendemos a indignação dos servidores diante das enormes dificuldades que estão enfrentando em suas vidas pessoais ao não receberem em dia. Mas não faz sentido a reação de algumas pessoas, que, ao receberem uma má notícia, se voltam contra quem a publica, como se o jornalista fosse o responsável pelo fato, e não por sua comunicação ao público. Há um provérbio latino que diz “ ne nuntium necare”, ou “ não mate o mensageiro”. Ele só trouxe a informação, não a criou.

Nossos filhos

25 de julho de 2015 0

carta_nilson-300x164

 

O filho arma uma travessura, e o pai decide repreendê-lo. Como? Proibindo-o de ir à escola. Bizarro, inacreditável, mas aconteceu. Não dentro de uma casa convencional, mas num dos abrigos que o poder público mantém na Capital para acolher crianças e adolescentes que este mesmo poder público retirou da família porque viviam sob risco.

A história da garota de 16 anos impedida de ir ao colégio é uma das muitas que a jornalista Adriana Irion conta na reportagem Vítimas de Abrigos. Tem também a da criança reprovada porque frequentou o ano letivo com os documentos do irmão, ou da que ouvia coisas do tipo “o juiz jogou vocês aqui como animais, bandos de loucos que tomam remédios”. Ou, ainda, como descreve a jornalista Fernanda da Costa, na parte final da reportagem, segunda-feira, a do menino violentado por um funcionário que o assediou com frases do tipo: “Eu sei o que teu avô fez contigo, eu sei que tu gosta”.

Cenas que se passaram em locais como o abrigo Quero-Quero, descrito por Adriana Irion como “lúgubre, feio, escuro, úmido, sujo, desorganizado, um lugar que cheira mal”. Calejada em tratar de assuntos pesados em editorias como a de Polícia, a repórter não escondeu seu espanto ao ver a realidade dos abrigos. Confessa isso no vídeo que está em zhora.co/AdrianaIrion, produzido para compartilhar a reportagem nas redes sociais.

Se você é daquelas pessoas mais geladas, que entendem ser esse um problema “dos outros”, pense pelo lado pragmático: com o dinheiro dos seus impostos, o poder público monta uma rede de proteção falha, imperfeita, cheia de buracos por onde as crianças escorrem e vão para as ruas, onde se transformam em bandidos, que roubarão seu carro, ameaçarão as “pessoas de bem” com armas em ataques violentos.

Se, antes desse olhar mais prático, você tem uma percepção, digamos, mais epidérmica para a questão, pense que neste momento crianças estão sendo castigadas pela segunda vez. No jargão técnico, estão sendo revitimizadas. Já sofreram em famílias desestruturadas – tente imaginar a cena de um pai jogando o filho contra um aparelho de TV – e agora padecem em locais ironicamente batizados com nomes como João-de-Barro ou Quero-Quero.

Por onde quer que seja olhada, a reportagem é perturbadora. Um coquetel formado por desleixo, despreparo, desamor e burocracia condena inocentes. Em matéria de cuidado com os pequenos, como bem resume Adriana Irion, temos muito a aprender com o joão-de-barro.

Investimento em reportagem

11 de julho de 2015 0

marta-gleich

 

No domingo passado, publicamos a reportagem “Últimos Desejos”, fruto de um ano de apuração da repórter Larissa Roso e do fotógrafo Júlio Cordeiro. Em um trecho de um e-mail recebido do leitor Elvis Marchis, resumo a avalanche de comentários que chegou à Redação elogiando o trabalho:

– A reportagem foi a mais sensível, profunda e realista que li em minha vida. Ajuda muito a percebermos nossos desejos mais essenciais e verdadeiros. Sentir-se feliz ficou mais fácil. Elvis, te confesso que passei a semana pensando nessa tua frase: sentir-se feliz ficou mais fácil. Comentei com uma porção de colegas: o que mais se pode desejar, trabalhando numa redação, do que ouvir algo assim de um leitor?

Nesta edição, mudamos totalmente de assunto, mas, novamente, apresentamos ao leitor uma das grandes reportagens do ano, fruto de uma viagem da repórter Joana Colussi e do fotógrafo Tadeu Vilani à mais nova fronteira agrícola do país. A grande maioria das pessoas sequer sabe o que significa essa região, também chamada de Mapito, Bamapito ou Mapitoba. Que confusão!

A ideia surgiu há dois anos, em uma feira agrícola em Ribeirão Preto, quando Joana ouviu do produtor gaúcho Júlio
Cézar Busato, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), que gaúchos estavam desbravando a última fronteira agrícola do Brasil, em mais uma de suas históricas colonizações pelo país.

– Desde então, passei a buzinar no ouvido da Gisele Loeblein (editora de Campo e Lavoura) para fazermos a reportagem. Agora, em 2015, o projeto ganhou força com a criação oficial pelo governo da região do MATOPIBA –iniciais de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, conta Joana.

Durante 10 dias, Joana e Tadeu viajaram 3 mil quilômetros pelos quatro Estados, onde encontraram produtores com 100 mil hectares que andam de avião particular, em contraste com boa parte da população, ainda em condições miseráveis. No Piauí, na Vila Nova Santa Rosa, famílias descendentes de alemães, originárias aqui da nossa Santa Rosa, vivem no meio do nada, a 100 quilômetros de estrada de chão do lugar mais próximo. Até 2009, não tinham energia elétrica. Falam de Grêmio e Inter como se estivessem ali na esquina da Rua da Praia. Informam-se das coisas do Rio Grande pela RBSTV via satélite e por zerohora.com. Há menos de duas décadas, quando migraram, dormiam em barracas e tinham que abrir as próprias estradas. Hoje, prósperos, são os senhores do novo polo do agronegócio brasileiro, alcançaram uma boa condição de vida e têm a certeza de que tudo valeu a pena.

Menos tabu, menos agressões, mais debate

27 de junho de 2015 5

carta_nilson

 

Os repórteres Itamar Melo e Marcelo Gonzatto estiveram mergulhados, nas últimas duas semanas, num questionamento que, em meio a reforma política e ajuste fiscal, vai ganhando força no Congresso Nacional: que definição de família deve ser aprovada e abraçada pela sociedade e pelas leis brasileiras?

Com suporte dos editores Claudia Laitano e Ticiano Osório, Itamar e Gonzatto contaram com uma ajuda que veio do Hemisfério Norte para tornar mais relevante ainda a reportagem. Na sexta-feira, a Corte Suprema dos Estados Unidos reconheceu a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo na mais influente e rica das nações ocidentais. A novidade, que entre outras repercussões pintou com as cores do arco-íris a identidade de milhões de pessoas e instituições nas redes sociais, deu mais uma pista da urgência da discussão sobre o tema no Brasil. Não é mais possível tratar como tabu, postergar por razões religiosas ou impor qualquer tipo de restrição ao debate em torno das questões de gênero, determinantes para deliberações sobre família, adoção, direitos civis, entre tantas outras.

A reportagem desta edição é uma das contribuições que Zero Hora dá para esse debate. Já na primeira página, vale refletir sobre a opinião do professor do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ Valdemar Figueiredo Filho, pesquisador das relações entre política, religião e mídia, a respeito do estágio atual do debate (ou não debate): “Não enxergo debate, enxergo agressões”. As páginas 28 e 29 comparam as visões do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), da bancada evangélica, para quem só é família a entidade formada a partir da união de um homem e de uma mulher, e da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), defensora do reconhecimento legal da união entre pessoas do mesmo sexo. Pelos projetos destes dois políticos passa a discussão sobre o tema. E você? Qual a sua opinião?

Saídas para o RS

20 de junho de 2015 1

marta gleich

 

Até setembro, data das comemorações farroupilhas, Zero Hora publicará um dossiê com mais de 15 visões diferentes e profundas sobre as possíveis saídas para a grave crise do Estado. Em junho, julho, agosto e setembro, uma semana por mês, a página de artigos publicada ao lado dos editoriais abrirá espaço para análises de lideranças empresariais, sindicais e políticas, que responderão às perguntas “O Rio Grande tem saída? Como?”.

A série inicia-se nesta semana, e, de terça a sexta-feira, publicará as contribuições dos presidentes da Fiergs, da Federasul, da Fecomércio e da Farsul. Já adianto que os artigos estão muito interessantes. Heitor José Müller, da Fiergs, defende um “Pacto de Entendimento” entre os três poderes e diz que a saída da crise é pela “porta da frente”. Ricardo Russowski, da Federasul, sugere um processo de desestatização, lembrando que o Estado não cabe mais dentro da nossa economia. Luiz Carlos Bohn, da Fecomércio, lista nove medidas duras, mas factíveis, que deveriam ser adotadas pelo Estado em busca do equilíbrio nas finanças. E Carlos Sperotto, da Farsul, diz que o mais difícil dos desafios é mudar a nós mesmos.

No mês que vem, ocuparão o espaço dirigentes sindicais das entidades mais representativas do Estado. Em agosto, será a vez da representação parlamentar, e, em setembro, farão suas análises os políticos que já governaram o Estado. Cada série semanal terá um vídeo no site de ZH com o resumo das ideias daquelas lideranças.

Foi no meio de uma reunião de rotina da Editoria de Opinião, liderada pelo jornalista Nílson Souza, que surgiu a ideia: ao ver a foto de cinco governadores juntos (Rigotto, Simon, Yeda, Jair e Sartori), tirada pelo fotógrafo Luiz Chaves, da assessoria do Palácio Piratini, e reproduzida pela colunista Rosane de Oliveira, inicialmente a equipe pensou em pedir artigos de ex-governadores com soluções para o Estado. A pauta evoluiu para outras lideranças, além das políticas, incluindo dirigentes de entidades empresariais e sindicais.

– Normalmente, a página de artigos caracteriza-se pela pluralidade, por ter ponto e contraponto, por contemplar visões diversas sobre os temas de interesse dos leitores. Vamos reservar, nessas semanas, o espaço inteiro para um artigo só, para que se possa discorrer com maior profundidade sobre as saídas para o Rio Grande do Sul. Assim, esperamos oferecer uma contribuição diferenciada para o debate em torno da retomada do desenvolvimento do Estado – diz o editor de Opinião de ZH.

A turma da Arte

13 de junho de 2015 0

marta gleich

Na Redação de Zero Hora, um andar inteiro com mais de 200 jornalistas, há no lado sudoeste uma equipe característica de todo jornal que se preze: o time da infografia. Se você entrar numa redação, é fácil identificá-los. Eles usam computadores Macintosh, enquanto os demais utilizam PCs. Têm telas maiores. Decoram as paredes com páginas premiadas em concursos internacionais. E costumam trabalhar com fones de ouvido para não se distraírem com o barulho ambiente.

Formada por 13 ilustradores, caricaturistas, infografistas, webdesigners e programadores, a equipe de Arte de ZH, liderada por Leandro Maciel, é multipremiada. Neste ano, por exemplo, ganhou um prêmio de excelência da Society for News Design, a mais relevante associação de design de jornais do mundo, com as infografias e pôsteres da Copa de 2014, e teve os trabalhos publicados no site Visualoop, que destaca o que de melhor está sendo produzido em jornalismo visual.

neymar1

A turma da Arte, que conta com Gilmar Fraga, Gabriel Renner, Gonzalo Rodriguez, Edu Oliveira, Eduardo Uchôa, Fernando Gonda, Guilherme Gonçalves, Michel Fontes, Diogo Perin, Leonardo Azevedo, Izabel Cruz e Guilherme Maron, contempla os leitores com dois trabalhos nesta edição. Duas páginas com todas as informações da Maratona e o último infográfico de uma série de 12 dos jogadores e times da Copa América. A diferença deste material é que os 12 pôsteres unidos formarão um único mosaico com as principais estrelas da competição, como na imagem abaixo.

copaa

A representação gráfica de informações, de forma a torná-las mais compreensíveis, é tão antiga quanto os famosos desenhos complementados por textos de Leonardo da Vinci. Ou tão popular quanto os insuperáveis mapas de metrô das grandes cidades do mundo (imagine explicar as 468 estações de metrô de Nova York usando só texto!). Nos jornais, a infografia tem o papel de explicar, de forma rápida e visualmente harmoniosa, assuntos complexos ou com muitos dados.

– A editoria de Esporte se presta muito a infográficos, porque eles permitem que destaquemos coisas que não estão na cobertura do dia a dia. Números, históricos, curiosidades são a matéria-prima perfeita – diz Diego Araujo, editor de Esportes. – Também podemos, de forma didática, explicar aos leitores regras sobre modalidades às quais não estão tão acostumados, como fizemos com o Superbowl, o Best Jump ou o boxe. Estamos planejando uma série olímpica para ajudar o leitor a assistir aos esportes com um pouco mais de informações.

A equipe da infografia traduz e organiza a informação para que você tenha páginas bonitas e agradáveis de ler, com muito conteúdo.

ZH é apresentada no Fórum Mundial de Editores

03 de junho de 2015 0

martaA jornalista Marta Gleich, diretora de Redação de ZH, compartilhou práticas do jornal com editores de 80 países nesta terça-feira  no 22º Fórum Mundial de Editores, no Congresso Mundial de Jornais. O painel “Redações multiplataforma – fazendo mais com menos recursos no desafio constante de evoluir rumo ao futuro mobile” detalhou como o time de jornalistas tem mantido sua missão de produzir jornalismo de alta qualidade com produtividade e buscando novos modelos de negócios. O evento se encerra nesta quarta (3), em Washington, nos Estados Unidos.

– Jornalismo de qualidade é a única coisa que manterá os jornais vivos. Precisamos, como líderes de redações, realizar as mudanças necessárias para seguir na nossa missão e continuar tendo valor para as sociedades onde atuamos – disse Marta.

No mundo todo, jornais têm enfrentado o desafio da redução de verbas publicitárias. Por outro lado, nunca se consumiu tanta notícia, e os jornais, em um contexto de múltiplas fontes de informação, têm uma vantagem, como mídia de alta credibilidade.

– Hoje, o Grupo RBS, com seus oito jornais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é o número 1 em circulação impressa, entre todos os grupos de comunicação brasileiros. Diariamente, imprime 445 mil exemplares – informou Marta.

Redações estão passando por profundas transformações. A mesma equipe que antes fazia o jornal impresso hoje produz vídeos, reportagens multimídia para plataformas digitais e conteúdos para redes sociais. De um processo de edição que ocorria a cada 24 horas no modelo antigo, de conclusão de uma edição impressa toda noite, os jornais hoje têm processos a cada minuto, com publicação contínua para aplicativos, sites, mobile sites e redes sociais.

– Quando Zero Hora completou 50 anos, criamos um novo slogan, estampado na primeira página junto ao logotipo do jornal: “Papel. Digital. O que vier”. Isso significa que estamos prontos para produzir notícias em qualquer formato para atender às necessidades do leitor. No mobile, em vídeo, em redes sociais, ao vivo, no que vier. Criamos o conceito de “redação beta”, que busca constantemente pontos a melhorar no produto, nos processos e na estrutura. Precisamos nos reinventar a cada dia para fazer frente ao novo cenário de negócios dos jornais – afirmou Marta.

Seis cadernos para pensar o futuro

30 de maio de 2015 1

marta gleich

 

Por um instante, tente imaginar 2050.
Como estarão os países, os conflitos, as imigrações? Como estará o Brasil? E as cidades? As pessoas ainda irão de ônibus e de carro para o trabalho? O que elas colocarão no prato do almoço todo dia? A cura do câncer já terá sido descoberta? Água estará sendo racionada? As famílias terão as mesmas estruturas que as de hoje?
Com o desafio não de tentar responder, mas de debater tudo isso, Zero Hora lança, na próxima quarta-feira, com o patrocínio da Unisinos, o caderno e o site Rumo.

Capa_Rumo

Em seis edições, de junho a novembro, sempre na primeira quarta-feira de cada mês, um dos seguintes temas será debatido em profundidade:
1) Comida – O que vamos comer? Como vamos comer? Quais as estratégias para garantir a produção e a distribuição de alimentos em 2050, quando seremos 10 bilhões de pessoas?
2) Mobilidade – Como vamos nos locomover em 2050? Quais serão os grandes desafios para as cidades e seus habitantes? No que a tecnologia pode ajudar? No que uma mudança de comportamento pode ajudar? Vamos precisar ir ao trabalho ou à escola, ou faremos as atividades em casa?
3) Saúde – Encontraremos a cura para doenças como câncer e aids? Que pesquisas inovadoras já apontam novos caminhos para combater velhas doenças?
4) Água – A água vai acabar? Quais são as previsões de especialistas em recursos naturais em relação à distribuição e ao consumo em 2050? Como deverão estar os rios gaúchos? Que estratégias devem ser traçadas e seguidas para evitar o colapso do abastecimento?
5) O amor – De que forma vamos nos relacionar? Como serão as famílias? Até 2050, que transformações as redes sociais vão operar nos relacionamentos, nas amizades?
6) O mundo – Em que mundo viveremos? É possível prever conflitos que mudem cenários e até fronteiras? A questão dos imigrantes: que Europa vem aí? Quais serão as potências econômicas? Que papel terá o Brasil? Continuaremos apenas neste planeta?
– Escolhemos esses temas porque são perenes e essenciais para a vida humana, e algumas dessas discussões já são urgentes – explica Ticiano Osório, editor responsável pela iniciativa, junto com Fernando Corrêa e Henrique Tramontina. –

Miramos em 2050 porque, além de ser um ano “redondo”,  é suficientemente longe para ser chamado de futuro e, ao mesmo tempo, razoavelmente perto para que os especialistas ouvidos por ZH sintam-se confortáveis para projetar.

A repórter dos assuntos inexplicáveis

23 de maio de 2015 0

marta gleich

Apaixonada por missões jornalísticas intrincadas, Juliana Bublitz apresenta nesta edição mais uma de suas façanhas: explicar de forma profunda e clara a remuneração e a carreira do magistério estadual.

Você deve ouvir há horas as tais discussões sobre o piso do magistério e o plano de carreira dessa categoria. Mas quem consegue desvendar esses temas incompreensíveis? Juliana, esta santa-cruzense de 35 anos, há 12 em Zero Hora, encarou o desafio:

— Descobri que gosto de traduzir temas difíceis. Destrinchar assuntos que outros repórteres hesitam em fazer, pelas dificuldades que isso implica. É uma forma de estar em constante aprendizado e, ao mesmo tempo, de contribuir para debates importantes e dos quais o jornalismo qualificado, aprofundado, não pode prescindir.

Na lista de assuntos complexos da repórter, estão reportagens como a da história da dívida pública do Estado com a União, em 2013, que passou a ser referência inclusive em faculdades. Ou a explicação sobre finanças públicas estaduais, outro tema árduo. Ou, ainda, a reportagem sobre os depósitos judiciais, publicada neste ano. Sempre em dupla com o editor Leandro Fontoura, corresponsável por tornar a numeralha compreensível.

Há anos, ZH deve aos leitores uma reportagem aprofundada sobre a remuneração e a carreira dos professores da rede pública estadual. Desde que a lei do piso nacional do magistério foi sancionada, em 2008, entra governo, sai governo, e o valor continua não sendo pago. E a justificativa é quase sempre a mesma: sem alterar o plano de carreira, seria impossível cumprir a lei. Juliana decidiu, então, mergulhar no assunto e entender por quê.

Durante um mês, debruçou-se sobre o tema, no Portal da Transparência e na Secretaria Estadual da Fazenda, via Lei de Acesso à Informação. Conversou com ex-secretários de Educação, entre eles o coronel Mauro Costa Rodrigues, que comandou a pasta durante o governo de Euclides Triches, na década de 1970.

O grande desafio era traduzir o significado do plano de carreira, datado de 1974. É o mais antigo em vigência entre os Estados brasileiros, o único remanescente da ditadura militar. Esse plano divide a carreira dos professores estaduais em uma série de classes e níveis, alguns deles relacionados a habilitações que já nem existem mais.

O governo estima que, para pagar o piso, teria de aplicar R$ 3,3 bilhões a mais por ano na folha de pagamento. Diante da atual situação financeira do Estado, a cifra é classificada como “impagável”. O Piratini se limita a dizer que não tem dinheiro, enquanto o Cpers não abre mão de benefícios e teme negociar. A alteração do plano, por ser complexa e por não haver fórmula pronta, é tratada como tabu. O resultado disso é que, desde 2011, o Estado já acumula um passivo de mais de R$ 10 bilhões por não pagar o piso, e a dívida com os professores gaúchos só tende a aumentar.

Em um detalhamento inédito, a reportagem apresenta números exclusivos, a partir dos quais os gaúchos finalmente vão entender como se compõe a remuneração dos professores e quanto, afinal, eles ganham. Além disso, em ZH.com, Juliana mostra, em vídeo, por que o governo não paga o piso nacional.

O momento decisivo

16 de maio de 2015 0

marta gleich

O momento decisivo

Em um ritual que harmoniza tecnicismo e intuição, a escolha da foto de capa é um processo de garimpo que ocorre todo dia bem no centro da redação. Centenas, às vezes milhares, de imagens passam pela tela do computador do editor de Fotografia Jefferson Botega, estrategicamente sentado ao lado do editor-chefe Nilson Vargas e da editora de capa Rosane Tremea, até que a foto se manifesta.

Nem sempre a descoberta é tão nítida: em alguns dias difíceis, a pepita simplesmente não está lá. Mas na noite de quarta-feira, entre centenas de imagens de Ricardo Duarte e Fernando Gomes do jogo do Inter contra o Atlético-MG no Beira-Rio, surgiu o que Henri Cartier-Bresson descreveu em 1952 em seu livro The Decisive Moment: “O fotógrafo trabalha em uníssono com o movimento, como se este fosse o desdobramento natural da forma, como a vida se revela. No entanto, dentro do movimento existe um instante no qual todos os elementos que se movem ficam em equilíbrio. A fotografia deve intervir neste instante, tornando o equilíbrio imóvel”.

Veterano em coberturas de futebol, Ricardo Duarte obteve uma foto (abaixo) que se destacou nacionalmente entre especialistas:

17400034

– Mesmo com o jogador de costas para a minha lente, acompanhei o lance. O segredo nas fotos de futebol é ficar concentrado até a cena acabar – contou Ricardo.

O fotojornalismo passou por grandes transformações nas últimas décadas, como avalia Botega:

– Em 20 anos, passamos do analógico, com revelações de filmes e ampliações em papel, para o digital dos cartões de memória, dos megabytes e gigabytes. Quando nos demos conta, as câmeras de fotografia começaram também a filmar, inventou-se a câmera compacta estilo GoPro, que nos trouxe ângulos totalmente inusitados, passamos a usar drones para fotografar remotamente. É um privilégio viver este momento, sempre buscando as melhores imagens para os leitores de ZH.

Botega criou, em 2009, o Focoblog, dedicado a publicar ensaios fotográficos e imagens especiais da editoria de Fotografia do jornal, além de destacar e debater produções de outros fotógrafos ao redor do mundo. Hoje alimentado também pelo editor Bruno Alencastro, o blog é uma aula para quem gosta de fotografia. Acesse em zerohora.com/focoblog

CARTUNS – ZH lança nesta edição um concurso para revelar novos talentos na arte do desenho de humor. Editores e ilustradores do jornal escolherão os finalistas, e o público julgará quais são os três melhores trabalhos. Confira o regulamento e como participar aqui.