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Posts na categoria "Carta do Editor"

Dois anos depois

24 de janeiro de 2015 1

marta gleich
Nas semanas que se seguiram à maior tragédia do Rio Grande do Sul – a morte de 242 pessoas na boate Kiss –, os integrantes do Comitê Editorial do Grupo RBS firmaram um compromisso. A imensurável dor provocada pelas perdas daquelas vidas não deveria ser em vão e, no que dependesse dos jornalistas da empresa, não seria. No intuito de que algo assim jamais se repita, combinamos que as redações deveriam manter a Kiss na pauta, acompanhando e cobrando a apuração de responsabilidades, uma melhor legislação para casas noturnas e avanços na prevenção de incêndios. De lá para cá, dezenas, talvez centenas de vezes o assunto esteve em jornais, rádios e TVs da RBS.

Na edição deste domingo, 24 meses depois, Zero Hora traz um novo ângulo ao caso Kiss, invisível até agora para o grande público e igualmente grave: as novas vítimas da tragédia. A cada mês, são registrados de três a cinco novos casos de sobreviventes que, em maior ou menor grau, tiveram sua saúde abalada pelo acontecimento. As chamas da boate Kiss seguem, dois anos depois, alastrando-se e fazendo vítimas.

Os repórteres Juliana Bublitz e Humberto Trezzi, a fotógrafa Andréa Graiz e o assistente Marcelo Carôllo, num trabalho de formiguinha, procuraram 160 sobreviventes. Falaram com cem deles. Desses, 12 relataram sequelas graves que só apareceram recentemente. São homens e mulheres que estiveram no local, pensaram ter se livrado sem maiores problemas físicos ou psicológicos, mas que, de algum tempo para cá, adoeceram, com depressão, estresse pós-traumático, enfisemas, asma, rinite, sinusite.

– Participo da cobertura da tragédia na Kiss desde o primeiro dia, em 27 de janeiro de 2013. É sempre duro voltar a Santa Maria e reviver o drama de quem sobreviveu e de quem perdeu familiares no incêndio. Dessa vez, foi muito impactante saber que as sequelas continuam aparecendo, que as substâncias tóxicas liberadas com o fogo continuam fazendo vítimas. É um sofrimento sem fim – conta Juliana.

– Muita gente desligava ao me anunciar como jornalista. Outros marcavam entrevista e depois nunca mais atendiam ao telefone. Houve até quem simplesmente disse: “Me deixa em paz, por favor. Não posso ouvir falar desse assunto”. É muito dolorido o trauma das vítimas. Uma dor que teima em não desaparecer – relata Trezzi.

No papel, a reportagem editada por Lúcio Charão está nas páginas 14 a 21. A edição nas plataformas digitais, por FêCris Vasconcellos, gerou um site, com depoimentos em vídeo, que você não pode deixar de conferir em zhora.co/2anoskiss. Em outra parte da reportagem digital, ZH visitou sete casas noturnas de Porto Alegre, na companhia de engenheiros especializados em prevenção de incêndios. Todas estão dentro da lei, mas os profissionais identificaram falhas, de leves a graves, que, se resolvidas, poderiam dar ainda mais segurança aos frequentadores.

Infelizmente, não será a última reportagem sobre o assunto. O compromisso firmado no Comitê Editorial se renova, dois anos depois, porque é nosso dever não permitir que irresponsabilidades, omissões e negligências sejam esquecidas.

Bola ao centro

17 de janeiro de 2015 0

marta gleich

Quantas vezes você já leu em ZH ou soube pela rádio ou TV que foram encontrados celulares, drogas e armas com presos? Aí você se pergunta: mas como? De novo? Quem é que fiscaliza isso? Por que continua entrando?
Quantas vezes você já foi informado de que, por meio de celulares, os presos mandam matar, comandam o tráfico, encomendam crimes variados, fazem a gestão de suas facções, aplicam golpes?
Quantas vezes você já ouviu promessas das autoridades ligadas ao sistema penitenciário de que medidas serão tomadas para combater o problema? E, depois de tudo isso, leu mais uma notícia sobre apreensão de celulares, drogas e armas em prisões?
Em uma recente reunião de editores, cansados – como você – deste absurdo que não se resolve, concluímos que precisávamos de uma “bola ao centro” sobre o tema. Reportagem bola ao centro, no nosso jargão interno, significa parar tudo, começar de novo e tentar responder: “Mas como é que chegamos a este ponto? Por que não se avança?”
Os jornalistas Adriana Irion e José Luís Costa, ambos com longa experiência e prêmios em reportagens ligadas a segurança, dedicaram-se nos últimos dias a colocar a bola ao centro neste assunto, e produziram a reportagem de quatro páginas na edição dominical.
Ao final da leitura, você possivelmente ficará tão indignado quanto nós, jornalistas de ZH, ficamos. Veja o que diz a repórter Adriana Irion:
– Quando veio a público o vídeo com imagens de apenados cheirando cocaína dentro do Presídio Central, cada autoridade justificou a entrada de objetos ilícitos nas prisões de uma forma, e me chamou a atenção que o item que menos apareceu foi o da corrupção, ou seja, o de situações em que agentes penitenciários ou policiais militares recebem benefícios para facilitar o ingresso de ilícitos nas galerias. Por que é tão doído falar em corrupção, tratar dela, escancarar? Juízes e promotores sabem, mas evitam declarações oficiais. Agentes sabem, mas silenciam quando deviam dar depoimento contra maus colegas. Os presos, que se beneficiam da corrupção, obviamente, jamais entregarão a fonte de auxílio. Nesse cenário blindado, é difícil crer em uma solução. Para nós, que de fora olhamos incrédulos, parece simples: se celulares são arremessados pelo muro, coloque mais guardas no muro. Se entram pela porta da frente, faça todos, os servidores também, passarem por revistas de verdade. Se é fato que uma arma não ingressa sem o aval de um carcereiro, investigue e puna por isso, e não por simples faltas funcionais. Não basta tecnologia (que será manuseada por pessoas). É preciso vontade.
Temos um novo secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini, e uma nova titular da Susepe, Marli Ane Stock. A promessa que fazem na reportagem é de combate ao ingresso de celulares em prisões, investimentos em tecnologia, fortalecimento das corregedorias e dos serviços de inteligência, reestruturação física dos presídios, rigor na fiscalização. Recorte e guarde. Zero Hora vai acompanhar e cobrar, em nome do leitor.

Que não seja em vão​

10 de janeiro de 2015 2

marta-gleich

2015 começou tristemente agitado no jornalismo. O ataque à revista Charlie Hebdo, em Paris, que deixou 12 mortos, já se configura como um dos principais fatos negativos do ano, mas, ao mesmo tempo, coloca em pauta assuntos relevantes não só para Redações: a liberdade de expressão, a morte de repórteres, fotógrafos, editores, chargistas, colunistas no exercício da profissão – e, puxando para a vida de cada um de nós, o que vamos fazer com tudo isso.

Andrew Heslop, diretor de Liberdade de Imprensa da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias, alerta que, desde 1992, mais de 1.100 jornalistas foram assassinados no mundo cumprindo seu dever. Em artigo da última semana que resumo aqui, Heslop dá a dimensão do assunto:

“Quando jornalistas são assassinados, é toda a nossa sociedade que deve sentir a ferida. Mas será este recente ataque o que vai finalmente acordar a todos para o fato de que um ataque a um jornalista é um ataque a todos nós? Não é um incidente isolado, mas um exemplo extremo da realidade, muitas vezes violenta, de milhares de profissionais da imprensa em todo o mundo. O fato de ter ocorrido em um país que, enquanto se confronta com sua identidade multicultural, acredita na diferença e diversidade – Liberté, Égalité, Fraternité – é um golpe trágico para aqueles dispostos a celebrar esses valores. Espero que fique registrado como nossas liberdades se tornaram precárias e como é grotesco que qualquer pessoa, em qualquer lugar, seja morta por exercer seu direito à liberdade de expressão. O ataque de quarta-feira atinge a origem da democracia e aspirantes a sociedades democráticas de todo o mundo”.

Quero destacar este ponto: como é grotesco que pessoas possam ser agredidas – ou até mortas – por exercer seu direito à liberdade de expressão. Guardada a diferença abissal do que vou dizer, porque não há como comparar assassinatos a violência verbal, o episódio da França deveria servir de reflexão para todos nós e para a crescente intolerância com a opinião, a religião, a sexualidade, a etnia e até a preferência clubística do outro. Nenhum de nós – eu, meus colegas, você, os demais leitores deste jornal (espero) – vai matar alguém, algum dia, por não respeitar a liberdade de ele se expressar, mesmo que não compartilhemos das mesmas opiniões. Mas até que ponto contribuímos – seja num comentário pelas redes sociais, seja num jogo de futebol, seja numa declaração racista, sexista ou xenófoba, seja em um período eleitoral – para o aumento da tolerância e para ampliar o direito de que todos se manifestem?

Não sabemos quantas notícias de violência absurda, radicalismo e intolerância extrema ainda publicaremos em 2015. Que esta primeira semana não indique o tom do ano. Que as mortes na Charlie Hebdo não sejam em vão e sirvam para nossa reflexão, e para o reforço da liberdade de expressão e de uma cultura de paz.

Votos

03 de janeiro de 2015 11

marta gleich

Por que você lê Zero Hora? E por que continuaria lendo? Neste início de 2015, listo 10 razões ou promessas da equipe da Redação de ZH que renovam o compromisso com nossos mais de 10 milhões de usuários das plataformas digitais e mais de 1 milhão de leitores da edição impressa. Eis o nosso decálogo.

1 - Este jornal tem que ser útil. Ao terminar de ler uma edição impressa ou de visitar o site, o leitor deve ter a sensação de que está bem informado, de que o jornal facilitou a sua vida, de que valeu a pena, de que aprendeu algo novo ou refletiu de forma diferente sobre algum tema.

2- ZH deve estar disponível onde você estiver, na hora que quiser: no seu celular, quando estiver numa fila, para uma consulta rápida. Em casa, na hora do café da manhã (não tem coisa que combina tão bem quanto uma xícara de café e um jornal impresso, novinho). Na leitura noturna, no tablet, naquela hora de relaxar. O jornal estará de olho – ainda mais! – em como você está mudando o jeito de consumir informação.

3 - Para enfrentar a overdose de informação diária a que estamos expostos, os editores de ZH prometem dedicar o seu melhor para fazer a curadoria daquilo que é mais relevante para o leitor. Para que você não perca tempo.

4 - Os jornalistas de ZH se comprometem a, em nome do leitor e com independência, fiscalizar governos, autoridades, órgãos públicos. Cobrar promessas, exigir boa gestão e bons serviços ao cidadão, denunciar corrupção, investigar (ainda mais em época de novo governo estadual e segundo mandato no Planalto!). É o que o jornalismo norte-americano chama de watchdog, ou cão de guarda. E igualmente estar atentos a empresas privadas, cujas más condutas – como poluir rios, sonegar impostos ou corromper, por exemplo – também afetam o cidadão.

5 - A busca incessante da verdade, a verificação dos fatos, a conferência daquilo que se está dizendo por aí, mas que ainda não está bem checado, são mantras desta Redação. Isso pressupõe ouvir mais fontes em cada assunto. Dar voz a todos os lados de uma questão. Ir fundo nos assuntos. Pôr em pauta novos temas. Mostrar bastidores. Enxergar além do que está sendo mostrado pelas fontes. Contextualizar os fatos. Colocá-los em perspectiva histórica.

6 - Em 2015, queremos estar ainda mais a seu lado, leitor. Ouvi-lo. Utilizar em ZH a sua contribuição, seja em uma sugestão de reportagem ou em um comentário sobre uma notícia online. Entender seus anseios e problemas, para estarmos mais conectados a sua vida e às comunidades onde atuamos.

7 - Contar grandes histórias, investir recursos em grandes reportagens nacionais e internacionais, investigar assuntos densos e relevantes. Fazer jornalismo em duas velocidades: mostrar o que acontece no RS, no país e no mundo, ao mesmo tempo em que dedicamos tempo para assuntos de fôlego, que fazem diferença no seu jornal.

8 - Ter opinião, nos espaços reservados a isso, mantendo o compromisso de que essas posições não influenciarão o conteúdo jornalístico. Deixar clara a opinião da empresa, em seus editoriais. Manter um time amplo e de qualidade de mais de 100 colunistas e articulistas, que emitem suas opiniões com total liberdade (discordando inclusive da opinião da empresa). Você não precisa concordar com eles, pelo contrário: os colunistas convidam à reflexão e permitem que o leitor forme suas próprias convicções.

9 - Equilibrar os lados soft e hard da vida e das notícias. Trazer, sim, aquilo que você precisa saber e nem sempre é agradável, mas também ser a pausa para divertir e entreter.

10 - Trabalhar todo dia com um propósito elevado: a busca do desenvolvimento das comunidades onde atuamos, uma vida melhor para você, nosso leitor, a melhoria da educação e o reforço de valores como a ética, o respeito, a justiça, a igualdade, a responsabilidade social, a liberdade de expressão, os direitos humanos e a paz.

2014 na capa

27 de dezembro de 2014 1

carta

Uma forma de revisitar o ano que acaba é olhar por janelas que sempre estiveram abertas para você: em vídeo, relembre as principais coberturas de ZH.

Colunistas e liberdade de expressão

20 de dezembro de 2014 0

marta gleich

Vários leitores cobraram, com razão, por que não esclareci, na semana passada, em que espaços escreveria Moisés Mendes.

Na carta anterior, apenas informei que ele deixaria de ocupar a penúltima página (o tradicional espaço do Sant’Ana) às terças e sextas-feiras. Não expliquei porque ainda não tínhamos todos os detalhes: agora, Moisés passa de três para quatro colunas por semana.Então, para relembrar as mudanças que você passa a ver em ZH a partir desta edição:

- Moisés Mendes escreverá às segundas, quartas e sextas, ao lado do editorial. Nos domingos, compartilha a página com Potter, na antepenúltima página.

- Sant’Ana passa a escrever uma página inteira aos domingos.

- David Coimbra escreve de segunda a sábado, no lugar anteriormente ocupado por Sant’Ana e Moisés (penúltima página).

- Marcos Piangers ocupará, nas sextas, a página 4, até então com o texto de David Coimbra.

Quero também comentar algumas teorias conspiratórias que se espalharam nas redes sociais, especulando por que Moisés
Mendes não escreveria mais às terças e sextas. A mais absurda imaginava que ele teria sido punido pelo jornal por ter criticado duramente o deputado federal Jair Bolsonaro. A tese é totalmente infundada. Zero Hora defende a liberdade de seus colunistas. Eles são pagos justamente para emitirem suas opiniões, sem censura.

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Na quarta-feira, logo após o anúncio do fim do embargo e da retomada de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, Zero Hora decidiu enviar um correspondente a Havana. Desde quinta, está na ilha Rodrigo Lopes, para trazer aos leitores um olhar exclusivo sobre a grande transformação vivida pelos cubanos – confira reportagem. Experiente jornalista internacional, Rodrigo já realizou dezenas de coberturas como enviado especial do Grupo RBS, entre elas a renúncia do papa Bento XVI no Vaticano, o furacão Katrina, em New Orleans, os terremotos no Peru e no Haiti, a crise na embaixada brasileira em Honduras, a guerra do Líbano, o resgate dos mineiros no Chile e o conflito na Líbia.

Neste sábado, saiba o que é The Communication (R)Evolution

19 de dezembro de 2014 0

Um caderno especial encartado em ZH neste sábado vai mostrar o que rolou no Vox 2014, evento promovido pelo Grupo RBS esta semana em Porto Alegre que reuniu dezenas de convidados de diferentes áreas. Saiba como funciona a nova plataforma The Communication (R)Evolution e detalhes sobre cada uma das 11 premissas da comunicação contemporânea.

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Novas colunas

13 de dezembro de 2014 14

marta gleich

 

Com uma semana de antecedência, informo aos leitores uma mudança importante em nosso time de colunistas. A partir de domingo que vem, Paulo Sant’Ana, David Coimbra, Moisés Mendes e Marcos Piangers alteram a frequência e o formato de suas participações em ZH. Com uma equipe de mais de 100 colunistas – sejam diários, semanais, quinzenais ou mensais –, esse tipo de mudança é permanente. Mas, por se tratar de nomes que estão entre os mais queridos dos leitores e alguns dos mais lidos do jornal, faço questão de detalhar aqui. Confira:

-Paulo Sant’Ana, que hoje escreve às segundas, quartas, quintas, sábados e domingos, passa a se dedicar a uma coluna semanal, aos domingos, ampliada e modificada. Sant’Ana segue na penúltima página na principal edição da semana e ganha mais espaço. Ocupará a página toda, com novas seções além do texto principal: um espaço dedicado às contribuições de leitores e outro com “O melhor de Sant’Ana”, relembrando frases antológicas. Aos 75 anos, Sant’Ana fala sobre sua página reformulada:

– São 16 mil textos diários que já publiquei em colunas de ZH durante 43 anos. Agora, só aos domingos, quero ver se alcanço os 20 mil.

-David Coimbra, que hoje contribui com três colunas fixas semanais – às terças-feiras no Esporte, às sextas-feiras na página 4 e na antepenúltima página aos domingos –, passa a escrever seis vezes por semana, de segunda a sábado, na penúltima página do jornal, espaço hoje ocupado nesses dias por Paulo Sant’Ana e Moisés Mendes. Direto dos Estados Unidos, onde está morando para se recuperar de um problema de saúde, David promete ocupar esta página da forma “como faz sempre”:

– Quando sento para escrever um texto, digo a mim mesmo: “Este vai ser o melhor texto que já escrevi na minha vida”.

-Moisés Mendes deixa de escrever às terças e sextas na penúltima página.

-Marcos Piangers, colaborador atual mensal do caderno Vida, ocupará também o espaço de sexta-feira na página 4, onde estava David Coimbra.

Ao promover essas mudanças, Zero Hora busca qualificar ainda mais os conteúdos produzidos por colunistas e articulistas que contam com o reconhecimento dos leitores por suas opiniões originais, criativas e posicionadas. O pluralismo de visões permite ao leitor confrontar ideias e formar seu próprio posicionamento sobre os assuntos abordados.

Marcelo Rech: viagem ao califado do terror

06 de dezembro de 2014 0

 

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Em meio a tantas mensagens trocadas durante sua cobertura na fronteira com a Síria, o editor e colunista Luiz Antônio Araujo me enviou um e-mail com um parágrafo quase escondido:
– O terreno aqui é meio pantanoso, a cidade é grande e agitada, tem muito jornalista, carros da ONU na rua. Aeroporto a 50 quilômetros do centro. Houve tentativa de sequestro de jornalistas por criminosos comuns turcos há uns dois meses (supostamente para vender para o Isis). Não vingou, e não se falou mais disso.

Embutida em uma proverbial troca de mensagens, a vívida e despretensiosa descrição sinalizava que mais uma grande reportagem de Zero Hora estava em gestação. O caderno de 12 páginas “O Califado do Terror”, encartado na edição dominical, confirma o presságio de que um material histórico, daqueles de marcar época, estava a caminho pelas mãos talentosas e experientes de Luiz Araujo. Veterano da Guerra do Afeganistão e do levante egípcio, entre outras grandes coberturas internacionais, Araujo passou uma semana rodando pela fronteira da Turquia com a Síria com a missão de trazer aos leitores de ZH um retrato preciso sobre o delirante Estado Islâmico e como transcorre a vida cotidiana sob a tutela do mais sectário dos grupos radicais do já sobressaltado Oriente Médio.

Luiz Araujo em Suruç, na fronteira sírio-turca, em 14 de novembro. Ao fundo, a cidade de Kobani

Luiz Araujo em Suruç, na fronteira sírio-turca, em 14 de novembro. Ao fundo, a cidade de Kobani

A viagem de Araujo faz parte de uma filosofia perene de Zero Hora e do Grupo RBS: investir em um jornalismo diferenciado, profundo, que não se contenta em replicar versões difundidas por terceiros, mas que entrega em primeira mão ao seu público um olhar próprio sobre os grandes fatos do Brasil e de um mundo conectado, no qual assuntos aparentemente distantes têm impacto em todas as latitudes e longitudes.

Um dos maiores conhecedores da geopolítica e da cultura árabes na imprensa brasileira – a ponto de ser um aplicado estudante da língua –, Araujo emergiu de sua incursão à fronteira síria com uma extraordinária matéria-prima jornalística, realçada pelas imagens da gaúcha Alice Martins, fotógrafa freelancer na região, e pelo talento do editor Ticiano Osório e do designer Rafael Ocaña, que lapidaram textos e fotos em um caderno de alto impacto estético e editorial. A cobertura se expande em formato multimídia para os meios digitais, nos quais a editora Natália Leal liderou uma equipe que deu forma e vida a um material destinado a entrar para a história do jornalismo digital brasileiro.

Um naco do futuro

29 de novembro de 2014 7

marta gleich

Todo mundo aí sabe o que é um TED? É um formato de palestra curta para disseminar ideias. A origem, em 1990, é no Vale do Silício, e os primeiros temas eram Tecnologia, Entretenimento e Design (daí a sigla). Depois, mais assuntos foram entrando nos TEDs, que se espalharam pelo mundo. Disponíveis na internet, são uma usina de inovação e cultura.

Na Redação de Zero Hora, fazemos um TED a cada uma ou duas semanas, para chacoalhar os neurônios. Todo mundo para o que está fazendo por 15 a 30 minutos e assiste a um colega ou a uma pessoa de fora que vem compartilhar ideias ou novidades.

Há poucos dias, Marcos Piangers, colunista de ZH e comunicador da Atlântida, falou sobre tendências de jornalismo e comunicação do SXSW, festival de cinema, música e tecnologia que se realiza no Texas todo ano. Na semana que passou, a colega Ana Cecília Nunes, analista de produto digital, contou o que viu na Schibsted, empresa de comunicação da Escandinávia conhecida por ser uma das mais avançadas no mundo digital, e em dois congressos dos Estados Unidos: Computation + Journalism, na Universidade de Columbia, e Design Driven Innovation, no Mobile Lab do MIT.

Por 30 minutos, a Redação saboreou um naco do futuro, uma fatia do que se viverá em pouco tempo, não só no mundo
da comunicação. No final da conversa, estávamos ao redor de um brinquedo genial: parecido com um Lego, chama-se LittleBits.

Se montadas, as pecinhas eletrônicas, unidas magneticamente, criam diferentes coisas, de uma simples lanterna a um sintetizador de música, de uma campainha para casa a algo parecido com um braço de uma estação espacial (os kits começam com preços ao redor de US$ 100 no Exterior).

foto

E o que nos contou a curiosa Ana Cecília (foto acima)? Na Noruega, por exemplo, apenas 5% das transações monetárias são feitas em papel moeda. O resto é com celular e cartão de crédito. Os noruegueses dizem que serão a primeira cashless society, uma sociedade sem dinheiro. Um dia isso vai chegar aqui.

Para quem apregoa que jornais vão morrer, vai aí uma notícia (eu gostei muito, mas sou suspeita!): na Noruega, um país dos mais desenvolvidos, ler jornais é regra, em todas as classes sociais e idades. Poucos não leem jornais impressos ou digitais.
Por fim, Ana mostrou outro negócio genial: a Nixie, uma pulseira com câmera de vídeo embutida. Se você a tira do pulso e a “liberta”, ela o segue, como um cachorrinho, só que voando! E filma o que você faz. Uma montanhista numa subida radical, de repente, “liberta” a nixie – que filma, de longe, a escalada.

Uma dupla de amigas que faz uma “selfie” em vídeo: a câmera se afasta e filma o parque todo. Um rapaz fazendo slackline, para ficar com as mãos livres e ao mesmo tempo se filmar, libera a câmera, que paira sobre ele e grava a performance. É difícil explicar, de tão maluco. A câmera-relógio juntou as melhores características dos wearables, das selfies e dos drones. Acesse flynixie.com e dê uma olhada.

Eu queria uma dessas embaixo da árvore de Natal.